{"id":26147,"date":"2015-11-09T21:00:26","date_gmt":"2015-11-10T00:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=26147"},"modified":"2015-11-09T21:00:26","modified_gmt":"2015-11-10T00:00:26","slug":"lewgoy-o-ambientalismo-hoje-corre-atras-da-maquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/lewgoy-o-ambientalismo-hoje-corre-atras-da-maquina\/","title":{"rendered":"Lewgoy: &quot;O ambientalismo hoje corre atr\u00e1s da m\u00e1quina&quot;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intermenos\"><em>Cap\u00edtulo sobre Fl\u00e1vio Lewgoy no Livro &#8220;Pioneiros da Ecologia&#8221; (J\u00e1 Editores, 2008, 2a.edi\u00e7ao). Lewgoy, um dos mentores do movimento ambientalista no Rio Grande do Sul, morreu no s\u00e1bado,7, aos 87 anos.<\/em><\/span><br \/>\nO HOMEM DO LABORAT\u00d3RIO<br \/>\nO professor Fl\u00e1vio Lewgoy j\u00e1 foi um entusiasta da qu\u00edmica. Ao se formar na Universidade Ferderal do Rio Grande do Sul, em 1948, acreditava seriamente \u201cque a qu\u00edmica iria transformar o mundo para melhor\u201d.<br \/>\nNos anos 60, quando surgiram os \u201cdefensivos\u00a0 agr\u00edcolas\u201d, que ele e seus colegas de ativismo batizaram de agrot\u00f3xicos, Lewgoy come\u00e7ou a se desiludir.<br \/>\nEm 1971, conheceu Jos\u00e9 Lutzenberger e ficou fascinado por ele e pelo novo movimento que surgia, em defesa do meio ambiente.<br \/>\nFoi duas vezes presidente da Agapan, duas vezes vice-presidente e hoje, aos 81 anos, \u00e9 um dos seus mais combativos ativistas. \u201cEu sou uma peste quando estou certo de uma coisa, n\u00e3o desisto nunca\u201d, diz ele.<br \/>\nPerito da Pol\u00edcia T\u00e9cnica do Rio Grande do Sul, onde trabalhou por 35 anos at\u00e9 se aposentar, especializou-se em gen\u00e9tica e passou a pesquisar os efeitos da polui\u00e7\u00e3o ambiental nos seres vivos.<br \/>\nTem v\u00e1rios trabalhos publicados em revistas cient\u00edficas internacionais e organizou o livro Pol\u00edtica e Meio Ambiente, com textos de diversos autores. Criou uma cadeira na UFRGS, a Ecogen\u00e9tica, da qual foi titular at\u00e9 se aposentar, em 1992.<br \/>\nDedicou-se, desde ent\u00e3o, exclusivamente \u00e0 causa ecol\u00f3gica e foi o principal respons\u00e1vel pela rejei\u00e7\u00e3o do projeto de duplica\u00e7\u00e3o da Riocell, j\u00e1 aprovado pelo governo do Estado, no in\u00edcio dos anos 90 e, depois, adiado.<br \/>\nUnindo seus conhecimentos de qu\u00edmica e gen\u00e9tica, ele se imbuiu da certeza de que a degrada\u00e7\u00e3o do ambiente natural e o processo de industrializa\u00e7\u00e3o sem controle estavam causando o envenenamento das pessoas com subst\u00e2ncias perigosas, mutag\u00eanicas, cancer\u00edgenas, que inclu\u00edam metais pesados, DDT, dioxinas, etc.<br \/>\nNem mesmo numa sess\u00e3o da Assembl\u00e9ia, onde era o \u00fanico ecologista no meio de mais de 300 funcion\u00e1rios da empresa, ele se deixou intimidar, denunciando os riscos dos organoclorados contidos nos efluentes que a ind\u00fastria lan\u00e7ava no Gua\u00edba.<br \/>\nSua forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi decisiva para o questionamento de certos problemas como o perigo das dioxinas resultantes do lan\u00e7amento de clorados nas \u00e1guas do Lago Gua\u00edba.<br \/>\nEle contribuiu para tornar a atividade da Agapan mais t\u00e9cnica e dar aos protestos e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas uma base cient\u00edfica. No modo de agir, ele \u00e9 quase o anti-Lutzenberger. Suas atitudes s\u00e3o discretas.<br \/>\nAo inv\u00e9s de discursos e confer\u00eancias, prefere os longos e detalhados relat\u00f3rios escritos na linguagem mais precisa e cient\u00edfica poss\u00edvel.<br \/>\nEm vez de manifesta\u00e7\u00f5es ostensivas e barulhentas, opta pela leitura atenta dos documentos e a avalia\u00e7\u00e3o criteriosa no sil\u00eancio de seu gabinete.<br \/>\nDiz que se tornou ambientalista porque, como ex-aluno de universidade p\u00fablica, que fez seus estudos custeados pelo poder p\u00fablico, queria retribuir com algo para a sociedade que pagou a sua forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuando se deu conta da quest\u00e3o ambiental, aderiu imediatamente ao movimento que resultaria na forma\u00e7\u00e3o da Agapan e n\u00e3o parou mais.<br \/>\nLewgoy recebeu o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Honor\u00e1rio de Porto Alegre, em 1982, na C\u00e2mara Municipal.<br \/>\nO depoimento a seguir \u00e9 resultado de duas entrevistas, uma gravada no dia 4 de outubro de 2001, e outra em fevereiro de 2006, duas semanas depois de ele completar 80 anos.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">In\u00edcio no ambientalismo<\/span><br \/>\n<em>&#8220;Descobri a Agapan em 1973. A minha \u00e1rea no ambientalismo diz respeito aos efeitos ecot\u00f3xicos de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, o desequil\u00edbrio e as doen\u00e7as causadas por elas. <\/em><br \/>\n<em>Viver num mundo qu\u00edmico tem muitas desvantagens, e eu entrei no movimento ambiental primeiro porque, como professor da Universidade Federal, j\u00e1 pensava numa maneira de alertar a popula\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas nos alimentos. E me dediquei com entusiasmo a isso, porque queria compartilhar o que aprendi com a popula\u00e7\u00e3o que pagou minha forma\u00e7\u00e3o na Universidade.<\/em><br \/>\n<em>Eu n\u00e3o queria s\u00f3 escrever e realizar trabalhos em laborat\u00f3rio. Queria contribuir em alguma coisa e via que as pessoas n\u00e3o tinham conhecimento. Essa posi\u00e7\u00e3o era vista com reserva pelo meio acad\u00eamico. Mas eu estava fazendo um trabalho sobre metais t\u00f3xicos e vi que na composi\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o h\u00e1 metais venenosos. E descobri que nosso carv\u00e3o \u00e9 fonte de muitos metais nocivos, uma verdadeira enciclop\u00e9dia: ars\u00eanio, ber\u00edlio, c\u00e1dmio, chumbo, cromo, t\u00f3rio, ur\u00e2nio. Sabia que havia grandes projetos de instalar usinas termel\u00e9tricas e decidi denunciar isso. Comecei a botar a boca no mundo, a fazer campanha contra as usinas que queimam carv\u00e3o \u2013 fa\u00e7o isso at\u00e9 hoje.<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 importante destacar que era \u00e9poca da ditadura militar, pela repress\u00e3o as pessoas n\u00e3o podiam falar o que pensavam. Por outro lado, quando algu\u00e9m falava imediatamente a imprensa ca\u00eda em cima, queria ouvir, divulgar, e o movimento ambiental buscava isso mesmo, n\u00e3o por oposi\u00e7\u00e3o ao governo, mas para ser ouvido.<\/em><br \/>\n<em>Come\u00e7aram a me chamar para entrevistas na TV, r\u00e1dio, jornal. Como n\u00e3o podiam criticar o governo, os rep\u00f3rteres me procuravam, por qualquer coisa j\u00e1 vinham me entrevistar. Fiquei at\u00e9 meio deslumbrado pela notoriedade f\u00e1cil.<\/em><br \/>\n<span class=\"intermenos\"><em>Agrot\u00f3xicos<\/em><\/span><br \/>\n<em>Depois comecei a tratar de outras coisas, no campo da polui\u00e7\u00e3o ambiental&#8230; E veio \u00e0 tona a quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos. Praticamente s\u00f3 quem falava eram a Magda [Magda Renner, da ADFG], o Lutzenberger e eu. \u00c9ramos os tr\u00eas. Havia outras pessoas, claro, mas eles n\u00e3o tinham tanta visibilidade, n\u00e3o se achavam t\u00e3o bons para falar.<\/em><br \/>\n<em>Outros tinham medo. Eu sempre tive essa facilidade de conversa por ser professor,<\/em><br \/>\n<em> aprendi a falar de maneira intelig\u00edvel. Foi uma iniciativa do Germano Bonow que abriu as portas para a gente discutir os agrot\u00f3xicos. Descobriram agrot\u00f3xicos no Gua\u00edba e ele n\u00e3o teve d\u00favidas: divulgou, mandou para a imprensa, isso em 1977 ou 78. <\/em><br \/>\n<em>Come\u00e7aram as discuss\u00f5es da Lei dos Agrot\u00f3xicos. A Magda Renner, o Caio Lustosa, eu, o Salzano Barreto e mais alguns fizemos um projeto e o governador vetou. Depois passou pela Assembl\u00e9ia Legislativa e a lei saiu. Pouco tempo depois, nove estados apresentaram leis<\/em><br \/>\n<em> semelhantes, baseadas na nossa.<\/em><br \/>\n<em>Em 1985, o presidente Jos\u00e9 Sarney estabeleceu uma comiss\u00e3o para redigir a lei federal dos agrot\u00f3xicos. O deputado Antenor Ferrari me perguntou se eu queria ir, eu fui e se n\u00e3o tivesse ido teria sido outra coisa. Foi a primeira vez que eu fiz pol\u00edtica. <\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o cheg\u00e1vamos a ter uma maioria dentro da Comiss\u00e3o, faltavam um ou dois votos para sermos maioria. Mas eu descobri quais eram os objetivos deles l\u00e1.<\/em><br \/>\n<em>Tinha representantes de uma ONG do Pantanal que era dos donos de fazendas e eles n\u00e3o estavam interessados em matar jacar\u00e9 ou poluir, estavam com medo que fosse algo que resultasse em preju\u00edzo deles. \u201cTanto quanto eu saiba, os agrot\u00f3xicos prejudicam voc\u00eas tamb\u00e9m\u201d, eu disse. <\/em><br \/>\n<em>E ele se comprometeu a votar conosco. Faltava o voto do representante da ind\u00fastria de produtos veterin\u00e1rios, que n\u00e3o se conformava que os produtos veterin\u00e1rios fossem considerados agrot\u00f3xicos. A primeira reuni\u00e3o foi braba.<\/em><br \/>\n<em>Havia representantes das cooperativas paulistas que votavam com a ind\u00fastria qu\u00edmica e gente que estava em cima do muro. A\u00ed eu comecei a falar. Falei com o representante da ind\u00fastria veterin\u00e1ria, disse que n\u00e3o est\u00e1vamos com a inten\u00e7\u00e3o de classificar os produtos veterin\u00e1rios como agrot\u00f3xicos, e ele passou a votar conosco. Eu fiz pol\u00edtica. <\/em><br \/>\n<em>Tudo aquilo que n\u00f3s propusemos passou, ficamos com uma pequena maioria. Se n\u00e3o fosse o [Pedro] Simon essa lei n\u00e3o teria sa\u00eddo. Ele era ministro da Agricultura e na primeira reuni\u00e3o o representante do minist\u00e9rio n\u00e3o deixava nem a gente falar. <\/em><br \/>\n<em>Telefonamos para o Simon, que falou com o representante e ele decidiu nos dar palavra e nos deixar falar. Eu, como geneticista, introduzi uma cl\u00e1usula que agrot\u00f3xico mutag\u00eanico, cancer\u00edgeno, n\u00e3o podia ter registro.<\/em><br \/>\n<span class=\"intermenos\"><em>Lutzenberger e a Agapan<\/em><\/span><br \/>\n<em>Chegou um ponto em que o Lutzenberger n\u00e3o era mais apenas um personagem ga\u00facho, era uma figura nacional, mundial. Ele falava no senado norte-americano, no parlamento alem\u00e3o, ia almo\u00e7ar com o Pr\u00edncipe Charles, era amigo do homem da Teoria Gaia, o Lovelock. <\/em><br \/>\n<em>Uma noite recebi em casa um grupo de integrantes da c\u00fapula da Agapan, que me pressionaram a candidatar-me a presidente. \u201cN\u00e3o quero ser presidente, o Lutzenberger vai continuar. \u2014 N\u00e3o, o Lutzenberger agora \u00e9 personagem internacional, fica tu de presidente. Mas eu n\u00e3o quero\u201d. Ficaram duas horas l\u00e1, eram dez, doze pessoas. A press\u00e3o foi muito grande.<\/em><br \/>\n<em>Celso Marques, Caio Lustosa, Udo Mohr, Lair Ferreira, outros que n\u00e3o lembro. Ficaram ali martelando, at\u00e9 que cedi: \u201cEst\u00e1 bem, est\u00e1 bem\u201d. Aceitei, mas foi uma temporada muito dif\u00edcil. Ser presidente d\u00e1 trabalho e incomoda\u00e7\u00e3o, todo mundo me cobrava. O [ent\u00e3o prefeito de Porto Alegre, Alceu Collares me interpelava: \u201cMas como a Agapan fez isso?\u201d \u2014 Mas a Agapan n\u00e3o fez isso, dr. Collares. Jornalista me xingava: \u201cE o que a Agapan\u00a0<\/em><em>est\u00e1 fazendo?\u201d \u2014 A Agapan n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada. Pensa que somos o qu\u00ea? Milagreiros?\u201d. Eu dizia: \u201cA Agapan n\u00e3o \u00e9 \u00f3rg\u00e3o ambiental\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Fiquei dois mandatos. O terceiro n\u00e3o aceitei. A\u00ed assumiu o Celso Marques. Na \u00e9poca, o Lutzenberger n\u00e3o levou a coisa muito pacificamente. At\u00e9 continuou meu amigo, mas a Agapan ele n\u00e3o quis mais. A consci\u00eancia n\u00e3o me acusa de\u00a0<\/em><em>nada, porque na verdade a Agapan tinha ficado \u00e0s moscas. <\/em><br \/>\n<em>O Lutzenberger achava que afinal ele tinha criado a Agapan, era uma portavoz dele&#8230; Mas n\u00e3o era, a Agapan j\u00e1 n\u00e3o era dele, pertencia ao Rio Grande do Sul, ao Brasil. <\/em><br \/>\n<em>Tanto que existiam Agapans em muitos munic\u00edpios. Uma vez eu disse para ele (eu era vicepresidente): \u201cOlha, Lutz, acho bom a gente pedir para essas Agapans mudarem de nome, est\u00e3o fazendo horrores a\u00ed\u201d.<\/em><br \/>\n<em> Ele concordou, mandamos uma mensagem para as entidades: \u201cAssumam sua identidade local, n\u00e3o queremos mais que voc\u00eas sejam Agapan disso ou daquilo\u201d. Uma, por exemplo, estava pregando o uso de agrot\u00f3xico para exterminar o capim que crescia nas ruas. E outras sacanagens que a gente sabia.<\/em><br \/>\n<em>O Lutzenberger n\u00e3o tinha emprego p\u00fablico, era direito dele vender sua for\u00e7a de trabalho \u2013 ele tinha muitas despesas para financiar, secret\u00e1rias, viagens. E trabalhou para a Riocell (hoje Aracruz Celulose). Mas n\u00e3o projetou aquele sistema de efluentes. <\/em><br \/>\n<em>Foi uma empresa que projetou, ele assumiu. Acho que n\u00e3o devia ter deixado a Riocell usar o nome dele, porque \u00e9 um aval para uma empresa. N\u00e3o o acuso de corrupto. Eu lhe tenho admira\u00e7\u00e3o e o reconhe\u00e7o. Quando assumi a presid\u00eancia da Agapan, homenageei-o fazendo-o presidente honor\u00e1rio da Agapan, o primeiro e \u00fanico. Ele era excepcional, carism\u00e1tico, falava espanhol, alem\u00e3o, franc\u00eas e ingl\u00eas. N\u00e3o vai haver outro. Era um cara genial! Faz falta.<\/em><br \/>\n<span class=\"intermenos\"><em>O ambientalismo \u00e9 um f\u00f3ssil vivo<\/em><\/span><br \/>\n<em>A Agapan ainda est\u00e1 atuante e eu, quando solicitado, dou minha orienta\u00e7\u00e3o, meus palpites. Mas a imprensa n\u00e3o d\u00e1 mais cobertura, n\u00e3o temos mais visibilidade. O ativista perdeu relevo no processo. <\/em><br \/>\n<em>Na chamada democracia, come\u00e7amos a decair, pois a m\u00eddia come\u00e7ou a ter muitos focos de interesse. E a maneira de atuar que t\u00ednhamos, com mobiliza\u00e7\u00f5es, saiu de moda. <\/em><br \/>\n<em>Hoje a Agapan n\u00e3o faz mais aqueles protestos de levar cartazes e sair para as ruas, como antigamente. S\u00f3 quem tem dinheiro, como o Greenpeace, pode fazer essas a\u00e7\u00f5es, mas o Greenpeace tem pouca a\u00e7\u00e3o local.<\/em><br \/>\n<em>O nosso pr\u00f3prio sucesso nos chutou pra escanteio. As bandeiras que a gente defendia \u2013 prote\u00e7\u00e3o da natureza, coibir a polui\u00e7\u00e3o industrial \u2013 foram adotadas, mesmo que na maioria delas, s\u00f3 de fachada. <\/em><br \/>\n<em>O nosso \u00eaxito, do ponto de vista formal, foi total, mas isso incomoda porque a gente sabe que, ao mesmo tempo, esses problemas n\u00e3o foram vencidos.<\/em><br \/>\n<em>Claro, \u00e9 \u00f3timo que existam ONGs ambientalistas, que ali\u00e1s, sobrevivem com muito esfor\u00e7o e m\u00e9rito. Mas os objetivos j\u00e1 foram atingidos, o ambientalismo como movimento hoje pertence \u00e0 hist\u00f3ria. <\/em><br \/>\n<em>O movimento \u00e9 como um f\u00f3ssil vivo, porque todas as leis poss\u00edveis j\u00e1 foram feitas, para qualquer tema existe o C\u00f3digo do Meio Ambiente.<\/em><br \/>\n<em>Princ\u00edpios de respeito \u00e0 natureza fazem parte do ensino fundamental, os \u00f3rg\u00e3os ambientais \u2013 Fepam, Ibama \u2013 foram criados. Ali\u00e1s, perdemos muitos militantes para o governo. E quando eles entram no governo se esquecem que s\u00e3o ambientalistas.<\/em><br \/>\n<em>Houve uma enorme mortalidade de entidades ecol\u00f3gicas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Al\u00e9m da Agapan, o [N\u00facleo] Amigos da Terra continua na ativa. Em Pelotas h\u00e1 o Centro de Estudos Ambientais, tem mais uma organiza\u00e7\u00e3o de Gravata\u00ed, mas s\u00e3o entidades de poucas pessoas, quando o ideal \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a. <\/em><br \/>\n<em>Ainda assim, fazemos o acompanhamento de diversas quest\u00f5es \u2013 nos conselhos estadual e municipal do meio ambiente, por exemplo \u2013, que s\u00e3o as nossas lutas atualmente: a constru\u00e7\u00e3o de barragens, a energia a carv\u00e3o, transg\u00eanicos, a amplia\u00e7\u00e3o da Riocell.<\/em><br \/>\n<em>O palco de atua\u00e7\u00e3o das ONGs ambientalistas hoje est\u00e1 nos quadros, isto \u00e9, dentro das institui\u00e7\u00f5es da sociedade, apesar de n\u00e3o estar subordinada ao sistema. \u00c9 at\u00e9 mais proveitoso usar recursos legais como o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a legisla\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma forma de luta contempor\u00e2nea. <\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o se pode mais agir como antes, atrav\u00e9s de manifesta\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso atuar dentro do foro legal, com advogados, an\u00e1lises cient\u00edficas, pareceres, laudos. E a ecologia tem especialistas, profissionais em diversas \u00e1reas, que s\u00e3o os ambientalistas de hoje. Tem tamb\u00e9m amadores, gente abnegada.<\/em><br \/>\n<em>O ativismo \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o est\u00e1 trazendo novidade. Quando tiver algo novo, o ambientalismo ressuscita em outro contexto. Hoje est\u00e1 correndo atr\u00e1s da m\u00e1quina.<\/em><br \/>\n<em>Aqui no Brasil tem muita gente nova, mas no Sul, pelo menos, n\u00e3o surgiu nenhuma Magda Renner, nem um novo Lutzenberger. N\u00e3o estou vendo novas lideran\u00e7as parecidas. E se surgir, por que meio v\u00e3o se expressar, o que v\u00e3o ter a dizer? Quais ser\u00e3o as propostas? <\/em><br \/>\n<em>Todo mundo sabe qual \u00e9 a proposta: reduzir a devasta\u00e7\u00e3o a um n\u00edvel toler\u00e1vel, que possibilite a recupera\u00e7\u00e3o. E que as tecnologias s\u00f3 sejam postas em pr\u00e1tica se forem ambientalmente benignas. Por exemplo, nenhum produto poderia ser fabricado sem que houvesse um projeto bem delineado, ber\u00e7o ao t\u00famulo.<\/em><br \/>\n<em>Tem que voltar tudo para o meio ambiente. Outro: n\u00e3o d\u00e1 para aceitar produ\u00e7\u00e3o de energia pela queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil. Pode ser g\u00e1s, biomassa, que ainda assim contribuem para o efeito estufa.<\/em><br \/>\n<span class=\"intermenos\"><em>Distor\u00e7\u00f5es no governo<\/em><\/span><br \/>\n<em>O governo tem uma posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 de fazer gest\u00e3o ambiental e isso pressup\u00f5e prioridades. Se gastar em uma coisa, n\u00e3o tem dinheiro para outra, \u00e9 preciso escolher. E a\u00ed come\u00e7am as diverg\u00eancias. <\/em><br \/>\n<em>De vez em quando se faz uma a\u00e7\u00e3o judicial para se impedir que a prioridade seja essa. E como estamos fora do governo, temos condi\u00e7\u00f5es de ser independentes e julgar as coisas conforme pensamos, e n\u00e3o temos compromisso com cargos p\u00fablicos, secret\u00e1rios, ambi\u00e7\u00f5es de ser senador ou algo assim.<\/em><br \/>\n<em>A ONG tem mais liberdade, teoricamente. Pode errar e se corrigir, voltar atr\u00e1s. O governo muitas vezes faz escolhas erradas e tem que defend\u00ea-las, sen\u00e3o sofre muitos preju\u00edzos pol\u00edticos. O governo tem o controle do CONSEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente).<\/em><br \/>\n<em>Isso n\u00e3o pode acontecer, a lei que estabelece a composi\u00e7\u00e3o do Conselho deveria ser mudada. O gestor n\u00e3o pode fiscalizar a si mesmo. O governo n\u00e3o pode ter 60%, 70% das vagas de conselheiros. \u00c9 um absurdo, uma quest\u00e3o de \u00e9tica. Eu batalhei pela SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), foi um progresso, mas ainda h\u00e1 muitos problemas. Est\u00e3o facilitando os licenciamentos, relaxando nas normas, o que permite maior devasta\u00e7\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o. Avan\u00e7amos na lei tudo aquilo que quer\u00edamos na d\u00e9cada de 70, as leis est\u00e3o a\u00ed, mas onde est\u00e1 a fiscaliza\u00e7\u00e3o?<\/em><br \/>\n<em>Passar a gest\u00e3o dos licenciamentos ambientais para os munic\u00edpios \u00e9 outro tema que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de resolver, pois muitas [cidades] vivem numa indig\u00eancia financeira e n\u00e3o t\u00eam pessoas qualificadas. Por outro lado a evolu\u00e7\u00e3o aponta para esse caminho. Espero que a cidadania das pessoas aumente, que elas votem nas pessoas certas e que funcionem os conselhos \u2013 s\u00e3o entidades muito poderosas quando trabalham de maneira correta, e t\u00eam a lei a seu lado.<\/em><br \/>\n<span class=\"intermenos\"><em>Gua\u00edba est\u00e1 no limite<\/em><\/span><br \/>\n<em>Est\u00e3o melhorando a Riocell aos poucos, envenenando menos o ecossistema aqu\u00e1tico e terrestre. Eles ainda lan\u00e7am efluentes no Lago Gua\u00edba, onde continuam sendo os mais importantes poluidores. Estive revisando o EIA\/Rima da duplica\u00e7\u00e3o, de 2002. <\/em><br \/>\n<em>O que interessa \u00e9 o chamado AOX, que s\u00e3o aqueles organoclorados. \u00c9 uma barbaridade o despejo de organoclorados. As dioxinas, que s\u00e3o um dos AOX, s\u00e3o venenos em quantidades incrivelmente baixas. Precisaram inventar novas unidades para eles: trilion\u00e9simo de grama, quadrilion\u00e9simo de grama.<\/em><br \/>\n<em>E a argumenta\u00e7\u00e3o deles \u00e9 que as dioxinas atingiram quantidades extremamente baixas. Mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o medidas. E al\u00e9m das dioxinas tem outros organoclorados, dezenas, talvez centenas, todos nocivos \u00e0 sa\u00fade. A toxicologia moderna n\u00e3o aceita o argumento de que as quantidades s\u00e3o baixas. Porque a \u00e1gua de consumo, leite, refrigerantes, tudo isso \u00e9 com \u00e1gua do rio.<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o, s\u00e3o d\u00e9cadas de ingest\u00e3o de microvenenos que no fim das contas v\u00e3o causar danos bem palp\u00e1veis: m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita, v\u00e1rias formas de c\u00e2ncer, v\u00e1rias formas de degenera\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria cortical do c\u00e9rebro, como Alzheimer, Parkinson&#8230; Tudo isso s\u00e3o efeitos dessas subst\u00e2ncias. <\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o \u00e9 uma coisa que se possa despejar num lago que \u00e9 um manancial, que j\u00e1 est\u00e1 bastante polu\u00eddo, praticamente em estado pr\u00e9-cr\u00edtico, quer dizer, praticamente n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de auto-regenera\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Se levarmos em considera\u00e7\u00e3o as secas peri\u00f3dicas, a polui\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, principalmente herbicidas nos arrozais, polui\u00e7\u00e3o por esgoto in natura. At\u00e9 o esgoto tratado, que \u00e9 um eufemismo para dizer coc\u00f4, assim, menos fedorento e com menos possibilidade de ter bact\u00e9rias e outras coisas mais&#8230; O ecossistema do Gua\u00edba est\u00e1 num estado muito ruim, qualquer coleta de peixes d\u00e1 anomalias morfol\u00f3gicas importantes \u2013 perda de escama, coluna vertebral deformada, um monte de m\u00e1 forma\u00e7\u00f5es. E isso j\u00e1 tem 15 anos ou mais.<\/em><br \/>\n<em>Esse ecossistema est\u00e1 muito comprometido, n\u00e3o deveria receber mais nada, mas segue recebendo despejos industriais de diversas empresas, tem, por exemplo, a sider\u00fargica em Sapucaia, o P\u00f3lo Petroqu\u00edmico&#8230; Por enquanto n\u00e3o d\u00e1 para imaginar um mundo sem papel, mas isso contribui para a devasta\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. E o Lago j\u00e1 est\u00e1 com uma recupera\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil, bota mais uma fonte de polui\u00e7\u00e3o e o estado fica cr\u00edtico, irrecuper\u00e1vel. Quer dizer, o rio T\u00e2misa era irrecuper\u00e1vel, mas&#8230; Se bem que ali eles botaram um dinheiro firme, coisa que aqui n\u00f3s n\u00e3o temos.<\/em><br \/>\n<em>Somos c\u00famplices<\/em><br \/>\n<em>Todos n\u00f3s vestimos, comemos, consumimos papel, chips de computador&#8230; E o chip de computador, pouca gente sabe, \u00e9 uma das coisas de produ\u00e7\u00e3o mais ambientalmente<\/em><br \/>\n<em> agressivas que existem. A gente se sente c\u00famplice do processo. Tem um personagem publicado nos Estados Unidos, um animalzinho chamado Pogo, que fala tiradas filos\u00f3ficas. Numa dessas ele disse: \u201cEncontrei o inimigo!&#8230; Somos n\u00f3s\u201d (risos). \u00c9 isso mesmo. Somos n\u00f3s, o ecologista, o industrial, o trabalhador&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Vou contar o que me disse um dirigente dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, num encontro, h\u00e1 muitos anos, sobre o Plano Diretor de Porto Alegre. A gente estava vendo que com a concentra\u00e7\u00e3o de grandes pr\u00e9dios, aquela massa de concreto, tinha que instalar todo tipo de adutor: \u00e1gua, luz el\u00e9trica, telefone. Ent\u00e3o tinha que restringir. Diz o cara para mim, com um ar brabo: \u201cQuanto mais alto melhor!\u201d&#8230; Fala com o trabalhador da ind\u00fastria do carv\u00e3o: ele quer matar quem diz que o carv\u00e3o \u00e9 ruim. N\u00e3o posso conden\u00e1-lo, \u00e9 realmente a sobreviv\u00eancia da fam\u00edlia dele. Ent\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o a curto prazo s\u00e3o medidas remediais.<\/em><br \/>\n<em>Vamos fazer um Plano Diretor: tal zona n\u00e3o pode ter arranha-c\u00e9u \u2013 no fim acaba indo para l\u00e1. Tem que ter um cintur\u00e3o verde ao redor de Porto Alegre \u2013 mas isso acabou, a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil conseguiu acabar com a \u00e1rea rural de Porto Alegre. Ent\u00e3o, estamos perdendo essa guerra.<\/em><br \/>\n<em>Mas veja, eu uso muito papel. \u00c9 a\u00ed que entra nossa cumplicidade, estamos amarrados \u00e0 forma de vida da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. E o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 uma coisa bem antiga: o primeiro mundo est\u00e1 colocando no terceiro as f\u00e1bricas de alto consumo energ\u00e9tico e dano ambiental. E aqui o pessoal baba de gozo. \u201cAh, vamos fazer estrada para voc\u00eas, vamos colocar energia el\u00e9trica&#8230;\u201d. Tudo isso tinha que ser repensado. O Rio Grande do Sul tem tanta potencialidade, produtos agr\u00edcolas&#8230; N\u00e3o d\u00e1 para sintetizar gr\u00e3os, sintetizar carnes, sintetizar \u00e1gua. E n\u00f3s temos \u00e1gua. A China, que \u00e9 o maior pesadelo produtivo do mundo, n\u00e3o tem, est\u00e3o bebendo aquela \u00e1gua que o \u201cdiabo\u201d perfurou. Os rios deles s\u00e3o polu\u00eddos. N\u00f3s exportamos nossa \u00e1gua, em forma de gr\u00e3os. Mas est\u00e1 bem, a maior produ\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 na nossa m\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>O Lutzenberger que falava da import\u00e2ncia do pequeno agricultor, da agricultura familiar. Acho que o processo n\u00e3o deveria ser feito com essas esp\u00e9cies que demandam enormes superf\u00edcies&#8230; S\u00e3o tantas coisas para avaliar que precisar\u00edamos de uns 20, 30 especialistas em tempo integral trabalhando. Quem \u00e9 que vai pagar isso? Tem que ser um cara aposentado como eu, que acumulou uma vida de estudos para poder dizer alguma coisa de algum setor e d\u00ea alguns palpites sobre o geral.<\/em><br \/>\n<em>Transg\u00eanicos<\/em><br \/>\n<em>Volta e meia o Conselho Estadual de Sa\u00fade me aciona, pediram, por exemplo, minha opini\u00e3o sobre transg\u00eanicos e eu fiz um parecer. Sou contra os transg\u00eanicos da atual gera\u00e7\u00e3o, acho que eles precisam melhorar, pois oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente. Eu n\u00e3o sou contra a transgenia, s\u00f3 acho que ela est\u00e1 num est\u00e1gio ainda preliminar. O laborat\u00f3rio pega genes de peixe e bota em planta, genes humanos em galinha e assim por diante, o que implica em conseq\u00fc\u00eancias para o meio ambiente.<\/em><br \/>\n<em>A t\u00e9cnica mais usada n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel. N\u00e3o sou contra a tecnologia m\u00e9dica, curar doen\u00e7as incur\u00e1veis por tecnologia \u00e9 fant\u00e1stico. Mas a primeira gera\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos precisa se tornar mais segura.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cap\u00edtulo sobre Fl\u00e1vio Lewgoy no Livro &#8220;Pioneiros da Ecologia&#8221; (J\u00e1 Editores, 2008, 2a.edi\u00e7ao). Lewgoy, um dos mentores do movimento ambientalista no Rio Grande do Sul, morreu no s\u00e1bado,7, aos 87 anos. O HOMEM DO LABORAT\u00d3RIO O professor Fl\u00e1vio Lewgoy j\u00e1 foi um entusiasta da qu\u00edmica. 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