{"id":2625,"date":"2009-01-29T18:35:02","date_gmt":"2009-01-29T21:35:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=2625"},"modified":"2009-01-29T18:35:02","modified_gmt":"2009-01-29T21:35:02","slug":"depois-do-fogo-a-chuva-na-vila-chocolatao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/depois-do-fogo-a-chuva-na-vila-chocolatao\/","title":{"rendered":"Depois do fogo, a chuva bate na Vila Chocolat\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div><strong><\/strong><\/div>\n<p><strong><\/strong><br \/>\n<figure id=\"attachment_2631\" aria-describedby=\"caption-attachment-2631\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><strong><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/criancas-da-vila.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2631\" title=\"criancas-da-vila\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/criancas-da-vila-300x400.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as da Vila: mis\u00e9ria ao amanhecer\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/a><\/strong><figcaption id=\"caption-attachment-2631\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as da Vila: mis\u00e9ria ao amanhecer<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong>Por Daiane Menezes<\/strong><br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong><\/strong><br \/>\nO inc\u00eandio de segunda-feira na Vila Chocolat\u00e3o destruiu quase metade dos casebres, mais de 50. Passa de 250 o n\u00famero de desabrigados. A maior parte deles \u00e9 crian\u00e7as. Depois da chuva da noite de quarta, o terreno estava todo embarrado.<br \/>\nSeu Paulo Roberto Soares Correia fazia um sop\u00e3o para sua fam\u00edlia com um pacote de massa. Al\u00e9m disso, caf\u00e9 preto. Ele est\u00e1 morando provisoriamente num galp\u00e3o de reciclagem com sua mulher, seus quatro filhos e seus cachorros \u2013 um deles chama-se Fa\u00edsca. Nome ruim para um c\u00e3o que vive em um local que incendiou sete vezes desde 2003.<br \/>\nPaulo aponta para a regi\u00e3o agora terraplanada e diz \u201ceu moro ali, queimou tudo\u201d. Apesar das perdas provocadas pelos inc\u00eandios recorrentes e do prazo de dez meses que t\u00eam para deixar o terreno da Justi\u00e7a Federal, o discurso dos moradores \u00e9 sempre o mesmo. \u201cV\u00e3o fazer casas de emerg\u00eancia, mas o pessoal n\u00e3o quer sair daqui. \u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia\u201d, diz ele. Na mesma linha, Marlene Isabel Queiroz de Souza, moradora da Chocolat\u00e3o desde 1984, argumenta: \u201cl\u00e1 na Zona Norte vamos morrer de fome, porque aqui todo mundo puxa carro\u201d. A maior fonte de renda da comunidade \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o de lixo recicl\u00e1vel.<br \/>\nNa vila h\u00e1 muita solidariedade. \u201cCada pessoa agasalhou uma fam\u00edlia\u201d, diz Marlene. H\u00e1 quase tanto cachorro quanto pessoas em frente aos barracos que sobraram. No meio do terreno h\u00e1 ainda alguns sinais da queimada, mas j\u00e1 est\u00e1 limpo e aterrado. Ali ser\u00e3o constru\u00eddas casas de emerg\u00eancia, de 3 metros por 3 metros. Tr\u00eas bares queimaram, com todos os produtos que eram vendidos e o dinheiro. Ant\u00f4nio L\u00e1zaro Silva de Oliveira tamb\u00e9m n\u00e3o teve sorte: \u201cEstou na casa de um vizinho. N\u00e3o deu para salvar nem os documentos\u201d.<br \/>\nDoa\u00e7\u00f5es de estantes e arm\u00e1rios foram feitas de forma misteriosa. No bar Dois Irm\u00e3os, que n\u00e3o foi atingido pelo fogo, Fabiano diz: \u201cSe n\u00e3o foi um anjo, foi uma anja\u201d. Se aqueles m\u00f3veis v\u00e3o caber nas casas que dever\u00e3o ser constru\u00eddas para a comunidade, \u00e9 outra quest\u00e3o. Neste bar, alguns objetos que foram salvos das chamas, entre eles um fog\u00e3o de seis bocas e uma moto.<br \/>\nOutros pavilh\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o de lixo tamb\u00e9m viraram dormit\u00f3rios. Na vila h\u00e1 uma pracinha e uma estrutura de banheiros com tanques de lavar roupa. Os casebres constru\u00eddos com lonas, telhas e madeira, junto com o lixo espalhado pelo ch\u00e3o, produzem um colorido estranho para a paisagem. O caf\u00e9 da manh\u00e3 da crian\u00e7ada da vila foi banana e copinhos d\u2019\u00e1gua. Um ou outro adulto apareceu com um peda\u00e7o de p\u00e3o na m\u00e3o. Na casa onde a comida \u00e9 distribu\u00edda h\u00e1 tamb\u00e9m pilhas de roupas.<br \/>\nDe todos os pol\u00edticos que passaram pela Chocolat\u00e3o na \u00e9poca da elei\u00e7\u00e3o, s\u00f3 apareceram por l\u00e1 durante o inc\u00eandio os vereadores Pedro Ruas e Carlos Comassetto, e o prefeito Foga\u00e7a, que \u201centrou l\u00e1 por tr\u00e1s, pelo lado limpo\u201d, diz Tia Lena. Ao sair da vila, o homem que veio junto com os caminh\u00f5es preparar o terreno para a constru\u00e7\u00e3o das casas de emerg\u00eancia disse: \u201cPessoal relaxado, deixa tudo sujo\u201d. N\u00e3o \u00e9 por nada, afinal eles vivem recolhendo lixo nas ruas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daiane Menezes O inc\u00eandio de segunda-feira na Vila Chocolat\u00e3o destruiu quase metade dos casebres, mais de 50. Passa de 250 o n\u00famero de desabrigados. A maior parte deles \u00e9 crian\u00e7as. Depois da chuva da noite de quarta, o terreno estava todo embarrado. 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