{"id":265,"date":"2006-09-25T15:32:24","date_gmt":"2006-09-25T18:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=265"},"modified":"2006-09-25T15:32:24","modified_gmt":"2006-09-25T18:32:24","slug":"cidadao-kane-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cidadao-kane-no-cinema\/","title":{"rendered":"Cidad\u00e3o Kane no cinema"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/kane.jpg?0.7068949334976586\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"250\" height=\"330\" \/><\/p>\n<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Um filme, muitos mitos: <em>Cidad\u00e3o Kane<\/em> (Drama, EUA, 119 min, preto-e-branco, 1941), de Orson Welles \u00e9 um marco na hist\u00f3ria do cinema. Se transformou em <em>cult<\/em>, amplamente debatido ao longo dos 60 anos de hist\u00f3ria que possui por ter inaugurado uma nova forma de narrativa. Romper a linearidade do tempo no cinema, utilizando <em>flashback<\/em> \u2013 hoje, um absoluto clich\u00ea \u2013 foi &#8220;inven\u00e7\u00e3o&#8221; de Welles.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os recursos t\u00e9cnicos empregados tamb\u00e9m foram inovadores, como a obsess\u00e3o do diretor em rodar as cenas com todos os planos em foco e utilizando jogos de luz e sombra pensados em conjunto com o diretor de fotografia Gregg Toland.<\/p>\n<p align=\"justify\">O outro mito \u00e9 a pr\u00f3pria est\u00f3ria que conta. Baseada na bibliografia do magnata William Randolph Hearst, considerado o fundador do jornalismo marrom, termo que define a imprensa sensacionalista, <em>Cidad\u00e3o Kane<\/em> enfrentou uma cruzada da m\u00eddia americana na \u00e9poca, controlada por Hearst, que resultou num enorme fracasso de sua estr\u00e9ia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A hist\u00f3ria, por\u00e9m, se encarregaria de colocar o filme em seu lugar \u2013 no topo da lista das mais importantes pel\u00edculas produzidas \u2013 de onde nunca mais saiu. A trama inicia na mans\u00e3o do protagonista, vivido pelo pr\u00f3prio Welles, onde Charles Foster Kane, em seu escrit\u00f3rio, medita durante seus \u00faltimos minutos de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Antes de morrer, o personagem fala a palavra que se transformaria em um fetiche para os cin\u00e9filos: Rosebud. \u00c9 em busca de seu significado que um rep\u00f3rter conduz a narrativa, encontrando-se com figuras importantes na vida de Kane.<\/p>\n<p align=\"justify\">O personagem percorre a trajet\u00f3ria de\u00a0 Kane, que viveu uma inf\u00e2ncia pobre transformou-se no dono de um poderoso imp\u00e9rios das comunica\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos.\u00a0Al\u00e9m da misteriosa palavra pronunciada antes de morrer, a hist\u00f3ria do longa-metragem encerra outras reflex\u00f5es em si, sobre os desvios que o poder pode exercer na dignidade de um homem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando foi rodado, Orson Welles manteve em sigilo sua inten\u00e7\u00e3o de narrar a vida de William Randolph Hearst. Quando o executivo de m\u00eddia descobriu que sua vida particular seria levada ao grande p\u00fablico, amea\u00e7ou o est\u00fadio RKO, produtor do longa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tentou suborno \u2013 queria pagar o custo do filme, em troca da destrui\u00e7\u00e3o dos negativos \u2013 chantagem (denunciar grandes maracutaias hollywoodianas \u00e0 imprensa) e, finalmente, iniciou uma guerra difamadora contra o filme em seus jornais, revistas e r\u00e1dios.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por fim, a solu\u00e7\u00e3o: Welles retirou de <em>Cidad\u00e3o Kane<\/em> todas as refer\u00eancias que poderiam levar \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de Hearst no filme. Como se sabe, por\u00e9m, o artif\u00edcio n\u00e3o adiantou e o mundo inteiro assistiu <em>Cidad\u00e3o Kane<\/em> sabendo de quem se trata na vida real.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, a press\u00e3o exercida pela imprensa acabou por tirar 8 dos 9 Oscars a que concorria, restando apenas o trof\u00e9u de melhor roteiro, para Welles e Herman J. Mankiewicz.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Sala Reden\u00e7\u00e3o exibe gratuitamente, na noite dessas segunda e ter\u00e7a-feira, 25 e 26 de setembro, o longa-metragem, seguido de debate com as professoras Mirriam Rossini e Fatimarlei Lunardeli, do N\u00facleo de Cinema e Comunica\u00e7\u00e3o da FABICO \u2013 Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Servi\u00e7o:<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Cidad\u00e3o Kane ser\u00e1\u00a0exibido nesta segunda e ter\u00e7a-feira, 25 e 26 de setembro, \u00e0s 19h, na\u00a0Sala Reden\u00e7\u00e3o, no Campus Central da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110).\u00a0Entrada franca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister Um filme, muitos mitos: Cidad\u00e3o Kane (Drama, EUA, 119 min, preto-e-branco, 1941), de Orson Welles \u00e9 um marco na hist\u00f3ria do cinema. 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