{"id":26583,"date":"2015-11-21T15:20:43","date_gmt":"2015-11-21T18:20:43","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=26583"},"modified":"2015-11-21T15:20:43","modified_gmt":"2015-11-21T18:20:43","slug":"cinquenta-mil-mulheres-negras-marcham-por-seus-direitos-e-imprensa-ignora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cinquenta-mil-mulheres-negras-marcham-por-seus-direitos-e-imprensa-ignora\/","title":{"rendered":"Cinquenta mil mulheres negras marcham por seus direitos e imprensa ignora"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Vera Daisy Barcellos<\/span><br \/>\nCinquenta mil mulheres negras estiveram, na quarta-feira (18) sob o sol forte de Bras\u00edlia, participando da <a href=\"http:\/\/www.marchadasmulheresnegras.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcha Nacional de Mulheres Negras 2015: Contra o Racismo, a Viol\u00eancia e pelo Bem Viver<\/a>.<br \/>\nE fizeram hist\u00f3ria. Ao longo tempo que vir\u00e1, todas ser\u00e3o protagonistas de estudos que apontar\u00e3o o significado social e pol\u00edtico desta marcha no cen\u00e1rio deste pa\u00eds minado por uma crise institucional.<br \/>\nA estimativa num\u00e9rica \u00e9 das participantes do evento, referendada pela observa\u00e7\u00e3o de alguns policiais militares que acompanhavam o desenvolvimento da marcha cuidando do tr\u00e2nsito. Um portal, campe\u00e3o de \u201clikes\u201d, s\u00f3 enxergou quatro mil mulheres (e o evento j\u00e1 estava com mais tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o).<br \/>\nMas enfim, o ponto alto da manifesta\u00e7\u00e3o (mesmo com tiros de um fascista) foi a chegada \u00e0 Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, no Eixo Monumental, e a entrega da plataforma contemplando reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas da popula\u00e7\u00e3o feminina brasileira negra &#8211; 49 milh\u00f5es &#8211; \u00e0 presidenta da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, propondo um novo modelo de desenvolvimento que pense a vida em sua integralidade, intensifique a defesa dos direitos humanos e a redescoberta da preserva\u00e7\u00e3o da natureza.<br \/>\nPercebo que a m\u00eddia tradicional, para n\u00e3o deixar de ser diferente, n\u00e3o fez a devida cobertura. Ou seja, confirmou a invisibilidade das mulheres negras nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o houve divulga\u00e7\u00e3o, o jornal da noite de uma das principais redes de TV, entre outros, minimizou este hist\u00f3rico movimento das mulheres negras, dizendo que <a href=\"http:\/\/zh.clicrbs.com.br\/rs\/noticias\/noticia\/2015\/11\/confronto-de-manifestantes-em-frente-ao-congresso-tem-tiros-e-dois-presos-4908263.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">durante a \u201cpasseata\u201d houve confronto<\/a> entre as manifestantes da marcha e os manifestantes contr\u00e1rios \u00e0 presidenta Dilma no gramado do Congresso Nacional.<br \/>\nOu seja, a Marcha das Mulheres Negras, vis\u00edvel por r\u00e1pidos segundos, serviu de pano de fundo para o notici\u00e1rio que dominou as reportagens das emissoras de r\u00e1dio e TVs do dia de ontem, sobre quem havia autorizado o acampamento no gramado daqueles que s\u00e3o a favor de uma interven\u00e7\u00e3o militar no pa\u00eds.<br \/>\nZapeei por diferentes canais televisivos e nada que mostrasse o que eu havia vivenciado intensivamente. Gra\u00e7as aos celulares da mulherada, a marcha esteve em tempo real nas redes sociais.<br \/>\nO N\u00facleo dos Jornalistas Afrobrasileiros do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, mais o F\u00f3rum Livre de Mulheres Negras, do qual tamb\u00e9m fa\u00e7o parte, e outras representa\u00e7\u00f5es feministas e de mulheres ga\u00fachas assinaram presen\u00e7a.<br \/>\nSimbolizaram mais de 600 mil mulheres negras ga\u00fachas jovens, adultas, heterossexuais, l\u00e9sbicas, idosas, meninas, com defici\u00eancia, quilombolas, agricultoras, privadas de liberdade, adeptas de diferentes cultos e religi\u00f5es.<br \/>\nEm todo o percurso, as vozes ressonantes das participantes refor\u00e7aram a den\u00fancia do persistente racismo e machismo que afetam sensivelmente as mulheres negras e a juventude negra.<br \/>\nE no contexto do bem-viver, colocaram novas formas de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, busca um novo modelo de desenvolvimento pensando a vida em sua integralidade, na intensa defesa dos direitos humanos e na redescoberta da preserva\u00e7\u00e3o da natureza.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Porque as mulheres negras marcharam<\/span><br \/>\nPara denunciar o crescimento dos assassinatos das mulheres negras. E pelas in\u00fameras mortes por abortos clandestinos;<br \/>\nPela garantia de atendimento e acesso \u00e0 sa\u00fade de qualidade \u00e0s mulheres negras e pela penaliza\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial e sexual nos atendimentos dos servi\u00e7os p\u00fablicos;<br \/>\nPara protestar contra o processo educacional que amplia gradativamente a dist\u00e2ncia entre brancas e negras, conforme o aumento da escolaridade;<br \/>\nPelo fim do racismo e sexismo produzidos no notici\u00e1rio do jornais impressos e televisivos que promovem a viol\u00eancia simb\u00f3lica e f\u00edsica contra as mulheres negras;<br \/>\nPela titula\u00e7\u00e3o e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras;<br \/>\nPelo fim do desrespeito religioso e pela garantia da reprodu\u00e7\u00e3o cultural de nossas pr\u00e1ticas ancestrais de matriz africana;<br \/>\nPela nossa participa\u00e7\u00e3o efetiva na vida p\u00fablica;<br \/>\nPelo direito \u00e0s cidades, luta das mulheres negras urbanas que tamb\u00e9m buscam empoderamento pol\u00edtico e social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vera Daisy Barcellos Cinquenta mil mulheres negras estiveram, na quarta-feira (18) sob o sol forte de Bras\u00edlia, participando da Marcha Nacional de Mulheres Negras 2015: Contra o Racismo, a Viol\u00eancia e pelo Bem Viver. 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