{"id":26609,"date":"2015-11-23T08:32:49","date_gmt":"2015-11-23T11:32:49","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=26609"},"modified":"2015-11-23T08:32:49","modified_gmt":"2015-11-23T11:32:49","slug":"argentina-classe-media-emergente-derrotou-cristina-kirshner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/argentina-classe-media-emergente-derrotou-cristina-kirshner\/","title":{"rendered":"Argentina: classe m\u00e9dia emergente derrotou Cristina Kirchner"},"content":{"rendered":"<p>A vit\u00f3ria de Maur\u00edcio Macri (foto) na elei\u00e7\u00e3o argentina, neste domingo, foi consolidada pelos votos das fam\u00edlias que ascenderam \u00e0 classe m\u00e9dia, exatamente pelas pol\u00edticas sociais dos 12 anos do \u201ckirchnerismo\u201d \u00a0(Nestor Kirchner e os dois mandatos seguidos de sua mulher, Cristina).<br \/>\nA reportagem \u00e9 de Alexandro Rebossio, para El Pa\u00eds:<br \/>\n<em>Em uma das nove universidades p\u00fablicas criadas pelo\u00a0kirchnerismo, e frequentadas por muitos alunos que s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o de universit\u00e1rios de suas fam\u00edlias, um professor prop\u00f4s aos estudantes um exerc\u00edcio depois do primeiro turno eleitoral no qual o candidato da situa\u00e7\u00e3o,\u00a0Daniel Scioli, ultrapassou por pouco \u2013com 37% a 34%\u2013 o opositor\u00a0Mauricio Macri.<\/em><br \/>\n<em>O professor os convidou a repetir em segredo seu voto daquela elei\u00e7\u00e3o e foi surpreendido com Macri quase empatado com Scioli, e com sua candidata a governadora da prov\u00edncia de\u00a0Buenos Aires, Mar\u00eda Eugenia Vidal, arrasando o kirchnerista An\u00edbal Fern\u00e1ndez.<\/em><br \/>\n<em>Esses jovens fazem parte de uma classe m\u00e9dia emergente em tempos do kirchnerismo que agora est\u00e1 exigindo mais, como aconteceu no Brasil. Aspiram a que se concretize a mudan\u00e7a no segundo turno deste domingo e d\u00e3o como certo que as melhorias sociais dos \u00faltimos anos est\u00e3o garantidas.<\/em><br \/>\n<em>Alexandre Roig, soci\u00f3logo, pesquisador de carreira e professor de uma das universidades que mais cresceu em 12 anos de kirchnerismo, a de San Mart\u00edn, opina que \u201cgrande parte do eleitorado com menos de 30 anos\u201d n\u00e3o viveu a experi\u00eancia neoliberal da Argentina de 1989 a 2001, com alto desemprego e crise, e isso permite sua \u201cabertura para um governo de direita como o de Macri\u201d, que n\u00e3o assume essa identifica\u00e7\u00e3o e se qualifica como \u201cdesenvolvimentista\u201d, nem conservador nem liberal.<\/em><br \/>\n<em>Outro pesquisador de carreira, o antrop\u00f3logo Hern\u00e1n Palermo, que leciona na nova Universidad Arturo Jauretche, reconhece que \u201ch\u00e1 uma faixa de estudantes de at\u00e9 26 anos, filhos de comerciantes e \u2018laburantes\u2019 (trabalhadores), a quem o\u00a0kirchnerismo\u00a0mudou a vida, mas que acham naturais as pol\u00edticas de Estado criadas pelos Kirchner e imaginam que n\u00e3o podem descer abaixo disso\u201d. S\u00e3o jovens que s\u00f3 conheceram por livros o que foi o Governo de Carlos Menem (1989-1999) e que eram crian\u00e7as na crise de 2001.<\/em><br \/>\n<em>Os jovens n\u00e3o viveram o neoliberalismo dos anos 90 nem a crise de 2001; alguns querem mudar<\/em><br \/>\n<em>\u201cTamb\u00e9m h\u00e1 problemas de falta de asfalto e de esgoto que impactam na hora de votar\u201d, explica Palermo, um dos 6.000 cientistas argentinos que assinaram documentos de apoio a Scioli. \u201cMacri fez bem em instalar a agenda da mudan\u00e7a, parece que melhorar\u00e1 o que temos, mas eu fico aterrorizado\u201d, opina Palermo, que durante o kircherismo conseguiu se tornar pesquisador.<\/em><br \/>\n<em>Nos corredores de outra das novas universidades, a de Avellaneda, jovens kirchneristas, que ali s\u00e3o maioria, distribuem propaganda a outros que votaram no primeiro turno na esquerda ou no progressismo. Tentam convenc\u00ea-los. Mas n\u00e3o v\u00e3o persuadir Susana, uma estudante de 26 anos que prefere n\u00e3o se identificar com seu nome e sobrenome reais porque \u00e9 muito cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a sua universidade. Ela votou em Macri no primeiro turno e repetir\u00e1 o voto no segundo. \u201cEstudo aqui desde 2011 e estou cheia dessa lavagem cerebral. H\u00e1 professores e funcion\u00e1rios escolhidos a dedo\u201d, opina Susana. \u201cOs kirchneristas querem instalar o medo de que a universidade vai fechar se Macri ganhar, mas ele n\u00e3o vai colocar as pessoas umas contra as outras, talvez mude um ou outro\u201d, afirma ela, cuja m\u00e3e, docente, ficou desempregada na crise de 2011. Mas ela n\u00e3o tem nada a agradecer aos Kirchner: \u201cCristina \u00e9 autorit\u00e1ria, soberba e s\u00f3 fala para seu pessoal. Em vez de dar ajuda social, deveria dar trabalho. O peronismo \u00e9 olhar para tr\u00e1s. Macri, por\u00e9m, tem uma vis\u00e3o mais moderna, que se v\u00ea no Metrob\u00fas e nas obras que faz. O fato de ter sido empres\u00e1rio lhe d\u00e1 outra cabe\u00e7a. N\u00e3o entendo por que t\u00eam medo.\u201d<\/em><br \/>\n<em>Em uma aula da disciplina de jornalismo internacional da Universidad de Avellaneda, os alunos debatem sobre o fen\u00f4meno de seus conhecidos que votam em Macri. \u201cH\u00e1 jovens que n\u00e3o viveram os anos 90, mas seus pais sim, e no entanto todos votam pela mudan\u00e7a. Esquecem do que foi conquistado, e agora contam quantas vezes Cristina fala em rede nacional. Dizem que compraram um carro, mas n\u00e3o pensam em que contexto pol\u00edtico isso se deu\u201d, opina Luciano Vildozola. \u201cNos afastamos da sociedade. Antes as pessoas reclamavam do pre\u00e7o da carne e agora passamos a discutir pol\u00edtica\u201d, afirma Facundo Moro. \u201c\u00c0 minha volta muitos votaram em Macri por causa do comportamento de Cristina, porque \u00e9 muito veemente. Eles acreditam que os eleitores kirchneristas s\u00f3 votam em fun\u00e7\u00e3o da ajuda social, mas est\u00e3o t\u00e3o enganados quanto os que acreditam que os de Macri s\u00e3o todos oligarcas\u201d, analisa Marco Faccone. Nestas aulas, o partido PRO carece de um grupo que concorra \u00e0s elei\u00e7\u00f5es ao centro acad\u00eamico. Mas t\u00eam eleitores an\u00f4nimos que fazem parte da mudan\u00e7a inesperada da sociedade argentina.<\/em><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vit\u00f3ria de Maur\u00edcio Macri (foto) na elei\u00e7\u00e3o argentina, neste domingo, foi consolidada pelos votos das fam\u00edlias que ascenderam \u00e0 classe m\u00e9dia, exatamente pelas pol\u00edticas sociais dos 12 anos do \u201ckirchnerismo\u201d \u00a0(Nestor Kirchner e os dois mandatos seguidos de sua mulher, Cristina). 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