{"id":26631,"date":"2015-11-26T13:27:24","date_gmt":"2015-11-26T16:27:24","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=26631"},"modified":"2015-11-26T13:27:24","modified_gmt":"2015-11-26T16:27:24","slug":"estigma-do-cigarro-atinge-refrigerantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/estigma-do-cigarro-atinge-refrigerantes\/","title":{"rendered":"Estigma do cigarro atinge refrigerantes"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Sandro Pozzi, para El Pa\u00eds<\/span><br \/>\nIndra Nooyi foi taxativa em sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o aos analistas de Wall Street. O refrigerante, admitiu, \u201c\u00e9 algo do passado\u201d. As palavras da executiva chefe da PepsiCo soaram como se desse por perdida uma\u00a0guerra travada tamb\u00e9m pela Coca-Cola\u00a0e a Dr Pepper. Os consumidores que preferem \u00e1gua mineral, ch\u00e1 e bebidas energ\u00e9ticas aos refrigerantes aumentam cada vez mais. Isso est\u00e1 fazendo com que o consumo de bebidas gasosas caia a n\u00edveis de tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<br \/>\nA quantidade do l\u00edquido consumida por um norte-americano \u00e9 bem conhecida. S\u00e3o 680 litros por ano, o equivalente a tr\u00eas banheiras cheias at\u00e9 a borda. Isso significa que qualquer mudan\u00e7a de tend\u00eancia no consumo \u00e9 notada rapidamente, mesmo que seja m\u00ednima.<br \/>\nEm outras palavras, quem compra um fardo de Dasani, Red Bull ou de Monster muito dificilmente comprar\u00e1 tamb\u00e9m um de Coca Zero, Diet Pepsi ou de Diet Mountain Dew, simplesmente porque substitui um pelo outro.<br \/>\nEsse \u00e9 o ponto de partida em um mercado saturado de refrigerantes. Um quarto de todo esse l\u00edquido consumido \u00e9 de refrigerante e 27% das vendas pertencem \u00e0 Coca-Cola.<br \/>\nApesar do v\u00edcio do a\u00e7\u00facar, a dist\u00e2ncia com outras categorias de bebidas cai rapidamente, porque cada vez mais pessoas evitam as prateleiras das colas.<br \/>\n\u00c9 um neg\u00f3cio em crise, segundo a JPMorgan. Isso se deve em boa parte, como diz a Morningstar, \u00e0s pol\u00edticas no \u00e2mbito da sa\u00fade.<br \/>\n<strong>Ado\u00e7antes \u00a0e \u00a0calorias preocupam<\/strong><br \/>\nNa \u00faltima d\u00e9cada o refrigerante se transformou no novo\u00a0tabaco na batalha por uma vida saud\u00e1vel, uma luta que come\u00e7ou quando cidades como Nova York proibiram a venda de refrigerantes nos col\u00e9gios.<br \/>\nA mobiliza\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a com as campanhas contra a obesidade e esse sentimento ficou bem forte entre a gera\u00e7\u00e3o da ioga, que prefere uma dieta diferente da feita por seus pais. Como dizem os especialistas, \u201co consumidor agora faz sua pr\u00f3pria escolha\u201d.<br \/>\nO neg\u00f3cio dos refrigerantes chegou ao seu auge em 1998.<br \/>\nEssas bebidas representavam ent\u00e3o um ter\u00e7o da dieta l\u00edquida por habitantes. No come\u00e7o do mil\u00eanio eram consumidos 190 litros de refrigerante em m\u00e9dia por ano, de acordo com as estat\u00edsticas da IBIS World. Agora n\u00e3o chegam aos 145 litros.<br \/>\nAo mesmo tempo, nos Estados Unidos o consumo de \u00e1gua mineral cresceu 50% e o de bebidas energ\u00e9ticas dobrou de tamanho.<br \/>\nAs estat\u00edsticas da Beverage Marketing Corporation tamb\u00e9m refletem essa mudan\u00e7a nos gostos. De fato, boa parte do aumento registrado nas vendas de bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas em 2014 \u00e9 baseado em op\u00e7\u00f5es aparentemente mais saud\u00e1veis do que os refrigerantes.<br \/>\nO consumo de \u00e1gua mineral, por exemplo, cresceu 7% at\u00e9 chegar aos 41,15 bilh\u00f5es de litros em 2014. O de refrigerante caiu 1%.<br \/>\n<strong>Bebidas energ\u00e9ticas<\/strong><br \/>\nO\u00a0volume do caf\u00e9 expresso, como o vendido pela Starbucks, cresceu 11% no \u00faltimo ano enquanto o de ch\u00e1 aumentou 4%. As bebidas energ\u00e9ticas cresceram 6%, e as utilizadas por esportistas, 3%.<br \/>\nO crescimento das duas \u00faltimas categorias \u00e9 importante, segundo A IBIS World, porque s\u00e3o o substituto direto de produtos como a Coca Diet e a Pepsi Diet.<br \/>\nO n\u00edvel de consumo atual de refrigerante por habitante n\u00e3o era visto desde 1986, segundo a Beverage Digest, e antecipa que em dois anos ser\u00e1 superado pelo da \u00e1gua mineral. N\u00e3o \u00e9 somente o fato dos consumidores estarem acostumados a contar as calorias que entram em seu corpo. Eles se preocupam tamb\u00e9m pelo efeito de ado\u00e7antes artificiais como o aspartame. As redes sociais, ao mesmo tempo, alimentam o debate sobre as mudan\u00e7as no metabolismo.<br \/>\n<strong>Grandes \u00a0buscam alian\u00e7as<\/strong><br \/>\nEsse estigma est\u00e1 no livro da professora de nutri\u00e7\u00e3o Marion Nestle,\u00a0Soda Politics, no qual relata como a batalha contra as grandes empresas da ind\u00fastria est\u00e1 sendo ganha e como est\u00e1 modificando a pr\u00f3pria natureza do neg\u00f3cio. Mas como no caso do tabaco, ningu\u00e9m d\u00e1 o refrigerante como morto. De fato, os refrescos s\u00e3o a maior categoria de bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas por faturamento, com 77,40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (286,15 bilh\u00f5es de reais) por ano.<br \/>\nEm compara\u00e7\u00e3o, o da \u00e1gua mineral est\u00e1 em 13 bilh\u00f5es (48,06 bilh\u00f5es de reais).<br \/>\nComo dizem os analistas de Wall Street que acompanham as empresas dessa ind\u00fastria, a mudan\u00e7a n\u00e3o se deve somente ao fato de existirem mais alternativas ao refrigerante do que duas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<br \/>\nA demografia tamb\u00e9m mudou.\u00a0As fam\u00edlias n\u00e3o querem que seus filhos bebam refrigerante,\u00a0o que torna mais dif\u00edcil consumi-los em idade adulta. Os mais velhos tamb\u00e9m consomem menos. O c\u00e1lculo demonstra que os distribuidores est\u00e3o perdendo mercado a um ritmo de quase 2% ao ano.<br \/>\nAo inv\u00e9s de lutar para aumentar o consumo de refrigerantes, os tr\u00eas grandes do setor decidiram se distanciar oferecendo novos produtos para responder aos novos gostos e aceitaram assim a mudan\u00e7a de tend\u00eancia, criando alian\u00e7as com empresas que comercializam bebidas alternativas como Monster Beverage e Green Mountain.<br \/>\nA Coca-Cola dobrou sua carteira de produtos na \u00faltima d\u00e9cada enquanto o refrigerante representa um quarto do faturamento da PepsiCo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandro Pozzi, para El Pa\u00eds Indra Nooyi foi taxativa em sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o aos analistas de Wall Street. O refrigerante, admitiu, \u201c\u00e9 algo do passado\u201d. As palavras da executiva chefe da PepsiCo soaram como se desse por perdida uma\u00a0guerra travada tamb\u00e9m pela Coca-Cola\u00a0e a Dr Pepper. 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