{"id":26719,"date":"2015-11-25T16:53:43","date_gmt":"2015-11-25T19:53:43","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=26719"},"modified":"2015-11-25T16:53:43","modified_gmt":"2015-11-25T19:53:43","slug":"noite-de-teixeirinha-no-auditorio-araujo-vianna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/noite-de-teixeirinha-no-auditorio-araujo-vianna\/","title":{"rendered":"Noite de Teixeirinha no Audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nN\u00e3o chegou a lotar o Audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna, mas foi um baita show para mais de 2.800 almas sequiosas por festejar o mito da \u201cestirpe do ga\u00facho, forjado pela mescla de castelhanos, \u00edndios, portugueses e demais imigrantes\u201d, conforme a s\u00edntese do apresentador Doroteo Fagundes de Abreu, sinuelo do 3\u00ba Encontro dos M\u00fasicos Ga\u00fachos.<br \/>\nProduzido pelo \u201cmaluco beleza\u201d Airton (Patinete) dos Anjos, a festa come\u00e7ou com a gaita de Renato Borghetti completamente abafada pelo volume de som da Orquestra Sinf\u00f4nica de Porto Alegre e terminou com a dupla passofundense Osvaldir e Carlos Magr\u00e3o cantando Quer\u00eancia Amada, o hino informal ga\u00facho composto por Teixeirinha.<br \/>\nForam 16 can\u00e7\u00f5es populares ornamentadas com belos arranjos de componentes da OSPA, que est\u00e1 completando 65 anos e vive um momento ecum\u00eanico sob a reg\u00eancia do maestro Tiago Flores, adepto assumido da \u201cmistura de timbres\u201d visando diluir fronteiras entre as m\u00fasicas popular e erudita. \u201cA maioria das pessoas gosta de quebrar barreiras\u201d, disse ele em depoimento ao programa Cantos do Sul da Terra, da R\u00e1dio FM Cultura de Porto Alegre.<br \/>\nFoi um grande programa que \u00e0 primeira vista deveria promover uma romaria ao Parque da Reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo entanto, nem a OSPA, nem os ingressos a R$ 30, nem o tempo ameno \u00a0e nem algumas das maiores estrelas da can\u00e7\u00e3o gaud\u00e9ria conseguiram lotar os 3200 lugares do audit\u00f3rio.<br \/>\nPode-se atribuir as lacunas \u00e0 crise econ\u00f4mica ou ao dia impr\u00f3prio (ter\u00e7a-feira, fim de m\u00eas), mas foi uma noite memor\u00e1vel tanto pelo brilho coletivo da orquestra quanto pela apari\u00e7\u00e3o fugaz de grandes artistas sem direito a bis.<br \/>\nBem que, na reta final do espet\u00e1culo, o p\u00fablico tentou segurar no palco o argentino Dante Ramon Ledesma, mas ele foi levado embora para n\u00e3o quebrar a norma do espet\u00e1culo.<br \/>\nO que teria acontecido se o bardo da can\u00e7\u00e3o de protesto da \u00e9poca das ditaduras do Cone Sul come\u00e7asse a entoar uma cantiga \u201corellana?\u201d Um revival nativista? Novembro, tempo de tosquia&#8230;<br \/>\nN\u00e3o havia lugar para improvisos no programa, recheado por um repert\u00f3rio conservador, mas enriquecido por arranjos ricos em cordas.<br \/>\nNo departamento das pilchas, o elenco da OSPA estava no traje civil convencional, todos enfatiotados, em preto. O elenco pop \u2013 todo pilchado, com bombacha, botas, chap\u00e9u, boina, pala e len\u00e7os no pesco\u00e7o.<br \/>\n<figure id=\"attachment_26733\" aria-describedby=\"caption-attachment-26733\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/grande-encontro-Joca-Martins-e-Jo\u00e3o-de-Almeida-Neto.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-26733\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/grande-encontro-Joca-Martins-e-Jo\u00e3o-de-Almeida-Neto-300x199.jpg\" alt=\"Joca Martins e Jo\u00e3o de Almeida Neto \" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26733\" class=\"wp-caption-text\">Joca Martins e Jo\u00e3o de Almeida Neto<\/figcaption><\/figure><br \/>\nConfessando \u201ca realiza\u00e7\u00e3o de um sonho: cantar com uma orquestra\u201d, o cantor Delcio Tavares apareceu de botas pretas, cal\u00e7a branca e t\u00fanica militar azul, como um guerreiro do s\u00e9culo XIX.<br \/>\nNa plateia, muita gente com os apetrechos do chimarr\u00e3o.<br \/>\nNo geral, prevaleceu um time de cantores-galo que colheram aplausos ardentes do p\u00fablico, enquanto o som de instrumentistas individuais sumia debaixo da alta voltagem colocada no ar pelos t\u00e9cnicos de som.<br \/>\nPode-se argumentar que o p\u00fablico est\u00e1 viciado na sonzeira vigente em casas de show sob a ditadura da oversonoplastia, mas a ac\u00fastica do Ara\u00fajo Vianna dispensaria tamanho exagero. O casamento do cl\u00e1ssico com o pop foi lesado pelo mau emprego da tecnologia.<br \/>\nA rigor, os gargantas de ouro Jo\u00e3o de Almeida Neto e Joca Martins nem precisariam de microfone para cantar em dueto a can\u00e7\u00e3o Defini\u00e7\u00e3o do Grito, de Gildo de Freitas.<br \/>\nO mesmo se poderia dizer de Ernesto Fagundes e Neto Fagundes na vers\u00e3o de \u00daltima Lembran\u00e7a, de Luiz Menezes.<br \/>\nO excelente Luiz Carlos Borges foi visivelmente massacrado pela carga voltaica ao cantar o pungente Vidro dos Olhos, de Apar\u00edcio da Silva Rillo.<br \/>\nUm Tambo do Bando grisalho lutou bravamente contra as caixas de som para cantar o cl\u00e1ssico Os Homens de Preto, de Paulo Ruschel.<br \/>\nTamb\u00e9m pouco se ouviu do viol\u00e3o de Daniel S\u00e1, que acompanhou Renato Borghetti e fez fundo para a suave apresenta\u00e7\u00e3o de Ber\u00ea (\u201cA colina do meu ventre se fez montanha\u201d), o \u00fanico solo feminino da noite.<br \/>\nSem gritar, s\u00f3 no gog\u00f3, Luiz Marenco deu-se bem ao cantar Saudade, Tempo e Dist\u00e2ncia, de Jayme Caetano Braun (\u201cQuem vira mundo n\u00e3o p\u00e1ra, nem tampouco desanima\u201d).<br \/>\nSem d\u00favida, o p\u00fablico presente ao Ara\u00fajo Vianna estava a fim de ouvir os donos dos vozeir\u00f5es.<br \/>\nOs aplausos cresceram ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o d\u2019Os Serranos, que apresentaram Poncho Molhado, de Jos\u00e9 Hil\u00e1rio Retamozzo. \u00a0Mas o conjunto mais aplaudido (de p\u00e9) foi o informal Trio Corpo Provis\u00f3rio formado pelo ga\u00facho Elton Saldanha, o uruguaio Daniel Torres e o argentino Dante Ramon Ledesma, que se apresentaram em companhia de duas \u201cprendas\u201d cantando Castelhana.<br \/>\nNa \u00fanica piada da noite, o argentino, que se recupera de um AVC, acomodou-se numa banqueta, sorriu e saudou o p\u00fablico: \u201cO Dante acaba de chegar, o Ramon vem daqui a pouco e o Ledesma&#8230;de madrugada\u201d.<br \/>\n\u201cNo brete de sa\u00edda desta gineteada musical\u201d, o vaqueano Doroteo Fagundes de Abreu anunciou a dupla Osvaldir e Magr\u00e3o para cantar Quer\u00eancia Amada, \u201cde Vitor Mateus Teixeira\u201d.<br \/>\nAo final, a plateia levantou para aplaudir. Quando todos os m\u00fasicos emergiram dos bastidores para o palco, Ernesto Fagundes puxou o coro Eu Sou Ga\u00facho, mas o p\u00fablico reagiu cantando o Hino Riograndense, sem acompanhamento.<br \/>\nDe repente, uma parte da plateia puxou novamente Quer\u00eancia Amada, cuja melodia acabou se impondo na voz de todos.<br \/>\nO maestro Tiago Flores levantou os bra\u00e7os, pediu sil\u00eancio e convidou todos a cantar Quer\u00eancia Amada com a orquestra.<br \/>\nAos 30 anos de sua morte (em 4 de dezembro de 1985), \u00a0Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, foi o grande destaque no 3\u00ba Encontro dos M\u00fasicos Ga\u00fachos, mas pode haver revanche no quarto encontro, anunciado para 2016.<br \/>\nSem esquecer que, no dia 12 de dezembro, no CTG Jayme Caetano Braun, em Livramento, vai acontecer um Reencontro de alguns tauras da can\u00e7\u00e3o gaud\u00e9ria, entre eles o gaiteiro Nelson Cardoso, na flor dos seus 73 anos.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse N\u00e3o chegou a lotar o Audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna, mas foi um baita show para mais de 2.800 almas sequiosas por festejar o mito da \u201cestirpe do ga\u00facho, forjado pela mescla de castelhanos, \u00edndios, portugueses e demais imigrantes\u201d, conforme a s\u00edntese do apresentador Doroteo Fagundes de Abreu, sinuelo do 3\u00ba Encontro dos M\u00fasicos Ga\u00fachos. 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