{"id":26979,"date":"2015-11-28T10:16:06","date_gmt":"2015-11-28T13:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=26979"},"modified":"2015-11-28T10:16:06","modified_gmt":"2015-11-28T13:16:06","slug":"o-crime-ecologico-compensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-crime-ecologico-compensa\/","title":{"rendered":"O crime ecol\u00f3gico compensa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nO crime ecol\u00f3gico compensa, eis o que se pode concluir, depois do acordo pelo qual o Minist\u00e9rio P\u00fablico obrigou a Samarco Minera\u00e7\u00e3o a criar um fundo de R$ 1 bilh\u00e3o para compensar os danos provocados pelo rompimento de duas barragens de res\u00edduos em Minas Gerais.<br \/>\nEsse valor representa 1\/4 do lucro anual da empresa pertencente \u00e0 Vale e a um grupo australiano.<br \/>\nA Samarco, ou seja, a Vale estava usando a \u00e1gua para encobrir a sujeira de d\u00e9cadas de minera\u00e7\u00e3o, pr\u00e1tica milenar que em si mesma constitui um crime contra a Natureza.<br \/>\nOs mineradores come\u00e7am derrubando as matas da superf\u00edcie e terminam por contaminar os cursos d\u2019\u00e1gua.<br \/>\nO que se chamou de acidente em Mariana foi a s\u00fabita revela\u00e7\u00e3o de um crime continuado s\u00f3 compar\u00e1vel a dois outros crimes n\u00e3o menos hediondos praticados no mesmo ambiente &#8212; o \u201cdesbravamento\u201d das selvas do rio Doce e o genoc\u00eddio dos \u00edndios que habitavam essa regi\u00e3o em tudo similar \u00e0 Amaz\u00f4nia.<br \/>\nEm tudo similar, sim: fauna, flora, clima, solo, subsolo.<br \/>\nA \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que as matas do rio Doce estavam no leste, junto ao Atl\u00e2ntico, enquanto a floresta amaz\u00f4nica configura uma ilha verde isolada no miolo da Am\u00e9rica do Sul e distante de quaisquer oceanos.<br \/>\nUma ilha que est\u00e1 sendo submetida ao mesmo processo de explora\u00e7\u00e3o vigente na mata atl\u00e2ntica de Minas, sul da Bahia e Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nAgora de que adianta chorar a lama derramada? O que cabe fazer \u00e9 tirar do desastre as li\u00e7\u00f5es cab\u00edveis.<br \/>\nComo? Com educa\u00e7\u00e3o ambiental, aprimoramento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental e aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, sem com isso penalizar ainda mais as v\u00edtimas da cat\u00e1strofe.<br \/>\nAinda que a Natureza tenha um imensur\u00e1vel poder regenerador, n\u00e3o podemos deixar de comparar o enlameamento do rio Doce a outros grandes acidentes ecol\u00f3gicos provocados pela des\u00eddia empresarial combinada ao afrouxamento da vigil\u00e2ncia t\u00e9cnica.<br \/>\nA ruptura das barragens da Samarco lembra a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica por merc\u00fario da ba\u00eda de Minamata no Jap\u00e3o; o envenenamento do rio Bophal na India pela Rhodia; a explos\u00e3o da plataforma de petr\u00f3leo da Petrobras e os frequentes acidentes com petroleiras no mar.<br \/>\nS\u00e3o acidentes provocados por grandes empresas que se comportam como se estivessem acima das leis e dos direitos das pessoas.<br \/>\nTudo isso est\u00e1 fartamente documentado. Basta uma consulta ao Google para ser tomado pela sensa\u00e7\u00e3o de que as grandes corpora\u00e7\u00f5es empresariais est\u00e3o usando seu poder para destruir o planeta.<br \/>\nH\u00e1 um desmanche em curso. Um desmanche impune. A Vale e a Petrobras s\u00e3o as campe\u00e3s nacionais nessa corrida sinistra.<br \/>\nO pior \u00e9 a derrota moral: nos acomodamos diante desse imperialismo empresarial e, impotentes, perdemos a capacidade da indigna\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA cada acidente ambiental, a popula\u00e7\u00e3o oscila da perplexidade \u00e0 desola\u00e7\u00e3o, mas acaba tomada pela sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia diante do poder das corpora\u00e7\u00f5es globais.<br \/>\nA rigor, a Samarco devia ser fechada e seus dirigentes presos sob a acusa\u00e7\u00e3o de irresponsabilidade, homic\u00eddio, mortandade animal, corrup\u00e7\u00e3o, neglig\u00eancia, atentado contra o patrim\u00f4nio natural etc.<br \/>\nMas n\u00e3o. No fundo, todo mundo acaba numa torcida para que a empresa volte a funcionar, mantendo-se os empregos e salvando-se os tributos das administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, as receitas cambiais da minera\u00e7\u00e3o e os dividendos dos acionistas.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 assim que funciona o capitalismo? Ent\u00e3o bola pra frente e que se retirem do campo os inconformados.<br \/>\nOu seja, a cada acidente ambiental fica provado que o crime compensa.<br \/>\nAo ser obrigada a criar um fundo de R$ 1 bilh\u00e3o para iniciar a \u201cmitiga\u00e7\u00e3o\u201d dos danos produzidos, a Samarco ganhou um salvo conduto para continuar sendo a mesma, ou seja, negligente, irrespons\u00e1vel e&#8230;lucrativa.<br \/>\nDepois de matar pessoas, animais e um rio, a minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 autorizada a continuar sendo uma f\u00e1brica de danos ambientais e doen\u00e7as humanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse O crime ecol\u00f3gico compensa, eis o que se pode concluir, depois do acordo pelo qual o Minist\u00e9rio P\u00fablico obrigou a Samarco Minera\u00e7\u00e3o a criar um fundo de R$ 1 bilh\u00e3o para compensar os danos provocados pelo rompimento de duas barragens de res\u00edduos em Minas Gerais. 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