{"id":27696,"date":"2015-12-28T08:56:29","date_gmt":"2015-12-28T11:56:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=27696"},"modified":"2015-12-28T08:56:29","modified_gmt":"2015-12-28T11:56:29","slug":"aos-trancos-e-barrancos-dilma-vai-ate-o-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/aos-trancos-e-barrancos-dilma-vai-ate-o-fim\/","title":{"rendered":"&quot;Aos trancos e barrancos, Dilma vai at\u00e9 o fim&quot;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">PINHEIRO DO VALE.<\/span><br \/>\nNem tudo que reluz \u00e9 ouro; nem tudo que balan\u00e7a cai.<br \/>\nNada como uma m\u00e1xima acaciana para ser o lead de uma descri\u00e7\u00e3o do que acontecendo hoje no Planalto Central do Brasil.<br \/>\nO que aparece como &#8220;fatos dominantes&#8221; s\u00e3o manobras secund\u00e1rias, muitas delas para tapar sol com a peneira, o que \u00e9 poss\u00edvel porque a m\u00eddia n\u00e3o mostra e a credulidade de nossos formadores de opini\u00e3o \u00e9 sequipedal, como dizia o Marechal Mour\u00e3o Filho.<br \/>\nNem tudo o que balan\u00e7a cai: a come\u00e7ar pelo governo da presidente Dilma Rousseff, que ir\u00e1 assim cambaleante, err\u00e1tico, ag\u00f4nico, parecendo um magrelo do cinema mudo no ringue enfrentando ao mesmo tempo um grupo de brutamontes ferozes, dando a impress\u00e3o que a cada momento, a cada pirueta depois de levar um sopapo no nariz vai cair em nocaute.<br \/>\nNada disso, rodopia, levanta-se, volta pateticamente para a luta, apanhando cada vez mais.<br \/>\nFraco, sangrando e desnorteado com tanta bordoada acaba por se esquivar ao cair e assim os agressores muitas vezes acertam nos companheiros de massacre (ou sangramento, como hoje se diz). Sua fragilidade \u00e9 sua for\u00e7a.<br \/>\nChega de met\u00e1foras, vamos aos fatos:<br \/>\nImpeachment: Eduardo Cunha pela segunda vez melou o emparedamento de Dilma.<br \/>\nNa primeira, em agosto, quando perdeu as estribeiras com seu nome na lista do Janot, anunciou o rompimento do PMDB com o governo, provocando um racha no partido muito antes da hora.<br \/>\nO PMDB vinha articulando com as demais lideran\u00e7as pol\u00edticas a desidrata\u00e7\u00e3o do governo Dilma com a nomea\u00e7\u00e3o de um superminist\u00e9rio da economia, Henrique Meirelles, com apoio de Lula e a concord\u00e2ncia velada de A\u00e9cio Neves.<br \/>\nO xeque ao rei se daria numa conven\u00e7\u00e3o do PMDB marcada para novembro.<br \/>\nCunha adiantou as pe\u00e7as e abriu o jogo, deixando o PT numa saia justa e o PSDB sem alternativa a n\u00e3o ser entrar na corrente do impeachment.<br \/>\nFalhou o golpe, pois Meirelles n\u00e3o foi para o governo e Dilma, que nem o magrela do ringue, deu mais uma pirueta fortalecendo Joaquim Levy. Ganhou tempo.<br \/>\nA segunda bola fora chutada por Eduardo Cunha foi no final de novembro, quando usando seus poderes de presidente da C\u00e2mara abriu a contenda do impeachment, meses antes do momento adequado para os brutamontes do ringue.<br \/>\nEsta nova etapa deveria se dar depois das elei\u00e7\u00f5es municipais, depois que os partidos como um todo, mas principalmente PMDB, PSDB e PT, passassem por um teste de urnas para reconhecimento das for\u00e7as efetivas de cada um.<br \/>\nSecundariamente, em alguns estados, os demais partidos tamb\u00e9m reavaliariam seus cacifes para o segundo round.<br \/>\nMais uma vez Cunha antecipou o jogo, deixando todos com a guarda aberta e a cara exposta.<br \/>\nNos tr\u00eas principais estados em que os tr\u00eas grandes disputam hegemonias \u2013 S\u00e3o Paulo, Minas e Paran\u00e1 \u2013 os partidos disputam palmo a palmo, eleitor por eleitor. (Veja-se a belicosidade da entrevista de A\u00e9cio Neves \u00e0 Folha de S. Paulo nesta segunda, dia 21).<br \/>\n\u00c9 verdade que o problema n\u00e3o \u00e9 eleitoral, mas pol\u00edtico. Entretanto os resultados das elei\u00e7\u00f5es municipais v\u00e3o influir diretamente nas composi\u00e7\u00f5es das conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, a\u00ed sim terreno da pol\u00edtica, com influ\u00eancia nas correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as no Congresso.<br \/>\nNestes tr\u00eas col\u00e9gios, o PT \u00e9 advers\u00e1rio nos grandes munic\u00edpios. PMDB e PSDB disputam a massa interiorana. Isto \u00e9 importante: se nas regi\u00f5es metropolitanas as siglas partid\u00e1rias pouco influem, nas cidades m\u00e9dias e pequenas os partidos s\u00e3o verdadeiros divisores de \u00e1guas entre as for\u00e7as pol\u00edticas locais.<br \/>\nE s\u00e3o as pequenas e m\u00e9dias cidades que formam a massa de convencionais que votam nos correligion\u00e1rios que formar\u00e3o as chapas para 2018.<br \/>\nNeste caso, por enquanto n\u00e3o conta a posi\u00e7\u00e3o do PMDB carioca, que nos \u00faltimos tempos vem tentando tirar de S\u00e3o Paulo a hegemonia do partido (vide o posicionamento em campo de seus l\u00edderes: Cunha, Picciani e outros menores).<br \/>\nO governador Pez\u00e3o e Eduardo Paes, prefeito do Rio, ainda n\u00e3o precisam se posicionar abertamente com as desculpas de que t\u00eam de apoiar-se no governo.<br \/>\nCom as olimp\u00edadas a pouco mais de 100 dias seria uma sandice romper com o governo federal num momento de pen\u00faria econ\u00f4mica, principalmente das finan\u00e7as p\u00fablicas.<br \/>\nPor outro lado a Olimp\u00edada pode ser uma grande vitrine, tanto para eles quanto para Dilma.<br \/>\nSe houver briga, ela est\u00e1 adiada, pois o biombo serve aos dois lados. Como diria o carioca Cazuza, o Rio s\u00f3 vai mostrar sua cara depois dos jogos.<br \/>\nNos demais estados essa luta entre os tr\u00eas grandes se fragmenta, aqui com nanicos da esquerda (por exemplo, PSOL no Amap\u00e1), ou da direita (DEM na Bahia e outros pequenos estados nordestinos) ou outras for\u00e7as mais consistentes, como PDT e PP no Rio Grande do Sul, PSB em Pernambuco e assim por diante.<br \/>\nPor fim o maquiavelismo geral: ningu\u00e9m quer aparecer apoiando Dilma Rousseff, dizendo que ela \u00e9 o maior espanta votos nunca antes visto na Hist\u00f3ria deste pa\u00eds.<br \/>\nIsso quer dizer que toda essa briga pelo rito do impeachment \u00e9 balela para ingl\u00eas ver.<br \/>\nDe um lado, ningu\u00e9m est\u00e1 pensando em impeachment antes das elei\u00e7\u00f5es, pois isto mudaria o quadro eleitoral francamente favor\u00e1vel \u00e0s oposi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDe outro, e por isto mesmo, o voto secreto na C\u00e2mara pode ter encoberto mais votos favor\u00e1veis ao governo do que seria numa elei\u00e7\u00e3o aberta de viva voz.<br \/>\nO importante, neste caso, tanto para os partidos governistas quanto para os opositores, \u00e9 manter o quadro at\u00e9 depois do pleito do primeiro domingo de outubro.<br \/>\nE a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica? Bem, a\u00ed tamb\u00e9m todos os lados (fora do governo, claro) est\u00e3o jogando no quanto pior melhor, menos os desempregados, que s\u00e3o as verdadeiras v\u00edtimas da crise.<br \/>\nTrocar Levy por Barbosa foi o bom movimento t\u00e1tico. Levy era o algoz. Barbosa, com seu guarda chuva de simpatizante petista poder\u00e1 se apresentar como mentor de uma nova pol\u00edtica e com isto justificar as mudan\u00e7as de posi\u00e7\u00f5es no parlamento e aprovar as tr\u00eas medidas fracassadas: ajuste fiscal (incluindo CPMF), reforma da previd\u00eancia (e de outros segmentos do estado) e manter a rigidez monet\u00e1ria para segurar a infla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBarbosa fala em desenvolvimentismo. O que isto quer dizer? Seria s\u00f3 uma express\u00e3o de propaganda, pois para retomar os investimentos e crescer a economia para combater o desemprego e garantir a solvibilidade do governo \u00e9 preciso dinheiro.<br \/>\nO governo est\u00e1 quebrado. N\u00e3o s\u00f3 o federal, mas pior ainda os estados e desesperadoramente os munic\u00edpios. Quanto menor pior.<br \/>\nO setor privado est\u00e1 segurando o bolso, pois suas reservas de caixa est\u00e3o ali para assegurar as despesas trabalhistas com as demiss\u00f5es inevit\u00e1veis neste quadro. Ou seja, os empres\u00e1rios n\u00e3o v\u00e3o arriscar a sobreviv\u00eancia de suas empresas amea\u00e7adas de liquida\u00e7\u00e3o por d\u00e9bitos trabalhistas impag\u00e1veis.<br \/>\nCom isto, ainda este ano estar\u00e3o jogando mais de 100 mil trabalhadores por m\u00eas no olho da rua.<br \/>\nCom essa situa\u00e7\u00e3o, muita gente do PT est\u00e1 dizendo que o melhor seria transformar Dilma em v\u00edtima e assim conseguir um discurso palat\u00e1vel para 2018.<br \/>\nPara a oposi\u00e7\u00e3o o melhor quadro \u00e9 o contr\u00e1rio disso, deixando o governo sem ar, respirando por uma s\u00f3 narina, mas n\u00e3o afundando completamente.<br \/>\nPortanto, a op\u00e7\u00e3o Michel Temer \u00e9 temer\u00e1ria, com o perd\u00e3o do trocadilho.<br \/>\nSeja como for, aos trancos e barrancos Dilma vai at\u00e9 o fim. O que para ela n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o ruim, pois n\u00e3o \u00e9 candidata e poder\u00e1 passar para a Hist\u00f3ria como a presidente que varreu a corrup\u00e7\u00e3o, um projeto iniciado com as vassouras do passado e conclu\u00eddo com o lava jato, aumentando o poder do rodo, lavando a sujeira que estava debaixo do tapete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PINHEIRO DO VALE. Nem tudo que reluz \u00e9 ouro; nem tudo que balan\u00e7a cai. Nada como uma m\u00e1xima acaciana para ser o lead de uma descri\u00e7\u00e3o do que acontecendo hoje no Planalto Central do Brasil. 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