{"id":277,"date":"2006-11-01T15:51:40","date_gmt":"2006-11-01T18:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=277"},"modified":"2006-11-01T15:51:40","modified_gmt":"2006-11-01T18:51:40","slug":"santiago-o-homem-que-conhece-o-mario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/santiago-o-homem-que-conhece-o-mario\/","title":{"rendered":"Santiago: o homem que conhece o M\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/santiago_med.jpg?0.4867010691664371\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"233\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Cartunista\u00a0sofreu verdadeiras sess\u00f5es de tortura para reunir as piadas (Foto: Tania Meinerz)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Conhece o M\u00e1rio? A piada \u00e9 velha, mas ainda tem muita gente que cai. Tanto que a capa do livro (L&amp;PM, 2006, R$ 8) traz o alerta: \u201cPequeno e util\u00edssimo dicion\u00e1rio de empulhas e pegadinhas\u201d. Menos fruto de pesquisa do que de viv\u00eancia, a antologia de sacanagens leva Santiago de volta \u00e0s rodas de chimarr\u00e3o que freq\u00fcentou na cidade natal, onde, \u201cquando chovia e nada se tinha para fazer, os homens se reuniam para testar suas frases engenhosas e provocar os companheiros\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O volume, com pouco mais de 108 p\u00e1ginas re\u00fane cerca de 200 empulhas que o cartunista coletou: algumas ele jamais esqueceu, outras vieram de colabora\u00e7\u00f5es de \u201cser\u00edssimos e austeros pais de fam\u00edlia\u201d, como os colegas Kayser, Guaraci Fraga e Edgar Vasques. A atualiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m demandou freq\u00fcentes idas aos butecos que, segundo Santiago, substituem muito bem as reuni\u00f5es no rancho.<\/p>\n<p align=\"justify\">Munido de l\u00e1pis, papel e um copo de cerveja, Santiago registrou todo o tipo de brincadeira entre os amigos. Homens, todos. \u201cO livro deveria ter uma tarja: \u2018proibido para mulheres\u2019\u201d. Respeito com as damas? N\u00e3o. \u201c\u00c9 que elas n\u00e3o entendem nunca e se torna ainda mais engra\u00e7ado quando a brincadeira \u00e9 velada\u201d, caso que tamb\u00e9m ocorre quando a empulha \u00e9 aplicada ao patr\u00e3o. \u201cAcaba tendo um sentido de vingan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/capa%20livro.jpg?0.4951682703010904\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"179\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Brincadeiras \u00e0 parte, Santiago reconhece que a pr\u00e1tica da empulha \u00e9 machista. \u201c\u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o entre homens, um territ\u00f3rio a ser preservado\u201d. Paradoxalmente, a brincadeira maliciosa deve ter, obrigatoriamente, cunho sexual. \u201c\u00c9 engra\u00e7ado porque remete ao universo da homossexualidade, porque sempre um que tenta comer o outro\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para organizar a colet\u00e2nea, o autor se submeteu a consecutivas sess\u00f5es de tortura perante os amigos. \u201cFiz muito papel de idiota para aprender\u201d. Ele garante que essa \u00e9 a regra principal do empulhador, tem que cair na pegadinha para poder passar adiante. \u201cSe n\u00e3o, o cara n\u00e3o vai te explicar\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 o que acontece com uma piada da s\u00e9rie \u2018conheces o fulano\u2019. Numa nota, Santiago explica que a pergunta \u201cConhece o Nivrinhas?\u201d era usada pelo sogro do Kayser, que morreu sem revelar a resposta. \u201cVirou uma esp\u00e9cie de Rosebud das pegadinhas\u201d, referindo-se ao filme Cidad\u00e3o Kane, de Orson Welles, cuja narrativa envolve a busca de um rep\u00f3rter pelo significado da palavra dita pelo protagonista antes de morrer.<\/p>\n<p align=\"justify\">As piadas s\u00e3o divididas por tem\u00e1tica. Desde a categoria do nome pr\u00f3prio, como a que d\u00e1 titulo ao livro, as de tempo (\u201cQuente fez hoje, mas quente far\u00e1 amanh\u00e3\u201d), de bichos (\u201cO c\u00e3o que late na \u00e1gua, late em terra?\u201d), de comidas e bebidas (\u201cSe eu cozinho, \u00e9 s\u00f3 pr\u00e1 mim\u201d), e as \u2018do verbo dar\u2019 (Se tu pegares essa rua, onde \u00e9 que tu vais dar?), entre outras 12 esp\u00e9cies diferentes.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/Charge1.jpg?0.23670585464831773\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"283\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\nO \u00faltimo cap\u00edtulo \u00e9 dedicado \u00e0s empulhas modernas, criadas por mentes maliciosas dos grandes centros urbanos, que d\u00e3o seq\u00fc\u00eancia \u00e0 tradicional brincadeira dos pampas: \u201cSe tu tens internet, eu posso botar no teu e-mail?\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Santiago tamb\u00e9m ilustra grande parte das engenhosas frases. \u201cNesse tipo de desenho n\u00e3o posso jamais contar o final, porque o grande momento da empulha \u00e9 a surpresa\u201d, alerta. O cartunista ainda d\u00e1 uma de bonzinho e explica algumas brincadeiras no livro, \u201cpara aqueles que n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com a empulha\u201d e fornece os contra-venenos para o sujeito n\u00e3o ficar com cara de tacho diante de uma pegadinha.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/Charge2.jpg?0.2764969472376273\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"291\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">A piada que ilustra o t\u00edtulo do livro, por exemplo, pode ser rebatida com \u201cO M\u00e1rio trocou de nome e agora t\u00e1 comendo os ot\u00e1rios\u201d, ou ainda \u201cO M\u00e1rio trocou de profiss\u00e3o e t\u00e1 comendo adivinh\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O livro \u00e9 um sucesso tremendo: vendeu os 4 mil exemplares da primeira edi\u00e7\u00e3o em 15 dias e est\u00e1 sendo reimpresso para o lan\u00e7amento na 52\u00aa Feira do Livro. Para a ocasi\u00e3o, Santiago n\u00e3o teve tempo de atualizar as brincadeiras.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cAchei que tinha esgotado as listas, mas j\u00e1 recebi contribui\u00e7\u00f5es desde a publica\u00e7\u00e3o\u201d. O cartunista revela uma delas, com exclusividade: \u201cSe tu tem um caminh\u00e3o e tem que levar uma carga de ferro, tu prefere levar ferro at\u00e9 em Tupi ou levar ferro at\u00e9 em Joar?\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Santiago autografa <em>Conhece o M\u00e1rio?<\/em> na quarta-feira, 1\u00b0 de novembro, \u00e0s 18h30. Pode ir pra fila tranq\u00fcilo, leitor, mas abre o olho com quem vem atr\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartunista\u00a0sofreu verdadeiras sess\u00f5es de tortura para reunir as piadas (Foto: Tania Meinerz) Naira Hofmeister Conhece o M\u00e1rio? A piada \u00e9 velha, mas ainda tem muita gente que cai. Tanto que a capa do livro (L&amp;PM, 2006, R$ 8) traz o alerta: \u201cPequeno e util\u00edssimo dicion\u00e1rio de empulhas e pegadinhas\u201d. Menos fruto de pesquisa do que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-4t","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}