{"id":27900,"date":"2015-12-31T11:10:48","date_gmt":"2015-12-31T14:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=27900"},"modified":"2015-12-31T11:10:48","modified_gmt":"2015-12-31T14:10:48","slug":"o-ano-das-estatisticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-ano-das-estatisticas\/","title":{"rendered":"O ano em que a estat\u00edstica foi manchete"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 os bagres cegos do Arroio Dil\u00favio sabem que as estat\u00edsticas s\u00e3o instrumentos limitados, como tudo, quando se trata de &#8220;medir a realidade&#8221;.<br \/>\nAs estat\u00edsticas que resultam das pesquisasde opini\u00e3o, por exemplo, podem ser \u00fateis para retratar um dado momento.<br \/>\nMas s\u00e3o vol\u00e1teis e, para que se possa avaliar devidamente o que elas mostram, \u00e9 preciso considerar muitas vari\u00e1veis.<br \/>\ncoAt\u00e9 a forma como as perguntas s\u00e3o feitas podem influir no resultado.<br \/>\nAs estat\u00edsticas econ\u00f4micas, ent\u00e3o, nem se fala.<br \/>\nGeralmente, buscam sintetizar uma situa\u00e7\u00e3o complexa, reduzir a um \u00edndice uma teia de fatos e resultados que nem sempre convergem para uma conclus\u00e3o simples.<br \/>\nClaro, a estat\u00edstica \u00e9 uma ci\u00eancia\u00a0consagrada, de alta import\u00e2ncia, e n\u00e3o se trata de question\u00e1-la como tal.<br \/>\nO que se pode e deve questionar \u00e9 a sua utiliza\u00e7\u00e3o acr\u00edtica e sua apresenta\u00e7\u00e3o como verdade, como faz usual e levianamente o nosso jornalismo.<br \/>\nNeste sentido, o ano de 2015 foi emblem\u00e1tico.<br \/>\nSeria um bom exerc\u00edcio acad\u00eamico levantar e analisar todas as manchetes produzidas pela nossa t\u00e3o autodecantada imprensa com base em dados estat\u00edsticos.<br \/>\nPrincipalmente as que comprovavam as teses que dominam as grandes reda\u00e7\u00f5es, de que o pa\u00eds, desgovernado, est\u00e1 mergulhando &#8220;na pior crise econ\u00f4mica de nossa hist\u00f3ria&#8221;.<br \/>\nPor exemplo: uma pesquisa do Ibope apontou que &#8220;86% dos brasileiros&#8221; querem a cassa\u00e7\u00e3o de Eduardo Cunha e que &#8220;67% dos brasileiros&#8221; querem o impeachment \u00a0de Dilma.<br \/>\nO resultado a respeito de Cunha, n\u00e3o mereceu maior aten\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o vem ao caso&#8221;.<br \/>\nAfinal, Cunha, apesar do seu curr\u00edculo (que ainda n\u00e3o apareceu por inteiro), \u00e9 uma das encarna\u00e7\u00f5es do antigoverno.<br \/>\nJ\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a Dilma, as manchetes se repetiram \u00e0 exaust\u00e3o, como prova de que &#8220;ningu\u00e9m aguenta mais esse governo que est\u00e1 a\u00ed.&#8221;<br \/>\nOutro exemplo: foi manchete em todos os jornal\u00f5es, \u00a0quase em un\u00edssono, que os shopping centers este ano tiveram &#8220;o pior Natal dos \u00faltimos 10 anos&#8221;.<br \/>\nHouve queda de 1% (sim, um por cento, depois de uma longa curva ascendente no consumo) nas vendas, conforme o levantamento da associa\u00e7\u00e3o nacional dos shoppings.<br \/>\nO aumento de 26% das vendas pela internet, apesar de todo o fasc\u00ednio pelas &#8220;novas tecnologias&#8221;, foi considerado desprez\u00edvel, porque desmentia a tese da &#8220;pior crise&#8221;.<br \/>\nQuero dizer: apesar de todo o discurso, o &#8220;jornalismo nativo&#8221; n\u00e3o consegue ver a realidade sem os \u00f3culos da ideologia e sem o obsequioso aux\u00edlio dos n\u00fameros generalizantes.<br \/>\nFeliz Ano Novo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 os bagres cegos do Arroio Dil\u00favio sabem que as estat\u00edsticas s\u00e3o instrumentos limitados, como tudo, quando se trata de &#8220;medir a realidade&#8221;. 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