{"id":287,"date":"2006-11-16T16:05:37","date_gmt":"2006-11-16T19:05:37","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=287"},"modified":"2006-11-16T16:05:37","modified_gmt":"2006-11-16T19:05:37","slug":"crise-financeira-do-estado-afeta-setor-livreiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/crise-financeira-do-estado-afeta-setor-livreiro\/","title":{"rendered":"Crise financeira do Estado afeta setor livreiro"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira_livro\/oldbooks_med.jpg?0.0305362140589312\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"328\" height=\"262\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Governo n\u00e3o compra livros h\u00e1 anos &#8211; bibliotecas p\u00fablicas est\u00e3o defasadas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Guilherme Kolling *<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O decl\u00ednio nas vendas do mercado livreiro \u00e9 um fen\u00f4meno nacional, mas no Rio Grande do Sul o quadro \u00e9 agravado pela crise financeira que afeta o Estado h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O principal efeito deste d\u00e9ficit cr\u00f4nico nas contas do poder p\u00fablico estadual \u00e9 o sucateamento e defasagem das bibliotecas p\u00fablicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cS\u00e3o 15 anos sem um programa de compra de livro. A Biblioteca P\u00fablica n\u00e3o adquire exemplares novos h\u00e1 mais de 20 anos. Imagine como est\u00e3o os acervos das nossas escolas\u201d, alerta o presidente da C\u00e2mara do Livro, Waldir da Silveira.<\/p>\n<p align=\"justify\">A queixa ecoa entre diversos editores. \u201cO Estado est\u00e1 falido e n\u00e3o investe. Nossa editora tem 15 anos. J\u00e1 vendemos para diversos governos, mas de outros estados, como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Paran\u00e1\u201d, conta Lu\u00eds Fernando Ara\u00fajo, diretor da Artes e Of\u00edcios.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO Governo n\u00e3o tem fomentado a leitura e o mercado se ressente disso\u201d, avalia Jo\u00e3o Carneiro, da Tomo Editorial. Os editores observam que a compra governamental \u00e9 um fator importante nas vendas e no pre\u00e7o do livro, que depende do tamanho da edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ou seja, se a comercializa\u00e7\u00e3o de parte da tiragem est\u00e1 garantida, \u00e9 poss\u00edvel imprimir mais exemplares a um custo unit\u00e1rio mais barato para o leitor. \u201cAqui n\u00e3o h\u00e1 esse agente\u201d, resume Carneiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">O exemplo vem de outros pa\u00edses. \u201cO Brasil nunca teve uma pol\u00edtica de compra de livros. Mas na Fran\u00e7a, s\u00f3 para dar um exemplo, a venda de boa parte das edi\u00e7\u00f5es dos livros est\u00e1 garantida por universidades e bibliotecas\u201d, compara Luis Gomes, editor da Sulina.<\/p>\n<p align=\"justify\">O diretor da AGE Editora, Paulo Ledur, cita o caso dos Estados Unidos. \u201cL\u00e1, as bibliotecas representam 60% do mercado editorial. Temos 3 mil escolas p\u00fablicas no Rio Grande do Sul. S\u00f3 esse n\u00famero j\u00e1 supera a tiragem tradicional dos livros aqui editados. E no Brasil, as bibliotecas representam 10% do mercado. A l\u00f3gica seria o contr\u00e1rio, j\u00e1 que se trata de um pa\u00eds carente, em que o livro deveria estar dispon\u00edvel em acervos p\u00fablicos\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">\u00daltima compra foi feita por Britto<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O diretor da L&amp;PM, Paulo Lima, lembra que a \u00faltima aquisi\u00e7\u00e3o feita pelo Pal\u00e1cio Piratini foi na gest\u00e3o de Ant\u00f4nio Britto, numa a\u00e7\u00e3o isolada que ocorreu por conta de um embara\u00e7o que o governador passou.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao visitar em Cruz Alta a biblioteca de uma escola chamada Erico Verissimo, ele pediu, em meio aos alunos, que a diretora lhe entregasse um determinado livro do escritor. N\u00e3o havia nem um exemplar. Britto solicitou ent\u00e3o que lhe alcan\u00e7assem qualquer obra de Erico. Mas n\u00e3o tinha uma sequer, informou, encabulada, a executiva do col\u00e9gio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O fato irritou o ex-governador, que imediatamente criou na Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o o Projeto \u201cEstante do Autor Ga\u00facho\u201d, em que escolas p\u00fablicas estaduais recebiam de 30 a 60 exemplares de livros da literatura sul-riograndense. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o houve novas aquisi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Questionada se vai acabar com esse jejum, a governadora eleita Yeda Crusius respondeu que a distribui\u00e7\u00e3o de livros \u00e9 sempre feita por financiamento do Governo Federal. Ela pretende exigir de Bras\u00edlia a continuidade do projeto \u201cUma biblioteca em cada escola\u201d. Sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de livros pelo Estado, Yeda informa que, \u201cenquanto o Governo n\u00e3o tiver recursos pr\u00f3prios, ter\u00e1 que se valer de parcerias\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">RS perde terreno<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-small\"><span style=\"font-size: small\">A C\u00e2mara Riograndense do Livro divulgou durante a Feira uma pesquisa sobre os h\u00e1bitos de leitura da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha. A pesquisa feita pelo Ibope e preparada pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na Am\u00e9rica Latina e no Caribe apontou que o Rio Grande do Sul l\u00ea tr\u00eas vezes mais que o resto do pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-small\"><span style=\"font-size: small\">Enquanto a taxa nacional \u00e9 de 1,8 livro por ano, no Estado, esse n\u00famero cresce para 5,5. Estudos semelhantes na Am\u00e9rica Latina indicam que o \u00edndice de leitura no continente \u00e9 de 2,4 livros ao ano.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-small\"><span style=\"font-size: small\">Foram aplicados 1.008 question\u00e1rios em 60 dos 496 munic\u00edpios ga\u00fachos. A amostragem foi definida atrav\u00e9s de cotas sociais estipuladas pelo IBGE, como a reparti\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres, grau de instru\u00e7\u00e3o, idade e renda familiar. O intervalo de confian\u00e7a estimado \u00e9 de 95% e a margem de erro m\u00e1xima \u00e9 de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-small\"><span style=\"font-size: small\">Outra pesquisa apresentada ao longo do evento foi a de alfabetismo funcional. Apenas 30% da popula\u00e7\u00e3o do Estado consegue ler um texto e identificar o conte\u00fado. No Brasil, esse \u00edndice \u00e9 de 25%. Apesar dos resultados positivos em n\u00edvel de pa\u00eds, editores contam que o Rio Grande do Sul est\u00e1 perdendo posi\u00e7\u00f5es por conta da falta de aquisi\u00e7\u00e3o de livros do Governo e do sucateamento das bibliotecas.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-small\"><span style=\"font-size: small\">&#8220;Sempre fomos o terceiro p\u00f3lo livreiro no Brasil. Mas hoje devemos ser o sexto. Minas Gerais, Paran\u00e1, Distrito Federal e sabe-se l\u00e1 quem mais j\u00e1 nos passaram&#8221;, avalia o diretor da Artes e Of\u00edcios, Lu\u00eds Fernando Ara\u00fajo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-small\"><span style=\"font-size: small\">O diretor da L&amp;PM, Paulo Lima, concorda. &#8220;O ga\u00facho se vangloria de seu n\u00edvel de leitura, mas esse \u00edndice come\u00e7ou a cair de forma vertiginosa. \u00c9 um reflexo do desabastecimento de livros em escolas e bibliotecas&#8221;. Seu s\u00f3cio na editora, Ivan Pinheiro Machado, completa o depoimento. &#8220;Quando distribuo um livro aqui no Rio Grande do Sul, sei que metade vai voltar, n\u00e3o vende. Mas se encaminho para S\u00e3o Paulo, logo est\u00e3o me pedindo um novo repasse&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">\u201cBibliotecas p\u00fablicas est\u00e3o num atoleiro\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Em 2003, quando Germano Rigotto assumiu no Pal\u00e1cio Piratini, houve uma tentativa do Clube dos Editores do Rio Grande do Sul, C\u00e2mara Riograndense do Livro e Associa\u00e7\u00e3o dos Representantes de Editoras do RS de convencer o Governo do Estado a comprar livros para escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A id\u00e9ia era que a aquisi\u00e7\u00e3o acontecesse atrav\u00e9s de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A proposta esbarrou no endividamento do Estado, sem condi\u00e7\u00f5es de obter novos financiamentos. O Governo adiou por mais algumas temporadas o aparelhamento das bibliotecas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para 2007, a C\u00e2mara Riograndense do Livro ter\u00e1 um novo instrumento para pressionar o Governo. Trata-se de uma pesquisa que vai mapear e diagnosticar a situa\u00e7\u00e3o das bibliotecas p\u00fablicas e comunit\u00e1rias em todo Rio Grande.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esse \u201cRaio-X\u201d deve ficar pronto at\u00e9 o final do ano. \u201cA id\u00e9ia \u00e9 ir nas autoridades e mostrar essa situa\u00e7\u00e3o. Temos que tirar as bibliotecas ga\u00fachas do atoleiro\u201d, prop\u00f5e o presidente da C\u00e2mara Riograndense do Livro, Waldir da Silveira.<\/p>\n<p align=\"justify\">O editor da Tomo, Jo\u00e3o Carneiro, que faz parte da diretoria da CRL, entende que a sa\u00edda \u00e9 mobilizar a sociedade para que as bibliotecas p\u00fablicas e comunit\u00e1rias sejam encaradas como um lugar de forma\u00e7\u00e3o de leitores.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cS\u00e3o locais de difus\u00e3o do conhecimento. Cada munic\u00edpio precisa de um espa\u00e7o bem equipado, com profissionais capacitados e verbas para custeio, isto \u00e9, para compra de livros. \u00c9 um processo que vamos desencadear no in\u00edcio do ano que vem\u201d, projeta Carneiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos argumentos que ser\u00e1 exposto ao novo Governo \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o, obtida na pesquisa feita pelo Ibope, de que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o l\u00ea livros emprestados. Um ter\u00e7o dos entrevistados busca livros em bibliotecas e outro ter\u00e7o pede emprestado a amigos ou conhecidos. Apenas 32% do universo pesquisado vai \u00e0s compras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outra informa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que as bibliotecas s\u00e3o uma refer\u00eancia importante, principalmente para jovens leitores: 35% dos ga\u00fachos costumam freq\u00fcentar bibliotecas. O n\u00famero mais que duplica quando o universo \u00e9 reduzido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o com menos idade: entre 11 e 15 anos, 86% utilizam o servi\u00e7o de empr\u00e9stimo de livros.<\/p>\n<p align=\"justify\">A C\u00e2mara do Livro defende a populariza\u00e7\u00e3o da biblioteca a partir da cria\u00e7\u00e3o de pequenas salas de leitura e empr\u00e9stimo de livros, seja em sindicatos, igrejas, condom\u00ednios. \u201cN\u00e3o adianta esperarmos por grandes pr\u00e9dios que t\u00eam alto custo, qualquer espa\u00e7o pode receber uma biblioteca comunit\u00e1ria\u201d, sustenta o presidente da entidade, Waldir da Silveira.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em>* Colaborou Naira Hofmeister<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #333333\">Leia mais sobre o assunto<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/teatro_detalhe.php?id=338\"><strong><span style=\"color: #666666\">Mais t\u00edtulos, menos vendas<\/span><\/strong><\/a><span style=\"color: #666666\"> <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/teatro_detalhe.php?id=338\"><strong><span style=\"color: #666666\">Na contram\u00e3o, L&amp;PM registra crescimento<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governo n\u00e3o compra livros h\u00e1 anos &#8211; bibliotecas p\u00fablicas est\u00e3o defasadas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o) Guilherme Kolling * O decl\u00ednio nas vendas do mercado livreiro \u00e9 um fen\u00f4meno nacional, mas no Rio Grande do Sul o quadro \u00e9 agravado pela crise financeira que afeta o Estado h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas. 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