{"id":288,"date":"2006-11-17T16:06:23","date_gmt":"2006-11-17T19:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=288"},"modified":"2006-11-17T16:06:23","modified_gmt":"2006-11-17T19:06:23","slug":"mais-titulos-menos-vendas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mais-titulos-menos-vendas\/","title":{"rendered":"Mais t\u00edtulos, menos vendas"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/med_livrosmenos.jpg?0.6969745694956406\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Em 2005 foram vendidos 18 milh\u00f5es de exemplares a menos que em 2004 (Foto: Carla Ruas\/Arquivo J\u00c1 Editores)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Guilherme Kolling<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Desde 1990, a C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) promove a pesquisa \u201cProdu\u00e7\u00e3o e Vendas do Setor Editorial Brasileiro\u201d. As informa\u00e7\u00f5es mais recentes mostram uma tend\u00eancia curiosa. O n\u00famero de t\u00edtulos lan\u00e7ados aumentou, mas a venda de livros caiu. Em 2004, foram 34.858 livros em primeira edi\u00e7\u00e3o e reedi\u00e7\u00e3o, contra 41 mil em 2005. Mas as vendas, que chegaram a 288 milh\u00f5es de unidades em 2004 baixaram para 270 milh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cTrata-se de um fen\u00f4meno mundial. E o ant\u00eddoto utilizado pelos editores \u00e9 diversificar o n\u00famero de t\u00edtulos, atendendo ao mercado consumidor e aos autores. Escreve-se cada vez mais e os meios de produ\u00e7\u00e3o facilitaram a publica\u00e7\u00e3o\u201d, observa Paulo Ledur, diretor da AGE Editora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para o editor da Sulina, Luis Gomes, a queda nas vendas se explica pela baixa qualidade do conte\u00fado. \u201cAumentou muito a quantidade de livros t\u00e9cnico-cient\u00edficos. As pessoas t\u00eam vontade de publicar e as editoras aceitam, mas com menos cuidados e crit\u00e9rios do que seria desej\u00e1vel. Nos livros de fic\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m h\u00e1 uma oferta muito grande\u201d, avalia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O diretor da Artes e Of\u00edcios, Lu\u00eds Fernando Ara\u00fajo, diz que a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 a demanda por novidades. \u201cO mercado est\u00e1 na m\u00e3o das grandes redes do varejo e elas imp\u00f5em a compra, sob consigan\u00e7\u00e3o, somente de novidades, ou seja, o que j\u00e1 foi lan\u00e7ado h\u00e1 quatro ou seis meses j\u00e1 era. O sistema montado imp\u00f5e que se lancem livros. Mas aumentar o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o significa que o brasileiro est\u00e1 lendo mais\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Independente da qualidade editorial, a avalia\u00e7\u00e3o de que h\u00e1, no decl\u00ednio das vendas, grande influ\u00eancia da quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 unanimdade. O empres\u00e1rio Jo\u00e3o Cervo, propriet\u00e1rio da Cervo, uma rede com oito livrarias, afirma que a queda n\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 falta de interesse ou ao pre\u00e7o do livro, mas sim ao baixo poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o, que gasta em outras necessidades. \u201cO consumidor acaba tendo que fazer escolhas, a come\u00e7ar pelo lazer. Vai gastar R$ 40 num livro ou em cerveja, cinema?\u201d, exemplifica Luis Gomes.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA crise econ\u00f4mica do Estado \u00e9 um fator determinante na queda das compras de livro\u201d, observa ele. O presidente da C\u00e2mara do Livro, que distribui para editoras de obras did\u00e1ticas sabe bem disso. \u201cOs problemas da agricultura ga\u00facha se refletem diretamente na compra at\u00e9 do livro escolar. A crise do setor cal\u00e7adista, a pobreza da Metade Sul, tudo isso atrapalha\u201d, aponta.<\/p>\n<p align=\"justify\">O propreit\u00e1rio da livraria Terceiro Mundo e representante dos livreiros na CRL, Vitor Zandomeneghi, cita outro componente. A disputa com outras m\u00eddias, como internet. \u201cAs pessoas continuam lendo, s\u00f3 que n\u00e3o necessariamente o livro\u201d, acredita. Apesar de concordar que o item \u00e9 dos primeiros a serem cortados no or\u00e7amento familiar, ele cita a tend\u00eancia mundial de diminui\u00e7\u00e3o do impresso.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cLivros e jornais n\u00e3o est\u00e3o muito mais caros. Mas as vendas e as tiragens continuam caindo. Al\u00e9m disso, o Brasil n\u00e3o tem um mercado consumidor de livros forte. Uma grande fatia da popula\u00e7\u00e3o, independente de classe social, n\u00e3o tem o h\u00e1bito da leitura\u201d, ressalta Zandomeneghi.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar da queda nas vendas de 18 milh\u00f5es de exemplares na compara\u00e7\u00e3o entre 2004 e 2005, o faturamento aumentou no ano passado. \u201cCom a diversifica\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos, as tiragens ficam menores e o pre\u00e7o unit\u00e1rio do livro aumenta. Isso \u00e9 inevit\u00e1vel em qualquer processo produtivo. Mas ainda assim, convertendo o pre\u00e7o para d\u00f3lar, o livro brasileiro \u00e9 at\u00e9 barato\u201d, acredita Paulo Ledur.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/tabela_livros.jpg?0.012610551908618761\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"400\" height=\"312\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;font-size: x-small\"><strong>* Pesquisa realizada todos os anos desde 1990 que fornece um completo panorama da ind\u00fastria do livro brasileira. S\u00e3o os mais confi\u00e1veis dos dados dispon\u00edveis sobre a quantidade de t\u00edtulos e exemplares produzidos no Brasil. \u00c9 patrocinada pela C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). <\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Na contram\u00e3o, L&amp;PM registra crescimento<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor da L&amp;PM, Paulo Lima, a queda na venda de livros tem uma raz\u00e3o simples: pre\u00e7o alto e baixo poder de compra da popula\u00e7\u00e3o. Ou seja, a sa\u00edda \u00e9 vender livro barato, mas essa solu\u00e7\u00e3o esbarra num h\u00e1bito arraigado. \u201cO editor brasileiro gosta de livro caro. E o livreiro brasileiro tamb\u00e9m. Acha que vai ganhar mais. N\u00e3o percebe que o poder aquisitivo \u00e9 baixo\u201d, constata Lima. Prova de que esse n\u00e3o \u00e9 o caminho \u00e9 a pr\u00f3pria L&amp;PM, que vem crescendo em suas vendas de 20% a 35% por causa da cole\u00e7\u00e3o pocket, que tem pre\u00e7os acess\u00edveis, cerca de um ter\u00e7o do pre\u00e7o do livro convencional. A oferta \u00e9 a partir de R$ 6 e vai at\u00e9 por R$ 24, mas nesses casos, s\u00e3o livros com centenas de p\u00e1ginas. Os pockets representam 85% das vendas da L&amp;PM.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira2006\/med_lpm_livros.jpg?0.4219401069873818\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Paulo Lima: mais de 6 milh\u00f5es de pockets vendidos (Foto: T\u00e2nia Meinerz\/Arquivo J\u00c1 Editores)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m do pre\u00e7o baixo, a estrat\u00e9gia da editora inclui a diversifica\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o, com a abertura de novos canais de venda, como supermercado, padaria, posto de gasolina. S\u00e3o 3 mil pontos de venda em todo Brasil. Se deixasse s\u00f3 em livrarias, esse n\u00famero seria um ter\u00e7o disso.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA quest\u00e3o do pre\u00e7o \u00e9 muito importante. A redu\u00e7\u00e3o do mercado aconteceu de fato. Mas n\u00e3o afetou a L&amp;PM\u201d, garante Lima. A editora lan\u00e7ou 80 pockets em 2006 e 12 livros convencionais. Ano que vem projeta 100 pockets e 40 livros. J\u00e1 tem mais de 6 milh\u00f5es de pockets vendidos desde 1997.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #666666\">Leia mais sobre o assunto<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/detalhe_teatro.php?id=337\"><strong><span style=\"color: #333333\">Crise financeira do Estado afeta setor livreiro<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2005 foram vendidos 18 milh\u00f5es de exemplares a menos que em 2004 (Foto: Carla Ruas\/Arquivo J\u00c1 Editores) Guilherme Kolling Desde 1990, a C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) promove a pesquisa \u201cProdu\u00e7\u00e3o e Vendas do Setor Editorial Brasileiro\u201d. As informa\u00e7\u00f5es mais recentes mostram uma tend\u00eancia curiosa. 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