{"id":28986,"date":"2016-01-20T17:09:32","date_gmt":"2016-01-20T20:09:32","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=28986"},"modified":"2016-01-20T17:09:32","modified_gmt":"2016-01-20T20:09:32","slug":"mantivemos-o-consenso-mas-esvaziamos-o-debate-diz-boaventura-sobre-os-15-anos-do-fsm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mantivemos-o-consenso-mas-esvaziamos-o-debate-diz-boaventura-sobre-os-15-anos-do-fsm\/","title":{"rendered":"\u201cMantivemos o consenso, mas esvaziamos o debate&quot;, diz Boaventura sobre os 15 anos do FSM"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Matheus Chaparini <\/span><br \/>\nO soci\u00f3logo portugu\u00eas Boaventura de Sousa Santos \u00e9 provavelmente o principal nome desta edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social. Na tarde desta ter\u00e7a-feira, o audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna ficou praticamente lotado para a atividade \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o, desigualdade e a crise civilizat\u00f3ria\u201d, da qual participou. Os aplausos da plateia, por vezes, chegavam a interromper a fala do soci\u00f3logo. Ele defendeu uma autoan\u00e1lise e autocr\u00edtica destes 15 anos e criticou a falta de posicionamento em rela\u00e7\u00e3o a temas globais, como fator de esvaziamento do F\u00f3rum Social Mundial.<br \/>\nAp\u00f3s se desculpar por um pequeno atraso, justificado pela homenagem na C\u00e2maara Municipal, onde foi agraciado com o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o de Porto Alegre, Boaventura abriu sua fala defendendo que esta edi\u00e7\u00e3o seja utilizada para um balan\u00e7o dos 15 anos do F\u00f3rum Social Mundial.<br \/>\n\u201cN\u00f3s n\u00e3o vamos longe se deixarmos esse balan\u00e7o para alguma atividade autogestionada espec\u00edfica. Nossa responsabilidade \u00e9 tratar esse tema em todos espa\u00e7os p\u00fablicos deste f\u00f3rum.\u201d<br \/>\nBoaventura recordou o momento que se vivia \u00e0 \u00e9poca da realiza\u00e7\u00e3o do primeiro f\u00f3rum, em 2001. Momento em que o mundo se via dividido entre dois modelos de globaliza\u00e7\u00e3o: um hegem\u00f4nico e outro dos povos e movimentos, representados, respectivamente, por Davos e Porto Alegre. A provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise foi o questionamento: o que passou nestes 15 anos que n\u00e3o conseguimos fazer com que esse modelo de globaliza\u00e7\u00e3o emergisse?<br \/>\nOs debates e discuss\u00f5es permitiram criar liga\u00e7\u00f5es entre movimentos sociais de diversas partes do mundo, mas, segundo Boaventura, n\u00e3o se conseguiu criar conex\u00f5es entre os diferentes tipos de movimentos. \u201cEm qualquer luta hoje ao redor do mundo n\u00f3s podemos ver a presen\u00e7a do capitalismo, do racismo e do sexismo. N\u00f3s n\u00e3o soubemos como articular essas lutas.\u201d<br \/>\n<span class=\"intertit\">Falta de posicionamento afasta movimentos sociais<\/span><br \/>\nO soci\u00f3logo defendeu que ao longo dos anos vem surgindo a ideia de que \u00e9 importante um posicionamento pol\u00edtico do f\u00f3rum em rela\u00e7\u00e3o a temas \u201cmais ou menos consensuais, como a reforma das Na\u00e7\u00f5es Unidas e a Guerra do Iraque.\u201d<br \/>\n\u201cQual a trag\u00e9dia disso? Mantivemos o consenso, mas esvaziamos o f\u00f3rum\u201d, avaliou.<br \/>\n<figure id=\"attachment_28994\" aria-describedby=\"caption-attachment-28994\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-28994 size-medium\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Boaventura-Forum.-Fotos-Alexandre-Miorim-1-300x239.jpg\" alt=\"Soci\u00f3logo defendeu que em todos os espa\u00e7os seja feita uma avalia\u00e7\u00e3o dos 15 anos do f\u00f3rum \" width=\"300\" height=\"239\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-28994\" class=\"wp-caption-text\">Soci\u00f3logo defendeu uma autoan\u00e1lise e autocr\u00edtica do evento<\/figcaption><\/figure><br \/>\nBoaventura citou um encontro recente que reuniu mais de mil delegados do Movimento Sem Terra e questionou: por que n\u00e3o est\u00e3o aqui hoje?<br \/>\n\u201cPorque se fazem falas, mas depois n\u00e3o se toma nenhuma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos camponeses que est\u00e3o sendo massacrados, \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e quilombolas, ao veto presidencial da pluralidade das l\u00ednguas, proposta por Cristovan Buarque.\u201d E arrematou: \u201cN\u00e3o se toma posi\u00e7\u00e3o sobre nada, ent\u00e3o por que estamos aqui?&#8221;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Governos progressistas na Am\u00e9rica Latina: \u201cpensamos que t\u00ednhamos um amigo no poder\u201d<\/span><br \/>\nEntre 2001 e 2003 come\u00e7a uma onda de governos progressistas, com a elei\u00e7\u00e3o dos presidentes Lula, no Brasil, Evo Morales, na Bol\u00edvia e Hugo Ch\u00e1vez, na Venezuela.<br \/>\n\u201cQuando estes governos se elegeram, n\u00f3s pensamos que t\u00ednhamos um amigo no poder, ent\u00e3o descansamos, desanimamos. O \u00fanico movimento no Brasil que n\u00e3o desistiu foi o MST.\u201d<br \/>\nBoaventura se disse solid\u00e1rio ao governo e \u00e0 democracia no Brasil, \u201ccontra o golpe parlamentar que neste momento est\u00e1 em curso.\u201d<br \/>\nEle defendeu uma vigil\u00e2ncia dos movimentos sociais em rela\u00e7\u00e3o aos governos progressistas, para que estes, de fato, adotem posturas progressistas. \u201cN\u00e3o temos d\u00favidas de que lado estamos, o que queremos \u00e9 que o nosso lado esteja do nosso lado.\u201d<br \/>\nUm dos momentos em que foi ovacionado com mais for\u00e7a pelo p\u00fablico foi quando criticou a decis\u00e3o da presidente Dilma Rousseff em nomear para o MInist\u00e9rio da Agricultura a senadora da bancada ruralista K\u00e1tia Abreu. \u201cIsso n\u00e3o se faz\u201d, comentou Boaventura, j\u00e1 meio abafado por gritos aplausos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cForam muitas derrotas, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se perdeu tudo\u201d<\/span><br \/>\nBoaventura de Sousa Santos avaliou que, em 2001, se pensava, e ele mesmo escreveu a respeito, que a rua era o \u00fanico territ\u00f3rio que n\u00e3o estava sob dom\u00ednio do capital financeiro. Ele cita os movimentos de ocupa\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os p\u00fablicos e as marchas que tomaram o Brasil em 2013 como iniciativas de cr\u00edtica \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que, em muitos casos, deram certo, mas ponderou:<br \/>\n\u201cH\u00e1 uma coisa que a gente se distraiu: \u00e9 que a esquerda n\u00e3o tem o monop\u00f3lio das ruas. E a direita aprende melhor com os nossos erros dos que n\u00f3s pr\u00f3prios. A rua hoje \u00e9 de direita tamb\u00e9m. Tem provocadores preparados para liquidar as propostas de esquerda que possam surgir na rua.\u201d<br \/>\nBoaventura avaliou que a situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 bem mais complicada do que era em 2001 e concluiu sua fala afirmando que temos que aprender com a hist\u00f3ria.<br \/>\n\u201cSe n\u00e3o aprendermos, n\u00e3o haver\u00e1 mais 15 anos de F\u00f3rum Social e isso n\u00f3s n\u00e3o podemos aceitar que ocorra. Muito obrigado.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini O soci\u00f3logo portugu\u00eas Boaventura de Sousa Santos \u00e9 provavelmente o principal nome desta edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social. Na tarde desta ter\u00e7a-feira, o audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna ficou praticamente lotado para a atividade \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o, desigualdade e a crise civilizat\u00f3ria\u201d, da qual participou. Os aplausos da plateia, por vezes, chegavam a interromper a fala do soci\u00f3logo. 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