{"id":300,"date":"2007-03-28T16:22:54","date_gmt":"2007-03-28T19:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=300"},"modified":"2007-03-28T16:22:54","modified_gmt":"2007-03-28T19:22:54","slug":"pandeiro-e-cerveja-ao-por-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/pandeiro-e-cerveja-ao-por-do-sol\/","title":{"rendered":"Pandeiro e cerveja ao p\u00f4r-do-sol"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura%203\/med_rodadesamba_centro.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"menulat\" style=\"text-align: left\">Roda de samba \u00e9 atra\u00e7\u00e3o no centro da Capital (Foto: Naira Hofmeister\/J\u00c1)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n<p align=\"justify\"><strong class=\"texto\">Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O batuque vem da esquina da Riachuelo com a General Salustiano, bem de frente \u00e0 Usina do Gas\u00f4metro. O hor\u00e1rio n\u00e3o podia ser melhor: cinco da tarde, quando o sol d\u00e1 as \u00faltimas bra\u00e7adas e mergulha no Rio Gua\u00edba.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os dez rapazes que ocupam o centro da roda de samba est\u00e3o devidamente fardados com camisas listradas alviverdes que estampam o logotipo: Central do Samba. \u201c\u00c9 um movimento s\u00f3cio-cultural de resgate dos grandes sambistas brasileiros, de um bairro tradicional de Porto Alegre e da parte mais pobre da sociedade\u201d, define Arruda, o presidente da entidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Movimento Cultural Central do Samba nasceu h\u00e1 pouco menos de um ano, em junho de 2006, do encontro de amigos cansados do \u201cestere\u00f3tipo das rodas de samba de Porto Alegre\u201d, que segundo Arruda, tocam sempre a mesma coisa.<\/p>\n<p align=\"justify\">A id\u00e9ia era abrir o ba\u00fa dos sambistas cl\u00e1ssicos, interpretando o repert\u00f3rio de Noel Rosa, Ataulfo Alves, Cartola e Donga, entre outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">O resultado mais aparente \u00e9 que a cada domingo o bar P\u00f4r do Sol est\u00e1 mais cheio de apreciadores. \u201cEstamos fazendo reviver um bairro da capital, isso aqui voltou a ser um ponto cultural efervescente\u201d, diz o orgulhoso presidente.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Central do Samba recebe convidados de peso da m\u00fasica local, como os m\u00fasicos Giba Giba e Djalma Corr\u00eaa, freq\u00fcentadores ass\u00edduos da roda de samba. Tamb\u00e9m fazem apresenta\u00e7\u00f5es eventuais um grupo de maracatu e outros de samba e choro, como o Feijoada Completa.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong class=\"linkbordo\">Encontro de gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O repert\u00f3rio do Central do Samba inclui can\u00e7\u00f5es como \u201cDisseram que eu voltei americanizada\u201d, de Carmem Miranda ou \u201cMeu Barrac\u00e3o\u201d, de Noel Rosa, passando pelos tradicionais sambas-enredos da Mangueira, Salgueiro e outras escolas, cariocas ou n\u00e3o. \u201cMantemos um grupo de pesquisa durante a semana, que escolhe os temas e os compositores que apresentaremos no domingo\u201d, explica Arruda.<\/p>\n<p align=\"justify\">A cada apresenta\u00e7\u00e3o o p\u00fablico ouve um breve texto sobre o m\u00fasico escolhido, dando conta de sua vida e sua obra. S\u00f3 atrav\u00e9s da pesquisa \u00e9 que a gurizada do Central do Samba poderia conhecer essas m\u00fasicas. Todos t\u00eam menos de 30 anos. \u201cEu sou uma das mais velhas, tenho 29\u201d, confidencia Elinka Matusiak, uma das vozes femininas do grupo. \u201cTem uns beb\u00eas de 20, mas eu nunca vi eles darem uma fora\u201d, elogia a cantora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ela conta que os rapazes n\u00e3o se apertam nem diante da presen\u00e7a dos \u201cmacacos velhos\u201d do samba porto-alegrense. \u201cSabe como \u00e9 essa gente: senta, pega o viol\u00e3o e pede um d\u00f3, sem dizer o que vai ser. Nunca vi os guris dizerem que n\u00e3o conhecem a m\u00fasica ou n\u00e3o sabem toc\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong class=\"linkbordo\">O samba que vem do cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 dizia Vin\u00edcius de Morais \u2013 o branco mais preto que existe \u2013 que o samba \u00e9 branco na poesia e negro no cora\u00e7\u00e3o. Dos dez integrantes fixos do Central do Samba, apenas um \u00e9 mulato. \u201cO samba faz parte da cultura popular brasileira e n\u00e3o da cultura negra, da asi\u00e1tica ou da alem\u00e3\u201d, discursa Arruda. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ra\u00e7a, mas de nacionalidade. \u201cO samba \u00e9 o mensageiro do Brasil\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por isso os meninos assinam os e-mails da programa\u00e7\u00e3o com uma frase de Noel Rosa que ilustra a cren\u00e7a de que o samba \u00e9 patrim\u00f4nio tupiniquim. &#8220;O samba, na realidade, n\u00e3o vem do morro, nem l\u00e1 da cidade. E quem suportar uma paix\u00e3o, sentir\u00e1 que o samba, ent\u00e3o, nasce do cora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Central do Samba atrai um p\u00fablico diverso. Na improvisada pista de dan\u00e7a, muitos jovens chacoalhavam os quadris brancos, pretos e mulatos. Nos p\u00e9s da galera, All Star ou sand\u00e1lia dourada, tanto faz. \u201cJ\u00e1 vi punk, roqueiro e moderninho da m\u00fasica eletr\u00f4nica curtindo o som deles\u201d, atesta Catarina, membro honor\u00e1rio da agremia\u00e7\u00e3o, que, no entanto, n\u00e3o toca nenhum instrumento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Catarina faz parte do grupo que ocupa as cadeiras do bar P\u00f4r do Sol. A meia idade \u00e9 o segundo maior freq\u00fcentador da roda de samba. Catarina tem ao seu lado uma cadeira de praia aonde descansa um moleque loirinho de uns sete anos. Crian\u00e7a tamb\u00e9m freq\u00fcenta as reuni\u00f5es dominicais no boteco.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong class=\"linkbordo\">Panela velha \u00e9 que faz m\u00fasica boa<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A forma\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea do grupo \u2013 s\u00e3o publicit\u00e1rios, advogados, m\u00e9dicos e cientistas pol\u00edticos, al\u00e9m de m\u00fasicos profissionais \u2013 agregou um outro valor \u00e0 agremia\u00e7\u00e3o, a preocupa\u00e7\u00e3o com a responsabilidade social. \u201cVamos registrar o grupo como ONG para poder captar patroc\u00ednio para os projetos\u201d, explica Arruda, que interrompe a roda para dar o seguinte aviso. \u201cQuem tiver em casa panelas velhas e cabos de vassouras que n\u00e3o use mais pode doar para a gente\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">As panelas recebidas s\u00e3o fazer instrumentos musicais onde meninos da Vila Cruzeiro v\u00e3o aprender a li\u00e7\u00e3o dos mestres sambistas. \u201cA oficina do Central do Samba vai tirar muito moleque das drogas, da viol\u00eancia e de outras porcarias\u201d, garante ao p\u00fablico, o presidente Arruda.<\/p>\n<p align=\"justify\">No \u00faltimo domingo, 25 de mar\u00e7o, mais uma parceria foi consolidada, tamb\u00e9m relacionada a Cruzeiro. Uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica de Jo\u00e3o Freitas mostra rostos molhados de suor, chutes precisos, e sorrisos abertos. Resultado de um projeto mais antigo que o dos sambistas e que j\u00e1 imprime novos contornos ao morro. Trata-se da funda\u00e7\u00e3o de um time de futebol local, chamado Ajax, do qual todos os integrantes do Central do Samba s\u00e3o torcedores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roda de samba \u00e9 atra\u00e7\u00e3o no centro da Capital (Foto: Naira Hofmeister\/J\u00c1) Naira Hofmeister O batuque vem da esquina da Riachuelo com a General Salustiano, bem de frente \u00e0 Usina do Gas\u00f4metro. O hor\u00e1rio n\u00e3o podia ser melhor: cinco da tarde, quando o sol d\u00e1 as \u00faltimas bra\u00e7adas e mergulha no Rio Gua\u00edba. 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