{"id":30967,"date":"2016-03-31T02:48:57","date_gmt":"2016-03-31T05:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=30967"},"modified":"2016-03-31T02:48:57","modified_gmt":"2016-03-31T05:48:57","slug":"1964-assim-comecaram-25-anos-de-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/1964-assim-comecaram-25-anos-de-ditadura\/","title":{"rendered":"31 de mar\u00e7o de 1964:  25 anos de ditadura come\u00e7aram nesta noite"},"content":{"rendered":"<p><strong>ELMAR BONES<\/strong><br \/>\nJuiz de Fora, 31 de mar\u00e7o de 1964, uma e meia da madrugada. O general Olympio Mour\u00e3o Filho desiste de tentar dormir e retoma as anota\u00e7\u00f5es em seu di\u00e1rio.<br \/>\nH\u00e1 quase uma semana, Mour\u00e3o se considera pronto para um golpe, mas desconfia que o est\u00e3o traindo.<br \/>\nEsperava um manifesto do governador de Minas, que seria a senha para colocar as tropas na rua.<br \/>\n<figure id=\"attachment_30985\" aria-describedby=\"caption-attachment-30985\" style=\"width: 142px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-30985\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Mour\u00e3o-Livro-Biografia-209x300.jpg\" alt=\"Mour\u00e3o j\u00e1 tinha morrido quando foi publicada a sua vers\u00e3o do golpe, em 1978\" width=\"142\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30985\" class=\"wp-caption-text\">Mour\u00e3o j\u00e1 tinha morrido quando foi publicada a sua vers\u00e3o do golpe, em 1978<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm vez de mandar o texto antes, para ele, o governador entregou o manifesto \u00e0 imprensa. E o conte\u00fado n\u00e3o era o que haviam combinado!<br \/>\n\u201cEu estava uma verdadeira f\u00faria\u201d, anotou depois. \u201cMeu peito do\u00eda de rachar. Tive que p\u00f4r uma p\u00edlula de trinitrina embaixo da l\u00edngua\u201d<br \/>\nMour\u00e3o Filho, general de tr\u00eas estrelas, comandante da 4\u00aa Regi\u00e3o Militar, uma das principais for\u00e7as terrestres do Ex\u00e9rcito brasileiro, estava mesmo descontrolado naquela noite.<br \/>\n-\u201cIdiotas. O Chefe Militar sou eu. Magalh\u00e3es n\u00e3o ter\u00e1 desculpa perante a hist\u00f3ria&#8230; E o Guedes, um falastr\u00e3o vaidoso que aceitou o papel triste&#8230; Fizeram isto, bancando os her\u00f3is, porque sabiam que eu era a pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o. Do contr\u00e1rio n\u00e3o se atreveriam a dar um passo. Irrespons\u00e1veis! Arriscando uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e3o bem planejada num momento de vaidade!\u201d<br \/>\nDepois da explos\u00e3o, acalma-se: \u201cAcendi o cachimbo e pensei: n\u00e3o estou sentindo nada e, no entanto, em poucas horas deflagrarei um movimento que poder\u00e1 ser vencido porque sai pela madrugada e ter\u00e1 que parar no caminho. N\u00e3o faz mal&#8230;\u201d<br \/>\nEm seu plano original, Mour\u00e3o previa sair de Juiz de Fora, no in\u00edcio da noite, com 2.300 \u00a0homens. Cobriria os 200 quil\u00f4metros at\u00e9 o Rio de Janeiro em cinco ou seis horas.<br \/>\nAntes de clarear o dia, tomaria de surpresa o pr\u00e9dio do Minist\u00e9rio da Guerra e o Pal\u00e1cio das Laranjeiras, onde estaria ainda dormindo o presidente Jo\u00e3o Goulart. Depois come\u00e7ava a ca\u00e7ar os comunistas.<br \/>\nH\u00e1 uma semana \u201cestava pronto\u201d, mas vinha sendo retardado por artimanhas do governador Magalh\u00e3es Pinto que, mineiramente, temia \u201cse envolver numa aventura\u201d.<br \/>\nAgora est\u00e1 decidido: \u201cVou partir para a luta \u00e0s cinco da manh\u00e3&#8230; Ningu\u00e9m me deter\u00e1. Morrerei lutando. Nosso sangue impedir\u00e1 a escraviza\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d.<br \/>\nDepois se acalma novamente: \u201cE o mais curioso de tudo isto \u00e9 que, passada a raiva (j\u00e1 estou normal, bebi \u00e1gua e caf\u00e9) n\u00e3o sinto nada, nem medo, nem coragem, nem entusiasmo, nem tristeza, nem alegria. Estou neutro.\u201d<br \/>\n<figure id=\"attachment_30981\" aria-describedby=\"caption-attachment-30981\" style=\"width: 258px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-30981\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mour\u00e3o-site-179x300.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de Enio Squeff em acr\u00edlico sobre papel\" width=\"258\" height=\"421\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30981\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Enio Squeff<br \/>em acr\u00edlico sobre papel<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAnotou alguns nomes num papel e, quando o rel\u00f3gio marcou cinco horas, chamou a \u00fanica telefonista de plant\u00e3o na central de Juiz da Fora: \u201cQuero prioridade absoluta e r\u00e1pida para as liga\u00e7\u00f5es que vou pedir. Estou mandando a PM ocupar a Esta\u00e7\u00e3o e a senhorita n\u00e3o diga palavra a ningu\u00e9m\u201d.<br \/>\nConsiderou-se em a\u00e7\u00e3o: \u201cEu j\u00e1 havia desencadeado a Opera\u00e7\u00e3o Sil\u00eancio\u201d, anotou.<br \/>\nNo primeiro telefonema, tentou alcan\u00e7ar o tenente coronel Everaldo Silva, que estava de prontid\u00e3o no QG, \u201co telefone estava engui\u00e7ado\u201d. Tocou, ent\u00e3o, para o major Curcio e mandou desencadear a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Popeye\u201d, o plano militar que ele, Mour\u00e3o, havia tra\u00e7ado e ao qual batizara com o apelido que lhe haviam dado no quartel pelo uso constante do cachimbo.<br \/>\nEm seguida, convocou os coron\u00e9is Jaime Portela e Ramiro Gon\u00e7alves para que se apresentassem imediatamente no quartel (nenhum dos dois apareceu). A seguir, ligou para o almirante Silvio Heck, comandante da Marinha, golpista de primeira hora: disse que estava partindo em dire\u00e7\u00e3o ao Rio, para depor Goulart.<br \/>\nO pr\u00f3ximo foi o deputado Armando Falc\u00e3o, para que avisasse Carlos Lacerda, governador da Guanabara, o mais not\u00f3rio inimigo do presidente.<br \/>\nFalc\u00e3o, assustado, ligou para o general Castello Branco, que era o l\u00edder militar de uma outra conspira\u00e7\u00e3o e que evitara sempre se envolver com Mour\u00e3o.<br \/>\nCastello, que n\u00e3o tinha tropas, tentou falar com Amaury Kruel, o comandante do II Ex\u00e9rcito, a maior for\u00e7a militar do pa\u00eds. \u201cIsso n\u00e3o passa de uma quartelada do Mour\u00e3o, n\u00e3o entro nessa\u201d, disse Kruel, quando foi alcan\u00e7ado por emiss\u00e1rios. Kruel ainda era amigo de Jo\u00e3o Goulart.<br \/>\nNesse meio tempo, Castello recebeu uma liga\u00e7\u00e3o do general Antonio Carlos Muricy, outro conspirador sem comando.<br \/>\nMuricy diz que fora chamado a Minas por Mour\u00e3o, \u201cque est\u00e1 rebelado\u201d. Castello aconselha que v\u00e1 \u201cpara prevenir qualquer bobagem\u201d.<br \/>\nEnquanto isso, Mour\u00e3o segue anunciando o golpe por telefone. Ao final de sua rajada de chamadas, fez quest\u00e3o de registrar que \u201cestava de pijama e roup\u00e3o de seda vermelho\u201d. E n\u00e3o esconde o \u201corgulho pela originalidade\u201d: \u201cCreio ter sido o \u00fanico homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolu\u00e7\u00e3o de pijama\u201d.<br \/>\nSubiu um lance de escada at\u00e9 o quarto onde estava seu h\u00f3spede e c\u00famplice, o desembargador Antonio Neder, \u201cque dormia como um santo\u201d. Gritou: \u201cAcabo de revoltar a 4\u00aa\u00a0Divis\u00e3o de Infantaria e a 4\u00aa Regi\u00e3o Militar\u201d. O amigo, \u201centre espantado e incr\u00e9dulo\u201d, perguntou: \u201cVoc\u00ea agiu certo? Tem elementos seguros?\u201d.<br \/>\nMour\u00e3o desdenha : \u201cVoc\u00eas, paisanos, n\u00e3o entendem disso\u201d. Eu estou certo, pode crer\u201d. Na verdade, n\u00e3o tinha certeza de nada, nem mesmo se conseguiria tirar suas tropas do quartel.<br \/>\n<figure id=\"attachment_30976\" aria-describedby=\"caption-attachment-30976\" style=\"width: 326px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-30976 \" title=\"Mour\u00e3o em mar\u00e7o de 1965, no Superior Tribunal Militar: o general linha de frente acabou na burocracia\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mourao-filho-marco-1965-res-e1459399387329-300x264.jpg\" alt=\"Mour\u00e3o em mar\u00e7o de 1965, no Superior Tribunal Militar: o general linha de frente acabou na burocracia\" width=\"326\" height=\"288\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30976\" class=\"wp-caption-text\">Mour\u00e3o em mar\u00e7o de 1965, no Superior Tribunal Militar: o general linha de frente acabou na burocracia<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEntrou no banheiro, fez a barba e leu alguns salmos da B\u00edblia, como fazia todos os dias. \u201cEu era um homem realizado e feliz. N\u00e3o pude deixar de ajoelhar-me no banheiro e agradeci a Deus a minha felicidade, havia chegado a hora de jogar a carreira e a vida pelo Brasil!\u201d<br \/>\nAbriu o chuveiro, banhou-se calmamente. S\u00f3 ent\u00e3o vestiu o uniforme de campanha e foi tomar caf\u00e9 com Maria, sua mulher (\u201cN\u00e3o consigo me lembrar se o Neder tomou caf\u00e9 conosco\u201d, diz ele nos registros que fez dias depois).<br \/>\nA not\u00edcia de um golpe militar se espalhava rapidamente pelo pa\u00eds, mas o comandante do levante ainda n\u00e3o sa\u00edra de casa.<br \/>\n\u201cA insurrei\u00e7\u00e3o estava envolta numa nuvem que se parecia ora com uma quartelada sem futuro ora com uma tempestade de boatos\u201d, registra Elio Gaspari.<br \/>\nPor volta das dez horas, ainda sem saber direito o que realmente estava acontecendo, o general Castello Branco saiu de seu apartamento, em Ipanema. Foi para o Minist\u00e9rio da Guerra, no centro, onde tinha seu gabinete de trabalho, no sexto andar. De l\u00e1 ainda insistiu com o general Luiz Guedes, comandante da 4\u00aa Divis\u00e3o de Infantaria em Belo Horizonte, e o governador Magalh\u00e3es Pinto para que detivessem Mour\u00e3o. \u201cSen\u00e3o voltarem agora ser\u00e3o esmagados\u201d.<br \/>\nGuedes, em suas mem\u00f3rias, tentou associar-se \u00e0 ousadia de Mour\u00e3o, dizendo que \u00e0quela hora tamb\u00e9m j\u00e1 estava rebelado, mas a verdade \u00e9 que at\u00e9 aquele momento Mour\u00e3o estava sozinho.<br \/>\nMour\u00e3o registra, desde o primeiro encontro entre ambos, a frase que Guedes repetia: \u201cQuem levantar a cabe\u00e7a primeiro, leva pau\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_30978\" aria-describedby=\"caption-attachment-30978\" style=\"width: 264px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-30978 \" title=\"Mour\u00e3o Filho (E), ao lado de Magalh\u00e3es Pinto: j\u00e1 articulava o golpe\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Mour\u00e3o-bra\u00e7os-pra-cima-227x300.jpg\" alt=\"Mour\u00e3o Filho (E), ao lado de Magalh\u00e3es Pinto: j\u00e1 articulava o golpe\" width=\"264\" height=\"345\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30978\" class=\"wp-caption-text\">Mour\u00e3o Filho (E), ao lado de Magalh\u00e3es Pinto: j\u00e1 articulava o golpe<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO governador Magalh\u00e3es Pinto, a quem Guedes seguia, desenvolvia um plano que permitisse recuos. Sua inten\u00e7\u00e3o era declarar Minas Gerais em \u201cestado de beliger\u00e2ncia\u201d, contra o governo federal.<br \/>\nEsperava obter o reconhecimento dos Estados Unidos e, ent\u00e3o, for\u00e7ar Jo\u00e3o Goulart a renunciar. Seria instalado um mandato tamp\u00e3o at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de 1965 , quando ele, Magalh\u00e3es, seria o candidato imbat\u00edvel &#8211; o libertador que afastara o perigo comunista.<br \/>\nO manifesto que lan\u00e7ou no dia 30 de mar\u00e7o, escrito pelo mineir\u00edssimo Milton Campos, defendia reformas de base e era t\u00e3o cauteloso que o deputado federal Wilson Modesto, do PTB de Minas, leu a \u00edntegra por telefone para Jango e o presidente respondeu: \u201cDiga a Magalh\u00e3es que est\u00e1 muito bom estou de acordo com ele\u201d.<br \/>\nAs a\u00e7\u00f5es do general Guedes, \u00e0quelas alturas, se limitavam \u00e0 Prontid\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, for\u00e7a estadual, e a consultas ao c\u00f4nsul dos Estados Unidos em Belo Horizonte, para saber se os americanos estavam dispostos a ajudar com \u201cblindados, armamentos leves e pesados, muni\u00e7\u00f5es, combust\u00edveis, aparelhagens de comunica\u00e7\u00f5es&#8230;\u201d. Para \u201cmais tarde\u201d, precisaria de \u201cequipamento para 50 mil homens\u201d.<br \/>\n***<br \/>\nEnquanto isso, Mour\u00e3o enfrentava dificuldades para levar as tropas \u00e0 rua. O comandante do 10\u00ba Regimento de Infantaria, coronel Cl\u00f3vis Calv\u00e3o, n\u00e3o apoiava o levante. Mour\u00e3o contornou o impasse dando f\u00e9rias ao coronel.<br \/>\nDois outros coron\u00e9is e o comandante da Escola de Sargento de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m recha\u00e7aram a ordem de botar a tropa na rua e foram para casa.<br \/>\n<figure id=\"attachment_30980\" aria-describedby=\"caption-attachment-30980\" style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-30980 size-medium\" title=\"Os recrutas de Mour\u00e3o come\u00e7am a se deslocar em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Mour\u00e3o-tropas-277x300.jpg\" alt=\"Os recrutas de Mour\u00e3o come\u00e7am a se deslocar em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro\" width=\"277\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30980\" class=\"wp-caption-text\">Os recrutas de Mour\u00e3o come\u00e7am a se deslocar em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNada disso influiu no apetite do general. \u00c0 uma da tarde, ele foi para casa almo\u00e7ar e n\u00e3o dispensou sequer a sesta. Nessa hora, j\u00e1 se movimentavam for\u00e7as para atac\u00e1-lo a meio caminho do Rio.<br \/>\n\u201cNa avenida Brasil, principal sa\u00edda do Rio e caminho para Juiz de Fora, marchavam duas colunas de caminh\u00f5es. Numa iam 25 carros cheios de soldados, rebocando canh\u00f5es de 120 mm&#8230; Noutra, em 22 carros, ia o Regimento Sampaio, o melhor contingente de infantaria da Vila Militar. De Petr\u00f3polis, a meio caminho entre o Rio e Mour\u00e3o, partira o 1\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores\u201d <em>(Gaspari<\/em>).<br \/>\n\u201cTinham-se passado oito horas desde o momento em que se considerara insurreto. Salvo os disparos telef\u00f4nicos e a movimenta\u00e7\u00e3o de um pequeno esquadr\u00e3o de reconhecimento que avan\u00e7ara algumas dezenas de quil\u00f4metros, sua tropa continuava onde sempre estivera: em Juiz de Fora.\u201d (<em>Gaspari)<\/em><br \/>\nFardado, de capacete, Mour\u00e3o, auto-intitulado Comandante em Chefe das For\u00e7as Revolucion\u00e1rias, foi fotografado no meio da tarde, no QG da 4\u00aa DI. Mas aos jornalistas ainda negava que estivesse rebelado.<br \/>\nO general Antonio Carlos Muricy, que Mour\u00e3o chamou para chefiar a vanguarda da tropa que desceria em dire\u00e7\u00e3o ao Rio, s\u00f3 foi chegar \u00e0 Juiz de Fora \u00e0s 18 horas.<br \/>\nAo inspecionar as for\u00e7as de que dispunha, Muricy comprovou que mais da metade eram recrutas mal preparados e a muni\u00e7\u00e3o dava para poucas horas.<br \/>\n***<br \/>\n\u201cEle n\u00e3o \u00e9 bem visto no Ex\u00e9rcito e provavelmente n\u00e3o liderar\u00e1 uma conspira\u00e7\u00e3o contra o governo, em parte porque n\u00e3o tem muitos seguidores. \u00c9 visto como uma pessoa que fala mais do que pode fazer\u201d, dizia um informe da embaixada americana.<br \/>\nA maioria dos 60 generais em atividade naquele momento, achava que Mour\u00e3o n\u00e3o conseguiria tirar os soldados do quartel. Lacerda lhe disse isso diretamente. O general Murici, que ele convidou para comandar a vanguarda de suas for\u00e7as em dire\u00e7\u00e3o ao Rio, disse-lhe: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 louco? Acha que pode fazer uma opera\u00e7\u00e3o dessas com soldados meninos com um m\u00eas de treinamento!\u201d<br \/>\nQuando ele chegou a Minas, em setembro de 1963 para assumir o comando da 4\u00aa.Regi\u00e3o Militar, o governador Magalh\u00e3es Pinto declarou depois da primeira conversa que tiveram, comentou: \u201cEste general que veio comandar a Regi\u00e3o ou \u00e9 agente provocador do governo ou \u00e9 louco, quer fazer uma revolu\u00e7\u00e3o logo!\u201d O general Costa e Silva a quem procurou v\u00e1rias vezes, sempre esquivou-se. \u201cN\u00e3o temos nada\u201d. Para o historiador H\u00e9lio Silva, Mour\u00e3o era um \u201chomem bom, sofredor, pitoresco, capaz de assomos de c\u00f3lera\u201d.<br \/>\n***<br \/>\nO embaixador americano soube da rebeli\u00e3o por volta do meio dia do dia 31 de mar\u00e7o. Imediatamente avisou Dean Rusk, chefe do Departamento de Estado. Ele n\u00e3o tinha Mour\u00e3o em boa conta, mas ponderou: \u201c(&#8230;) pode ser a \u00faltima boa oportunidade para apoiar uma a\u00e7\u00e3o contra Goulart\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_30974\" aria-describedby=\"caption-attachment-30974\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-30974\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/2014-03-24-14.58.26-300x168.jpg\" alt=\"Tanques e jipes do II Ex\u00e9rcito descem para o Vale do Para\u00edba. O golpe venceu\" width=\"555\" height=\"292\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30974\" class=\"wp-caption-text\">Tanques e jipes do II Ex\u00e9rcito descem para o Vale do Para\u00edba. O golpe venceu<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA segunda vit\u00f3ria de Mour\u00e3o aconteceu j\u00e1 na madrugada do dia primeiro de abril, quando o Regimento Sampaio, a mais bem treinada e equipada for\u00e7a militar do Rio, que saiu para atac\u00e1-lo. Ao alcan\u00e7ar a dianteira das tropas rebeladas, em vez de atirar, os oficiais simplesmente aderiram ao golpe. Os calejados \u201ctarimbeiros\u201d do Regimento Sampaio abra\u00e7aram os \u201csoldadinhos meninos\u201d de Mour\u00e3o. \u201cEles passaram-se quando tudo parecia indicar nossa derrota\u201d, anotou o general em seu di\u00e1rio.<br \/>\nPouco depois, quando se deslocava para assumir a vanguarda das tropas que se dirigiam ao Rio soube pelo r\u00e1dio do carro que n\u00e3o havia mais resist\u00eancia. O golpe vencera e o general Costa e Silva havia assumido o Comando Supremo da Revolu\u00e7\u00e3o, por ser o general mais velho em atividade. N\u00e3o lhe restou mais que ir ao QG e apresentar-se ao novo comandante. Costa e Silva dormia e atendeu-o de cuecas. Ele quis reclamar, Costa colocou a m\u00e3o em seu ombro: \u201cMour\u00e3o foi tudo resolvido na base da hierarquia ( &#8230;) N\u00e3o se preocupe velho, isso vai dar certo\u201d. E recomendou-lhe ficar mais uns dias no Rio antes de regressar com as tropas. \u201cAchei razo\u00e1vel , de vez que Costa e Silva n\u00e3o contava com quase nada, n\u00e3o dispunha de tropa. Minha obriga\u00e7\u00e3o era ficar e garanti-lo\u201d. Ele\u00a0 j\u00e1 era carta\u00a0 fora do baralho.<\/p>\n<div style=\"width: 100%;min-width: 250px;float: none;margin: 0px 0 10px 0px;background-color: #f8ae3f\">\n<h3 style=\"line-height: 1.3em;text-align: left;padding: 15px\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-31589 alignright\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/KIT-ANTIDITADURA-Semana-combate-ao-ditavirus_255x300px_PROMO-255x300.jpg\" alt=\"KIT ANTIDITADURA-Semana combate ao ditavirus_255x300px_PROMO\" width=\"186\" height=\"247\" \/>Adquira o kit antiditadura<\/h3>\n<p style=\"padding: 0 15px\">O texto que voc\u00ea acabou de ler foi retirado da primeira edi\u00e7\u00e3o, de um total de tr\u00eas, do kit antiditadura.<\/p>\n<p style=\"padding: 0 15px 15px 15px\">Acesse nossa <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/kit\">pagina promocional<\/a> e adquira atrav\u00e9s de cart\u00e3o ou boleto banc\u00e1rio. 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