{"id":31214,"date":"2016-04-13T17:32:50","date_gmt":"2016-04-13T20:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=31214"},"modified":"2016-04-13T17:32:50","modified_gmt":"2016-04-13T20:32:50","slug":"erro-no-calculo-da-tarifa-de-onibus-ampliaria-lucro-das-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/erro-no-calculo-da-tarifa-de-onibus-ampliaria-lucro-das-empresas\/","title":{"rendered":"Erro no c\u00e1lculo da tarifa ampliaria lucro das empresas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Matheus Chaparini<\/span><br \/>\nUm erro de c\u00e1lculo da prefeitura estaria aumentando o valor da passagem de \u00f4nibus em Porto Alegre e ampliando a margem de lucro das empresas respons\u00e1veis pelo servi\u00e7o em quase R$ 8 milh\u00f5es.<br \/>\nEssa \u00e9 a conclus\u00e3o do economista Andr\u00e9 Augustin, da FEE (Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica), ao analisar o c\u00e1lculo da tarifa a partir dos dados fornecidos pela prefeitura.<br \/>\nRecentemente Augustin criticou o Executivo <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/29730-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">por sonegar informa\u00e7\u00f5es sobre os n\u00fameros utilizados para determinar o pre\u00e7o do transporte coletivo. <\/a>Outras conclus\u00f5es sobre o tema <a href=\"http:\/\/enquantoseluta.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">est\u00e3o publicadas em seu blog<\/a>.<br \/>\nAgora, ele afirma ter encontrado onde est\u00e1 o \u201cerro\u201d do c\u00e1lculo. Mas ainda n\u00e3o entendeu por que foi feito desta forma.<br \/>\nSegundo o economista, o equ\u00edvoco aumenta em quatro centavos o valor da passagem. Hoje o passageiro paga R$ 3,75, resultado de um pre\u00e7o m\u00ednimo fixado pelo edital em R$ 3,46, mais a diferen\u00e7a de infla\u00e7\u00e3o e os custos com o reajuste salarial de motoristas e cobradores.<br \/>\nPelos c\u00e1lculos de Augustin, o valor correto seria R$ 3,42 e o equ\u00edvoco estaria beneficiando as empresas com R$ 7,9 milh\u00f5es por ano.<br \/>\n<span class=\"intertit\">c\u00e1lculo \u00e9 diferente do previsto no edital<br \/>\n<\/span><br \/>\nAndr\u00e9 Augustin explica que o edital dividiu cada uma das bacias (norte, sul e leste) em dois lotes. Como em cada lote, o custo e a quantidade de passageiros \u00e9 diferente, \u00e9 feita uma equaliza\u00e7\u00e3o para se chegar a um valor unit\u00e1rio da passagem, que valha para todos.<br \/>\nSegundo o edital, o valor da tarifa ao usu\u00e1rio ser\u00e1 obtido \u201ccalculando-se a m\u00e9dia ponderada dos dados informados pelos vencedores pela rodagem de cada lote\u201d &#8211; sendo os dados, os custos fornecidos pelas empresas durante a licita\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<figure id=\"attachment_29733\" aria-describedby=\"caption-attachment-29733\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-29733\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_20160224_172838548.jpg\" alt=\"Andr\u00e9 Augustin \u00e9 economista da \u00e1rea de transportes da FEE \/ J\u00c1\" width=\"360\" height=\"207\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-29733\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9 Augustin \u00e9 economista da \u00e1rea de transportes da FEE \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nS\u00f3 que a prefeitura fez a m\u00e9dia ponderada pela frota e n\u00e3o pelo lote, o que poderia gerar essa diferen\u00e7a.<br \/>\nPara o economista, o c\u00e1lculo ter sido feito em desacordo com o edital j\u00e1 seria suficiente para tornar ilegal o valor da tarifa.<br \/>\nMas n\u00e3o se trata somente de um problema formal. \u201cEste c\u00e1lculo n\u00e3o faz sentido. Se todos os custos s\u00e3o calculados por quil\u00f4metro, a pondera\u00e7\u00e3o deve ser essa\u201d, defende Augustin.<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, o economista defende que n\u00e3o era necess\u00e1rio fazer a m\u00e9dia de cada insumo, pois seria mais f\u00e1cil fazer direto a m\u00e9dia do custo total por quil\u00f4metro de cada lote, ponderando pela rodagem.<\/span><br \/>\nEle esmi\u00fa\u00e7a: \u201cPegando o custo de opera\u00e7\u00e3o por quil\u00f4metro e multiplicando pela quilometragem total, se chega ao custo total do sistema. Este valor deve ser igual \u00e0 receita, pois o lucro j\u00e1 est\u00e1 inclu\u00eddo nos custos\u201d, explica.<br \/>\nSegundo esse c\u00e1lculo, o valor da receita anual gerada pelas passagens \u00e9 de R$ 735.680.904,23. Pelo c\u00e1lculo executado pela prefeitura e questionado por Augustin, o valor fica em R$ 743.632.006,28.<br \/>\nA diferen\u00e7a \u00e9 de R$\u00a07.951.102,05 por ano a favor das empresas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">EPTC admite que mudou a conta<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A Empresa P\u00fablica de Transportes e Circula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre (EPTC) admite que n\u00e3o fez os c\u00e1lculos conforme o que estava descrito no edital, mas sublinha que a mudan\u00e7a na conta n\u00e3o interfere no resultado, ou seja, recha\u00e7a o valor a que chegou Andr\u00e9 Augustin.<br \/>\n<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Ocorre que a justificativa dada pelo \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico para alterar o m\u00e9todo de c\u00e1lculo determinado em licita\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o seria poss\u00edvel determinar os custos utilizando-se apenas a quilometragem &#8211; trocando em mi\u00fados, a prefeitura percebeu que a conta era imposs\u00edvel de ser feita da maneira como estava no edital.<br \/>\n<\/span><br \/>\nMas isso s\u00f3 aconteceu &#8220;ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o do certame\u201d, conforme a EPTC.<br \/>\nA resposta ao J\u00c1 foi enviada atrav\u00e9s da assessoria de imprensa, embora a reportagem j\u00e1 houvesse entrevistado anteriormente um t\u00e9cnico do \u00f3rg\u00e3o sobre o mesmo assunto.<br \/>\nNa nota de 16 p\u00e1ginas &#8211; na qual o \u00f3rg\u00e3o analisa v\u00e1rias outras postagens do blog de Andr\u00e9 Augustin que n\u00e3o se referem ao objeto dessa reportagem &#8211; a EPTC d\u00e1 sua vers\u00e3o sobre os fatos: segundo constataram t\u00e9cnicos, apenas dois itens do c\u00e1lculo poderiam ser contabilizados pela quilometragem dos \u00f4nibus &#8211; os coeficientes de consumo de pe\u00e7as e acess\u00f3rios e do pre\u00e7o do litro de combust\u00edvel.<br \/>\nPor outro lado, aponta um equ\u00edvoco na an\u00e1lise feita pelo economista Andr\u00e9 Augustin: diz que o item &#8220;Fator de Utiliza\u00e7\u00e3o Motorista\/cobrador (FU)&#8221; tinha sim previs\u00e3o de ser calculado com base na tabela de programa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o das empresas, o que efetivamente foi feito.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO economista Andr\u00e9 Augustin mant\u00e9m a confian\u00e7a de que seus n\u00fameros est\u00e3o corretos e afirma que enviar\u00e1 oficialmente resultado do seu c\u00e1lculo para a empresa.<br \/>\n<em><strong>Confira a diferen\u00e7a de c\u00e1lculo na tabela abaixo, desenvolvida por Andr\u00e9 Augustin<\/strong><\/em><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-31261\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Tabela-tarifa-de-\u00f4nibus.-Andr\u00e9-Augustin.jpg\" alt=\"Tabela tarifa de \u00f4nibus. Andr\u00e9 Augustin\" width=\"529\" height=\"483\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini Um erro de c\u00e1lculo da prefeitura estaria aumentando o valor da passagem de \u00f4nibus em Porto Alegre e ampliando a margem de lucro das empresas respons\u00e1veis pelo servi\u00e7o em quase R$ 8 milh\u00f5es. 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