{"id":313,"date":"2007-05-28T12:16:00","date_gmt":"2007-05-28T15:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=313"},"modified":"2007-05-28T12:16:00","modified_gmt":"2007-05-28T15:16:00","slug":"ave-mutantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/ave-mutantes\/","title":{"rendered":"Ave, Mutantes!"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Incomum o lugar: um teatro austero, cadeiras estofadas, ar condicionado. Fazer a cabe\u00e7a era dif\u00edcil: baseado ou LSD estavam fora de cogita\u00e7\u00e3o pela alta concentra\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7as no local. A cervejinha n\u00e3o sa\u00eda por menos de cinco pilas, uma long neck. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O valor do t\u00edquete de entrada, entre R$ 80,00 e R$ 120,00, transformou o show dos Mutantes no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, num sonho quase inating\u00edvel mesmo para hippies-chiques. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ao menos o pessoal da Tim distribuiu chocolatinhos promocionais, que amenizaram a larica de quem saiu \u2018pronto\u2019 de casa. E o tradicional gal\u00e3o de \u00e1gua ao lado do banheiro do teatro teve que ser reposto algumas vezes.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A balada que metaforicamente traduzia a situa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u2013 majoritariamente de jovens \u2013 sem d\u00favida era \u201cO meu cigarro apagou, o meu dinheiro acabou, e hoje eu me liguei s\u00f3 no rock n\u2019roll\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A nova forma\u00e7\u00e3o dos Mutantes chegou a Porto Alegre ostentando o t\u00edtulo (estranho para quem esteve sempre na contracultura) de \u201cMelhor Banda de pop-rock do Brasil\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Abra\u00e7ados, os irm\u00e3os Arnaldo Baptista (teclados) e Sergio Dias (guitarra), o baterista Dinho e a vocal substituta de Rita Lee, Z\u00e9lia Duncan, entraram no palco ao som da marcha interpretada pelos demais integrantes da banda \u2013 uma baterista rastafari, um multi-intrumentista (que tocou flauta, teclados, guitarra), um baixista e um outro tecladista. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Dividido entre os tradicionais cabeludos, as meninas de saia plis\u00ea \u2013 encarna\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito &#8216;Rebelde&#8217; contempor\u00e2neo \u2013 e um bando de tioz\u00e3os nost\u00e1lgicos, o p\u00fablico sacudiu o Teatro do Sesi, literalmente. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Nos primeiros acordes de <em>Dom Quixote<\/em>, que abriu o show, uma meia d\u00fazia de jovens provou que a hipongagem vinha para marcar presen\u00e7a. Ignorando as 17 fileiras de poltronas de tr\u00e1s, o pessoal da primeira fila da plat\u00e9ia baixa levantou e iniciou a dan\u00e7a-ritual que caracteriza essa tribo. P\u00e9s e m\u00e3os se movem em c\u00e2mera lenta e os olhos permanecem fechados. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O restante do teatro, ainda hesitante, se limitava a sacudir os bra\u00e7os e assoviar alto. Mas ningu\u00e9m resistiu \u00e0 anima\u00e7\u00e3o de <em>Virg\u00ednia<\/em>, a quarta can\u00e7\u00e3o apresentada. Cadeiras foram esquecidas, sen\u00e3o pisoteadas. Quem estava bem em frente ao palco pode testemunhar o ch\u00e3o balan\u00e7ando para tr\u00e1s e para frente. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Na hora e meia que seguiu, ningu\u00e9m ficou parado. <em>Cantor de Mambo<\/em>, <em>Baby<\/em>, <em>Caminhante Noturno<\/em>,\u00a0<em>Balada do Louco<\/em>, <em>Ave L\u00facifer <\/em>e at\u00e9 <em>Le premier bonheur du jour<\/em> foram destaques do show. Em <em>El Justiciero<\/em>, S\u00e9rgio fez refer\u00eancias\u00a0a Lula e Ch\u00e1vez.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Arnaldo Baptista foi o mais ovacionado entre os antigos Mutantes, recebendo rever\u00eancias constantes da plat\u00e9ia. S\u00e9rgio Dias tamb\u00e9m recebeu os devidos cumprimentos ao solar sua guitarra e Dinho tamb\u00e9m teve seu momento. Z\u00e9lia Duncan n\u00e3o foi alvo de nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea da plat\u00e9ia, mas durante a apresenta\u00e7\u00e3o da banda, recebeu muitos aplausos por sua performance discreta e eficiente. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ainda que a banda n\u00e3o mantenha a espontaneidade dos tempos do tropicalismo \u2013 salvo sob as manifesta\u00e7\u00f5es bem humoradas de Arnaldo, que segue <em>L\u00f3ki<\/em> \u2013 a apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou a desejar. Foram quase duas horas de m\u00fasica e quase nada de papo. O retorno ao palco num bis preparado previamente encerrou a apresenta\u00e7\u00e3o com <em>Bat Macumba<\/em> e, claro, <em>Panis Et Circenses<\/em>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister Incomum o lugar: um teatro austero, cadeiras estofadas, ar condicionado. Fazer a cabe\u00e7a era dif\u00edcil: baseado ou LSD estavam fora de cogita\u00e7\u00e3o pela alta concentra\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7as no local. A cervejinha n\u00e3o sa\u00eda por menos de cinco pilas, uma long neck. O valor do t\u00edquete de entrada, entre R$ 80,00 e R$ 120,00, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-313","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-53","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/313\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}