{"id":31467,"date":"2016-04-12T15:45:07","date_gmt":"2016-04-12T18:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=31467"},"modified":"2016-04-12T15:45:07","modified_gmt":"2016-04-12T18:45:07","slug":"vendavais-catastroficos-ocorrem-10-vezes-por-ano-no-sul-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/vendavais-catastroficos-ocorrem-10-vezes-por-ano-no-sul-do-brasil\/","title":{"rendered":"Vendavais catastr\u00f3ficos ocorrem 10 vezes por ano no Sul do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nEm sua primeira palestra p\u00fablica sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tema de seu mestrado, a ge\u00f3grafa Fl\u00e1via Dias de Souza Moraes mostrou a uma plateia de 160 pessoas na noite de segunda-feira (11) que o <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/prefeitura-decreta-situacao-de-emergencia-em-porto-alegre\/\">vendaval de 29 de janeiro em Porto Alegre<\/a> \u00e9 um fen\u00f4meno recorrente que acontece dez vezes por ano, em m\u00e9dia, no Sul do Brasil, alcan\u00e7ando at\u00e9 o Paraguai.<br \/>\nA tend\u00eancia \u00e9 que ocorram principalmente nos meses de maior calor \u2013 de outubro a abril.<br \/>\nConvocado pela Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha Para a Prote\u00e7\u00e3o do Ambiente Natural (Agapan), o debate sobre a arboriza\u00e7\u00e3o da capital em tempo de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas lotou o audit\u00f3rio da Faculdade de Arquitetura da UFRGS.<br \/>\nCom a seguran\u00e7a de uma veterana, a jovem estreante explicou que os tais vendavais catastr\u00f3ficos foram batizados com um nome t\u00e9cnico (complexos convectivos de mesoescala, CCM) mas podem ser chamados simplesmente de \u201cnuvens de tempestade\u201d.<br \/>\nArmam-se ao entardecer e desabam at\u00e9 a meia-noite, durando cerca de seis horas.<br \/>\nAs fotos de sat\u00e9lite (tiradas a cada 30 minutos) indicam que o CCM de 29 de janeiro cobriu uma \u00e1rea de 390 mil quil\u00f4metros quadrados (maior do que o Rio Grande do Sul, cujo territ\u00f3rio ocupa 287 mil km\u00b2) e tinha um n\u00facleo de quatro quil\u00f4metros de largura que desabou exatamente sobre o centro de Porto Alegre.<br \/>\nNo Menino Deus, os ventos chegaram a 150 km\/h. \u201cS\u00e3o ventos que varrem, n\u00e3o s\u00e3o ventos que sugam, como os dos tornados\u201d, explicou Fl\u00e1via.<br \/>\nCom fotos e gr\u00e1ficos, a ge\u00f3grafa da UFRGS mostrou que o fen\u00f4meno dos CCMs resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de altas temperaturas na superf\u00edcie terrestre (entre 30\/36 graus C) com a intensa circula\u00e7\u00e3o de umidade marinha e da Amaz\u00f4nia, formando nuvens cujo topo alcan\u00e7a temperaturas baix\u00edssimas (-52 graus C).<br \/>\nO fen\u00f4meno \u00e9 previsto, descrito e diagramado pelos meteorologistas, mas sua intensidade \u00e9 imprevis\u00edvel. No caso de 29 de janeiro, explicou Fl\u00e1via, \u201cfoi uma microexplos\u00e3o com dura\u00e7\u00e3o de 20 minutos\u201d, cujo n\u00facleo caiu em cima do Parque da Reden\u00e7\u00e3o e arredores.<br \/>\nFoi azar de Porto Alegre, mas pode acontecer de novo com danos muito maiores do que apenas <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/prefeitura-vai-focar-na-analise-das-arvores-danificadas\/\">45 feridos e 3 mil \u00e1rvores atingidas<\/a>.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os CCMs s\u00e3o a novidade clim\u00e1tica trazida pelo aumento da temperatura na superf\u00edcie terrestre. \u201cO aumento da temperatura na superf\u00edcie terrestre \u00e9 o combust\u00edvel dos CCMs\u201d, disse Fl\u00e1via, concluindo: \u201cTemos que nos preparar\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">TIPUANAS E JACARAND\u00c1S, ADEUS<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_31469\" aria-describedby=\"caption-attachment-31469\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-31469 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/agapandebate-1.jpg\" alt=\"agapandebate (1)\" width=\"725\" height=\"544\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-31469\" class=\"wp-caption-text\">Plateia cheia mostra que Agapan se revigora como movimento em defesa do ambiente urbano<\/figcaption><\/figure><br \/>\nTanto as palestras como as manifesta\u00e7\u00f5es do audit\u00f3rio se ativeram \u00e0 pauta sugerida pela Agapan, cuja milit\u00e2ncia est\u00e1 se revigorando diante das evid\u00eancias de que as \u00e1rvores de Porto Alegre s\u00e3o as v\u00edtimas preferenciais tanto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas quanto da neglig\u00eancia dos gestores p\u00fablicos.<br \/>\nA defesa das \u00e1rvores foi estopim do processo de conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental promovido pela Agapan, fundada em 27 de abril de 1971 por Augusto Carneiro, Jos\u00e9 Lutzenberger e um grupo de pessoas preocupadas com a preserva\u00e7\u00e3o da vida no planeta.<br \/>\nO sentimento dominante no audit\u00f3rio da Arquitetura era de que os cidad\u00e3os conscientes dos riscos clim\u00e1ticos e dos problemas ambientais precisam juntar for\u00e7as para agir, pois a a\u00e7\u00e3o dos gestores p\u00fablicos tem ficado aqu\u00e9m das necessidades.<br \/>\nNo caso da arboriza\u00e7\u00e3o, prevaleceu a palavra do bi\u00f3logo Paulo Brack, da UFRGS, que sugeriu aos portoalegrenses come\u00e7ar a dizer adeus \u00e0s \u00e1rvores de grande porte que ocupam as cal\u00e7adas da capital, colocando em risco n\u00e3o apenas a vida das pessoas, mas o patrim\u00f4nio p\u00fablico e particular (fios, cabos, postes, tubula\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea, carros, muros e telhados).<br \/>\n\u201cA tipuana \u00e9 linda, mas n\u00e3o d\u00e1 mais\u201d, disse ele. \u201cO jacarand\u00e1, uma pena\u201d.<br \/>\nEle n\u00e3o chegou a fazer uma lista, mas lembrou que as dez \u00e1rvores mais plantadas em Porto Alegre s\u00e3o ex\u00f3ticas como a tipuana, nativa das plan\u00edcias andinas introduzida no paisagismo urbano a partir dos anos 1940.<br \/>\n\u201c\u00c9 hora de come\u00e7ar o plantio de \u00e1rvores de pequeno porte\u201d, recomendou o professor de Bioci\u00eancias e dirigente do Instituto Ing\u00e1, lembrando que o m\u00ednimo que a prefeitura pode fazer, nesse caso, \u00e9 montar uma lista das esp\u00e9cies mais indicadas e facilitar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o no processo de plantio e manuten\u00e7\u00e3o do arvoredo urbano.<br \/>\nComo fazer isso \u00e9 uma d\u00favida, pois os funcion\u00e1rios municipais que assistiram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Agapan se aposentaram sem que a prefeitura tenha feito a reposi\u00e7\u00e3o desse pessoal especialista em manejo arb\u00f3reo.<br \/>\nPaulo Brack citou um antigo viveiro municipal que \u201ctinha 70 funcion\u00e1rios e hoje tem meia d\u00fazia de pessoas\u201d. Segundo Brack, \u201ch\u00e1 na prefeitura uma a\u00e7\u00e3o deliberada para dificultar o planejamento ambiental\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">CONDOM\u00cdNIOS DEVASTADORES<\/span><br \/>\nA vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) fez uma interven\u00e7\u00e3o-rel\u00e2mpago para condenar o comportamento da administra\u00e7\u00e3o da capital em favor da constru\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria do sucateamento do sistema de controle ambiental do munic\u00edpio, do que resulta a \u201cvista grossa\u201d diante de projetos de condom\u00ednios residenciais que avan\u00e7am sobre a zona rural do munic\u00edpio.<br \/>\nSegundo a vereadora, os ambientalistas est\u00e3o particularmente espantados com o Pontal do Arado (246 hectares), que prev\u00ea cerca de 2,3 mil resid\u00eancias em \u00e1reas alagadi\u00e7as onde est\u00e3o projetados aterros de dois metros de altura.<br \/>\n\u201cCabe a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra o projeto do Pontal do Arado\u201d, afirmou Melchionna, levantando a bola para outras interven\u00e7\u00f5es sobre a participa\u00e7\u00e3o popular na gest\u00e3o do meio ambiente.<br \/>\nLeonardo Melgarejo, presidente da Agapan, lembrou que ao completar 45 anos a institui\u00e7\u00e3o fundada pelo agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Lutzenberger est\u00e1 disposta a recuperar o ativismo ecol\u00f3gico que colocou o Rio Grande do Sul na vanguarda das lutas ecol\u00f3gicas nos anos 1970.<br \/>\nS\u00f3 que agora, considerando o agravamento da crise ambiental em face das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a Agapan quer mudar seu modo de lutar: \u201cNosso papel agora deve ser de articula\u00e7\u00e3o dos grupos envolvidos nas quest\u00f5es ambientais\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">VAI TER FESTA<\/span><br \/>\nPara o final do m\u00eas, a Agapan est\u00e1 programando uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es populares em comemora\u00e7\u00e3o ao seu anivers\u00e1rio. No dia 23, \u00e0s 10 horas da manh\u00e3, vai partir um bolo na feira ecol\u00f3gica\u00a0 da rua Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.<br \/>\n\u00c0 tarde, participa do <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/movimentos-convocam-abraco-ao-cais-maua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">abra\u00e7o ao Cais Mau\u00e1<\/a>. No dia 27, haver\u00e1 uma programa\u00e7\u00e3o especial cujos detalhes ainda n\u00e3o foram divulgados, mas vai ter festa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Em sua primeira palestra p\u00fablica sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tema de seu mestrado, a ge\u00f3grafa Fl\u00e1via Dias de Souza Moraes mostrou a uma plateia de 160 pessoas na noite de segunda-feira (11) que o vendaval de 29 de janeiro em Porto Alegre \u00e9 um fen\u00f4meno recorrente que acontece dez vezes por ano, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":31468,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-31467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-8bx","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}