{"id":3155,"date":"2009-02-16T14:47:59","date_gmt":"2009-02-16T17:47:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=3155"},"modified":"2009-02-16T14:47:59","modified_gmt":"2009-02-16T17:47:59","slug":"trafico-murcha-no-bom-fim-e-floresce-na-cidade-baixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/trafico-murcha-no-bom-fim-e-floresce-na-cidade-baixa\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico murcha no Bom Fim e floresce na Cidade Baixa"},"content":{"rendered":"<p>O tr\u00e1fico de drogas est\u00e1 decadente no Bom Fim. A avenida Osvaldo Aranha por anos foi point de distribui\u00e7\u00e3o para os traficantes. Na \u00faltima semana de janeiro, rep\u00f3rteres do Jornal J\u00e1 percorreram os pontos conhecidos e constataram uma redu\u00e7\u00e3o na oferta.<br \/>\nMas, logo apurou-se que a venda de entorpecentes est\u00e1 deslocada para a Cidade Baixa, bairro de divers\u00e3o noturna. A Reden\u00e7\u00e3o continua abrigando este tipo de atividade, de dia no pr\u00e9dio abandonado do audit\u00f3rio Ara\u00fajo Viana e na avenida Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio \u00e0 noite.<br \/>\n\u00c0 luz do sol, o usu\u00e1rio que deseje algum tipo de droga pode encontrar facilmente seu objeto de consumo na trilha entre o Ara\u00fajo Viana e o parque Ramiro Souto. Entre as \u00e1rvores que projetam sombra no local, ponto de passagem de fam\u00edlias e amigos que pretendem se divertir nas quadras, os vendedores de entorpecentes abordam o transeunte que demonstre o menor sinal de ser um potencial comprador.<br \/>\nNuma quarta-feira, o ponto tinha tr\u00eas pessoas fazendo o com\u00e9rcio: dois rapazes aparentando ter 20 anos e um sujeito de barba, prov\u00e1veis 30. Eles abordam o poss\u00edvel cliente oferecendo maconha, mas tamb\u00e9m trabalham com outros tipos de drogas. Caso o interlocutor pe\u00e7a algo de consumo mais restrito, LSD, por exemplo, e eles n\u00e3o tenham a subst\u00e2ncia, prometem a mesma para o dia seguinte a um custo de R$ 50 a dose. Nos arredores, nenhum sinal de policiamento.<br \/>\nO mapa dos pontos de venda muda ap\u00f3s o p\u00f4r-do-sol. \u00c0s 22 horas \u00e9 poss\u00edvel encontrar dois ou tr\u00eas sujeitos andando em c\u00edrculos, ironicamente na frente do Col\u00e9gio Militar, a poucas centenas de metros de um posto da Brigada.<br \/>\nA maconha \u00e9 vendida ali a partir de R$ 5, e os traficantes n\u00e3o parecem se incomodar com a proximidade da pol\u00edcia. \u201cAqui \u00e9 sereno\u201d, disse um dos negociantes, que aparentava a mesma juventude de seus colegas diurnos. Quando um potencial comprador expressa inten\u00e7\u00e3o de adquirir a droga, eles j\u00e1 come\u00e7am a negocia\u00e7\u00e3o caminhando em dire\u00e7\u00e3o ao parque, dando a entender que o produto fica escondido ali.<br \/>\nO morador de Porto Alegre que n\u00e3o freq\u00fcentou a Osvaldo Aranha nos \u00faltimos anos estranharia o cen\u00e1rio. A avenida estava completamente \u201climpa\u201d no primeiro dia de levantamento da reportagem, entre 18 e 23 horas, causando frustra\u00e7\u00e3o aos usu\u00e1rios.<br \/>\nAntigamente, era f\u00e1cil identificar alguns pontos de venda de drogas na avenida, principalmente entre as esquinas com as ruas Fernandes Vieira e Jo\u00e3o Teles.<br \/>\nUma r\u00e1pida busca nas redondezas, inclusive nos recantos mais ermos, como a avenida Cauduro, fazia concluir que o Bom Fim est\u00e1 mesmo com menos traficantes do que antes.<br \/>\nO mercado do bairro, revitalizado e com acesso restrito durante a noite, deixou de ser ponto de venda.. A explica\u00e7\u00e3o pode estar num coment\u00e1rio feito por um funcion\u00e1rio de um tradicional estabelecimento de com\u00e9rcio da Osvaldo. \u201cLimparam tudo, ainda bem\u201d, comemorou, explicando que \u201celes sumiram depois que foi instalado o posto da Brigada ali no mercado. Foram todos para a Cidade Baixa\u201d.<br \/>\nEntretanto, a noite seguinte acabaria frustrando o  trabalhador, j\u00e1 que uma dupla vendia maconha, sem encontrar problemas, na porta do local, \u00e0s 23 horas, mesmo ap\u00f3s chuva intensa. De apar\u00eancia maltratada e roupas velhas, representavam, como todos os traficantes localizados por esta reportagem, o elo mais fr\u00e1gil e pobre de um neg\u00f3cio que movimenta bilh\u00f5es de verdinhas ao redor do mundo.<br \/>\nN\u00e3o foi dif\u00edcil verificar, em apenas uma noite, a exist\u00eancia de pontos de venda no festivo bairro citado pelo funcion\u00e1rio. Quem ali entrasse pela rua da Rep\u00fablica, repleta de pessoas em seus bares, logo encontraria gente vendendo maconha. Na rua Sofia Veloso, entre a Rep\u00fablica e a badalada Lima e Silva, haviam tr\u00eas sujeitos, um deles enrolando a droga na seda. Faziam o neg\u00f3cio de uma forma aparentemente mais amadora que os encontrados na Reden\u00e7\u00e3o, vendendo a erva sem pre\u00e7o fixo.<br \/>\nO grande movimento da noite no bairro e a ostensiva presen\u00e7a de brigadianos n\u00e3o inibiam a atua\u00e7\u00e3o dos comerciantes de subst\u00e2ncias proibidas. Na Rua Jo\u00e3o Alfredo, entre a Rep\u00fablica e a Luiz Afonso, um sujeito ficava parado na cal\u00e7ada leste, apenas esperando ser abordado. \u201cEu n\u00e3o tenho aqui, mas tem no posto na vila aqui perto. Posso buscar\u201d, explicou o rapaz. Ele afirmou estar esperando por um consumidor que lhe compraria p\u00f3 e que trabalha no ramo h\u00e1 tr\u00eas anos. \u201cAqui \u00e9 sereno\u201d, falou, repetindo seu colega da Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, enquanto viaturas da BM passavam na sua frente, abrindo caminho na via movimentada.<br \/>\nFalando nos ve\u00edculos policiais, tr\u00eas foram avistados na curta caminhada entre a Sofia Veloso e a Jo\u00e3o Alfredo, revelando massiva presen\u00e7a policial. Na tarde seguinte, l\u00e1 estava o mesmo indiv\u00edduo, no mesmo local, papeando com uma pessoa que aparentemente trabalha no com\u00e9rcio formal da Jo\u00e3o Alfredo \u2013 e nada da pol\u00edcia nesta hora..<br \/>\nO pre\u00e7o da maconha, consumida por gente de todas as classes sociais, curiosamente rivaliza com o do crack, mais popular entre pessoas de baixa renda. Um vivente que tem as ruas da Cidade Baixa como lar, denominado Tuni, disse ser muito f\u00e1cil encontrar a pedra maldita na regi\u00e3o. \u201cCusta uns R$ 5\u201d, informou com naturalidade \u00e0 reportagem. Mas os pre\u00e7os variam, chegando a ficar mais caros que a erva, o que depende do vendedor. Segundo flanelinhas do local, costumeiramente bem informados sobre o ramo, a pedra de crack pode custar at\u00e9 R$ 10.<br \/>\nNa rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio pode-se questionar algum guardador de carros. Um deles revelou a atividade de seus colegas ao redor do bar Opini\u00e3o. Numa visita ao entorno do local durante a primeira noite, parecia imposs\u00edvel identificar algu\u00e9m, j\u00e1 que a esquina estava repleta de freq\u00fcentadores.<br \/>\nNo entanto, perguntando a outro sujeito que cuida  autom\u00f3veis estacionados entre as esquinas com a Joaquim Nabuco e a Ven\u00e2ncio Aires, foi poss\u00edvel saber que ele faz a intermedia\u00e7\u00e3o da venda de \u201cerva, p\u00f3 e pedra\u201d. O usu\u00e1rio que desejar outra subst\u00e2ncia pode esperar por ali, segundo ele, porque o intermedi\u00e1rio diz conhecer \u201cquem vende\u201d. Logo ap\u00f3s a conversa com o rapaz, duas viaturas da Brigada passaram cheias de homens e com as sirenes ligadas, indo rapidamente para os lados da Azenha.<br \/>\nA presen\u00e7a vis\u00edvel, al\u00e9m de chamar a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a mais indicada nem a utilizada para abordar especificamente o tr\u00e1fico de drogas em locais de grande circula\u00e7\u00e3o, de acordo com a corpora\u00e7\u00e3o. Segundo o Capit\u00e3o Vaine, do 9\u00b0 Batalh\u00e3o da Brigada Militar, respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a na \u00e1rea investigada, \u201ca viatura ostensiva acaba dispersando os locais de grande movimento, facilitando a fuga dos traficantes, e isso inclui o local onde se vende na Reden\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nO brigadiano \u00e0 paisana faz a chamada \u201cabordagem discreta\u201d, o m\u00e9todo indicado para identificar e prender os vendedores de drogas. J\u00e1 a presen\u00e7a ostensiva, com viaturas e uniformes, \u00e9 destinada a casos especiais nas vilas. Barreiras nas ruas para vistoria do interior de ve\u00edculos representam a terceira forma de coibir o lucrativo neg\u00f3cio. Das 22 pris\u00f5es por tr\u00e1fico feitas pela BM em janeiro na \u00e1rea central de Porto Alegre, uma ocorr\u00eancia foi registrada na Osvaldo e a outra na Rep\u00fablica. De acordo com o Capit\u00e3o Vaine, a corpora\u00e7\u00e3o faz o poss\u00edvel para combater o com\u00e9rcio ilegal de entorpecentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tr\u00e1fico de drogas est\u00e1 decadente no Bom Fim. A avenida Osvaldo Aranha por anos foi point de distribui\u00e7\u00e3o para os traficantes. Na \u00faltima semana de janeiro, rep\u00f3rteres do Jornal J\u00e1 percorreram os pontos conhecidos e constataram uma redu\u00e7\u00e3o na oferta. 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