{"id":32193,"date":"2016-04-25T11:54:55","date_gmt":"2016-04-25T14:54:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=32193"},"modified":"2016-04-25T11:54:55","modified_gmt":"2016-04-25T14:54:55","slug":"32193-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/32193-2\/","title":{"rendered":"Cartas marcadas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">PINHEIRO DO VALE<\/span><br \/>\nA tradi\u00e7\u00e3o da raposice pol\u00edtica mineira diz e o ex-presidente Tancredo Neves gostava de\u00a0repetir: \u201cS\u00f3 se faz reuni\u00e3o depois que tudo est\u00e1 decidido\u201d. Mais uma vez se confirmou o\u00a0axioma.<br \/>\nEste cronista esteve fora do ar nos \u00faltimos dias, deixando passar a enxurrada que inundou o\u00a0notici\u00e1rio com a vota\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara que prop\u00f4s ao Senado a\u00a0abertura de um processo de impeachment da presidente da Rep\u00fablica, dona Dilma Vana\u00a0Rousseff.<br \/>\nSeria um anticl\u00edmax sugerir, naqueles momentos, que n\u00e3o haveria surpresa, pois se tratava de\u00a0um jogo de cartas marcadas.<br \/>\nDizia o ent\u00e3o vice-presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, \u00e0s\u00a0v\u00e9speras da ren\u00fancia do presidente Richard Nixon: \u201cSe n\u00e3o tiver a base parlamentar m\u00ednima, de nada vale haver ou n\u00e3o responsabilidade comprovada\u201d.<br \/>\nO impeachment que tentavam aplicar em Nixo, tamb\u00e9m \u00a0era baseado em acusa\u00e7\u00f5es duvidosas, pois n\u00e3o se poderia dizer que mentir para a\u00a0Imprensa fosse um crime de responsabilidade.<br \/>\nMais ou menos isto, o que se repete no Brasil: n\u00e3o h\u00e1 crime, mas as for\u00e7as pol\u00edticas est\u00e3o\u00a0apeando uma presidente eleita. T\u00eam os \u00be dos votos e basta. Assim pensam e fazem.<br \/>\nUma comprova\u00e7\u00e3o desta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que j\u00e1 havia um acord\u00e3o, como se chamam no Brasil os\u00a0grandes conluios. A antiga \u201cbase aliada\u201d, a formid\u00e1vel coliga\u00e7\u00e3o de partidos que apoiava a\u00a0presidente, roeu a corda e aplicou um golpe no PT, que perde a cadeira da mandat\u00e1ria, mas\u00a0ganha um espa\u00e7o mais confort\u00e1vel para se bater nas pr\u00f3ximas campanhas eleitorais.<br \/>\nO quadro pol\u00edtico ainda \u00e9 inst\u00e1vel, vol\u00e1til, como dizem os cientistas do ramo. Uma previs\u00e3o\u00a0sensata, ou melhor, realista, de realpolitik, diria que Dilma ser\u00e1 afastada pelos 180 dias, mas\u00a0n\u00e3o inteiramente derrubada.<br \/>\nTudo vai depender das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es municipais, para se avaliar como se compor\u00e3o as\u00a0for\u00e7as pol\u00edticas ap\u00f3s o pleito.<br \/>\nAssim, tanto ela pode voltar como ser mandada embora, conforme as\u00a0conveni\u00eancias dessas for\u00e7as pol\u00edticas majorit\u00e1rias, que se\u00a0movimentam para ocupar o Pal\u00e1cio do Planalto: PMDB e a corriola de partidos pequenos e\u00a0nanicos. O chamado \u201cnovo centr\u00e3o\u201d.<br \/>\nNa verdade, nada t\u00eam de centro, mas de direitona.<br \/>\nEnfim, hoje em dia, em pol\u00edtica, as palavras valem o que se quiser.<br \/>\nOs dois grandes antagonistas, PT e PSDB, ficam de fora. Todos de olho em 2018.<br \/>\nNingu\u00e9m quer\u00a0pagar o pre\u00e7o da crise. Tamb\u00e9m n\u00e3o querem amargar o efeito do purgante.<br \/>\nSorrateiramente\u00a0v\u00e3o esperar que a economia se ajeite, com Temer ou com a volta de Dilma, para assumir um\u00a0pa\u00eds melhor arrumado em 2019.<br \/>\nAinda h\u00e1 muito pano para essas mangas. Mas, por enquanto, basta falar desse acord\u00e3o, que\u00a0nos pr\u00f3ximos dias vai se explicitar para espanto de muita gente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PINHEIRO DO VALE A tradi\u00e7\u00e3o da raposice pol\u00edtica mineira diz e o ex-presidente Tancredo Neves gostava de\u00a0repetir: \u201cS\u00f3 se faz reuni\u00e3o depois que tudo est\u00e1 decidido\u201d. Mais uma vez se confirmou o\u00a0axioma. 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H\u00e1 duas d\u00e9cadas, pelo menos, est\u00e1 abandonado, porque seu propriet\u00e1rio, o governo do Estado do Rio Grande do Sul, n\u00e3o consegue achar um destino para ele. Planos n\u00e3o faltaram. 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