{"id":324,"date":"2007-10-15T12:52:35","date_gmt":"2007-10-15T15:52:35","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=324"},"modified":"2007-10-15T12:52:35","modified_gmt":"2007-10-15T15:52:35","slug":"o-che-que-cuba-admira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-che-que-cuba-admira\/","title":{"rendered":"O Che que Cuba admira"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/revista\/corpo_che.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: xx-small\">Restos mortais de Che Chevara s\u00f3 chegaram ao mausol\u00e9u em Santa Clara trinta anos depois de sua morte (Fotos: Naira Hofmeister\/J\u00c1)<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Naira Hofmeister*<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A opini\u00e3o mais mortal sobre Che Guevara nas ruas de Havana soa num suave timbre. A cubana admira muito mais do que o car\u00e1ter e a coragem do guerrilheiro argentino que, ao lado de Fidel Castro, derrubou a ditadura de Fulg\u00eancio Batista e implantou o socialismo na ilha caribe\u00f1a. \u201cEra muito sexy\u201d, resume uma senhora de meia idade que tem um p\u00f4ster do her\u00f3i na cabeceira da cama. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/revista\/chevive.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" align=\"left\" \/><\/span>Aos homens, resta narrar as intermin\u00e1veis lendas que cercam sua personalidade, invariavelmente relacionada ao altru\u00edsmo, desapego e moral exemplar. A coisa mais comum em Cuba \u00e9 topar com algu\u00e9m que conheceu Che Guevara.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">Dizem os \u201chistoriadores\u201d das ruas cubanas que Che inventou ele mesmo uma espingarda quando suas armas foram tomadas pelo ex\u00e9rcito. Tamb\u00e9m s\u00e3o in\u00fameros os relatos de hist\u00f3rias engra\u00e7adas, todas com um profundo ensinamento moral.<\/span> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana\"><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">\u201cNa Serra do Escambray, Che recebeu de presente dos camponeses uma galinha, que n\u00e3o dava para alimentar mais de uma pessoa. Ele estava morto de fome \u2013 assim como suas tropas e o pr\u00f3prio sertanejo. Che mandou cozinhar o frango e deu aos cachorros do acampamento, dizendo que nunca aceitaria comer mais do que sua tropa apenas porque tinha um grau militar\u201d, narra Orlando, que vive pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Trinidad, por onde passou a Coluna 8, comandada pelo argentino. O campon\u00eas jura que viu com os pr\u00f3prios olhos a cena.<\/span> <\/span><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: xx-small\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/revista\/britto_cuba.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: xx-small\"> Jose Amadeo Brito, que lutou ao lado de Che, guarda material para fazer um livro sobre o guerrilheiro<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cEle encarnou o ideal de justi\u00e7a social que os revolucion\u00e1rios pregavam. Por isso a batalha por Santa Clara durou tr\u00eas dias e n\u00e3o tr\u00eas meses, como previam. Sua postura estimulava muito os combatentes\u201d, observa Jose Amadeo Brito, que lutou em 1958 ao lado de Che e hoje re\u00fane material para um livro sobre o m\u00edtico guerrilheiro. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">Mesmo depois de sua triunfal vit\u00f3ria sobre o ex\u00e9rcito batistiano, Che Guevara n\u00e3o se rendeu ao conforto de membro do governo. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\"><\/p>\n<p class=\"texto\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/revista\/med_conradoMoreno.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" align=\"left\" \/><\/p>\n<p class=\"texto\">Conrado Moreno <em>(foto)<\/em> tem hoje 87 anos e foi operador da R\u00e1dio Rebelde \u2013 criada por Che Guevara para transmitir as informa\u00e7\u00f5es da Sierra Maestra aos demais acampamentos guerrilheiros. Tamb\u00e9m funcionava como ag\u00eancia internacional de not\u00edcias.<\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Depois que entraram em Havana, Conrado foi falar com o comandante e pedir-lhe autoriza\u00e7\u00e3o para voltar \u00e0 cidade natal, no interior. Conrado disse que n\u00e3o entendia o sistema de transporte \u2013 muitas linhas de \u00f4nibus, ruas grandes demais, carros por toda a parte. Che pareceu comovido e mandou que voltasse no dia seguinte.<\/span><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">Quando retornou, Conrado n\u00e3o encontrou Che. Ele n\u00e3o estava, mas havia deixado um envelope que o homem imaginou ser um of\u00edcio de desligamento ou transfer\u00eancia. \u201cQuando abri, retirei de dentro uma por\u00e7\u00e3o de mapas das ruas de Havana e todas as rotas de \u00f4nibus ativas\u201d. Ele diz que hoje consegue rir do acontecimento, mas na \u00e9poca sentiu-se ofendido.<\/span><\/span><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/revista\/outChe.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"center\">Nas ruas, Che aparece como\u00a0um exemplo a ser seguido<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Conhecedores relatam outra face<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Defensor cl\u00e1ssico das teses neoliberais, o cubano Carlos Alberto Montaner, que vive fora da Ilha h\u00e1 quase 50 anos, tem uma vis\u00e3o distinta de Guevara. \u201cEle matou muita gente em La Caba\u00f1a\u201d, e citou duas frases que confere ao guerrilheiro. Uma carta para a primeira esposa, Hilda Gadea, escrita na Sierra, em que diz que \u201cest\u00e1 sedento de sangue\u201d. Outra, depois do triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o, na qual diz que \u201cUm bom revolucion\u00e1rio tem que ser uma verdadeira m\u00e1quina de matar\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A m\u00edstica em torno do guerreiro serve ao regime de Fidel Catsro, acredita Montaner. \u201cFidel queria de fato acabar com Che, porque ele n\u00e3o se subordinava a ningu\u00e9m e era intelectualmente arrogante\u201d. A import\u00e2ncia do m\u00e1rtir foi a \u00fanica respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o de sua figura no pante\u00e3o dos her\u00f3is contempor\u00e2neos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O bi\u00f3grafo de Che, Jon Lee Anderson, discorda. \u201cAssassinato \u00e9 diferente de execu\u00e7\u00e3o\u201d. Ele admite que a execu\u00e7\u00e3o massiva de inimigos dos guerrilheiros, logo que tomaram o poder \u2013 e que foi comandada por Guevara desde o quartel de La Caba\u00f1a \u2013, foi um erro. \u201cUma atitude imprudente, aberta \u00e0 imprensa e com julgamentos \u00e0 jato. Mas em termos relativos n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o sangrenta\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Jon Lee defende que Che Guevara foi um homem extraordin\u00e1rio. \u201cEra admirado por amigos e por inimigos\u201d. Mas entende que h\u00e1 diferen\u00e7a entre o culto guevarista na Am\u00e9rica Latina e em outras partes do mundo. \u201cAqui ele simboliza os problemas que at\u00e9 hoje tem que ser resolvidos. No primeiro mundo, as pessoas n\u00e3o se enxergam mais em causa pol\u00edtica alguma\u201d, compara. O her\u00f3i, fora de sua terra, \u00e9 explorado comercialmente pela m\u00eddia, o que o torna facilmente substitu\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">E \u00e9 essa face de her\u00f3i que est\u00e1 estampada nas p\u00e1ginas dos jornais e outdoors da Ilha: o exemplo de Che Guevara. As manh\u00e3s de domingo em que o Ministro do Interior ou o Presidente do Banco Nacional de Cuba \u2013 depois de dar expediente de 12 horas durante seis dias da semana \u2013 trabalhar como estivador volunt\u00e1rio aos domingos. O guerrilheiro que dava voz de pris\u00e3o a si mesmo porque tinha dormido enquanto vigiava o acampamento ou que voltou a todas as fazendas para pagar as d\u00edvidas do tempo de guerrilha, depois que tomou o poder.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O Che que inspirou o discurso de Fidel Castro, quando a not\u00edcia de sua morte \u2013 40 anos atr\u00e1s \u2013 foi oficializada. \u201cSe queremos um futuro melhor, que sejamos com Che\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Mas a brincadeira que corre solta em Havana \u00e9 que a grande heran\u00e7a de Che Guevara ao povo cubano foi a tend\u00eancia a \u201cenforcar\u201d o banho.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: xx-small\"><em>* A rep\u00f3rter esteve em Havana nos meses de janeiro e fevereiro deste ano.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Restos mortais de Che Chevara s\u00f3 chegaram ao mausol\u00e9u em Santa Clara trinta anos depois de sua morte (Fotos: Naira Hofmeister\/J\u00c1) Naira Hofmeister* A opini\u00e3o mais mortal sobre Che Guevara nas ruas de Havana soa num suave timbre. 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