{"id":32642,"date":"2016-05-08T21:23:06","date_gmt":"2016-05-09T00:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=32642"},"modified":"2016-05-08T21:23:06","modified_gmt":"2016-05-09T00:23:06","slug":"tarso-reconhece-derrota-e-diz-que-houve-inepcia-do-governo-e-do-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/tarso-reconhece-derrota-e-diz-que-houve-inepcia-do-governo-e-do-pt\/","title":{"rendered":"Tarso reconhece derrota e diz que houve &quot;in\u00e9pcia do Governo e do PT&quot;"},"content":{"rendered":"<h1>Em longo artigo, publicado no Sul21 neste domingo, o ex-governador Tarso Genro enumera \u201conze teses sobre a quest\u00e3o democr\u00e1tica no p\u00f3s-golpe\u201d.<\/h1>\n<h1>\u00c9 \u00a0&#8220;uma contribui\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o&#8221;, uma proposta de caminho para a esquerda, que segundo Tarso, est\u00e1 derrotada.<\/h1>\n<h1>Ele menciona \u201co golpismo que nos derrotou\u201d e diz:<\/h1>\n<p>\u201cEsta derrubada est\u00e1 sendo poss\u00edvel, tamb\u00e9m, pela in\u00e9pcia pol\u00edtica do pr\u00f3prio Governo e da maioria do do PT, no Parlamento, que at\u00e9 a \u00faltima hora acreditava na generosidade fisiol\u00f3gica do PMDB. Nas \u00faltimas semanas, PT e Governo reagiram bem, mas reagiram tarde\u201d.<br \/>\nEm outro trecho:<br \/>\n\u201cOs Governos Lula e Dilma n\u00e3o foram suficientemente reformistas, no plano pol\u00edtico, nem suficientemente ousados no plano econ\u00f4mico, para sustentar um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de renda, capazes de dar apoio a um destino nacional-popular, formando um bloco social e pol\u00edtico coeso, que se opusesse com viabilidade, \u00e0 tutela do capital financeiro\u201d.<br \/>\nSobre a esquerda:<br \/>\n\u201c\u00c9 o fim de um ciclo, n\u00e3o \u00e9 o fim da esquerda nem da democracia, que chega ao seu limite na Am\u00e9rica Latina: o \u201cchavismo\u201d fracassou rotundamente, a experi\u00eancia Argentina est\u00e1 em fase de dilapida\u00e7\u00e3o por um Governo legitimamente eleito e n\u00e3o serve de par\u00e2metro para o Brasil. Os demais governos reformistas democr\u00e1ticos \u2013 desta nova etapa de configura\u00e7\u00e3o da esquerda em escala mundial \u2013 ou se rendem por vontade pol\u00edtica, ou s\u00e3o obrigados a se render \u00e0s coer\u00e7\u00f5es do \u201cajuste\u201d, na nova crise do capital\u201d.<br \/>\nNo Brasil:<br \/>\n\u201cO aparelhamento do Estado por uma elite pol\u00edtica que \u00e9 movida apenas pelo intuito de retirar o PT do poder -que n\u00e3o tem nem unidade program\u00e1tica nem densidade moral para combater a corrup\u00e7\u00e3o- \u00e9 o que nos espera no pr\u00f3ximo per\u00edodo\u201d.<br \/>\n\u201cO Partido dos Trabalhadores, com o Presidente Lula \u00e0 frente, deve ter a humildade e a autocr\u00edtica suficiente para, de uma parte, defender os avan\u00e7os do per\u00edodo, que n\u00e3o foram poucos, mas sobretudo de compartilhar a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da esquerda, com outros setores organizados e partidos, que n\u00e3o estiveram integralmente conosco neste per\u00edodo\u201d.<br \/>\n<strong>Leia a \u00edntegra do artigo:<\/strong><br \/>\n<strong>Tarso Genro<\/strong><br \/>\nTrata-se de uma contribui\u00e7\u00e3o ao debate, que certamente a\u00a0 a esquerda dever\u00e1 enfrentar, no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<ol>\n<li>A corrup\u00e7\u00e3o no Estado e a corrup\u00e7\u00e3o \u2013 na concorr\u00eancia entre os capitalistas \u2013\u00a0 para ampliar os seus neg\u00f3cios no mercado, antes de ser um problema \u00e9tico-moral, \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 uma forma de organizar as rela\u00e7\u00f5es de poder, dentro e fora do Estado, como \u00e9, principalmente, um elemento importante do processo de acumula\u00e7\u00e3o. Tanto de dinheiro ou recursos convers\u00edveis em dinheiro, como de poder pol\u00edtico e burocr\u00e1tico, dentro e fora do Estado. O processo de acumula\u00e7\u00e3o, com maior ou menor taxa de \u201cilegalidades\u201d, organiza o Estado e vai construindo \u2013 pela a\u00e7\u00e3o consciente dos sujeitos \u2013\u00a0 as formas jur\u00eddicas que pretendem, tanto bloquear e punir\u00a0 as ilegalidade, como criar condi\u00e7\u00f5es formais de igualdade. A forma de combatera corrup\u00e7\u00e3o \u00e9, provavelmente, o elemento mais definidor da maturidade ou precariedade do Estado de Direito na modernidade, pois nela est\u00e1, no capitalismo organizado, o espa\u00e7o no qual direito e pol\u00edtica se comunicam e se interpenetram na esfera p\u00fablica.<\/li>\n<li>Dentro do Estado de Direito Democr\u00e1tico se enfrentam, permanentemente, for\u00e7as pol\u00edticas e atores burocr\u00e1ticos \u2013 por necessidade ou convic\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0 comprometidos com a ordem jur\u00eddica\u00a0 e os que atuam segundo as suas pr\u00f3prias normas, pela for\u00e7a e pela ilegalidade. Como a corrup\u00e7\u00e3o e as viola\u00e7\u00f5es da legalidade s\u00e3o um modo de ser do pr\u00f3prio Estado, este enfrentamento -em maior ou menor grau-\u00a0 transita por todos os partidos, em todos os setores da sociedade e do Estado,\u00a0 \u00e9 instrumentalizado, em momentos de crise, normalmente pelos setores que mais dependem do aparelhamento do Estado, para manter seu poder pol\u00edtico ou para aplicar seus programas econ\u00f4micos. Nenhum outro tipo de Estado pode favorecer o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o como Estado de Direito Democr\u00e1tico, porque ele admite a cena p\u00fablica, na pol\u00edtica, em que pese as deforma\u00e7\u00f5es que interferem sobre ela. Mas, de outra parte, nenhum outro Estado \u00e9 t\u00e3o pouco resistente \u00e0 instabiliza\u00e7\u00e3o, como o Estado de Direito Democr\u00e1tico, hoje, pela for\u00e7a do capital financeiro transformado em a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e fac\u00e7\u00e3o organizada, que se sobrep\u00f5e aos partidos.<\/li>\n<li>A sinaliza\u00e7\u00e3o para o golpismo institucional, que foi se aperfei\u00e7oando no pa\u00eds depois das elei\u00e7\u00f5es de novembro de 2014, foi dada em julho de 2013. Primeiro, com a glamoriza\u00e7\u00e3o dos movimentos de rua, promovida pela m\u00eddia oligopolizada, que chamou \u00e0s ruas milhares de pessoas -predominantemente das classes altas e m\u00e9dias, somadas a parte da popula\u00e7\u00e3o de renda baixa, descontentes com o Governo Dilma; segundo, o golpismo aperfei\u00e7oou-se com a lideran\u00e7a expl\u00edcita do oligop\u00f3lio da m\u00eddia, escrevendo a pauta dos operadores pol\u00edticos do movimento, com um sentido claro: de uma parte, formulando a tese de que \u201co gigante acordou\u201d, assim colocando por terra -com esta f\u00f3rmula simples e de f\u00e1cil apreens\u00e3o popular-\u00a0 a mem\u00f3ria \u201csocial\u201d dos tr\u00eas governos progressistas j\u00e1 em crise.<\/li>\n<li>De outra parte, a sinaliza\u00e7\u00e3o do golpismo levantou a agenda\u00a0 da \u201ccorrup\u00e7\u00e3o\u201d, como se esta fosse inventada por aqueles governos populares, tema fundamental para a deslegitima\u00e7\u00e3o das das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.\u00a0 Esta agenda, principalmente, permitiu que a parte mais corrupta da oposi\u00e7\u00e3o, se unisse com a parte mais corrupta do Governo, compondo uma unidade aparentemente saneadora do Estado, mas que, na verdade, promove um bloco pol\u00edtico que apenas pretende se proteger das investiga\u00e7\u00f5es e processos em curso. Seu pre\u00e7o, para serem acolhidos pela m\u00eddia oligopolizada,\u00a0 como aliados conjunturais, \u00e9 o aprofundamento do \u201cajuste\u201d recessivo, cumprindo as ordens dos credores da d\u00edvida p\u00fablica, para a \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d do Estado. Leia-se: abandonar qualquer veleidade de coopera\u00e7\u00e3o interdependente no cen\u00e1rio global, para transitar, novamente, para a submiss\u00e3o dependente, dentro dos ditames do capital financeiro.<\/li>\n<li>A partir destas sinaliza\u00e7\u00f5es e de um martelamento cont\u00ednuo, com vazamentos seletivos, instala\u00e7\u00e3o de uma jurisdi\u00e7\u00e3o nacional ilegal, pris\u00f5es for\u00e7adas para promover dela\u00e7\u00f5es premiadas, cria\u00e7\u00e3o de um ambiente de hostilidade fascista contra o PT e os seus aliados mais pr\u00f3ximos, abre-se um\u00a0 ambiente de \u201cexce\u00e7\u00e3o\u201d e os processos judiciais e seus inqu\u00e9ritos -devidamente direcionados-\u00a0 se tornam express\u00e3o de uma disputa pol\u00edtica profunda sobre os rumos do Estado. O ambiente de \u201cexce\u00e7\u00e3o\u201d constitui, assim,\u00a0 o espa\u00e7o pol\u00edtico e jur\u00eddico, j\u00e1 exclusivo de opera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que permitem movimentos aparentemente leg\u00edtimos, \u00e0 margem do Estado de Direito, como a derrubada de uma Presidenta, sem causa legal. Esta derrubada est\u00e1 sendo poss\u00edvel, tamb\u00e9m, pela in\u00e9pcia pol\u00edtica do pr\u00f3prio Governo e da maioria do do PT, no Parlamento, que at\u00e9 a \u00faltima hora acreditava na generosidade fisiol\u00f3gica do PMDB. Nas \u00faltimas semanas, PT e Governo reagiram bem, mas reagiram tarde.<\/li>\n<li>Atrav\u00e9s destes e outros movimentos, formou-se uma grande alian\u00e7a farisaica,\u00a0 tendo como seu \u201cpartido moderno\u201d e centro de elabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, a m\u00eddia oligopolizada, que vai promovendo e desfazendo alian\u00e7as, manipulando e selecionado informa\u00e7\u00f5es, ajustando os pr\u00f3ximos passos, com partidos e setores de partidos, sempre tendo como agentes pol\u00edticos impl\u00edcitos, mas\u00a0 est\u00e1veis, o ex-Presidente FHC, o Presidente da C\u00e2mara Eduardo Cunha, o deputado Bolsonaro \u2013 este sempre poupado pela m\u00eddia. como permanente apologista da tortura \u2013 at\u00e9 o momento em que n\u00e3o servir\u00e3o mais aos seus intentos de derrubada do Governo. A grande m\u00eddia e seus agentes pol\u00edticos, neste movimento estrat\u00e9gico, \u00a0 incentivaram o Vice-Presidente e seu grupo \u00e0 trai\u00e7\u00e3o, com a promessa impl\u00edcita que eles seriam incensados para \u201csalvar o Brasil da corrup\u00e7\u00e3o\u201d : partidos e grupos internos aos partidos, v\u00e3o sendo cooptados, conformando \u2013 desta maneira \u2013 um s\u00f3 movimento estrat\u00e9gico. \u00c9 um movimento amarrado com setores da alta burocracia estatal da Justi\u00e7a, para realizar um cerco completo ao Governo e ao Presidente Lula \u2013 principal sustent\u00e1culo pol\u00edtico do Governo e seu mentor \u2013\u00a0 sem\u00a0 que sejam apontados, at\u00e9 agora \u2013 a n\u00e3o ser\u00a0 por informa\u00e7\u00f5es\u00a0 interessadas de delatores \u2013\u00a0 quaisquer fatos concretos que o envolvam com a corrup\u00e7\u00e3o, e a Presidenta Dilma, com crime de responsabilidade. Este \u00e9 o movimento estrat\u00e9gico do golpe, travestido de \u201cimpeachment\u201d.<\/li>\n<li>A discuss\u00e3o meramente jur\u00eddica, a respeito do processo de deposi\u00e7\u00e3o da Presidente\u00a0 \u2013 se \u00e9 \u201cgolpe\u201d ou n\u00e3o \u2013\u00a0 \u00e9 uma face insignificante do debate em curso. N\u00e3o se trata de comparar a situa\u00e7\u00e3o atual, com os golpes militares, que ocorreram nas d\u00e9cadas de sessenta e setenta, no auge da \u201cguerra fria\u201d. Hoje, o golpismo \u00e9 um processo mais complexo, que avan\u00e7a no terreno da democracia pol\u00edtica, e cuja for\u00e7a organizadora n\u00e3o \u00e9 mais uma articula\u00e7\u00e3o civil-militar contra o comunismo, mas uma composi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, dentro do aparato civil do Estado, com quaisquer for\u00e7as pol\u00edticas que estejam dispostas a fazer a gendarmeria do capital financeiro. Este, precisa tornar mais intensa a sua sobreposi\u00e7\u00e3o ao Estado e aos partidos, para ajustar as economias locais \u00e0\u00a0 economia mundial, com vistas a um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o, mais elitista e mais conservador. Este novo ciclo, n\u00e3o mais suporta, de um lado, as concess\u00f5es da social-democracia aos pobres e miser\u00e1veis, e, de outro, n\u00e3o mais aceita a proje\u00e7\u00e3o de destinos nacionais, que n\u00e3o sejam integralmente submetidos a for\u00e7a \u201creformista\u201d da utopia da direita: a utopia do mercado perfeito.<\/li>\n<li>Os Governos Lula e Dilma n\u00e3o foram suficientemente reformistas, no plano pol\u00edtico, nem suficientemente ousados no plano econ\u00f4mico, para sustentar um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de renda, capazes de dar apoio a um destino nacional-popular,\u00a0 formando um bloco social e pol\u00edtico coeso, que se opusesse com viabilidade, \u00e0 tutela do capital financeiro. Mas, seja a conjuntura p\u00f3s-guerra fria, a respons\u00e1vel por isso, seja o sistema de alian\u00e7as que foi poss\u00edvel nesta etapa, sejam os m\u00e9todos de governo tradicionais que foram adotados, sejam todos estes fatores reunidos, o legado que melhorou a vida de mais de cinquenta milh\u00f5es de brasileiros, que apostaram no segundo governo Dilma, n\u00e3o pode ser depreciado. \u00c9 o fim de um ciclo, n\u00e3o \u00e9 o fim da esquerda nem da democracia, que chega ao seu limite na Am\u00e9rica Latina: o \u201cchavismo\u201d\u00a0 fracassou rotundamente, a experi\u00eancia Argentina est\u00e1 em fase de dilapida\u00e7\u00e3o por um Governo legitimamente eleito e n\u00e3o serve de par\u00e2metro para o Brasil. Os demais governos reformistas democr\u00e1ticos \u2013 desta nova etapa de configura\u00e7\u00e3o da esquerda em escala mundial \u2013\u00a0 ou se rendem por vontade pol\u00edtica, ou s\u00e3o obrigados a se render \u00e0s coer\u00e7\u00f5es do \u201cajuste\u201d, na nova crise do capital.<\/li>\n<li>A destrui\u00e7\u00e3o das grandes empreiteiras nacionais, que tem uma enorme proje\u00e7\u00e3o internacional (ao inv\u00e9s de serem punidos exclusivamente os indiv\u00edduos que tem responsabilidade penal), o bombardeio permanente contra a Petrobras, a desindustrializa\u00e7\u00e3o que \u00e9 acelerada pela recess\u00e3o (que ser\u00e1 ainda mais dura), a fragiliza\u00e7\u00e3o dos programas das For\u00e7as Armadas (relacionados com as a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e controle da Amaz\u00f4nia e do Atl\u00e2ntico Sul), o aparelhamento do Estado por uma elite pol\u00edtica que \u00e9 movida apenas pelo intuito de retirar o PT do poder -que n\u00e3o tem nem unidade program\u00e1tica nem densidade moral para combater a corrup\u00e7\u00e3o- \u00e9 o que nos espera no pr\u00f3ximo per\u00edodo. E que, de certa forma, j\u00e1 est\u00e1 em curso pelas sucessivas e infrut\u00edferas concess\u00f5es feitas pelo Governo \u00e0 agenda neoliberal.<\/li>\n<li>A\u00a0 fragiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar do pa\u00eds, nos entrega numa bandeja para a elite financeira que comanda os ajustes no mundo. A minimiza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais, ajustada com a redu\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Estado abre, por\u00e9m,\u00a0 um novo ciclo de lutas \u201cde baixo para cima\u201d, e uma nova possibilidade de unidade do campo da esquerda, com o centro democr\u00e1tico e progressista. Seus elementos de coes\u00e3o, neste per\u00edodo, dizem respeito, n\u00e3o somente \u00e0s lutas de resist\u00eancia contra a retirada de direitos, mas, igualmente, \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o da legitimidade do poder pol\u00edtico, que pode ser pautada imediatamente ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o plena do golpe: novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, novas elei\u00e7\u00f5es gerais, plebiscito para convoc\u00e1-las, reforma pol\u00edtica emergencial, com ou sem Constituinte, dever\u00e3o estar no centro das preocupa\u00e7\u00f5es da cidadania democr\u00e1tica, que apesar dos erros e omiss\u00f5es dos nossos governos, estiveram na agenda do pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada.<\/li>\n<li>Uma nova Frente Pol\u00edtica, cujo centro de gravidade esteja na esquerda \u2013 n\u00e3o mais no centro fisiol\u00f3gico e olig\u00e1rquico que est\u00e1 representado pelos que abandonaram o Governo e pelos que tendem a hegemonizar o oposicionismo neoliberal \u2013 \u00e9 o que deve compor as preocupa\u00e7\u00f5es da esquerda social e pol\u00edtica, no atual per\u00edodo, sob pena de que o retrocesso, que estamos enfrentando, se torne mais grave e de mais\u00a0 longo curso. \u00c9 no terreno de \u201cmais democracia\u201d, mais controle p\u00fablico sobre o Estado, mais participa\u00e7\u00e3o direta dos cidad\u00e3os na gest\u00e3o p\u00fablica, mais Estado Social de Direito, que podemos avan\u00e7ar para deslegitimar o golpe. Isso significa, sobretudo, apresentar um programa concreto para a retomada do crescimento e do emprego, elementos da crise que n\u00e3o soubemos enfrentar e que prepararam a cultura do golpismo que nos derrotou. O Partido dos Trabalhadores, com o Presidente Lula \u00e0 frente, deve ter a humildade e a autocr\u00edtica suficiente para, de uma parte, defender os avan\u00e7os do per\u00edodo, que n\u00e3o foram poucos, mas sobretudo de compartilhar a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da esquerda, com outros setores organizados e partidos, que n\u00e3o estiveram integralmente conosco neste per\u00edodo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em longo artigo, publicado no Sul21 neste domingo, o ex-governador Tarso Genro enumera \u201conze teses sobre a quest\u00e3o democr\u00e1tica no p\u00f3s-golpe\u201d. \u00c9 \u00a0&#8220;uma contribui\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o&#8221;, uma proposta de caminho para a esquerda, que segundo Tarso, est\u00e1 derrotada. 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