{"id":331,"date":"2007-11-20T13:08:27","date_gmt":"2007-11-20T16:08:27","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=331"},"modified":"2007-11-20T13:08:27","modified_gmt":"2007-11-20T16:08:27","slug":"da-historia-da-arte-ao-feminismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/da-historia-da-arte-ao-feminismo\/","title":{"rendered":"Da hist\u00f3ria da arte ao feminismo"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/med_camille.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"center\">Norte-americana falou por quase duas horas sobre a mulher na<br \/>\nhist\u00f3ria da humanidade<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Guilherme Kolling e Naira Hofmeister<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Foi a confer\u00eancia mais longa da s\u00e9rie de palestras do Fronteiras do Pensamento em 2007. Camille Paglia falou por quase duas horas para uma plat\u00e9ia atenta no Sal\u00e3o de Atos da UFRGS, na quinta-feira, 8 de novembro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">As luzes foram apagadas para que Camille projetasse no tel\u00e3o imagens que constru\u00edram a identidade feminina, representada atrav\u00e9s da arte. Desde a idade da pedra at\u00e9 Hollywood, est\u00e1tuas, quadros, telas, filmes, fotografias forjaram os conceitos de beleza e feminilidade. &#8220;A prefer\u00eancia por formas femininas magras ou gordas, vai e volta&#8221;, comentou ela, depois da altern\u00e2ncia de slides que exibiam, por hora, formas mais finas e, em outros momentos, mais arredondadas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Explicando a trajet\u00f3ria do conceito que hoje obriga as mulheres a estarem em permanente aten\u00e7\u00e3o com a forma magra e esbelta, Camille &#8211; para a alegria da plat\u00e9ia &#8211; sentenciou: &#8220;Na maior parte da hist\u00f3ria, o homem teve prefer\u00eancia por uma mulher mais forte ou gorda. Essa \u00e9 a beleza aut\u00eantica, de uma mulher com personalidade&#8221;, disparou.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para a feminista americana, a homogeneiza\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de beleza tira a originalidade de cada uma. &#8220;Hoje h\u00e1 um afinamento da mulher com o uso do photoshop, que alonga as figuras femininas. Existe um medo de exibir a gordura, a partir dos valores ditados pelas revistas de moda, que acabaram predominando. \u00c9 uma tentativa de treinar os olhos para n\u00e3o aceitar os contornos aut\u00eanticos femininos&#8221;, criticou.<\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Brincando de formas e cores<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">&#8220;Hoje as mulheres fazem lipoaspira\u00e7\u00e3o, \u00e9 o modelo atual. Mas houve uma \u00e9poca em que ter os quadris largos era bonito&#8221;, observou. Na sociedade medieval, n\u00e3o era apenas a import\u00e2ncia est\u00e9tica: reservas de gordura eram tidas como necess\u00e1rias para uma gravidez bem sucedida.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A vida absolutamente tomada pelos afazeres dom\u00e9sticos, com poucas oportunidades de deslocamento e onde a culin\u00e1ria consumia grande parte do tempo feminino, tamb\u00e9m influenciou os padr\u00f5es de beleza. &#8220;Os quadris eram inchados de gorduras, e os p\u00e9s sumiam debaixo de grossos tornozelos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O formato t\u00e3o combatido atualmente pelas cirurgias pl\u00e1sticas, os quadris largos, foi um dia um s\u00edmbolo da fun\u00e7\u00e3o genitora da mulher. &#8220;O corpo feminino tinha a forma de um vaso que significava o \u00fatero como recipiente do esperma do homem&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Camille Paglia tamb\u00e9m mostrou as tradicionais imagens de mulheres com serpente, geralmente interpretadas como um objeto f\u00e1lico. &#8220;Na verdade, representam uma liga\u00e7\u00e3o com a origem da vida, com a terra&#8221;, interpretou.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ela tamb\u00e9m falou na cor da pele, que hoje tem como moda um tom mais escuro, a ponto de as pessoas se submeterem a sess\u00f5es de bronzeamento artificial. No antigo Egito, por exemplo, os vestidos eram muito justos, revelando as formas do corpo feminino. &#8220;Essa roupa transl\u00facida deixava ver at\u00e9 os pelos pubianos&#8221;. O tom da pele, j\u00e1 desde essa \u00e9poca &#8211; tamb\u00e9m era padr\u00e3o de feminilidade. &#8220;Era bem clara, a mulher estava protegida, se resguardava do sol. Por isso podemos observar os homens com uma tez muito mais escura&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A revolu\u00e7\u00e3o sobre a cor ideal da pele da mulher s\u00f3 aconteceu depois da primeira Guerra Mundial, quando a estilista Coco Chanel voltou bronzeada de uma viagem e considerou esse um tom chique.<\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Permitindo a feminilidade atrav\u00e9s dos tempos<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Se no s\u00e9culo XXI os padr\u00f5es de beleza s\u00e3o ditados pelas fotografias publicadas nas revistas masculinas &#8211; e com o apoio do photoshop -, o corpo da mulher demorou at\u00e9 ser exposto por completo em imagens. Ao longo dos tempos, a arte mostrou uma evolu\u00e7\u00e3o na permiss\u00e3o do feminino: o que antes era exclusivo das prostitutas torna-se, na contemporaneidade, um comportamento normal de qualquer mulher. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Durante o per\u00edodo hel\u00eanico, por exemplo, ainda que os atletas fossem representados nus nas est\u00e1tuas, isso jamais seria aceito se tratando de uma mulher. &#8220;S\u00f3 se fosse prostituta&#8221;. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Afrodite foi a primeira a aparecer nua, mas ainda timidamente. &#8220;Ela segura os panos que querem cair, mostrando-se apenas da cintura para cima&#8221;, complementa Camille Paglia. A mesma insinua\u00e7\u00e3o acontece com a V\u00eanus de Milo, que \u00e9 representada com a perna erguida para levantar a roupa que est\u00e1 escorregando, j\u00e1 na altura dos quadris. &#8220;O nu feminino era apenas imaginado, ao contr\u00e1rio do que acontecia com os atletas, que veneravam o corpo publicamente&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A mesma rela\u00e7\u00e3o pode ser percebida nos pap\u00e9is femininos nos filmes. No cinema mudo as garotas eram vitorianas e s\u00f3 depois da Primeira Guerra Mundial aparecem as primeiras mulheres despidas. &#8220;Uma representa\u00e7\u00e3o de Cle\u00f3patra com os seios protegidos apenas por uma serpente foi um dos marcos&#8221;, exemplificou. Tamb\u00e9m foi na telas do cinema que a mulher come\u00e7ou a se ver com os l\u00e1bios pintados de batom escuro e de onde pendia um cigarro. &#8220;Esse antes era um comportamento de prostituta&#8221;, compara.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Norte-americana falou por quase duas horas sobre a mulher na hist\u00f3ria da humanidade Guilherme Kolling e Naira Hofmeister Foi a confer\u00eancia mais longa da s\u00e9rie de palestras do Fronteiras do Pensamento em 2007. Camille Paglia falou por quase duas horas para uma plat\u00e9ia atenta no Sal\u00e3o de Atos da UFRGS, na quinta-feira, 8 de novembro. 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