{"id":335,"date":"2007-11-20T13:12:29","date_gmt":"2007-11-20T16:12:29","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=335"},"modified":"2007-11-20T13:12:29","modified_gmt":"2007-11-20T16:12:29","slug":"artista-ou-mago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/artista-ou-mago\/","title":{"rendered":"Artista ou mago?"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Tudo indicava que a chuvarada de domingo em Porto Alegre ia continuar noite adentro. Mas, como num passe de m\u00e1gica, pouco antes do in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o anunciada por Antoni Muntadas, \u00e0s 19h, no Torre\u00e3o da Santa Teresinha, as nuvens se dissiparam e o que ainda restava de raios de sol p\u00f4de entrar pelas \u201cJanelas Abertas\u201d, a cria\u00e7\u00e3o conceitual do artista.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Quem foi ao local esperando ver a \u201cperformance\u201d anunciada por um jornal da capital ou a mais nova cria\u00e7\u00e3o de um vanguardista da arte contempor\u00e2nea saiu decepcionado. Na sala do Torre\u00e3o, nada al\u00e9m das 12 janelas, arqueadas e finas, escancaradas: a vista e os sons da rua, o vento soprando.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cOlhar pela janela, eu posso da minha casa\u201d, esbravejou um espectador. E possivelmente essa era a proposta de Antoni Muntadas, que, pelo menos na \u00faltima d\u00e9cada, t\u00eam desenvolvido projetos a partir da frase \u201cAten\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o requer envolvimento\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cEsse gesto de abrir as janelas \u00e9 muito simples, mas compreende uma met\u00e1fora de sentir coisas que n\u00e3o estamos esperando. A mudan\u00e7a da luz, da temperatura, do cheiro, do espa\u00e7o alteram a percep\u00e7\u00e3o\u201d, esclareceu.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Simples ou n\u00e3o, a interven\u00e7\u00e3o de Muntadas foi fruto de um longo processo de gesta\u00e7\u00e3o. \u201cA primeira vez que estive aqui foi em 2002 e sa\u00ed j\u00e1 com essa id\u00e9ia\u201d, recordou. Muntadas s\u00f3 colocaria em pr\u00e1tica a proposta se fosse mantida em segredo absoluto pelos curadores do Torre\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cFoi um desafio e me lembrou muito uma obra de Marcel Duchamp, chamada Barulho Secreto\u201d, comparou Elida Tessler, que organiza e escolhe as exposi\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o sediadas pelo espa\u00e7o. Duchamp morreu em 1968, sem saber qual objeto seu marchand havia escondido dentro do cubo negro que ele chamou de Barulho Secreto.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Muntadas estava mais interessado em ouvir o que as pessoas tinham para falar do que, ele mesmo, explicar seu objetivo. \u201cSeria um gesto contradit\u00f3rio porque a id\u00e9ia \u00e9 exatamente provocar uma rea\u00e7\u00e3o, n\u00e3o induzi-la\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ainda assim, o artista fez quest\u00e3o de sublinhar que nesse caso especifico, atitude do espectador frente \u00e0 obra de arte deve ser de uma certa passividade. \u201cA pessoa n\u00e3o deve esperar que aconte\u00e7a alguma coisa, possivelmente n\u00e3o vai acontecer. Ou vai&#8230; basta que dedique um tempo a ficar aqui, observando o que \u00e9 natural mas, \u00e0s vezes, impercept\u00edvel\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Apesar das poucas dissid\u00eancias, o p\u00fablico soube interpretar \u2013 e aproveitar \u2013 a proposta de Muntadas. \u201cA obra de arte n\u00e3o tem que ser necessariamente material. Gostei muito da surpresa de n\u00e3o a encontrar aqui. Em compensa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 esse brilho especial da luz depois da chuva\u201d, observou a tamb\u00e9m artista pl\u00e1stica Maria Luiza Sarmento.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O artista leva t\u00e3o a s\u00e9rio a necessidade da observa\u00e7\u00e3o do mundo exterior que recentemente, durante uma viagem que fez at\u00e9 Paris, recebeu um telefonema de um vizinho. \u201cDeixei as janelas da casa de Veneza abertas durante esses dias que estive fora e, com as chuvas, diversos c\u00f4modos foram inundados\u201d, ilustrou.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister Tudo indicava que a chuvarada de domingo em Porto Alegre ia continuar noite adentro. 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