{"id":336,"date":"2007-11-20T13:13:28","date_gmt":"2007-11-20T16:13:28","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=336"},"modified":"2007-11-20T13:13:28","modified_gmt":"2007-11-20T16:13:28","slug":"atlas-ambiental-inspira-ecologia-nas-escolas-municipais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/atlas-ambiental-inspira-ecologia-nas-escolas-municipais\/","title":{"rendered":"Atlas Ambiental inspira ecologia nas escolas municipais"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Adriana Ag\u00fcero, especial para o J\u00c1<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Uma abordagem local. Essa foi a id\u00e9ia da professora Cleonice Silva, da Escola Municipal Judith Macedo de Ara\u00fajo, ao criar o projeto \u201cConstruindo conceitos e valor a partir do Atlas Ambiental de Porto Alegre\u201d. No caso da escola, que est\u00e1 situada no Morro da Cruz, na zona leste de Porto Alegre, foi feito um detalhado estudo do relevo e da vegeta\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. \u201cPorto Alegre \u00e9 estudada dentro da imensa paisagem natural do planeta Terra; ressaltamos a fauna e a flora exclusivas da cidade, valorizando o bioma local, para que o aluno aprenda a valorizar o espa\u00e7o onde vive e, a partir disso, ser um agente multiplicador\u201d, explica Cleonice.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Outro exemplo \u00e9 a Escola Municipal Chap\u00e9u do Sol, que desde 2000 desenvolve o projeto \u201cO meio ambiente \u00e9 o meu ambiente\u201d. O projeto se estrutura no trip\u00e9 hol\u00edstico: o cuidado de si, do outro e do meio. A diretora da escola, professora Rosane Pereira, explica que o diferencial da Chap\u00e9u do Sol \u00e9 a dimens\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ambiental para al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, a partir da perspectiva da natureza como uma extens\u00e3o do ser humano. \u201cN\u00e3o podemos falar de preserva\u00e7\u00e3o quando os alunos apresentam situa\u00e7\u00f5es de agressividade e maus tratos em casa. Por isso, partimos do pressuposto de que, se n\u00e3o h\u00e1 auto valoriza\u00e7\u00e3o, auto estima elevada e respeito pelo pr\u00f3ximo, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 cuidado com o entorno\u201d, salienta. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A abordagem tem dado resultados dentro da pr\u00f3pria escola, com a conserva\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico limpo e sem depreda\u00e7\u00f5es. \u201cEu acredito que a preserva\u00e7\u00e3o da nossa escola est\u00e1 relacionada \u00e0 no\u00e7\u00e3o de responsabilidade que o aluno adquire pelo bem p\u00fablico, com o uso cuidadoso e n\u00e3o explorat\u00f3rio daquilo que \u00e9 de dom\u00ednio coletivo\u201d, exp\u00f5e a diretora.Apesar dos bons resultados, nem todas as 93 escolas da rede municipal de ensino aderiram \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o professor de Ci\u00eancias da Escola Chap\u00e9u do Sol, Vin\u00edcius Machado, o \u201ccarro-chefe\u201d deste trabalho foi o curso de Extens\u00e3o sobre o Atlas Ambiental de Porto Alegre, promovido pela Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o (SMED) e o Instituto de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. \u201cMesmo assim vejo que n\u00e3o conseguimos explorar nem 30% da potencialidade do Atlas para o uso na escola\u201d, comenta.Pelo curso, que teve apenas quatro edi\u00e7\u00f5es, passaram mais de 200 professores da rede municipal. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Quest\u00f5es como os impactos ambientais da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, a ocupa\u00e7\u00e3o urbana na capital e a preserva\u00e7\u00e3o dos morros s\u00e3o debatidas, mas fundamentalmente, a cidade \u00e9 apresentada como uma regi\u00e3o rural e urbana, com micro climas diferentes, esp\u00e9cies pr\u00f3prias, caminhos rurais e popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena particular.Segundo a assessora de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental da SMED, Teresinha S\u00e1 Oliveira, que fez o elo entre a Prefeitura e a Universidade no projeto, a forma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do Atlas, que em 2006 teve lan\u00e7ada sua 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 esgotada. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O novo plano agora \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Ambiental. \u201cPara isso estamos conversando com o Instituto de Geologia da UFRGS, mas ainda n\u00e3o temos nenhuma previs\u00e3o de quando abriremos turmas\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) tamb\u00e9m desenvolve trabalhos de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Entre eles o Projeto Extremo-Sul, que integra escolas da rede municipal e estadual do extremo sul da capital, com cursos de capacita\u00e7\u00e3o de monitores ambientais para alunos e professores.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ainda assim, segundo a funcion\u00e1ria do Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Ambiental da SMAM, Jaqueline Lessa Maciel, a dissemina\u00e7\u00e3o de uma cultura ecol\u00f3gica n\u00e3o atinge a todos os educadores, porque faltam recursos p\u00fablicos para promover cursos de forma\u00e7\u00e3o. \u201cApesar do apoio do governo, esbarramos na falta de verbas do munic\u00edpio. Para pagar os lanches dos professores durante um curso, por exemplo, muitas vezes \u00e9 a nossa equipe que se mobiliza e tira do pr\u00f3prio bolso o dinheiro necess\u00e1rio\u201d, conta.Empolgada com a forma\u00e7\u00e3o adquirida no curso sobre o Atlas Ambiental, a professora de Geografia, Cleonice Silva, da 1\u00aa turma, elaborou planos para serem aplicados na Escola onde leciona.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cNo in\u00edcio eu batalhei muito sozinha para provar que o projeto traria resultados positivos. Tive de convencer a dire\u00e7\u00e3o da escola e meus colegas para que apoiassem a id\u00e9ia e a tornassem interdisciplinar. Somente depois de ter ganhado muito pr\u00eamios, at\u00e9 no exterior, obtive reconhecimento. Hoje eu tenho 20 horas semanais para trabalhar com os alunos do turno inverso ao que eu leciono\u201d, explica. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 2000 a professora formou o Grupo de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental Amigos do Verde. Ali os alunos recebem forma\u00e7\u00e3o para serem agentes multiplicadores tanto na escola quanto na fam\u00edlia e na comunidade. A aluna do Ensino Fundamental e presidente do Grupo, Nat\u00e1lia da Silva Raythz, de 14 anos, explica que com as trilhas ecol\u00f3gicas e sa\u00eddas de campo os alunos enxergam os problemas locais e podem intervir. \u201cO Grupo descobriu em 2001 um lix\u00e3o a c\u00e9u aberto numa das nascentes do Arroio Moinho no Morro Pelado. A<\/span><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">notando as placas dos caminh\u00f5es que depositavam lixo para poder identificar os criminosos. Depois, organizamos um mutir\u00e3o de limpeza no local e extra\u00edmos dali 10 caminh\u00f5es de lixo\u201d, conta. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Depois que o espa\u00e7o foi todo aterrado, fam\u00edlias come\u00e7aram a<br \/>\nestabelecer casas no local. Preocupada com o problema, a estudante e integrante do Grupo, Ana Miri\u00e3 Goulart, de 13 anos, avisou aquela comunidade dos perigos de construir moradias num local que corre o risco de explos\u00e3o, devido ao g\u00e1s metano que se encontra embaixo da terra. \u201cEu conversei com algumas pessoas, mas eles disseram que n\u00e3o vai explodir, que eu era louca. Ent\u00e3o, quando eu passo por ali tem um homem que grita: Olha a bomba! A\u00ed vem a bomba!\u201d, relata Ana.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">Entre outras a\u00e7\u00f5es, os jovens implantaram a separa\u00e7\u00e3o do lixo na escola, com reuni\u00f5es de esclarecimentos aos funcion\u00e1rios e \u00e0 comunidade quanto \u00e0 import\u00e2ncia da reciclagem. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">Constru\u00edram tamb\u00e9m uma horta comunit\u00e1ria; confeccionaram uma mapoteca do bairro; constru\u00edram maquetes de cidades ambientalmente corretas e replicas de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos na disciplina de Artes e coletaram rochas, fotos, gravuras antigas da cidade, document\u00e1rios e textos de jornais e revistas para formar o Laborat\u00f3rio de Intelig\u00eancia do Ambiente Urbano (Liau) numa das salas de aula. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">\u201cNosso objetivo \u00e9 tornar a escola um centro de saber local que faz a diferen\u00e7a na comunidade. J\u00e1 que aqui n\u00e3o temos espa\u00e7os verdes como outras escolas, constru\u00edmos o Laborat\u00f3rio para que seja um espa\u00e7o de estudos e exposi\u00e7\u00e3o permanente, porque queremos construir, acima de tudo, um conhecimento que seja perene\u201d, observa Cleonice.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">Al\u00e9m disso, os alunos realizam oficinas de sabonetes, fotografia, papel reciclado e confec\u00e7\u00e3o de lixeiras. Com a produ\u00e7\u00e3o e a venda destes produtos, eles financiam suas sa\u00eddas de campo a cidades pr\u00f3ximas, como Gramado e Canela, visitas a reservas ambientais e ao centro hist\u00f3rico da cidade. \u201cFazemos todo esse trabalho sem verba nenhuma. Eu busco materiais por conta pr\u00f3pria para atualizar os alunos. Os pain\u00e9is expostos no Liau foram doados pela UFRGS, mas todos eles est\u00e3o escritos em ingl\u00eas. Estamos lutando por materiais em portugu\u00eas agora\u201d, revela a professora.Tamb\u00e9m s\u00e3o promovidos interc\u00e2mbios sobre quest\u00f5es ambientais com outras escolas. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><span style=\"font-size: x-small\">A professora Cleonice recebeu em 2000 um convite para apresentar seu projeto na Feira de Hannover, na Alemanha. \u201cPara ir at\u00e9 Hannover eu contei com o apoio financeiro de um col\u00e9gio particular em que eu tamb\u00e9m lecionava na \u00e9poca, sen\u00e3o teria sido imposs\u00edvel\u201d. Agora interc\u00e2mbistas da Alemanha e da It\u00e1lia tamb\u00e9m v\u00e3o at\u00e9 a Escola para escutar dos pr\u00f3prios alunos explica\u00e7\u00f5es sobre a fauna e flora de Porto Alegre dentro do Liau.<\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Ag\u00fcero, especial para o J\u00c1 Uma abordagem local. Essa foi a id\u00e9ia da professora Cleonice Silva, da Escola Municipal Judith Macedo de Ara\u00fajo, ao criar o projeto \u201cConstruindo conceitos e valor a partir do Atlas Ambiental de Porto Alegre\u201d. 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