{"id":337,"date":"2007-11-20T13:14:38","date_gmt":"2007-11-20T16:14:38","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=337"},"modified":"2007-11-20T13:14:38","modified_gmt":"2007-11-20T16:14:38","slug":"bom-fim-convivencia-exemplar-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/bom-fim-convivencia-exemplar-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"Bom Fim: conviv\u00eancia exemplar para o mundo"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Guilherme Kolling<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O m\u00e9dico e escritor Moacyr Scliar teve a espinhosa tarefa de falar na mesma noite em que a jornalista Asne Seierstad, no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. A autora de O Livreiro de Cabul encantou o p\u00fablico com hist\u00f3rias sobre o Afeganist\u00e3o, Chech\u00eania, S\u00e9rvia, R\u00fassia e Iraque.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O ga\u00facho optou ent\u00e3o pela m\u00e1xima: \u201ccante sua aldeia que ser\u00e1s universal\u201d. Foi o que fez, ao abordar a imigra\u00e7\u00e3o judaica para o Rio Grande do Sul, terreno em que esteve a vontade o tempo inteiro, provocando risos do p\u00fablico com seus causos do bairro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Depois da aula de Asne sobre os conflitos gerados por diferen\u00e7as \u00e9tnicas, religiosas e culturais, Scliar apresentou a tese de que pessoas que n\u00e3o s\u00e3o iguais podem viver de forma harm\u00f4nica, apresentando como exemplo emblem\u00e1tico o Bom Fim, de sua inf\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Foi o bairro que abrigou os imigrantes depois de eles terem vindo da Bessar\u00e1bia para as col\u00f4nias de Quatro Irm\u00e3os (Erechim) e Philipson (Santa Maria). Era um local multicultural \u2013 al\u00e9m de judeus, o Bom Fim abrigava negros, descendentes de alem\u00e3es, entre outros.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Um fator decisivo que pesou e muito nessa conviv\u00eancia harm\u00f4nica foi a vontade dos imigrantes de que a vida desse certo na nova terra, fato ilustrado com bom humor por Scliar.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cHouve uma integra\u00e7\u00e3o cultural, o Brasil era visto como um para\u00edso pelo seu clima, a floresta, as frutas&#8230; Na Bessar\u00e1bia, acontecia de uma fam\u00edlia com nove pessoas dividir uma \u00fanica laranja de sobremesa. S\u00f3 os ricos compravam. E depois, por aqui, encontraram essa abund\u00e2ncia\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Scliar execerceu o of\u00edcio de escritor:<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cPerto da Vasco da Gama vivia uma mulher que nunca tinha visto um abacate na vida. E l\u00e1 onde ela vivia, na Europa, essa fruta era s\u00f3 para nobreza. O sonho dela era comer um abacate. De modo que depois de passar semanas sofrendo em um navio superlotado, a primeira coisa que ela falou ao marido quando chegou a Porto Alegre foi: \u2018Eu quero um abacate\u2019. E mesmo sem falar portugu\u00eas, n\u00e3o se sabe como, o homem deu um jeito de conseguir o tal abacate. A mulher ficou emocionada. Mas nunca tinha provado,e comeu com casca e tudo. O marido, depois de um tempo observando as caretas de sua esposa perguntou: \u2018Que tal o abacate?\u2019. E a mulher: \u2018N\u00e3o \u00e9 o que eu esperava, mas vou me acostumar\u2019\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Com essas narrativas, Scliar demonstrou a vontade do imigrante em se adaptar, o que permitiu uma perfeita integra\u00e7\u00e3o cultural. O escritor contou outras passagens que marcaram sua inf\u00e2ncia, como a da m\u00e3e judia que estava sempre a aliment\u00e1-lo. Outras que ele aprendeu numa \u00e9poca em que as pessoas se reuniam ao fim do dia, em frente \u00e0s casas, sentados em cadeiras na cal\u00e7ada, formando rodinhas na Felipe Camar\u00e3o, Henrique Dias, Ferandes Vieira&#8230;<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">*Esta reportagem \u00e9 um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o 376 do J\u00c1 Bom Fim\/Moinhos, que j\u00e1 est\u00e1 circulando nos pontos de com\u00e9rcio da regi\u00e3o central de Porto Alegre.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Kolling O m\u00e9dico e escritor Moacyr Scliar teve a espinhosa tarefa de falar na mesma noite em que a jornalista Asne Seierstad, no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. A autora de O Livreiro de Cabul encantou o p\u00fablico com hist\u00f3rias sobre o Afeganist\u00e3o, Chech\u00eania, S\u00e9rvia, R\u00fassia e Iraque. 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