{"id":3420,"date":"2009-02-28T22:05:49","date_gmt":"2009-03-01T01:05:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=3420"},"modified":"2009-02-28T22:05:49","modified_gmt":"2009-03-01T01:05:49","slug":"a-noite-do-grito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-noite-do-grito\/","title":{"rendered":"A noite do grito!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Shana Torres<\/strong><br \/>\nGrito Rock \u00e9 um festival de bandas independentes agitado em 45 cidades do Brasil que, no dia 27 de fevereiro, aconteceu na praia de Imb\u00e9, no litoral dos pampas. L\u00e1, dez bandas pr\u00e9-selecionadas tiveram a oportunidade de mostrar seu trabalho e vivenciar o esp\u00edrito roqueiro do dono do Pub Joe\u2019s Rock: Jorge Luis Zinner, mais conhecido como Joe.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/joe-o-dono-do-joes-pub-rock-768x1024.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-16160\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/joe-o-dono-do-joes-pub-rock-768x1024-225x300.jpg\" alt=\"joe-o-dono-do-joes-pub-rock-768x1024\" width=\"225\" height=\"300\" \/><\/a><br \/>\nDesde que nasceu Joe era um adepto do Rock N\u2019Roll e tinha o sonho de criar uma casa noturna voltada a esse estilo musical. H\u00e1 cinco anos, surgiu a id\u00e9ia de abrir um bar no litoral que tivesse espa\u00e7o para bandas se apresentarem. Inicialmente, foi constru\u00eddo um espa\u00e7o pequeno que, naquela \u00e9poca, n\u00e3o era muito maior que o atual palco da casa. Passada meia d\u00e9cada, o pub passou a ter estrutura para abrigar mais de duas mil pessoas.<br \/>\nO dono da casa disse que procura conhecer o som das bandas, para selecionar quais t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de tocar l\u00e1. O crit\u00e9rio principal para Joe \u00e9 que a banda tenha \u201ca alma rock\u201d. O empres\u00e1rio defende que o esp\u00edrito de um roqueiro vai al\u00e9m da dispensa do tratamento de celebridade que \u00e9 exigido por algumas bandas com nome na pra\u00e7a.<br \/>\n\u201cNingu\u00e9m aqui \u00e9 melhor do que o outro ou tem tratamento privilegiado. Tem que ser humilde, simples, falar com o pessoal, dar aut\u00f3grafos, essas coisas. J\u00e1 chegaram aqui me pedindo toalhas brancas dobradas pro lado direito e eu disse: \u201cP\u00f4 cara, tu esqueceu que eu te via b\u00eabado pela noite? E agora tu vens me pedir isso?\u201d, conta Joe.<br \/>\nSitua\u00e7\u00f5es como esta poderiam ocorrer com grandes bandas de circuito nacional, mas com os nove grupos independentes que tocaram no festival a falta de humildade e o estrelismo n\u00e3o estiveram presentes. Para Marcelo Fruet, produtor musical e vocalista da banda Fruet &amp; os Cozinheiros, o mainstream ainda est\u00e1 muito atrelado a cena musical, e este \u00e9 justamente o diferencial do Grito Rock: \u201cO Grito \u00e9 pra ser mais independente, n\u00e3o o que est\u00e1 no mainstream. Eu sou a favor da populariza\u00e7\u00e3o, mas ela n\u00e3o deve ser a primeira inten\u00e7\u00e3o de uma banda\u201d.<br \/>\nO mainstream de que Fruet fala \u00e9 sobre necessidade que muitas bandas do cen\u00e1rio pop t\u00eam de fazer m\u00fasica vend\u00e1vel. Como ele mesmo destaca, existe uma ambig\u00fcidade na propaga\u00e7\u00e3o de bandas que n\u00e3o contam com um selo ou produtora na grava\u00e7\u00e3o de discos: \u201cNa verdade, de independente elas n\u00e3o t\u00eam nada. Elas dependem de todo mundo, da divulga\u00e7\u00e3o, de quererem contratar shows, de leis de incentivo e etc.\u201d, afirma Marcelo Fruet.<br \/>\nTodas as bandas que participaram do Grito Rock se auto-divulgam e algumas at\u00e9 fazem a grava\u00e7\u00e3o de seus \u00e1lbuns em casa, como a banda Fapo e Human\u00f3ides, cujo CD foi gravado ao vivo, em um est\u00fadio caseiro \u201cde forma rom\u00e2ntica\u201d, como define Fapo, o vocalista.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Berrando em alto e bom som<\/span><br \/>\nO grito inicial foi dado por volta da meia noite com a banda The Transmission, com influ\u00eancias do The Cure e Sonic Youth. Foi formada em 2003, por Giana Cognato (guitarra e vocais), Steffano Fell (guitarra e vocais), Carol Pinedo (contrabaixo el\u00e9trico) e Leticia Rodrigues (bateria). A banda alterna vocais masculinos e femininos, tem guitarras com frases bem trabalhadas e uma abordagem instrumental interessante. Em 2005, The Transmission lan\u00e7ou seu primeiro EP \u2013 CD que levava o nome da banda e contava com as melanc\u00f3licas \u201cSometimes\u201d e \u201cTake off\u201d. No momento, a banda se concentra na mixagem de seu pr\u00f3ximo trabalho, com nome provis\u00f3rio de \u201cTransmission 2\u201d. Seu lan\u00e7amento \u00e9 estimado para fevereiro de 2009.<br \/>\nNa seq\u00fc\u00eancia, a banda de New Metal Audioterapia, formada por Rodrigo Borba (vocais), Henrique Armiche (guitarras), Tiago Pazzin (contrabaixo el\u00e9trico) e Ody (bateria), apresentou can\u00e7\u00f5es de apelo pol\u00edtico e social. O vocalista Rodrigo Borba, com postura semelhante ao Falc\u00e3o, do grupo O Rappa, e com um perfil musical influenciado pela banda Sepultura, conta, rindo, que j\u00e1 foram chamados de psicopatas por um telespectador de um programa de TV. No entanto, ele n\u00e3o considera o sentido negativo da express\u00e3o e diz que queriam mesmo que o p\u00fablico reconhecesse sua \u201catitude epil\u00e9tica\u201d.<br \/>\nNa continua\u00e7\u00e3o, o grupo Laranja Freak veio com seu toque c\u00edtrico. Bem-humorado e sem muita frescura, o vocalista Ricardo Farfisa sincronizou o vocal e a harmonia de um \u00f3rg\u00e3o el\u00e9trico em can\u00e7\u00f5es com fortes influ\u00eancias da cena roqueira da d\u00e9cada de 60, como Beatles e Jovem Guarda, hardrock e elementos da psicodelia. A banda produz letras inteligentes e mostram-se perspicazes em seus arranjos.<br \/>\nComposta por Ricardo Farfisa (vocais, teclados e viol\u00f5es), Evandro Martins (contrabaixo el\u00e9trico), Miro Rasolini (bateria), Grazi Rodrigues (vocais) e Alexandre Abreu (guitarras) a Laranja Freak existe desde 1997. J\u00e1 tocou em diversos estados, gravou dois EP\u2019s, um CD e participou de quatro colet\u00e2neas. A banda prepara-se para o lan\u00e7amento de seu novo \u00e1lbum, pelo selo Baratos Afins, que trabalha com nomes de peso como Rita Lee, Ratos de Por\u00e3o, Mutantes, Jorge Maultner, Lanny Gordin e Tom Z\u00e9.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/banda-laranja-freak.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3427\" title=\"Banda Laranja Freak\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/banda-laranja-freak-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/a><br \/>\nO rock da d\u00e9cada de 70 esteve bem representado com Fapo e Os Human\u00f3ides que exploraram cada particularidade do Indie Rock com forte pegada de Blues e sonoridade pr\u00f3pria, oriunda de instrumentos ex\u00f3ticos. A banda formada por Fapo (vocais, viol\u00f5es, guitarras, weissenborn, ukelele, harm\u00f4nica e bandolim), um recifense que mora h\u00e1 seis anos na capital ga\u00facha, Ricardo Ourique (contrabaixo el\u00e9trico), Adriano Rocha (bateria) e Fernando Degar (guitarras) recebe influ\u00eancias desde Neil Young at\u00e9 Alceu Valen\u00e7a. A banda tem cinco anos de estrada e gravou um CD com a participa\u00e7\u00e3o de Marcelo Gross da Cachorro Grande.<br \/>\n\u201cMisture todos os ingredientes da cozinha\u201d deve ser a ordem principal no entendimento da saborosa refei\u00e7\u00e3o que Fruet e os Cozinheiros apresentaram ao p\u00fablico na noite de sexta. Eles s\u00e3o influenciados por diferentes estilos como Jazz, Rock e MPB. As can\u00e7\u00f5es criam um clima intimista, com letras que falam de filosofia e amor. A banda j\u00e1 foi comparada a George Benson, \u00edcone do jazz, em Los Angeles, onde tocaram em 2008. O curr\u00edculo de Fruet inclui trilhas sonoras para cinema e programas de televis\u00e3o, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o com os Cozinheiros no festival SXSW 2008 (South by South West), um dos mais aclamados pela m\u00eddia, que ocorre em Austin, no Texas.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/fruet-e-os-cozinheiros-dividem-o-palco-com-fapo.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3428\" title=\"Fruet e os cozinheiros dividem o palco com Fapo\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/fruet-e-os-cozinheiros-dividem-o-palco-com-fapo-300x233.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"233\" \/><\/a><br \/>\nA pr\u00f3xima banda desviou do tom. A Draco utilizou-se de uma esfera agressiva, imitando o rock pesado de Black Sabatah e Metallica e utilizando um visual Kiss style. A banda \u00e9 composta por Leo James (vocalista e guitarrista), Dani Wilk (guitarras e vocais), Beto Pompeo (contrabaixo el\u00e9trico) e Vinicius Rym (bateria).<br \/>\nAlcaphones, a banda que veio a seguir, tem \u00f3timas letras, presen\u00e7a de palco, hits, intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e um visual marcante. O contrabaixista J\u00falio \u201cCaldo Velho\u201d sintetiza: \u201cTrouxemos um som dos anos 60 com uma roupagem de 2000!\u201d. Em letras como \u201cPor querer amar demais\u201d fica evidente o toque dan\u00e7ante de Elvis Presley, que com certeza n\u00e3o \u00e9 de deixar ningu\u00e9m sentado.<br \/>\nO rock eletrizante dos anos 90 tamb\u00e9m se faz presente, como em \u201cCerto ou Errado\u201d e \u201cLady Rosa\u201d. Com Knak liderando as guitarras, J\u00falio no contrabaixo el\u00e9trico, Carlo na bateria e os vocais de Tiago \u201cCaleb\u201d a banda que j\u00e1 tem tr\u00eas anos de estrada esbanja atitude e energia.<br \/>\nContrastando com a banda anterior, a Clan McCloud, com cinco anos de carreira, tem um perfil mais pr\u00f3ximo da Legi\u00e3o Urbana, inclusive pelo timbre de voz de Alessandro Torres. As m\u00fasicas da banda t\u00eam um fundo social e influencias das mais diversas. Como afirma o vocalista: \u201cA gente coloca tudo no liquidificador e mistura\u201d. O contraste da tranq\u00fcilidade da voz de Alessandro com a virtuosidade do baixista \u00e9 n\u00edtido na forma\u00e7\u00e3o da banda.<br \/>\nA banda que fechou o Grito Rock n\u00e3o tinha nada de underground. O grupo Redoma chega a convencer com boas letras, guitarras bem inseridas, linhas de baixo mel\u00f3dicas e voz suave e bem afinada da vocalista, Cassia Segal, que lembra a cantora Pitty. Por\u00e9m, a banda peca em sua performance caoticamente fren\u00e9tica no palco. Pulos e rebolados desnecess\u00e1rios n\u00e3o casaram a bela voz que acompanhava as can\u00e7\u00f5es. O contrabaixista for\u00e7ou a barra sustentando uma postura de pop star. Redoma tocou no anivers\u00e1rio da r\u00e1dio Pop Rock, amplamente voltada \u00e0 transmiss\u00e3o de bandas comerciais. N\u00e3o fosse por essa \u00faltima banda, o festival teria acudido o grito desesperado das bandas independentes que buscam seu lugar ao sol.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/redoma1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3448\" title=\"redoma1\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/redoma1-300x378.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"378\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Shana Torres Grito Rock \u00e9 um festival de bandas independentes agitado em 45 cidades do Brasil que, no dia 27 de fevereiro, aconteceu na praia de Imb\u00e9, no litoral dos pampas. 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