{"id":34824,"date":"2016-06-20T11:27:00","date_gmt":"2016-06-20T14:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=34824"},"modified":"2016-06-20T11:27:00","modified_gmt":"2016-06-20T14:27:00","slug":"feira-ecologica-sob-cerco-da-fiscalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/feira-ecologica-sob-cerco-da-fiscalizacao\/","title":{"rendered":"Feiras Ecol\u00f3gicas sob cerco da fiscaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Matheus Chaparini<\/span><br \/>\nMarcelo Giffhorn comercializa sua produ\u00e7\u00e3o de mel na feira da Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio h\u00e1 28 anos. Ele afirma nunca ter tido problemas burocr\u00e1ticos neste per\u00edodo. Entretanto, h\u00e1 algumas semanas, sua banca, a Api\u00e1rios Adams, recebeu uma vistoria da SMIC (Secretaria Municipal da Produ\u00e7\u00e3o, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio.) e perdeu o direito ao espa\u00e7o que ocupa h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_35224\" aria-describedby=\"caption-attachment-35224\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-35224 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Feirinha-do-mel.jpg\" alt=\"Marcelo \u00e9 do tempo da Feira do Mel, na d\u00e9cada de 80, ainda antes da chegada dos org\u00e2nicos \/ Acervo pessoal de Marcelo Giffhorn\" width=\"725\" height=\"490\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-35224\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo \u00e9 do tempo da Feira do Mel, na d\u00e9cada de 80, ainda antes da chegada dos org\u00e2nicos \/ Acervo pessoal de Marcelo Giffhorn<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAgora, sua banca \u00e9 uma das mais de dez que atravessaram a rua e ocupam parte da \u00e1rea da Reden\u00e7\u00e3o. Essa foi a solu\u00e7\u00e3o encontrada pela secretaria para que os produtores possam continuar vendendo enquanto regularizam sua situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de Marcelo, outros produtores reclamam que a SMIC est\u00e1 exigindo quest\u00f5es que nunca antes haviam sido exigidas. \u201cO poder p\u00fablico nunca influenciou na feira, que sempre foi iniciativa dos produtores\u201d, reclama o apicultor.<br \/>\n<figure id=\"attachment_34841\" aria-describedby=\"caption-attachment-34841\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-34841 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Feira-Ecol\u00f3gica-do-Bom-Fim_Ramiro-Furquim_OAF8852_0004.jpg\" alt=\"Feirantes que est\u00e3o se regularizando n\u00e3o podem permanecer na \u00e1rea da feira, precisam atravessar a rua \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1\" width=\"725\" height=\"483\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34841\" class=\"wp-caption-text\">Feirantes que est\u00e3o se regularizando n\u00e3o podem permanecer na \u00e1rea da feira, precisam atravessar a rua \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Minist\u00e9rio cobra Lei dos Org\u00e2nicos<\/span><br \/>\nOs produtores ficaram meio sem entender o que motivava as batidas da Secretaria na feirinha ecol\u00f3gica. \u201cAt\u00e9 porque em ano eleitoral eles nunca aparecem\u201d, comentou um feirante. O secret\u00e1rio da Produ\u00e7\u00e3o, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Antonio Kleber de Paula, nega que a presen\u00e7a da SMIC na feira seja uma novidade e garante que a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita desde que a feira existe, \u201ccom mais ou menos intensidade, conforme a demanda e o pessoal dispon\u00edvel&#8221;.<br \/>\nEntretanto, de Paula reconhece que h\u00e1 um fato novo: em abril deste ano, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) notificou formalmente a Prefeitura para que fa\u00e7a cumprir a Lei dos Org\u00e2nicos.<br \/>\nA lei 10.831 foi criada em 2003 e disp\u00f5e sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos. Em 2007, a lei foi regulamentada atrav\u00e9s de um decreto, mas somente em 2011 passou a vigorar. A partir da\u00ed, iniciou-se uma discuss\u00e3o entre feirantes, consumidores, Minist\u00e9rio e Prefeitura que resultou na resolu\u00e7\u00e3o 03\/12, de dezembro de 2012, que disciplina a realiza\u00e7\u00e3o de feiras ecol\u00f3gicas no Munic\u00edpio.<br \/>\nEm 2014, o Minist\u00e9rio considerou que a Prefeitura n\u00e3o estava fiscalizando adequadamente a aplica\u00e7\u00e3o da lei e retomou o debate. Agora, em abril deste ano, o MAPA encaminhou um of\u00edcio \u00e0 Prefeitura, cobrando a execu\u00e7\u00e3o efetiva da legisla\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, a SMIC intensificou a fiscaliza\u00e7\u00e3o nas feiras.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Da lavoura ao guich\u00ea da burocracia<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_34839\" aria-describedby=\"caption-attachment-34839\" style=\"width: 532px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-34839 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Feira-Ecol\u00f3gica-do-Bom-Fim_Ramiro-Furquim_OAF8909_0001.jpg\" alt=\"Odair reclama da burocracia que dificulta a produ\u00e7\u00e3o dos org\u00e2nicos \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1\" width=\"532\" height=\"800\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34839\" class=\"wp-caption-text\">Odair reclama da burocracia que dificulta a produ\u00e7\u00e3o dos org\u00e2nicos \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nQuem comercializa produtos como farinha de milho, erva mate de carijo e at\u00e9 aipim descascado, que s\u00e3o processados, est\u00e1 enfrentando problemas. Pela legisla\u00e7\u00e3o, para comercializar estes produtos \u00e9 necess\u00e1rio possuir uma agroindustria pr\u00f3pria e constituir uma empresa.<br \/>\nAlguns feirantes afirmam que h\u00e1 a\u00ed outro empecilho, pois, se tornando empres\u00e1rio, eles acreditam que o feirante perca os incentivos a que tem acesso como produtor rural, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), por exemplo. O secret\u00e1rio da SMIC nega e afirma que h\u00e1 inclusive linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas para a pequena agroind\u00fastria.<br \/>\nQuem produz farinha de milho, por exemplo precisaria ter um moinho pr\u00f3prio, o que n\u00e3o depende s\u00f3 de dinheiro, mas de quest\u00f5es pr\u00e1ticas como ter um rio na propriedade e conseguir uma roda de moinho, artigo raro hoje em dia.\u00a0A clientela tamb\u00e9m reclama. &#8220;Para comprar o produto org\u00e2nico \u00e9 essa dificuldade, mas se eu quiser ir no mercado e comprar um transg\u00eanico n\u00e3o tem burocracia&#8221;, disparou uma cliente que foi \u00e0 feira comprar farinha e saiu de m\u00e3os vazias.<br \/>\nH\u00e1 ainda um terceiro caso, das fam\u00edlias que t\u00eam o alvar\u00e1 da banca e a certifica\u00e7\u00e3o de org\u00e2nico em nomes diferentes. \u00c9 o caso da banca de Jos\u00e9 Odair Justin, que est\u00e1 funcionando provisoriamente na \u00e1rea do parque. A certifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no nome de uma de suas filhas, Luciana, e a empresa, no nome de Odair. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outros empecilhos, como a falta de algumas informa\u00e7\u00f5es no r\u00f3tulos dos produtos. Odair afirma que j\u00e1 encaminhou as provid\u00eancias e espera retomar seu posto na feira j\u00e1 nas pr\u00f3ximas semanas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Certifica\u00e7\u00e3o do mel custa caro<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_34840\" aria-describedby=\"caption-attachment-34840\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-34840 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Feira-Ecol\u00f3gica-do-Bom-Fim_Ramiro-Furquim_OAF8874_0005.jpg\" alt=\"Marcelo vende mel h\u00e1 quase 30 anos e nunca havia tido problemas com a fiscaliza\u00e7\u00e3o \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1\" width=\"725\" height=\"483\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34840\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo vende mel h\u00e1 quase 30 anos e nunca havia tido problemas com a fiscaliza\u00e7\u00e3o \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nOutro problema \u00e9 o custo da certifica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 duas modalidades de certifica\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos: paga ou participativa. Na participativa, s\u00e3o os pr\u00f3prios produtores que fiscalizam uns aos outros, o que barateia, mas demanda mais tempo, em reuni\u00f5es e visitas. Na outra, o produtor paga uma organiza\u00e7\u00e3o habilitada para a certifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSegundo Marcelo Giffhorn, n\u00e3o h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es habilitadas para a certifica\u00e7\u00e3o no Brasil e a certifica\u00e7\u00e3o para apicultores custa entre R$ 15 e 20 mil ao ano, que refletem diretamente no pre\u00e7o final dos produtos org\u00e2nicos. \u201cN\u00e3o \u00e9 o produto que \u00e9 caro, \u00e9 que o produtor tem que pagar a certifica\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que vale a pena eu gastar essa grana pra vender na feirinha ou vou ter que me render \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o? Porque l\u00e1 fora o pessoal valoriza&#8230;\u201d<br \/>\nMarcelo teve que optar pela certifica\u00e7\u00e3o paga, pois suas caixas de abelha est\u00e3o espalhadas por mais de 10 munic\u00edpios do estado, o que dificultaria a avalia\u00e7\u00e3o participativa. O apicultor afirmou que j\u00e1 encaminhou a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para dar in\u00edcio \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s concedido o certificado, h\u00e1 ainda um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de quatro meses. Marcelo espera poder voltar para o outro lado da rua em meados de novembro.<br \/>\nPara Marcelo, o pior efeito deste processo \u00e9 gerar um certo \u201cranso\u201d entre os feirantes, ele tamb\u00e9m contesta a ideia de que na feira sejam vendidos apenas alimentos. \u201cIsso aqui \u00e9 muito mais que uma feira de org\u00e2nicos, \u00e9 uma feira cultural, um cart\u00e3o de visitas pra Porto Alegre.\u201d<br \/>\nJ\u00e1 Odair reclama da burocratiza\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos. \u201cEu sou agricultor, eu entendo \u00e9 de plantar, mas cada vez mais para plantar n\u00f3s temos que entender da burocracia.\u201d Ele defende a cria\u00e7\u00e3o de organismos de acompanhamento nos munic\u00edpios. \u201cSeria melhor orientar antes do que punir o agricultor depois. A gente n\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de fazer nada errado.\u201d<br \/>\n<figure id=\"attachment_34838\" aria-describedby=\"caption-attachment-34838\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-34838 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Feira-Ecol\u00f3gica-do-Bom-Fim_Ramiro-Furquim_OAF8952_0007.jpg\" alt=\"Marcelo defende que a feira \u00e9 mais que um local de comercializar alimentos, \u00e9 uma feira cultural \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1\" width=\"725\" height=\"483\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34838\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo defende que a feira \u00e9 mais que um local de comercializar alimentos, \u00e9 uma feira cultural \/ Ramiro Furquim \/ Jornal J\u00e1<\/figcaption><\/figure><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini Marcelo Giffhorn comercializa sua produ\u00e7\u00e3o de mel na feira da Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio h\u00e1 28 anos. 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