{"id":34886,"date":"2016-06-15T12:14:14","date_gmt":"2016-06-15T15:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=34886"},"modified":"2016-06-15T12:14:14","modified_gmt":"2016-06-15T15:14:14","slug":"crimes-da-ditadura-quatro-brasileiros-em-julgamento-na-italia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/crimes-da-ditadura-quatro-brasileiros-em-julgamento-na-italia\/","title":{"rendered":"Crimes da ditadura: quatro brasileiros em julgamento na It\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p>A III Corte di Assise di Roma ouve, nesta quinta-feira, 16, o brasileiro Jair Krischke, do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, como testemunha em julgamento que envolve\u00a0tr\u00eas coron\u00e9is e um delegado de pol\u00edcia, todos ga\u00fachos.<br \/>\nEles est\u00e3o denunciados no processo aberto na Italia pelo procurador Giancarlo Capaldo, para apurar crimes da chamada Opera\u00e7\u00e3o Condor, montada para perseguir e eliminar dissidentes pol\u00edticos das ditaduras do Cone Sul \u00a0(Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile).<br \/>\nDos quatro acusados, os tr\u00eas coron\u00e9is ainda est\u00e3o vivos: Leivas Job(secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do governo Amaral de Souza), Carlos Alberto Ponzi (chefe da Ag\u00eancia de Porto Alegre do SNI durante o sequestro dos uruguaios) e Attila Rohrsetzer (chefe da extinta DCI, Divis\u00e3o Central de Informa\u00e7\u00f5es), que fazia o link entre o DOPS e a repress\u00e3o do CIE e do III \u00c9x\u00e9rcito.<br \/>\nO delegado Marco Aur\u00e9lio Reis, morreu h\u00e1 15 dias, no dia 2 de junho. Ele era\u00a0 diretor do DOPS, em 1978, quando ocorreu o sequestro dos uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Dias.<br \/>\nSe condenados, os militares brasileiros podem pegar pris\u00e3o perp\u00e9tua.\u00a0Ao todo s\u00e3o 33 os r\u00e9us no processo\u00a0 que \u00a0julga crimes cometidos no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o \u00a0Condor.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00a0Montoneros<\/span><br \/>\nOs brasileiros ser\u00e3o processados na It\u00e1lia pelo assassinato do cidad\u00e3o \u00edtalo-argentino Lorenzo Vin\u00e3s Gigli, cometido durante o per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Condor.<br \/>\nO juiz Alessandro Arturi, do Tribunal de Roma, aceitou a den\u00fancia do procurador Giancarlo. Os citados n\u00e3o reconhecem a den\u00fancia.<br \/>\nLorenzo Vi\u00f1as era militante da organiza\u00e7\u00e3o Montoneros, que lutou contra a ditadura na Argentina. Desapareceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 26 de junho de 1980.<br \/>\nSegundo a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico italiano, na data em que Vi\u00f1as foi sequestrado, Leivas Job era secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do Rio Grande do Sul; Ponzi chefiava a ag\u00eancia do SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es) em Porto Alegre; Rohrsetzer era diretor da Divis\u00e3o Central de Informa\u00e7\u00f5es do Rio Grande do Sul; e Silva Reis, delegado de pol\u00edcia, exercia o cargo de diretor do Dops (Departamentos de Ordem Pol\u00edtica e Social) do Rio Grande do Sul.<br \/>\nRohrsetzer mora em Florian\u00f3polis, Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre.<br \/>\nCapaldo reafirmou que \u00e9 clara a participa\u00e7\u00e3o brasileira na rede repressiva sul-americana. \u201cO Brasil foi parte operativa do Plano Condor, tendo exercido papel importante na atua\u00e7\u00e3o repressiva e punitiva contra os movimentos que se opunham aos regimes militares da Am\u00e9rica do Sul. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que as autoridades brasileiras n\u00e3o fossem c\u00famplice do que estava acontecendo\u201d, afirma o procurador italiano.<br \/>\nQuando o processo principal foi aceito pela Justi\u00e7a Italiana em dezembro de 2007, a ju\u00edza respons\u00e1vel pelo caso emitiu ordens de pris\u00e3o preventiva contra 146 pessoas, incluindo os quatro brasileiros.<br \/>\nPor meio de carta rogat\u00f3ria enviada pelo STJ (Superior Tribunal de Justi\u00e7a) em 2011\u00a0os quatro denunciados defendiam-se da notifica\u00e7\u00e3o judicial: Leivas Job, al\u00e9m de \u201cinsurgir-se contra o fato\u201d de o documento italiano n\u00e3o ter sido traduzido por profissional juramentado, afirmou ser \u201cinepta\u201d a den\u00fancia, alegando \u201cilegitimidade passiva\u201d e invocando a Lei de Anistia brasileira.<br \/>\nPonzi afirmou que n\u00e3o era o chefe da ag\u00eancia do SNI em Porto Alegre na data indicada; Rohrsetzer declarou que \u201cn\u00e3o se submete \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o italiana, por entender absurdas as acusa\u00e7\u00f5es\u201d; e, sobre Silva Reis, n\u00e3o consta manifesta\u00e7\u00e3o no documento.<br \/>\nA justi\u00e7a italiana vai julgar, ainda este ano, dezenas de sul-americanos envolvidos com a Opera\u00e7\u00e3o Condor. Eles s\u00e3o acusados de\u00a0sequestro, massacre e homic\u00eddio qualificado de 25 \u00edtalo-argentinos e \u00edtalo-uruguaios, durante as ditaduras militares, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Entre os investigados estavam treze brasileiros, mas a maioria deles j\u00e1 falecidos \u2014 entre eles at\u00e9 o ex-presidente Jo\u00e3o Baptista Figueiredo.<br \/>\nO caso ganhou certa evid\u00eancia na imprensa brasileira em 2007, quando a Justi\u00e7a italiana expediu ordem de captura internacional aos investigados. Depois, foi esquecido.<br \/>\nNa ocasi\u00e3o, a It\u00e1lia pediu a extradi\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us e ficou aguardando informa\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses sul-americanos. Ao todo, entraram na lista de procurados da Interpol 146 pessoas: 61 argentinos, 32 uruguaios, 22 chilenos, sete bolivianos, sete paraguaios, quatro peruanos,\u00a0al\u00e9m dos treze brasileiros.<br \/>\nO n\u00famero de pessoas que ser\u00e3o julgadas ser\u00e1 bem menor, porque boa parte destes 146 j\u00e1 faleceu. O procurador italiano Giancarlo Capaldo, respons\u00e1vel pelo inqu\u00e9rito, cansou de esperar pelas poucas informa\u00e7\u00f5es que t\u00eam recebido de pa\u00edses como Brasil e Argentina, e vai concluir a investiga\u00e7\u00e3o para que os r\u00e9us sejam julgados.<br \/>\nA previs\u00e3o \u00e9 ter a senten\u00e7a ainda neste ano, afirma.<br \/>\nA investiga\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia come\u00e7ou ap\u00f3s den\u00fancia de familiares de v\u00edtimas das ditaduras que tinham cidadania italiana,\u00a0em 1998, j\u00e1 que em solo sul-americano as leis de anistia dificultavam a puni\u00e7\u00e3o dos culpados.<br \/>\nGiancarlo Capaldo recolheu documentos e ouviu testemunhas em todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul envolvidos com a Opera\u00e7\u00e3o Condor. Capaldo procurou entender como funcionavam os aparelhos de repress\u00e3o de cada pa\u00eds para indiciar os respons\u00e1veis pelas mortes.<br \/>\nNo Brasil, ocorreram dois desaparecimentos de \u00edtalo-argentinos. Horacio Domingo Campiglia foi visto pela \u00faltima vez no dia 12 de mar\u00e7o de 1980, no aeroporto Gale\u00e3o, Rio de Janeiro (atual aeroporto Tom Jobim).<br \/>\nLorenzo Ismael Vi\u00f1as foi capturado quando atravessava a ponte que liga Uruguaiana \u00e0 cidade argentina de Paso de los Libres, no dia 26 de junho de 1980. Os dois teriam sido entregues por \u00f3rg\u00e3os repressores brasileiros \u00e0 repress\u00e3o argentina, e desapareceram.<br \/>\nO procurador buscou os respons\u00e1veis diretos pelos atos e tamb\u00e9m a cadeia de comando.<br \/>\nNo Brasil, s\u00f3 foi poss\u00edvel mapear os comandantes dos aparelhos repressores, j\u00e1 que o pa\u00eds nunca investigou profundamente os crimes da ditadura militar.<br \/>\nAssim, no caso de Hor\u00e1cio Domingo Campiglia, que ocorreu no Gale\u00e3o, foram consideradas respons\u00e1veis autoridades nacionais, como o ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Baptista Figueiredo e o ent\u00e3o ministro do Ex\u00e9rcito, Walter Pires de Carvalho e Albuquerque, ambos j\u00e1 falecidos, al\u00e9m de autoridades dos \u00f3rg\u00e3os das pol\u00edcias e do Ex\u00e9rcito no Rio de Janeiro.<br \/>\nJ\u00e1 o caso de Lorenzo, ocorrido em Uruguaiana, envolve as mesmas autoridades nacionais e inclui autoridades ga\u00fachas.<br \/>\nA It\u00e1lia deve julgar tanto aqueles que foram capturados, quanto os que estar\u00e3o ausentes, caso dos brasileiros ainda vivos. \u201cA It\u00e1lia julga na aus\u00eancia. Os que est\u00e3o presos ser\u00e3o ouvidos\u201d, afirma Jair Krischke.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A III Corte di Assise di Roma ouve, nesta quinta-feira, 16, o brasileiro Jair Krischke, do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, como testemunha em julgamento que envolve\u00a0tr\u00eas coron\u00e9is e um delegado de pol\u00edcia, todos ga\u00fachos. 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