{"id":349,"date":"2007-12-06T13:28:22","date_gmt":"2007-12-06T16:28:22","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=349"},"modified":"2007-12-06T13:28:22","modified_gmt":"2007-12-06T16:28:22","slug":"literatura-redentora-da-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/literatura-redentora-da-realidade\/","title":{"rendered":"Literatura, redentora da realidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O inconveniente da democracia \u00e9 que ela transforma a sociedade em indiv\u00edduos preocupados consigo pr\u00f3prios e, conseq\u00fcentemente, fracos. Quando aparecem cabe\u00e7as fortes o suficiente para refletirem sobre outras coisas, acabam seus dias num hospital psiqui\u00e1trico ou na pris\u00e3o. \u201cA \u00fanica sa\u00edda socialmente aceit\u00e1vel \u00e9 a arte\u201d, defende o romancista franc\u00eas Michel Houellebecq, que esteve em Porto Alegre para o Fronteiras do Pensamento, na ter\u00e7a-feira, 4 de dezembro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Apesar disso, ele garante que escreve com o \u00fanico objetivo de divertir o leitor. \u201cO fato de eu ser interpretado j\u00e1 \u00e9 ruim em si. O que eu penso n\u00e3o tem interesse, supondo que eu pense alguma coisa\u201d, polemiza. O autor defende que a literatura nada mais \u00e9 do que um escape da realidade. \u201cEu leio para esquecer da vida\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Houellebecq admite que livros como os seus, cujas tem\u00e1ticas s\u00e3o absolutamente contempor\u00e2neas, podem demorar um pouco para serem compreendidos como mero entretenimento ao inv\u00e9s de serem interpretados como cr\u00edtica social. \u201cA literatura realista pode tirar do mundo tanto quanto a fantasmagoria, mas talvez sejam necess\u00e1rios 100 anos para que aconte\u00e7a essa mudan\u00e7a para a ordem do m\u00edstico\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Houellebecq parece tentar se descolar um pouco do r\u00f3tulo de profeta que obras como Part\u00edculas Elementares (Sulina) e Plataforma (Record) lhe conferiram ao antecipar problemas como a desintegra\u00e7\u00e3o familiar, o fundamentalismo religioso e a banaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade que observamos na sociedade contempor\u00e2nea.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ele argumenta que as opini\u00f5es fortes emitidas por seus personagens \u2013 freq\u00fcentemente interpretadas como cr\u00edticas sociais \u2013 s\u00e3o apenas conseq\u00fc\u00eancias de sua preocupa\u00e7\u00e3o em dar-lhes vida. \u201cAs pessoas t\u00eam esp\u00edrito rico e n\u00e3o se contentam com a realidade, elas precisam ler e exercitar a imagina\u00e7\u00e3o\u201d, pondera.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">E garante que a surpresa com sua maneira de escrever \u00e9, antes de tudo, reflexo da falta de qualidade da literatura contempor\u00e2nea. \u201cAs id\u00e9ias s\u00e3o muito mal vistas na imprensa e na cr\u00edtica liter\u00e1ria\u201d, dispara. Complementou afirmando que a pol\u00eamica \u00e9 provocada intencionalmente para vender jornais.<br \/>\n\u201cO mais interessante \u00e9 que isso n\u00e3o influencia na compra de livros\u201d, sustenta. Mas seu \u00faltimo t\u00edtulo, A Possibilidade de uma Ilha, j\u00e1 vendeu mais de 300 mil exemplares na Fran\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>\u201cO Isl\u00e3 vai desaparecer\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Apesar do discurso descompromissado, o romancista franc\u00eas admite que antecipou aquelas que seriam marcas da sociedade poucos anos depois de publicados seus livros. &#8220;\u00c9 interessante quando afirmamos uma coisa e depois vemos essa previs\u00e3o realizada&#8221;, orgulha-se.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Novamente buscando escapar da fama de provocador, disse que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil. \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso muita intelig\u00eancia para detectar as evid\u00eancias de uma sociedade que se modifica\u201d, resumiu.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Sobre a separa\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e religiosa que aborda em Plataforma \u2013 publicado em 2001, antes do ataque terrorista \u00e0s Torres G\u00eameas, em Nova Iorque &#8211; explicou com simplicidade. \u201cOs \u00e1rabes constataram que o turismo estava destruindo suas tradi\u00e7\u00f5es e tentaram, por sua vez, destruir o turismo\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Houellebecq admite que n\u00e3o guarda muita simpatia pelo Islamismo \u2013 \u201co mundo se sairia bem melhor sem ele\u201d \u2013 e prev\u00ea que a religi\u00e3o ser\u00e1 abandonada e esquecida. \u201cO Isl\u00e3 vai desaparecer naturalmente, porque o capitalismo \u00e9 mais forte\u201d, arriscou.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">J\u00e1 a ra\u00e7a superior que ele descreve em A Possibilidade de uma Ilha, na qual sujeitos clonados s\u00e3o desprovidos de amor, se realizam apenas sexualmente e preferem o suic\u00eddio aos 50 anos ao ver o corpo degradado pela idade, lembra uma pesquisa bastante recente publicada na Fran\u00e7a. \u201cH\u00e1 cada vez mais assexuados no meu pa\u00eds. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o surpreendente\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Mas a explica\u00e7\u00e3o para esse comportamento anestesiado \u00e9 simples para Michel Houellebecq. \u201cA vida de rela\u00e7\u00f5es est\u00e1 cada vez mais empobrecida porque as pessoas gastam seu tempo na Internet\u201d, critica.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">E defende que a discuss\u00e3o p\u00fablica profunda deveria se dar sobre temas expostos na literatura, como a transforma\u00e7\u00e3o social do casamento, que de um neg\u00f3cio na Idade M\u00e9dia, mais recentemente transformou-se no sonho do verdadeiro amor. \u201cFidelidade obrigat\u00f3ria \u00e9 um assunto muito mais grave que a geopol\u00edtica ou a economia\u201d.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister O inconveniente da democracia \u00e9 que ela transforma a sociedade em indiv\u00edduos preocupados consigo pr\u00f3prios e, conseq\u00fcentemente, fracos. 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