{"id":353,"date":"2007-11-14T13:34:07","date_gmt":"2007-11-14T16:34:07","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=353"},"modified":"2007-11-14T13:34:07","modified_gmt":"2007-11-14T16:34:07","slug":"martin-fierro-na-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/martin-fierro-na-fronteira\/","title":{"rendered":"Mart\u00edn Fierro na fronteira"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura%203\/med_martin%20fierro.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"center\">Nona edi\u00e7\u00e3o\u00a0acontece de 14 a 16 de dezembro<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Cleber Dioni e Lucia Righi<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cFronteira seca, do saludo arrinconado, donde cochila tradi\u00e7\u00e3o pra um guitarreiro, e o gaiteiro estufa o peito apaysanado, num ala pucha abagualado de faceiro.\u201d<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A milonga Fronteira Seca, de Rog\u00e9rio \u00c1vila e Mauro Moraes, resume bem a satisfa\u00e7\u00e3o com que a comunidade musical recebe o an\u00fancio de mais uma edi\u00e7\u00e3o do Festival de Fronteira Um Canto para Mart\u00edn Fierro, de Santana do Livramento, que chega este ano como um dos maiores festivais de m\u00fasica nativista do Estado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o acontece nos dias 14, 15 e 16 de dezembro. Chamam\u00e9, rancheira, vaner\u00e3o, xote, bugio, milonga, chacarera e zamba s\u00e3o alguns ritmos que integram o repert\u00f3rio dos poetas, compositores e int\u00e9rpretes identificados com a m\u00fasica nativista campeira e o folclore latino-americano. A linguagem, por vezes xucra, outras vezes rom\u00e2ntica, se funde num portunhol pra l\u00e1 de original, onde o campo se faz presente como raiz cultural dos pa\u00edses do Mercosul.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Essa integra\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do festival, passa pela exalta\u00e7\u00e3o dos versos da obra \u201cEl gaucho Martin Fierro, do poeta argentino Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez. O livro \u00e9 uma obra-prima da literatura sul-americana e retrata a figura solit\u00e1ria do homem do pampa ga\u00facho &#8211; ou gaucho, como preferir &#8211; em suas lutas pela sobreviv\u00eancia. Acredita-se que Hern\u00e1ndez redigiu boa parte da obra, entre os anos de 1871 e 1872, em Santana do Livramento, cidade da fronteira-oeste ga\u00facha, conhecida como a &#8220;Fronteira da Paz&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O evento, promovido pelo Centro de Cultura Um Canto para Martin Fierro, j\u00e1 \u00e9 considerado um dos maiores do g\u00eanero no Estado, a exemplo de festivais consagrados como a Calif\u00f3rnia da Can\u00e7\u00e3o Nativa, de Uruguaiana, e o Musicanto, de Santa Rosa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A comiss\u00e3o organizadora selecionou 16 das 400 composi\u00e7\u00f5es inscritas, sendo que 12 ir\u00e3o para a final, j\u00e1 estando habilitadas para integrar o CD do evento. Onze recebem pr\u00eamio em dinheiro e trof\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Al\u00e9m da integra\u00e7\u00e3o e da disputa entre compositores e m\u00fasicos do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, a chamada &#8220;pampa ga\u00facha&#8221;, o p\u00fablico \u00e9 presenteado todas as noites com shows de artistas famosos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Subir\u00e3o ao palco do gin\u00e1sio Guanabara C\u00e9sar Oliveira e Rog\u00e9rio Mello, Walther Morais, Lucio Yanel e Gilberto Monteiro. A abertura \u00e9 feita sempre por um m\u00fasico santanense, dentro do projeto de valoriza\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos locais. Desta vez ser\u00e1 Juliano Moreno. O festival j\u00e1 revelou nomes como Evair Gomes, Volmir Coelho e Le\u00f4ncio Severo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O evento est\u00e1 bem servido de instrumentistas: Lucio Yanel, natural de Corrientes, Argentina, mas radicado no Rio Grande do Sul h\u00e1 mais de 20 anos, \u00e9 considerado um dos maiores violonistas da atualidade e mestre de m\u00fasicos como Yamand\u00fa Costa, outro destaque na m\u00fasica instrumental. O gaiteiro e compositor Gilberto Monteiro, de Santiago do Chile, \u00e9 outra refer\u00eancia em temas com ra\u00edzes castelhanas e ga\u00fachas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong class=\"linkbordo\">As classificadas<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">&#8211; Adelante, de Diego Muller, Miguel Cimirro e Joca Martins<br \/>\n&#8211; Alma guitarreira, de Gl\u00eanio Facundes e L\u00facio Yanel<br \/>\n&#8211; A um negro desconhecido, Jairo Fernandes<br \/>\n&#8211; A uma l\u00e1grima rocio, de Martin Gon\u00e7alves e Roberto Borges<br \/>\n&#8211; El alma del pago, de Andr\u00e9 Oliveira e Andr\u00e9 Teixeira<br \/>\n&#8211; Entropilhado, de Evair Gomes e Ricardo Martins<br \/>\n&#8211; Madalena flor do campo, de Rafael Chiapeta e Carlos Madruga<br \/>\n&#8211; Paisano, de Nadir Castilho e Nelson Cardoso<br \/>\n&#8211; Partilha, aus\u00eancia e saudade, de Zeca Alves e Volmir Coelho<br \/>\n&#8211; Pela cordeona do tempo, Gujo Teixeira, Juliano Gomes e Leonel Gomes<br \/>\n&#8211; Porteira a fora, de Eron Matos, Cristiano Camargo e Lisandro Amaral<br \/>\n&#8211; Povoado, de Rog\u00e9rio \u00c1vila e Leonel Gomes<br \/>\n&#8211; Rancho la Cruces, de Evair Gomes, Juliano Gomes e Everson Mar\u00e9<br \/>\n&#8211; Raz\u00f5es para seguir, de Lisandro Amaral<br \/>\n&#8211; Rodada, de Fernando Soares e Mauro Moraes<br \/>\n&#8211; Volta de campo, de Rog\u00e9rio \u00c1vila e Juliano Moreno<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong class=\"linkbordo\">Atra\u00e7\u00f5es internacionais<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O show internacional ser\u00e1 do m\u00fasico uruguaio H\u00e9ctor Numa Moraes. Inicialmente reservado a Los Tucu Tucu, lend\u00e1rio grupo folcl\u00f3rico argentino, teve que ser cancelado devido a um tr\u00e1gico acidente que vitimou dois de seus integrantes, deixando hospitalizados outros dois. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 2003, o uruguaio Pepe Guerra foi a grande atra\u00e7\u00e3o internacional; em 2004, o destaque foi Hor\u00e1cio Guarany, um dos cantores mais importantes do folclore argentino; j\u00e1 em 2005, a atra\u00e7\u00e3o internacional foi o argentino Luna. E, ano passado, o destaque ficou por conta da prestigiada cantora e compositora argentina Teresa Parodi.<br \/>\n<strong class=\"linkbordo\">Mais recursos do Minc <\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u2018Um Canto para Mart\u00edn Fierro\u2019 \u00e9 patrocinado pelo Fundo Nacional de Cultura, desde a 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o. O FNC \u00e9 um mecanismo de financiamento de projetos culturais do Minist\u00e9rio da Cultura, realizado atrav\u00e9s de conv\u00eanios. O Fundo banca at\u00e9 80% do projeto, sendo os 20% restantes contrapartida do proponente. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Este ano, o Centro de Cultura solicitou R$ 220 mil para promover o festival, incluindo ainda a grava\u00e7\u00e3o de CD e edi\u00e7\u00e3o de um livro de poemas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Os valores gastos v\u00eam aumentando sensivelmente. Na 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, em 2002, foram captados R$ 105,8 mil; na seguinte, foram R$ 120 mil; na 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o subiu para R$ 136 mil, na outra foram captados R$ 212,4 mil; e na 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o, realizada ano passado, o festival captou R$ 154,2 mil. <\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Fun\u00e7\u00e3o social <\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O evento cumpre tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o social: 30% da arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 doada a institui\u00e7\u00f5es assistenciais de Livramento. Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, o valor foi repassado ao Hospital da Santa Casa do munic\u00edpio, \u00e0 Creche Pansef e \u00e0 Sandef.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cAl\u00e9m do Fundo, contamos com o apoio da Prefeitura de Livramento. Temos como patrocinadores algumas empresas que n\u00e3o s\u00e3o fixas e uma diversidade de projetos\u201d, afirma Carlinhos Fernandes, coordenador do festival.. <\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Gin\u00e1sio ficou pequeno<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O local onde \u00e9 realizado atualmente o festival, no Gin\u00e1sio Guanabara, n\u00e3o suporta mais a demanda de p\u00fablico, que mescla brasileiros, uruguaios e argentinos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A m\u00e9dia nos tr\u00eas dias de evento chega a 15 mil pessoas. O n\u00famero de espectadores \u00e9 vinte vezes maior porque o festival \u00e9 transmitido para todo o Estado, atrav\u00e9s da TVE, e, ao vivo, por mais de 20 r\u00e1dios do Brasil, Uruguai e Argentina. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Carlinhos diz que est\u00e1 nos planos da comiss\u00e3o organizadora construir um centro de eventos com capacidade para cinco mil pessoas. \u201cSer\u00e1 a sede oficial do festival, mas tamb\u00e9m servir\u00e1 para a prefeitura ou a iniciativa privada realizar outros eventos ali\u201d, avisa Fernandes.<br \/>\n<strong class=\"linkbordo\">Prest\u00edgio em alta<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O m\u00fasico correntino Lucio Yanel, 61 anos, considera o Mart\u00edn Fierro um dos mais importantes eventos de reafirma\u00e7\u00e3o da identidade cultural. \u201cDevemos parabenizar os organizadores e torcer para que esta maravilhosa realidade que o festival nos regala, continue por muitos e muitos anos\u201d, disse. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o compositor e m\u00fasico Marcello Caminha, o Martin Fierro tem trazido valiosa contribui\u00e7\u00e3o para o cen\u00e1rio nativista, pelas m\u00fasicas que re\u00fane a cada ano e pelos shows de grande qualidade, mantendo a preocupa\u00e7\u00e3o de interc\u00e2mbio com shows dos pa\u00edses vizinhos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cSe considerarmos as regi\u00f5es do Estado, veremos que em cada uma delas se faz um estilo diferente de m\u00fasica campeira, seja na serra, no litoral, nas miss\u00f5es e na fronteira, e o Martin Fierro \u00e9 o festival, que ao meu ver, reflete de forma mais clara o dia-a-dia da regi\u00e3o da fronteira-oeste do Estado, onde se faz a m\u00fasica campeira com influ\u00eancia da Argentina e principalmente do Uruguai\u201d, afirma. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Outro m\u00e9rito destacado pelo violonista bageense, de 35 anos, \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o dos organizadores em manter o foco no festival de fronteira, que o diferencia de muitos outros, despertando, com isso, o turismo na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Caminha participa do festival desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o, seja como concorrente, show ou j\u00fari e v\u00ea cada vez mais forte a estrutura do festival: \u201cObservo tamb\u00e9m que h\u00e1 um intenso aperfei\u00e7oamento na sua linha cultural a cada ano que passa\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A dupla que vem se consagrando como uma das grandes revela\u00e7\u00f5es da m\u00fasica regional campeira dos \u00faltimos anos, C\u00e9sar Oliveira, 37, e Rog\u00e9rio Melo, 31, elogia a compet\u00eancia dos organizadores por transmitirem, atrav\u00e9s do Mart\u00edn Fierro, credibilidade aos que hoje t\u00eam como refer\u00eancia cultural o folclore crioulo. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cSem d\u00favida o Martin Fierro, nos dias atuais, \u00e9 uma refer\u00eancia para outros eventos do mesmo seguimento. \u00c9 um festival que \u2018hermana\u2019 e difunde a palavra ga\u00facho com propriedade e extrema fidelidade ao crioulismo, ao respeito pela raiz de um povo, difundindo uma p\u00e1tria \u00fanica, que todos que nela vivem sentem orgulho de fazerem parte\u201d, concordam os amigos, que dividem os palcos h\u00e1 nove anos, sendo que ambos j\u00e1 participaram do Mart\u00edn Fierro como jurados e tamb\u00e9m artistas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o cantor e compositor Pirisca Grecco, 35 anos, sete dos 15 anos de carreira dedicados aos festivais de m\u00fasica nativista, o Mart\u00edn Fierro j\u00e1 nasceu grande. \u201c\u00c9 um evento moderno, jovem, mas de uma grandeza inigual\u00e1vel, pelo seu p\u00fablico e pelo cuidado na sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas concorrentes\u201d, diz o m\u00fasico. E revela: \u201csempre guardo o que tenho de melhor para mandar para o festival em Livramento.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong class=\"linkbordo\">\u00daltimo do circuito<\/strong><br \/>\nO festival surgiu da inspira\u00e7\u00e3o de santanenses que sempre acompanharam o meio tradicionalista. Entre os fundadores estavam Carlos Fernandes, S\u00e9rgio Calvete Couto, Edilson Villagran e Anomar Dan\u00fabio Vieira.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cAcontece que existe um ciclo de festivais no Estado e n\u00e3o existia nada em Livramento, uma cidade que sempre produziu m\u00fasicos de grande potencial. Da\u00ed surgiu a id\u00e9ia. Ent\u00e3o ficou decidido realizar o festival sempre na primeira semana antes do Natal, seguindo o circuito de festivais do Estado, e o nosso encerra o ciclo\u201d, explica Carlinhos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Os CDs das edi\u00e7\u00f5es do festival s\u00e3o distribu\u00eddos n\u00e3o s\u00f3 para o meio nativista, mas para r\u00e1dios no Brasil inteiro, atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura, e tamb\u00e9m no Uruguai e na Argentina. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cGostar\u00edamos realmente de uma produ\u00e7\u00e3o diferente dos CDs para que a popula\u00e7\u00e3o tenha mais acesso, diz Carlinhos. A grande maioria dos compositores, int\u00e9rpretes e instrumentistas guarda seus melhores trabalhos para o Martin Fierro, e isso \u00e9 uma grandeza. \u00c9 a vontade que todos os grandes nomes da m\u00fasica ga\u00facha t\u00eam de fechar o ano com uma vit\u00f3ria, o que \u00e9 motivo de muito orgulho pois sabemos que a cidade ganha com isso\u201d, comemora o organizador. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Nas tr\u00eas primeiras edi\u00e7\u00f5es, quem promovia o festival era o Centro de Cultura Crioula Urutau. A 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o foi realizada em 1999 no Gin\u00e1sio Clube Iraj\u00e1, as 2\u00aa e 3\u00aa foram realizadas no Parque Augusto Pereira Carvalho. A partir de 2002, na 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, mudou o nome da entidade que realiza o evento e o local. De Urutau passou a se denominar Centro de Cultura Um Canto para Mart\u00edn Fierro, e o novo endere\u00e7o, no Gin\u00e1sio Guanabara. <\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Surpresas para os 10 anos<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o pr\u00f3ximo ano, quando o festival completa dez edi\u00e7\u00f5es, a dire\u00e7\u00e3o do Centro de Cultura Um canto para Mart\u00edn Fierro pretende realizar uma grande festa com v\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es. Queremos algo que marque os 10 anos de Um Canto para Martin Fierro e que, a partir da\u00ed, o festival se reafirme e venha com mais for\u00e7a para os pr\u00f3ximos anos\u201d, diz Carlinhos Fernandes. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ele antecipa algumas iniciativas: \u201cPretendemos fazer circuitos pelo Brasil, Uruguai e Argentina para divulgar o festival. Al\u00e9m de realizar shows em v\u00e1rias cidades ga\u00fachas, queremos chegar a outros Estados como j\u00e1 fizemos em outras ocasi\u00f5es, em Bras\u00edlia e Rio de Janeiro, por exemplo. Uma das atra\u00e7\u00f5es pode ser vinda da cantora Soledad.\u201d<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong class=\"linkbordo\">Poema \u00e9pico virou inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A obra que d\u00e1 nome ao festival \u00e9 o maior \u00e9pico da literatura argentina e um dos maiores da Am\u00e9rica do Sul. Foi publicado em duas partes: a primeira vez em dezembro de 1872 com o t\u00edtulo de El gaucho Mart\u00edn Fierro, editado na tipografia La Pampa. A segunda parte, em 1879, chamada La vuelta de Mart\u00edn Fierro. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O versos escritos em linguagem popular, j\u00e1 foram traduzidos em mais de 30 idiomas. Neles, o autor Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez faz eco \u00e0s ang\u00fastias e \u00e0s injusti\u00e7as cometidas contra o homem do pampa. Mart\u00edn Fierro \u00e9 o s\u00edmbolo do ga\u00facho inconformado, o contestador que deixa de ser bandido e vira her\u00f3i nacional. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o professor Voltaire Schilling, Mart\u00edn Fierro, o porta-voz da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, foi a reviv\u00eancia do el Cid campeador, o caudilho ib\u00e9rico de mil anos atr\u00e1s que, tamb\u00e9m desterrado, saiu a pelejar contra meio mundo na Espanha daquela \u00e9poca. \u201cUma das particularidades de Martin Fierro era o misto de ternura amarga em meio \u00e0s durezas da vida, um queixoso vagando pela pampa a denunciar as inj\u00farias e responder aos agravos.\u201d<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Chama a aten\u00e7\u00e3o a contemporaneidade do protesto social que caracteriza os versos de Mart\u00edn Fierro, essa figura do pampa que atravessou gera\u00e7\u00f5es, mas que, atualmente, quase n\u00e3o se v\u00ea pelos campos. Bioma para uns, p\u00e1tria para outros, o pampa \u00e9 uma extensa \u00e1rea localizada no extremo sul do continente americano, entre os pa\u00edses da Argentina, Uruguai e Brasil. \u00c9 um bioma \u00fanico no planeta. Os bosques s\u00e3o raros e algumas coxilhas e cap\u00f5es de mato alternam a imagem dos bichos soltos no mar verde de pasto a cobrir a imensid\u00e3o de campo, onde o olhar facilmente alcan\u00e7a o horizonte.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O pampa \u00e9 o cen\u00e1rio onde se desenvolve a rebeldia do ga\u00facho e sua permanente busca pela paz e pela liberdade. F\u00e1cil explicar, ent\u00e3o, porque muitos m\u00fasicos t\u00eam nos versos de Mart\u00edn Fierro a principal fonte inspiradora para compor suas m\u00fasicas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cAnd\u00e1vamos t\u00e3o imundos que, ver-nos, causa horror, garanto que dava dor, ver essa gente de cristo, lhe juro jamais ter visto, uma pobreza maior\u201d (Canto IV, 106). \u201cImagine qualquer um, a m\u00e1 sorte deste amigo; a p\u00e9, mostrando o umbigo, estropeado e quase nu: outro infort\u00fanio mais cru, n\u00e3o me dar\u00e3o por castigo\u201d (Canto IV, 111).<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A valentia, a sofreguid\u00e3o, o menosprezo, tudo ou quase tudo que se tinha como a imagem do ga\u00facho est\u00e1 retratada nos versos criados por Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez. E que hoje inspira muitos poetas e compositores da m\u00fasica regional campeira. Como no Canto VIII em que el gaucho n\u00e3o se acovarda diante de um valent\u00e3o: \u201cE j\u00e1 sa\u00edmos tran\u00e7ados, pois era o homem, ladino; mas, como n\u00e3o perco o tino e sou meio ligeir\u00e3o, o deixei mostrando o sebo, de um rev\u00e9s com meu fac\u00e3o\u201d (227). Encomendando-me a Deus, ergui v\u00f4o p\u2019ra outro pago; que o \u00edndio que chamam vago n\u00e3o consegue ter quer\u00eancia, e assim, de estrago em estrago, vive chorando de aus\u00eancia\u201d (229). \u201cN\u00e3o ter\u00e1 cova nem ninho, h\u00e1 de andar sempre fugido, sempre pobre e perseguido, como se fosse maldito; pois ser ga\u00facho&#8230; Caramba!&#8230; \u2013 ser ga\u00facho \u00e9 at\u00e9 um delito\u201d (230). Se cria vivendo ao vento, qual ovelha sem esquila, enquanto o pai se perfila, nas mil\u00edcias do governo; e se tirita no inverno, ningu\u00e9m o apara ou asila\u201d (233). \u201cNada ele ganha na paz, mas \u00e9 o primeiro na guerra; n\u00e3o o perdoam se erra, que n\u00e3o sabem perdoar; &#8211; o ga\u00facho, nesta terra, serve s\u00f3 para votar\u201d (238).<\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Versos sem fronteiras<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Santana do Livramento sustenta o t\u00edtulo de \u2018ber\u00e7o do Mart\u00edn Fierro\u2019, pois seria a cidade onde Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez morava quando criou os primeiros versos do maior poema \u00e9pico da Argentina. \u201cHavia nascido em Santana do Livramento e estendeu-se pela campanha como um rastilho de p\u00f3lvora\u201d, afirma Guilhermo Eliseo Sciarra, referindo-se aos versos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Diz uma das vers\u00f5es mais repetidas que o poeta morou em Livramento, entre 1870 e 1871, numa pequena pens\u00e3o, localizada hoje na esquina das ruas Rivad\u00e1via C\u00f4rrea e Uruguai. \u201c\u00c0 luz da lamparina ou em meio ao verde da atual Pra\u00e7a General Os\u00f3rio, onde inclusive tem um busto em sua mem\u00f3ria, Hern\u00e1ndez deu-se a esbo\u00e7ar a primeira parte da sua epop\u00e9ia xucra, que viria ser a principal obra liter\u00e1ria que retrata a vida e a personalidade do ga\u00facho do pampa\u201d, escreveu Voltaire Schilling. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Diversos foram os jornalistas argentinos, uruguaios e brasileiros a tentar reconstituir o caminho percorrido por Hern\u00e1ndez em seu ex\u00edlio, depois da derrota do general Ricardo Lopez Jordan, a quem o poeta apoiava contra o presidente argentino Domingos Faustino Sarmiento (1868-1874) e sua inten\u00e7\u00e3o de europeizar os pa\u00edses latino-americanos e desmoralizar o nativo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Numa reportagem publicada em 6 de outubro de 1945, no jornal La Prensa, de Buenos Aires, J. M. Hern\u00e1ndez Salda\u00f1a assegura que Pedro Garcia, filho do espanhol que hospedou Hern\u00e1ndez, lembrava-se do &#8220;ar apaixonado&#8221; do poeta, ao ouvi-lo &#8220;cantar com versos acompanhando-se ao viol\u00e3o, matizando seus cantos com versos de filosofia&#8221;. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Mas Salda\u00f1a ressalta que, apesar dos poucos vest\u00edgios, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que Hern\u00e1ndez tenha passado a maior parte dos seus dias de ex\u00edlio na cidade uruguaia de Paisand\u00fa, onde morava seu irm\u00e3o, Rafael. \u201cDos dias de emigrado de Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez na fronteira do Brasil, com um p\u00e9 no ent\u00e3o Imp\u00e9rio, em Santana do Livramento, e outro no Uruguai, na vila de Rivera, n\u00e3o encontro not\u00edcia do proveito nas biografias do bardo\u201d, conclui Salda\u00f1a.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em outra mat\u00e9ria, o jornalista ga\u00facho Carlos Reverbel publicou em 6 de novembro de 1948, na Revista do Globo, entrevista com a santanense Belmira Garcia Labarthe, que conheceu o poeta Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez e seu famosos versos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ela tinha 16 anos. Era filha do estancieiro espanhol Pedro Garcia e cunhada do coronel uruguaio Juan Piran, de quem Hernandez era muito amigo. Volta e meia, os amigos se encontravam na casa de Pedro Garcia para longas conversas e mateadas. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Dona Belmira disse acreditar que Mart\u00edn Fierro j\u00e1 devia estar escrito, pelo menos em parte, naquela \u00e9poca, e que Hern\u00e1ndez n\u00e3o fixou resid\u00eancia em Livramento, como fizeram outros emigrados. \u201cAntes do seu amigo aparecer pela primeira vez em Livramento, Juan Piran j\u00e1 declamava versos do Mart\u00edn Fierro\u201d, lembrou a senhora, do alto de seus 93 anos e de lucidez invej\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A d\u00favida se o poema foi escrito ou n\u00e3o na Argentina, antes de Hern\u00e1ndez partir para o ex\u00edlio, ou depois, na brasileira Livramento ou ainda na uruguaia Paisand\u00fa, s\u00f3 refor\u00e7a o car\u00e1ter transfronteiri\u00e7o dos versos de Martin Fierro. Onde o ga\u00facho divide com os leitores seus sonhos e suas mazelas, e o desejo de viver em liberdade num pampa sem fronteiras. <\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Um jornalista e muitas batalhas<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Jos\u00e9 Hern\u00e1ndez Pueyrred\u00f3n nasceu a 10 de novembro de 1834, na Ch\u00e1cara de Pueyrred\u00f3n, s\u00edtio da fam\u00edlia no povoado de Perdriel, sub\u00farbio de Buenos Aires. Era filho de Rafael Hern\u00e1ndez, comerciante em Buenos Aires, e de Isabel Pueyrred\u00f3n, prima de Juan Mart\u00edn de Pueyrred\u00f3n, her\u00f3i da independ\u00eancia argentina e um dos comandantes das Prov\u00edncias Unidas do Sul.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Aprendeu a ler e escrever aos quatro anos de idade e, aos nove, \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e, doente e muito fraco, foi levado pelo pai para uma fazenda no povoado de Camarones, ao sul da Prov\u00edncia, para ficar sob os cuidados de uma tia materna. Permaneceu ali, em contato com a lida campeira, at\u00e9 partir para as frentes de batalha contra os \u00edndios, como aventureiro. Aos 19 anos, em 1853, alistou-se como soldado e, tr\u00eas anos depois, ingressou na carreira de jornalista.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 1859, apoiou a luta de Urquiza &#8211; Justo Jos\u00e9 de Urquiza y Garc\u00eda, caudilho da Prov\u00edncia de Entre-Rios, que mais tarde, se tornou presidente da Argentina, depois de derrotar Manuel Oribe e Juan Manuel de Rosas na c\u00e9lebre Batalha de Monte Caseros, em fevereiro de 1852. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Casou em 1863 com Carolina Gonz\u00e1lez del Solar, com quem teve sete filhos, s\u00f3 um homem. Em 1865, participou da Guerra do Paraguai contra Solano L\u00f3pez. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Atrav\u00e9s do seu jornal \u201cEl Rio de la Plata\u201d, Hern\u00e1ndez defendeu mudan\u00e7as pol\u00edticas numa Argentina prestes a implodir a todo momento e comprou briga com o governo, ap\u00f3s o assassinato do general Urquiza. Ele defendia as id\u00e9ias federalistas que exigiam maior autonomia das prov\u00edncias, em contraposi\u00e7\u00e3o aos unitaristas, que preferiam um governo centralizado na capital e o enfraquecimento do Interior. Ao lado do caudilho L\u00f3pez Jord\u00e1n, investiu contra o governo de Sarmiento. Derrotados e pressionados, ele e outros civis e militares emigraram em 1871 para o Brasil e o Uruguai. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 1872, depois de 10 meses de ex\u00edlio, Hern\u00e1ndez retornou a Buenos Aires e, em dezembro publicou a primeira parte da obra que o imortalizou. Em 1979, j\u00e1 tendo adquirido a Livraria del Plata, lan\u00e7ou a segunda parte do poema \u201cLa vuelta de Mart\u00edn Fierro\u201d. Era deputado. Foi senador por Buenos Aires em 1881. Morreu em 21 de outubro de 1886, aos 51 anos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nona edi\u00e7\u00e3o\u00a0acontece de 14 a 16 de dezembro Cleber Dioni e Lucia Righi \u201cFronteira seca, do saludo arrinconado, donde cochila tradi\u00e7\u00e3o pra um guitarreiro, e o gaiteiro estufa o peito apaysanado, num ala pucha abagualado de faceiro.\u201d A milonga Fronteira Seca, de Rog\u00e9rio \u00c1vila e Mauro Moraes, resume bem a satisfa\u00e7\u00e3o com que a comunidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-353","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-5H","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=353"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}