{"id":369,"date":"2008-05-27T14:05:04","date_gmt":"2008-05-27T17:05:04","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=369"},"modified":"2008-05-27T14:05:04","modified_gmt":"2008-05-27T17:05:04","slug":"os-58-anos-do-clube-de-cultura-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-58-anos-do-clube-de-cultura-2\/","title":{"rendered":"Os 58 anos do Clube de Cultura"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Naira Hofmeister e Alexandre Luchese<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O palco que j\u00e1 abrigou debates com Jorge Amado, Graciliano Ramos, Fernanda Montenegro e Vin\u00edcius de Moraes, e que serviu \u00e0s experimenta\u00e7\u00f5es de jovens de artistas porto-alegrenses &#8211; como o diretor Luciano Alabarse e os m\u00fasicos da Bixo da Seda &#8211; est\u00e1 desativado desde 2006. \u201cN\u00e3o temos previs\u00e3o de reabertura\u201d, lamenta Hans Baumann, presidente do Clube de Cultura de Porto Alegre, que em 30 de maio completa 58 anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A comemorar, a liberdade de cria\u00e7\u00e3o e a vanguarda intelectual que marcaram os anos iniciais de sua hist\u00f3ria e a resist\u00eancia ao Golpe de 1964, quando freq\u00fcentar o endere\u00e7o \u201cera at\u00e9 perigoso\u201d, conforme recorda\u00e7\u00e3o do m\u00fasico Cl\u00e1udio Levitan. No Clube, Levitan acompanhou os debates que deram origem \u00e0 atual secretaria de Estado da Cultura, antes vinculada \u00e0 pasta de educa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cOs pais de Jorge Furtado o proibiram de vir. Sua m\u00e3e era Arena e considerava o Clube um reduto de comunistas\u201d, lembra Baumann, que atrav\u00e9s da entidade acompanhou os primeiros passos da carreira do cineasta, na d\u00e9cada de 1970, quando fundou o Cineclube. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Hoje os 700m\u00b2 do Clube de Cultura s\u00e3o subutilizados. Os debates n\u00e3o atraem um p\u00fablico significativo. H\u00e1 aulas de prepara\u00e7\u00e3o para a carreira diplom\u00e1tica e, eventualmente, cursos de teatro.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O dinheiro para manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 escasso, j\u00e1 que poucos se disponibilizam a pagar os R$ 10 reais de mensalidade. \u201cNos bons tempos eram 350, mas hoje n\u00e3o temos nem 150 s\u00f3cios\u201d.<br \/>\nO caf\u00e9 foi reformado em 2007, mas os permission\u00e1rios n\u00e3o duraram meio ano no neg\u00f3cio. E o teatro precisa de uma ampla reforma. \u201cTemos a inten\u00e7\u00e3o de buscar R$ 800 mil atrav\u00e9s das leis de incentivo \u00e0 cultura\u201d, revela Baumann. O projeto, no entanto, est\u00e1 longe de ser conclu\u00eddo. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Membro do Conselho Diretor, Airan Aguiar critica a falta envolvimento da comunidade. \u201cA contrapartida para quem participa acaba sendo financeira porque \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir voluntariado\u201d, observa.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Nenhuma dificuldade desanima Hans Baumann, que ingressou no grupo em 1955. Sorriso no rosto, ele revela o projeto de fundar um c\u00edrculo de leitura. \u201cAcredito na revolu\u00e7\u00e3o cultural\u201d, prega. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O acervo vai incluir revistas e jornais e a consulta ser\u00e1 gratuita. \u201cS\u00f3 n\u00e3o vai ter a Veja\u201d, brinca, mostrando que a cr\u00edtica n\u00e3o esmoreceu passados tantos anos. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Livro de atas teve que ser clonado<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O Clube de Cultura de Porto Alegre foi fundado por intelectuais judeus cuja postura pol\u00edtica progressista entrava em choque com a ideologia dos demais. \u201cHavia 30 pessoas na reuni\u00e3o do dia 30 de maio de 1950, quando foi firmado o estatuto do Clube de Cultura\u201d, conta Hans Baumann, que se uniu ao grupo mais tarde, rec\u00e9m-chegado de um kibutz em Israel.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Egresso da escola de teatro, o diretor Luciano Alabarse teve suas primeiras pe\u00e7as encenadas ali. O Clube de Cultura abrigou a estr\u00e9ia de \u201cSenhora dos Afogados\u201d, de Nelson Rodrigues, e \u201cReuni\u00e3o de Fam\u00edlia\u201d, de Lya Luft, que foi adaptada por Caio Fernando Abreu. \u201cEra uma refer\u00eancia verdadeira aos que faziam teatro em Porto Alegre. Lembro com muita satisfa\u00e7\u00e3o das temporadas se sucediam, sucessos de cr\u00edtica e de p\u00fablico\u201d, avalia Alabarse.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cEra um espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o para a arte e cumpria a fun\u00e7\u00e3o de estar sempre aberto \u00e0s diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais\u201d, complementa Claudio Levitan.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A euforia dos primeiros anos acabou abruptamente com o golpe militar em 1964. \u201cT\u00ednhamos 300 s\u00f3cios. Depois do golpe restaram quatro e entramos em p\u00e2nico\u201d, relata Baumann.<br \/>\nO livro de atas daquele ano ficou muito tempo desaparecido. Hoje, Airan Aguiar pode contar despreocupadamente como ele foi clonado para ludibriar os militares. \u201cAs atas foram copiadas em um novo livro, mas retirando o que presumiam que pudesse trazer problemas ao clube, j\u00e1 que o SNI esteve aqui algumas vezes\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Mas a ditadura foi tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela transforma\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o de resist\u00eancia cultural. Justamente no Clube de Cultura Porto Alegre viu nascer sua cena rock\u2019n\u2019roll, nas antol\u00f3gicas apresenta\u00e7\u00f5es da banda Bixo da Seda para mais de 600 pessoas.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: small\"><strong><em><span style=\"font-size: x-small\">Essa reportagem \u00e9 um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o 384 do jornal J\u00c1 Bom Fim\/Moinhos. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da \u00e1rea central de Porto Alegre.<\/span> <\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister e Alexandre Luchese O palco que j\u00e1 abrigou debates com Jorge Amado, Graciliano Ramos, Fernanda Montenegro e Vin\u00edcius de Moraes, e que serviu \u00e0s experimenta\u00e7\u00f5es de jovens de artistas porto-alegrenses &#8211; como o diretor Luciano Alabarse e os m\u00fasicos da Bixo da Seda &#8211; est\u00e1 desativado desde 2006. \u201cN\u00e3o temos previs\u00e3o de reabertura\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":369,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-5X","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}