{"id":37343,"date":"2016-08-04T13:17:42","date_gmt":"2016-08-04T16:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=37343"},"modified":"2016-08-04T13:17:42","modified_gmt":"2016-08-04T16:17:42","slug":"senhores-da-morte-expandem-seus-negocios-pelo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/senhores-da-morte-expandem-seus-negocios-pelo-mundo\/","title":{"rendered":"Senhores da morte expandem seus neg\u00f3cios pelo mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong>MARIANO SENNA, de Berlim<\/strong><br \/>\n&#8220;<em><strong>No meio do caos h\u00e1 tamb\u00e9m oportunidade&#8221;, Sun Tzu, A Arte da Guerra<\/strong><\/em><br \/>\nNos tempos de crise \u00e9 que ocorrem as grandes oportunidades. A ideia \u00e9 velha, tem mais de dois mil anos. Vem da era em que Buda, Pit\u00e1goras e Conf\u00facio iluminavam os caminhos humanos na terra.<br \/>\nPelas m\u00e3os de um estrategista militar chin\u00eas (Sun Tzu) virou um cl\u00e1ssico da literatura universal, &#8220;A Arte da Guerra&#8221;, que apropriado pelos gurus do marketing moderno foi transformado em b\u00edblia do deus mercado. E a ind\u00fastria de armas confirma a validade dessa cren\u00e7a.<br \/>\nSegundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI &#8211; http:\/\/www.sipri.org\/) o gasto com armamentos aumentou 1% no mundo todo entre 2014 e 2015.<br \/>\nParece pouco, especialmente considerando que \u00e9 o primeiro aumento global desde 2011. Mas olhando os n\u00fameros em detalhe, pode-se chegar a uma conclus\u00e3o bem diferente. O volume total em 2015 calculado pelo SIPRI \u00e9 de 1,7 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Valor dos gastos de governos com suas for\u00e7as armadas.<br \/>\nN\u00e3o est\u00e3o nesse c\u00e1lculo as exporta\u00e7\u00f5es e muito menos o contrabando, ou a venda ilegal de armamentos e muni\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-37516 alignright\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Mariano-Ilustra_1-167x300.jpg\" alt=\"Mariano Ilustra_1\" width=\"167\" height=\"300\" \/>A Alemanha, por exemplo, um dos principais fornecedores internacionais, dobrou suas exporta\u00e7\u00f5es de armas no mesmo per\u00edodo. O total recorde chegou a 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, correspondente a um quinto do gasto militar do pa\u00eds.<br \/>\nCuriosamente, um dos principais contratos (U$ 1,3 bilh\u00e3o) foi assinado com a Gr\u00e3-Bretanha ainda dentro dos acordos de coopera\u00e7\u00e3o comercial da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia.<br \/>\nMais controverso ainda \u00e9 o neg\u00f3cio com o principal cliente, o Catar. Num contrato de 1,8 bilh\u00e3o foram vendidos tanques, carros blindados, armamento pesado e muni\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds \u00e9 conhecido na Alemanha como um dos principais financiadores do chamado &#8220;Estado Isl\u00e2mico&#8221;.<br \/>\nA bronca \u00e9 velha. H\u00e1 anos o parlamento alem\u00e3o se debate a cada novo pedido para exporta\u00e7\u00e3o feito pelas fabricantes do pa\u00eds. A legisla\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e9 considerada a mais r\u00edgida do mundo na quest\u00e3o. Para cada encomenda \u00e9 necess\u00e1ria a aprova\u00e7\u00e3o do Bundestag, que raramente nega um pedido. Tudo em nome da prosperidade econ\u00f4mica interna.<br \/>\nQuem se mete na quest\u00e3o acaba defenestrado, e por meios oficiais mesmo. O tal lobby da ind\u00fastria de armas tem tent\u00e1culos para muito al\u00e9m do legislativo.<br \/>\nFora a doa\u00e7\u00e3o para campanhas eleitorais, empresas como a <a href=\"http:\/\/www.heckler-koch.com\/en.html\">Heckler &amp; Koch (HK)<\/a> \u00a0mant\u00e9m uma equipe de advogados e contatos no judici\u00e1rio que inibem qualquer um que ouse meter-se em seus neg\u00f3cios.<br \/>\nFoi o que aconteceu com o jornalista investigativo J\u00fcrgen Gr\u00e4sslin e seus colaboradores Daniel Harrich e Danuta Zandberg-Harrich. Em Setembro 2015 eles publicaram o livro <a href=\"http:\/\/www.randomhouse.de\/Paperback\/Netzwerk-des-Todes-Das-Enthuellungsbuch-zum-TV-Ereignis-Toedliche-Exporte\/Juergen-Graesslin\/e492163.rhd#\\|biblios\">&#8220;Rede da Morte&#8221;<\/a>\u00a0pela editora Heyne.<br \/>\nA obra revela como a HK conseguiu a licen\u00e7a para vender milhares de rifles de assalto G36 para compradores suspeitos em regi\u00f5es de conflito no M\u00e9xico.<br \/>\nA documenta\u00e7\u00e3o envolve funcion\u00e1rios de pelo menos tr\u00eas minist\u00e9rios (Economia, Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa), fora executivos da empresa e servidores de autarquias aduaneiras na Alemanha. <a href=\"http:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Meister_des_Todes\">Laureados com o &#8220;Grimme-Preis&#8221; pelos filmes<\/a> que produziram com base no livro para a televis\u00e3o alem\u00e3 este ano, os autores acabaram processados pela promotoria p\u00fablica de Stuttgart, capital do Estado de Baden-W\u00fcrttenberg, sede da empresa.<br \/>\nA acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de ter revelado segredos de negocia\u00e7\u00f5es comerciais protegidas pela lei. &#8220;\u00c9 uma prova de que a ind\u00fastria de armas hoje est\u00e1 mais poderosa do que nunca&#8221;, avalia Gr\u00e4sslin.<br \/>\nSegundo ele, o poder econ\u00f4mico dessas empresas torna completamente in\u00fatil o aparato de controle do Estado. O jornalista lembra do caso de exporta\u00e7\u00f5es ilegais para a Col\u00f4mbia, protagonizadas pela Sig Sauer e a Carl Walther em 2010.<br \/>\nAt\u00e9 hoje ningu\u00e9m foi responsabilizado, refor\u00e7ando a tradi\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica de encontrar brechas na interpreta\u00e7\u00e3o das leis para justificar delitos. &#8220;N\u00e3o \u00e9 surpresa que armas de \u00fatlima gera\u00e7\u00e3o acabem nas m\u00e3os de paramilitares, milicianos e terroristas&#8221;, conclui J\u00fcrgen Gr\u00e4sslin.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIANO SENNA, de Berlim &#8220;No meio do caos h\u00e1 tamb\u00e9m oportunidade&#8221;, Sun Tzu, A Arte da Guerra Nos tempos de crise \u00e9 que ocorrem as grandes oportunidades. A ideia \u00e9 velha, tem mais de dois mil anos. Vem da era em que Buda, Pit\u00e1goras e Conf\u00facio iluminavam os caminhos humanos na terra. 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