{"id":37913,"date":"2016-08-17T16:19:07","date_gmt":"2016-08-17T19:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=37913"},"modified":"2016-08-17T16:19:07","modified_gmt":"2016-08-17T19:19:07","slug":"problema-da-agua-em-porto-alegre-muito-alem-do-cheiro-e-do-gosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/problema-da-agua-em-porto-alegre-muito-alem-do-cheiro-e-do-gosto\/","title":{"rendered":"Problema da \u00e1gua em Porto Alegre, muito al\u00e9m do cheiro e do gosto"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Fepam suspende empresa de tratamento mas n\u00e3o esclarece o mist\u00e9rio da \u00e1gua que fede<\/em><\/strong><br \/>\nEm maio, a imprensa publicou as primeiras reclama\u00e7\u00f5es de moradores: a \u00e1gua que sa\u00eda das torneiras tinha cheiro e gosto de coisa podre. Numerosas queixas da regi\u00e3o de Navegantes,\u00a0 muitas outras vindas de diferentes bairros. Em poucos dias, chegou \u00e0s manchetes. Era um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nEm agosto, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental suspendeu as atividades da\u00a0Cettraliq, uma empresa que trata \u00e1guas contaminadas de 1.500 ind\u00fastrias, antes de devolv\u00ea-las ao Gua\u00edba. Ela est\u00e1 dois quil\u00f4metros abaixo de\u00a0 um dos pontos de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para abastecer a popula\u00e7\u00e3o. E no seu entorno concentraram-se as reclama\u00e7\u00f5es ante a persist\u00eancia do mau cheiro.<br \/>\nNa regi\u00e3o onde est\u00e1 localizada a Cettraliq, no bairro Navegantes, sente-se um cheiro no ar que \u00e9 identificado com o cheiro da \u00e1gua que sai da torneira.<br \/>\nA empresa foi posta sob suspeita e uma an\u00e1lise de seus efluentes foi feita sem nada de anormal constatar. Um dia depois de receber uma \u201cvisita t\u00e9cnica\u201d com a secret\u00e1ria de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, Ana Pellini, \u00e0 frente, a Cettraliq teve suas atividades suspensas.<br \/>\n<strong>\u201cQue \u00e1gua \u00e9 essa que estamos bebendo?\u201d<\/strong><br \/>\nO gosto e cheiro ruins n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas quest\u00f5es que devem preocupar\u00a0os moradores de Porto Alegre, quando se trata de \u00e1gua.<br \/>\n\u201cN\u00e3o h\u00e1 a garantia de que uma \u00e1gua sem gosto e sem cheiro seja segura para consumo. Muitas vezes a verdadeira contamina\u00e7\u00e3o realmente forte e prejudicial pode n\u00e3o alterar estas caracter\u00edsticas da \u00e1gua\u201d, afirma o engenheiro qu\u00edmico Tiago Centuri\u00e3o, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) da UFRGS.<br \/>\nOutro professor da Universidade, o engenheiro civil Miguel Sattler, p\u00f3s-doutor em\u00a0Ci\u00eancias Ambientais Ligadas \u00e0 Edifica\u00e7\u00e3o afirma que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem\u00a0conhecimento das subst\u00e2ncias que est\u00e1 consumindo. \u201cToda embalagem de\u00a0\u00e1gua mineral t\u00eam a declara\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dessa \u00e1gua, mas tu n\u00e3o\u00a0encontras estas informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1gua de Porto Alegre. N\u00f3s dever\u00edamos\u00a0saber a composi\u00e7\u00e3o. Que \u00e1gua \u00e9 essa que estamos bebendo?\u201d, questiona Sattler.<br \/>\n<strong>Ser pot\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 suficiente<\/strong><br \/>\nQuando o DMAE afirma que a \u00e1gua que sai das torneiras em Porto Alegre \u00e9 boa para beber, est\u00e1 baseado na portaria 2.914 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de 2011, que estabelece uma s\u00e9rie de indicadores para que a \u00e1gua seja considerada pot\u00e1vel.<br \/>\nEntretanto, diante da quantidade de novas subst\u00e2ncias que s\u00e3o sintetizadas\u00a0a cada m\u00eas, o engenheiro qu\u00edmico Tiago Centuri\u00e3o pondera: \u201c\u00c9 praticamente\u00a0imposs\u00edvel uma portaria acompanhar as mudan\u00e7as nos padr\u00f5es\u00a0tecnol\u00f3gicos. Muita coisa evoluiu desde 2011 e uma releitura desta portaria \u00e9 importante\u201d.<br \/>\nAl\u00e9m disso, Centuri\u00e3o afirma que n\u00e3o se pode ignorar as percep\u00e7\u00f5es sensoriais dos\u00a0consumidores. \u201cOs par\u00e2metros est\u00e3o adequados, mas n\u00f3s consumidores percebemos que tem algo errado. Est\u00e1 com cheiro ruim, gosto ruim, dando irrita\u00e7\u00e3o nos olhos e na pele.\u201d<br \/>\n<strong>Cafe\u00edna na \u00e1gua<\/strong><br \/>\nO pesquisador da Unicamp Wilson Jardim, publicou um estudo sobre a presen\u00e7a de contaminantes emergentes na \u00e1gua de diversas capitais brasileiras. O\u00a0pesquisador utiliza a cafe\u00edna como indicador da presen\u00e7a de outras subst\u00e2ncias.<br \/>\nEm seu levantamento, Porto Alegre foi a capital com maior presen\u00e7a de cafe\u00edna na \u00e1gua. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio que se leve em conta o h\u00e1bito cultural do chimarr\u00e3o.<br \/>\nAl\u00e9m deste, outros trabalhos de pesquisa apontam para a presen\u00e7a de outras\u00a0subst\u00e2ncias na \u00e1gua, como anti-inflamat\u00f3rios.<br \/>\nO qu\u00edmico Marcos Henrique Calvete, do DMAE, explica que atualmente j\u00e1 est\u00e1 se\u00a0cogita incluir novas subst\u00e2ncias para serem monitoradas, cafe\u00edna \u00e9 uma delas.<br \/>\nSegundo Calvete, existem tecnologias capazes de remover estas subst\u00e2ncias, por\u00e9m\u00a0o custo \u00e9 elevado. \u201cA cidade tem que avaliar isso. Existem tecnologias, mas s\u00e3o\u00a0tecnologias que t\u00eam um custo, ser\u00e1 que a cidade est\u00e1 disposta a bancar?\u201d, questiona\u00a0Calvete. E conclui: \u201cO tratamento \u00e9 um processo de larga escala e de efici\u00eancia limitada\u201d.<br \/>\n<strong>Tratar o esgoto sai mais barato\u00a0 <\/strong><br \/>\nPara o professor Thiago Centuri\u00e3o, a origem dos problemas est\u00e1 no saneamento, no\u00a0tratamento do efluente. \u201cPara cada real investido em tratamento de esgoto,\u00a0economiza-se cinco reais\u00a0 no tratamento da \u00e1gua. S\u00e3o investimentos historicamente feitos de forma capenga no Brasil\u201d, afirma Centuri\u00e3o.<br \/>\nPorto Alegre hoje trata 66% do seu esgoto antes de despej\u00e1-lo no Gua\u00edba, segundo o DMAE. Apenas\u00a018% era tratado no in\u00edcio de 2014, quando a Prefeitura implementou o PISA (Programa Integrado Socioambiental).<br \/>\n<figure id=\"attachment_37919\" aria-describedby=\"caption-attachment-37919\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-37919\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/esgoto-pousada-figueira-condominio-alvorada-rs-2-300x200.jpg\" alt=\"Para cada real investido em saneamento, economia de cinco reais no tratamento da \u00e1gua \/ Foto O Alvoradense \" width=\"300\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-37919\" class=\"wp-caption-text\">Para cada real investido em saneamento, economia de cinco reais no tratamento da \u00e1gua \/ Foto O Alvoradense<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEntre os componentes preocupantes, est\u00e3o os chamados contaminantes emergentes.\u00a0S\u00e3o subst\u00e2ncias qu\u00edmicas novas, consequentes de h\u00e1bitos humanos de consumo e que s\u00e3o lan\u00e7adas na rede de esgoto, como produtos de limpeza, cosm\u00e9ticos e medicamentos.<br \/>\nCenturi\u00e3o cita um exemplo preocupante, o crescente consumo de anticoncepcionais:\u00a0\u201cS\u00f3 em Porto Alegre podemos estimar 250 mil mulheres que todos os dias expelem\u00a0uma urina altamente com alta concentra\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios anticoncepcionais. E \u00e9\u00a0uma dificuldade enorme constatar isso nas an\u00e1lises convencionais.\u201d<br \/>\nAlguns autores consideram seculares os m\u00e9todos utilizados nas esta\u00e7\u00f5es de\u00a0tratamento de \u00e1gua. O modelo atual estaria mais focado em uma contamina\u00e7\u00e3o\u00a0org\u00e2nica, n\u00e3o incorporando novas tecnologias como oxida\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, osmose\u00a0inversa e ultrafiltragem.<br \/>\nAl\u00e9m disso, entre os afluentes do Gua\u00edba est\u00e3o tr\u00eas dos dez rios mais polu\u00eddos do pa\u00eds,\u00a0segundo levantamento realizado em 2015 pelo IBGE: Sinos, Ca\u00ed e Gravata\u00ed. S\u00e3o rios\u00a0que passam por cidades com despejo de res\u00edduos industriais e onde o n\u00edvel de\u00a0tratamento do esgoto dom\u00e9stico \u00e9 baixo. Outro afluente, o rio Taquari, passa por\u00a0regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, onde pode haver contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua pelo uso\u00a0de agrot\u00f3xicos.<br \/>\n<strong>\u00c1gua do Jacu\u00ed s\u00f3 em 2020<\/strong><br \/>\nA principal medida apresentada pela Prefeitura foi a mudan\u00e7a do ponto de capta\u00e7\u00e3o\u00a0da esta\u00e7\u00e3o S\u00e3o Jo\u00e3o para um ponto no Jacu\u00ed, que apresenta os menores \u00edndices de\u00a0polui\u00e7\u00e3o na bacia do Gua\u00edba.<br \/>\nA obra tem custo estimado de R$ 150 milh\u00f5es e previs\u00e3o de conclus\u00e3o de 30 meses. O projeto n\u00e3o \u00e9 novo, mas n\u00e3o havia sido colocado em pr\u00e1tica em fun\u00e7\u00e3o do custo.<br \/>\nO projeto em fase de licenciamento ambiental junto \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o\u00a0Ambiental (Fepam) consiste na escava\u00e7\u00e3o de um t\u00fanel a 40 metros de profundidade,\u00a0com 1,8 mil metros de comprimento, ligando a Esta\u00e7\u00e3o de Abastecimento de \u00c1gua\u00a0Bruta (Ebab) S\u00e3o Jo\u00e3o\/Moinhos de Vento a um ponto entre o Saco do Ferraz e o Saco\u00a0dos Assombrados, no Jacu\u00ed.<br \/>\nO or\u00e7amento inicial era de R$ 85 milh\u00f5es, mas foi corrigido para R$ 150 milh\u00f5es. Os\u00a0trabalhos devem ser custeados por recursos do DMAE e com financiamentos ainda\u00a0n\u00e3o obtidos. As obras dificilmente come\u00e7ar\u00e3o antes de 2018, em fun\u00e7\u00e3o dos estudos e ajustes. Desta forma, a popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre s\u00f3 consumir\u00e1 \u00e1gua captada no Jacu\u00ed em 2020.<br \/>\nPara o professor Centuri\u00e3o, a estrat\u00e9gia faz sentido como medida emergencial, mas\u00a0n\u00e3o diminui a import\u00e2ncia do tratamento dos efluentes antes do despejo. \u00a0\u201cSe n\u00e3o\u00a0cuidarmos do Jacu\u00ed, ele vai se tornar cada vez mais polu\u00eddo e essa mudan\u00e7a vai\u00a0acabar n\u00e3o adiantando nada.\u201d<br \/>\n<strong>H\u00e1 quase duzentos anos&#8230;<\/strong><br \/>\nAuguste de Saint Hilaire, s\u00e1bio franc\u00eas, passou seis dias em Porto Alegre, a caminho de Montevid\u00e9u, em 1820.\u00a0 Ele percebeu j\u00e1 naquele tempo a gravidade da quest\u00e3o do saneamento na cidade. Alguns trechos de seu di\u00e1rio:<br \/>\n\u201cEsta cidade fundada h\u00e1 50 anos, mais ou menos, j\u00e1 conta com uma popula\u00e7\u00e3o de 10 a 12 mil almas. (&#8230;) Pode ser considerada o principal emp\u00f3rio da capitania\u201d<br \/>\n\u201cPoucas casas possuem jardins e muitas n\u00e3o t\u00eam nem mesmo p\u00e1tio, redundando isso no grave inconveniente de serem atiradas \u00e0 rua todas as imund\u00edcies, tornando-as uma extrema sujeira\u201d<br \/>\n\u201cAs encruzilhadas, os terrenos baldios e principalmente as margens do lago s\u00e3o entulhadas de lixo\u201d.<br \/>\n\u201cApesar de ser o lago o \u00fanico manancial de \u00e1gua pot\u00e1vel, utilizado pela popula\u00e7\u00e3o, consentem que se fa\u00e7a nele o despejo das resid\u00eancias\u201d.<br \/>\n<strong>Empresa diz que tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima<\/strong><br \/>\n\u201cA decis\u00e3o foi recebida com surpresa\u201d, disse a empresa em nota oficial. Segundo ela, na visita t\u00e9cnica, do dia anterior, \u201cforam sugeridas melhorias e prazos para adequa\u00e7\u00e3o do processo de tratamento\u201d.<br \/>\nEm julho, a Fepam j\u00e1 havia determinado adequa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEstiveram na empresa, al\u00e9m da Secret\u00e1ria de Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Estado, Ana Pellini, fiscais da Fepam, liderados pelo engenheiro M\u00e1rio Soares, chefe da divis\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, e Renato Chagas, da divis\u00e3o de controle de polui\u00e7\u00e3o industrial, al\u00e9m do professor da UFRGS, Ant\u00f4nio Bennet, e da t\u00e9cnica da Corsan, Cristina Costa.<br \/>\nDiz ainda a nota da Cettraliq:<br \/>\n\u201cA comitiva conheceu toda a tecnologia empregada no tratamento de efluentes de terceiros, de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas e o destino dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados, e reconheceu, na ocasi\u00e3o, que os odores e gosto da \u00e1gua de Porto Alegre n\u00e3o s\u00e3o proveniente da empresa\u201d.<br \/>\nA empresa informa que \u201cno per\u00edodo de 51 dias \u00fateis foram realizadas 21 vistorias, o que equivale a uma vistora a cada 2,4 dias\u201d.<br \/>\n\u201cAo todo foram sete coletas de aproximadamente 20 amostras em diversas etapas do sistema de tratamento dos efluentes, inclusive o uso de equipamento tipo Scanner para identifica\u00e7\u00e3o de tubula\u00e7\u00f5es e canaliza\u00e7\u00f5es enterradas no solo\u201d.<br \/>\n\u201cO efluente tratado n\u00e3o apresentou nenhum par\u00e2metro fora dos padr\u00f5es exigidos em sua Licen\u00e7a de Opera\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o vigente\u201d.<br \/>\n\u201cA Cettraliq prop\u00f4s o uso do processo de desinfec\u00e7\u00e3o do efluente tratado, atrav\u00e9s da tecnologia de Oz\u00f4nio antes do lan\u00e7amento na rede p\u00fablica e providenciou a an\u00e1lise de bact\u00e9rias Actinomicetos no seu efluente tratado nos laborat\u00f3rios Umwelt Biotecnologia Ambiental, Laborat\u00f3rio M\u00e9rieux (Bioagri), em S\u00e3o Paulo e Laborat\u00f3rio Green Lab, de Porto Alegre\u201d.<br \/>\n\u201cA empresa libera 150m\u00b3\/dia de efluentes tratados, volume equivalente a 1 litro\/segundo, para vaz\u00e3o de 1 milh\u00e3o de litros\/segundo do rio Gua\u00edba. Atua com 40 funcion\u00e1rios al\u00e9m de consultores terceirizados\u201d.<br \/>\n\u201cA Cettraliq torna p\u00fablico sua contribui\u00e7\u00e3o, de todas as formas poss\u00edveis, na busca para identificar as prov\u00e1veis causas do gosto e sabor da \u00e1gua de abastecimento, tratada pelo DMAE, pois a empresa, tal qual a popula\u00e7\u00e3o de Porto alegre, tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima deste problema\u201d.<br \/>\nRecentemente, o DMAE (Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgoto) chegou admitir\u00a0que talvez nunca venha a descobrir qual o agente causador destas mudan\u00e7as e,\u00a0consequentemente, se ele oferece algum risco \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA Fepam encomendou an\u00e1lise de um laborat\u00f3rio de S\u00e3o Paulo. O relat\u00f3rio foi inconclusivo, n\u00e3o conseguiu detectar o que estava causando as altera\u00e7\u00f5es. Ainda assim, o DMAE seguiu afirmando que a \u00e1gua fornecida por ele \u00e9 perfeitamente pot\u00e1vel, sem oferecer qualquer risco \u00e0 sa\u00fade.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fepam suspende empresa de tratamento mas n\u00e3o esclarece o mist\u00e9rio da \u00e1gua que fede Em maio, a imprensa publicou as primeiras reclama\u00e7\u00f5es de moradores: a \u00e1gua que sa\u00eda das torneiras tinha cheiro e gosto de coisa podre. Numerosas queixas da regi\u00e3o de Navegantes,\u00a0 muitas outras vindas de diferentes bairros. Em poucos dias, chegou \u00e0s manchetes. 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