{"id":37975,"date":"2016-08-19T20:54:59","date_gmt":"2016-08-19T23:54:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=37975"},"modified":"2016-08-19T20:54:59","modified_gmt":"2016-08-19T23:54:59","slug":"revolucao-farroupilha-lancamento-reconta-a-vida-do-bento-maldito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/revolucao-farroupilha-lancamento-reconta-a-vida-do-bento-maldito\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha: lan\u00e7amento reconta a vida do Bento maldito"},"content":{"rendered":"<p><strong>GERALDO HASSE<\/strong><br \/>\nAo longo dos seus 72 anos de vida (1783-1855), Bento Manuel Ribeiro foi pe\u00e3o, soldado e fazendeiro, mas ficou na Hist\u00f3ria como \u201co Bento traidor\u201d, aquele que mudou de lado quatro vezes durante a Guerra dos Farrapos (1835-1845). Come\u00e7ou como oficial revolucion\u00e1rio e terminou como marechal do imp\u00e9rio e consultor de Caxias, o Pacificador.<br \/>\nUma das figuras mais fascinantes da hist\u00f3ria riograndense, o \u201coutro Bento\u201d inspirou artigos, teses, romances e biografias \u2013 a \u00faltima e mais alentada foi publicada em 1937 pelo jornalista ga\u00facho Olintho Sanmartin \u2013, mas sua identidade controversa nunca apareceu t\u00e3o por inteiro como no livro <em>Bento Manuel Ribeiro, o Caudilho Maldito <\/em>(Martins Livreiro, 2016), do jornalista Euclides Torres, um dos melhores vaqueanos da historiografia riograndense.<br \/>\n<figure id=\"attachment_38005\" aria-describedby=\"caption-attachment-38005\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-38005 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Torres-gazeta-de-a\u00e7pava-200x216.jpg\" alt=\"Euclides Torres, na Feira do Livro de Ca\u00e7apava do Sul, sua terra natal \/ Foto Gazeta de Ca\u00e7apava\" width=\"200\" height=\"216\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-38005\" class=\"wp-caption-text\">Euclides Torres pesquisou o personagem por cinco anos \/ Foto Gazeta de Ca\u00e7apava<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAutor de <em>A Patrulha de Sete Jo\u00e3o<\/em> (2005) e <em>Farrapos &amp; Sabinos<\/em> (2011), ambos publicados por J\u00c1 Editores, Torres promete aut\u00f3grafos na Feira do Livro, em novembro pr\u00f3ximo, se lhe sobrarem exemplares da primeira edi\u00e7\u00e3o (312 p\u00e1ginas) que compartilhou com a Martins Livreiro, especializada em literatura riograndense, com loja na Rua Riachuelo em Porto Alegre, onde pode ser comprado por R$ 50.<br \/>\nEstabelecido em Ca\u00e7apava do Sul, sua terra natal, Torres capinou no assunto por cinco anos. Contando com o apoio do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul, do qual \u00e9 membro, ele fez uma releitura instigante da persona mais controversa da Rep\u00fablica Riograndense.<br \/>\nCom pref\u00e1cio de Cesar Pires Machado e capa de Ronie Prado com ilustra\u00e7\u00e3o de Enio Squeff, o livro tem dez cap\u00edtulos e conta como o filho de tropeiro de Sorocaba chegou ao Sul, crian\u00e7a ainda, e se internou como auxiliar de servi\u00e7os numa fazenda em S\u00e3o Sep\u00e9, onde aprendeu a cavalgar, obedecer e mandar.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-38007 alignleft\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Bento-Manoel2-210x300.jpg\" alt=\"Bento Manoel2\" width=\"210\" height=\"300\" \/>De pe\u00e3o a miliciano, o aprendiz de caudilho envolveu-se em miss\u00f5es civis e militares que o ajudaram a se tornar criador de gado \u2013 teve fazendas de Alegrete e Quara\u00ed \u2013 neste munic\u00edpio foi propriet\u00e1rio da hist\u00f3rica Fazenda do Jarau, sede da caverna lend\u00e1ria.<br \/>\nAl\u00e9m de estancieiro, foi guerreiro engenhoso, capaz de enganar os advers\u00e1rios e ludibriar at\u00e9 os seus chefes. \u00c9 a\u00ed que Torres lava a \u00e9gua, divertindo-se ao narrar as perip\u00e9cias guerreiras e jogadas pol\u00edticas do velhaco em Sarandi, no Uruguai (foi um dos poucos que escaparam de uma grande derrota), Passo do Ros\u00e1rio (manteve-se longe da batalha comandada pelo Marqu\u00eas de Barbacena), na ilha do Fanfa (onde aprisionou o tocaio Bento Gon\u00e7alves) e no genial epis\u00f3dio em que, \u201cperseguido\u201d pelo presidente da prov\u00edncia Antero de Brito, atraiu-o para uma cilada na porteira de sua fazenda entre Ros\u00e1rio e Alegrete.<br \/>\n\u00c0 medida que crescia sua fama como chefe militar, aumentavam as evid\u00eancias de que Bento Manuel entrava nas guerras para aumentar seus cabedais. Ele aparece ent\u00e3o nitidamente como um sagaz e ambicioso negociante que faz o poss\u00edvel para ganhar poder e dinheiro, usando como desculpa a necessidade de &#8220;ajudar familiares e amigos&#8221;.<br \/>\nNo fim da sua vida, ningu\u00e9m confiava nele. Quando morreu aos 72 anos, era um dos homens mais ricos da prov\u00edncia, embora n\u00e3o se saiba precisamente quantas sesmarias possu\u00eda, quantas cabe\u00e7as de gado tinha e quantos pe\u00f5es empregava&#8230;Oficialmente, teve 11 filhos mas deixou afilhados, agregados, amigos, inimigos e admiradores.<br \/>\nPe\u00e3o-militar semianalfabeto, Bento Manuel virou um ser t\u00e3o poderoso que, no final da vida, contou com a ajuda do filho advogado, que escrevia cartas rebuscadas para o pai assinar. A\u00ed est\u00e1 uma das melhores contribui\u00e7\u00f5es do livro: Torres descobriu que a influ\u00eancia pol\u00edtica de Bento Manuel estendeu-se pelo menos at\u00e9 1920, incluindo pugilatos eleitorais. Um descendente do caudilho maldito foi assassinado dentro da igreja de S\u00e3o Borja onde se escondera com uma urna cheia de votos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Ao longo dos seus 72 anos de vida (1783-1855), Bento Manuel Ribeiro foi pe\u00e3o, soldado e fazendeiro, mas ficou na Hist\u00f3ria como \u201co Bento traidor\u201d, aquele que mudou de lado quatro vezes durante a Guerra dos Farrapos (1835-1845). 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