{"id":384,"date":"2005-07-11T14:44:03","date_gmt":"2005-07-11T17:44:03","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=384"},"modified":"2005-07-11T14:44:03","modified_gmt":"2005-07-11T17:44:03","slug":"movimento-ambientalista-gaucho-volta-as-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/movimento-ambientalista-gaucho-volta-as-ruas\/","title":{"rendered":"Movimento ambientalista ga\u00facho volta \u00e0s ruas"},"content":{"rendered":"<p>Aquecimento global, desmatamento da Amaz\u00f4nia, aprova\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Barra Grande, fim do Pr\u00f3-Gua\u00edba, parques estaduais em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o desordenada dos morros de Porto Alegre, legisla\u00e7\u00e3o ambiental tratada como empecilho ao progresso.<br \/>\nPor esses e outros motivos, cerca de 200 pessoas entre ambientalistas, estudantes universit\u00e1rios, artistas e simpatizantes \u00e0 defesa da natureza se reuniram na manh\u00e3 do s\u00e1bado, 4 de junho, v\u00e9spera do Dia do Meio Ambiente. \u201cNada a comemorar\u201d foi o tema da passeata, que saiu do Monumento ao Expedicion\u00e1rio, na Reden\u00e7\u00e3o, percorreu o Caminho dos Parques e chegou at\u00e9 o Parc\u00e3o.<br \/>\nPode-se dizer que foi um momento marcante para o movimento ecologista ga\u00facho, pois trouxe de volta a manifesta\u00e7\u00e3o de rua, coisa que n\u00e3o acontecia desde o final da d\u00e9cada de 80, pelo menos nessas propor\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOutro destaque. A apresenta\u00e7\u00e3o de uma milit\u00e2ncia renovada \u2013 90% dos integrantes da marcha eram jovens. Com tambores, apitos, interven\u00e7\u00f5es teatrais, palavras de ordem e cartazes, o grupo parecia um bloco da marcha de abertura do F\u00f3rum Social Mundial.<br \/>\nE era saudado pela popula\u00e7\u00e3o nas ruas do Bom Fim, Rio Branco e Moinhos de Vento. Alguns poucos motoristas chiaram pela breve interrup\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito das avenidas Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e Osvaldo Aranha, mas n\u00e3o houve incidentes.<br \/>\nO evento foi organizado pelo Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (InGa), coordenado pelo bi\u00f3logo Rodrigo Cambar\u00e1 Printes, 33. Ele \u00e9 remanescente da fase \u00e1urea do movimento ambientalista, quando as ONGs estavam sempre nos jornais com protestos e propostas.<br \/>\n\u201cJ\u00e1 estava na hora de resgatar isso. Os ecologistas n\u00e3o podem restringir o trabalho \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos conselhos de meio ambiente que n\u00e3o decidem nada!\u201d, radicalizou. Depois emendou. \u201cClaro, tem que estar presente, at\u00e9 porque a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 feita nesses f\u00f3runs\u201d.<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas tradicionais, como Agapan e N\u00facleo Amigos da Terra apoiaram a iniciativa. Militantes mais experientes ficaram satisfeitos. Caso de Arno Kayser, 44. \u201cA \u00faltima grande manifesta\u00e7\u00e3o que eu me lembro foi o abra\u00e7o ao Gua\u00edba, no final da d\u00e9cada de 80. \u00c9 \u00f3timo que estes bons tempos estejam de volta. Fico feliz porque vi filhos de colegas ambientalistas que conheci crian\u00e7as e agora est\u00e3o aqui\u201d, comemorou.<br \/>\nA presidente da Agapan, Edi Fonseca, concordou que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o acontecia uma a\u00e7\u00e3o como esta. \u201cEssa renova\u00e7\u00e3o do movimento \u00e9 muito positiva. E o protesto demonstra, ao mesmo tempo, que muita coisa vai mal na quest\u00e3o do meio ambiente\u201d, apontou.<br \/>\nA jornalista Lillian Dreyer, autora da biografia de Jos\u00e9 Lutzenberger, caminhava e usava seu apito. Considera que demorou tempo demais para esta retomada de manifesta\u00e7\u00e3o. O engenheiro Jos\u00e9 Vilhena, 50, ex-militante do PV, tamb\u00e9m se encantou com o protesto. \u201c\u00c9 um movimento \u00e9tico, que busca a melhoria da sociedade, carente de uma pol\u00edtica ambiental\u201d.<br \/>\n&#8220;O esgoto venceu, Pr\u00f3-Gua\u00edba morreu&#8221;<br \/>\n<strong>Lara Ely<\/strong><br \/>\nO descaso com o Lago Gua\u00edba foi tema do queixume generalizado na marcha do movimento ambientalista. A estudante de Biologia da UFRGS, Luisa Lokchain, 23, levava o primeiro cartaz, que dizia \u201cNada a Comemorar\u201d. \u2014 Mas o que quer dizer isso?<br \/>\n\u201c\u00c9 uma lamenta\u00e7\u00e3o a todo o contexto ambiental. Em Porto Alegre, al\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o dos morros, destaco a polui\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba como problema principal\u201d, explica. Cartazes tratavam do assunto. No burburinho constante, reclama\u00e7\u00f5es sobre o fim do Pr\u00f3-Gua\u00edba. At\u00e9 que, no meio da avenida Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, o grito explodiu e logo ganhou for\u00e7a: \u201cO esgoto venceu! \/ Pr\u00f3-Gua\u00edba morreu!\u201d, cantavam os participantes.<br \/>\nMais faixas de protesto: \u201cAbaixo pinus e eucaliptus\u201d; \u201cHidrel\u00e9tricas com processos fraudulentos\u201d. Mais palavras de ordem: \u201cFraude! \/ Crime! \/ Descaso Social! \/ N\u00e3o vamos deixar afogar o pinheiral!\u201d. Outros cartazes: \u201cOcupa\u00e7\u00e3o imoral dos morros em Porto Alegre\u201d. Mais grita: \u201cNo Brasil! \/ Corrup\u00e7\u00e3o! \/ A natureza em extin\u00e7\u00e3o!\u201d.<br \/>\n<strong>Servidores da Sema refor\u00e7am protesto<\/strong><br \/>\nDepois do protesto na posse de Mauro Sparta, executivo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), no final de 2004, os funcion\u00e1rios do \u00f3rg\u00e3o voltaram a se manifestar. Desta vez, os t\u00e9cnicos-cient\u00edficos est\u00e3o respaldados por trabalhadores da Fepam e da Funda\u00e7\u00e3o ZooBot\u00e2nica, que tamb\u00e9m assinam o manifesto \u201cAtual gest\u00e3o ambiental faz mal \u00e0 sa\u00fade do meio ambiente\u201d. Panfletos foram distribu\u00eddos para chamar sobre a falta de import\u00e2ncia dada aos \u00f3rg\u00e3os ambientais, transformados em \u201cescada pol\u00edtica\u201d (J\u00c1 Porto Alegre, junho 2005). O grupo tamb\u00e9m denuncia o sucateamento da infra-estrutura, sal\u00e1rios atrasados, falta de continuidade e de transpar\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<br \/>\n\u201cA Sema est\u00e1 reduzida ao papel de viabilizar o crescimento econ\u00f4mico. A realiza\u00e7\u00e3o de um concurso p\u00fablico \u00e9 urgente. A falta de pessoal concursado foi preenchida com indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas &#8211; cargos de confian\u00e7a, estagi\u00e1rios ou pessoal terceirizado\u201d, diz o texto. O projeto de desenvolvimento do Governo Rigotto tamb\u00e9m foi atacado, o que inclui a quest\u00e3o dos transg\u00eanicos e os plantios florestais previstos para a Metade Sul. A universit\u00e1ria Anna Milanes explicava, durante o protesto, como as planta\u00e7\u00f5es de pinus v\u00e3o acabar com a biodiversidade local.<br \/>\nSobrou at\u00e9 para Lula, atacado quando o assunto era Amaz\u00f4nia e energia nuclear. \u201cQuem destr\u00f3i nosso futuro por aqui \/ Governo Lula avan\u00e7ando e o FMI\u201d, puxava Olinto Ramos Filho, um dos integrantes mais experientes da marcha.<br \/>\n<strong>Artistas fizeram performances ao longo da passeata<\/strong><br \/>\nAo som de flauta e tambores, rodeado de pessoas vestidas em verde e preto, envolto em faixas de protesto. Assim morreu Ulisses, personagem simb\u00f3lico criado pelos ambientalistas, que foi enterrado no Parc\u00e3o. Ele \u00e9 o prot\u00f3tipo do cidad\u00e3o moderno que vive na Capital e sofre as conseq\u00fc\u00eancias dos danos causados ao meio ambiente. Morava no Centro, fumava cigarro, comia alimentos transg\u00eanicos e com agrot\u00f3xicos, tomava caf\u00e9 em copo de pl\u00e1stico, respirava a fuma\u00e7a da Borregard e morreu cansado de esperar uma pol\u00edtica p\u00fablica eficiente para o meio ambiente. Essas foram as raz\u00f5es dadas pelo p\u00fablico para a morte de Ulisses.<br \/>\n<strong>Julinho tamb\u00e9m participou<\/strong><br \/>\nOutra novidade na passeata. O movimento ecol\u00f3gico do tradicional Col\u00e9gio J\u00falio de Castilhos, criado na d\u00e9cada de 70, foi reaberto em 2005 por alunos do 3\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio. Depois de anos inativo, o grupo Kaa-Et\u00e9 voltou com for\u00e7a \u2013 j\u00e1 re\u00fane dezenas de estudantes engajados.<br \/>\nDois deles carregaram uma das faixas na Passeata \u201cNada a Comemorar\u201d, na v\u00e9spera do Dia do Meio Ambiente. Leandro Silva, 20, e Carolina Bulh\u00f5es, 16, protestaram contra o descaso com a natureza.<br \/>\n<strong>Z\u00e9 da Terreira animou a passeata<\/strong><br \/>\nLogo no in\u00edcio da marcha, o artista Z\u00e9 da Terreira, 59, empunhou o microfone no meio da avenida Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e literalmente parou o tr\u00e2nsito. \u201cAbaixo os autom\u00f3veis! Abaixo os atum\u00f3veis que poluem a cidade. A cidade tem que ser planejada tamb\u00e9m para o pedestre!\u201d, dizia. E justificou: \u201cTemos que mudar nossa rota para que eles passem diariamente. Hoje eles que esperem nossa passagem\u201d, sugeriu, em meio a aplausos entusiasmados.<br \/>\nJos\u00e9 Carlos Peixoto \u2013 vulgo Z\u00e9 \u2013 animou a passeata. Lia o que diziam os cartazes e fazia prega\u00e7\u00f5es, no seu discurso antropoecol\u00f3gico, isto \u00e9, humanista e em defesa da natureza. \u201cEstou puto com a cidade cheia de grades, com os rotweilers nas ruas, com o Gua\u00edba polu\u00eddo\u201d, desabafa. \u201cTenho que viajar para tomar banho em uma lagoa. Enquanto isso, nosso lago est\u00e1 a\u00ed, entregue ao esgoto\u201d, protestou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aquecimento global, desmatamento da Amaz\u00f4nia, aprova\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Barra Grande, fim do Pr\u00f3-Gua\u00edba, parques estaduais em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o desordenada dos morros de Porto Alegre, legisla\u00e7\u00e3o ambiental tratada como empecilho ao progresso. Por esses e outros motivos, cerca de 200 pessoas entre ambientalistas, estudantes universit\u00e1rios, artistas e simpatizantes \u00e0 defesa da natureza [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":384,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-6c","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}