{"id":387,"date":"2005-07-13T14:48:13","date_gmt":"2005-07-13T17:48:13","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=387"},"modified":"2005-07-13T14:48:13","modified_gmt":"2005-07-13T17:48:13","slug":"jornalista-absolvido-jornal-condenado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/jornalista-absolvido-jornal-condenado\/","title":{"rendered":"Jornalista absolvido, jornal condenado"},"content":{"rendered":"<p>A reportagem \u201cO caso Rigotto \u2013 Um golpe de US$ 65 milh\u00f5es e duas mortes n\u00e3o esclarecidas\u201d, publicada no Jornal J\u00e1 em maio de 2001, j\u00e1 fora examinada pela Justi\u00e7a, nos autos de uma a\u00e7\u00e3o criminal proposta por Julieta Rigotto, m\u00e3e do governador ga\u00facho Germano Rigotto.<br \/>\nEm primeira inst\u00e2ncia, a ju\u00edza Isabel Rocha julgou improcedente a acusa\u00e7\u00e3o contra o autor (Elmar Bones) de cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria \u00e0 mem\u00f3ria de Lindomar Rigotto, irm\u00e3o do governador e personagem central da reportagem.<br \/>\nEm dezembro de 2003, a apela\u00e7\u00e3o de dona Julieta \u00e0 5\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJ-RS foi derrotada por voto un\u00e2nime de sete desembargadores. Eles consideraram que \u201cem nenhum momento o texto estava contaminado pela inverdade\u201d, acrescentando que \u201cexiste inquestion\u00e1vel interesse p\u00fablico\u201d&#8230;e que (na reportagem) \u201crevela-se a clara inten\u00e7\u00e3o de narrar fatos&#8230;sem descer \u00e0s raias do insulto e da ofensa \u00e0 honra do falecido\u201d.<br \/>\nO caso parecia encerrado. Mas, n\u00e3o satisfeita, dona Julieta foi \u00e0 Vara C\u00edvel contra o Jornal J\u00e1, pedindo indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. Em primeira inst\u00e2ncia nova absolvi\u00e7\u00e3o. Entretanto, em recurso, o juiz Giovani Conti condenou o jornal \u2013 e n\u00e3o Bones, o autor da mat\u00e9ria.<br \/>\n<strong>Reportagem pol\u00eamica e premiada<\/strong><br \/>\nA mat\u00e9ria que deu origem aos processos foi premiada pela Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa em 2001. Ela tra\u00e7a um perfil do empres\u00e1rio Lindomar Rigotto, assassinado com um tiro na manh\u00e3 de Quarta-Feira de Cinzas do Carnaval de 2001, durante persegui\u00e7\u00e3o a quatro homens que tinham assaltado uma de suas boates, na praia de Atl\u00e2ntida.<br \/>\nQuando morreu Lindomar estava com todos os seus bens indispon\u00edveis por causa de um processo sobre desvio de verbas p\u00fablicas. Em dezembro, ele fora tamb\u00e9m indiciado pela morte de uma prostituta de 24 anos \u2013 ela caiu, nua, da janela do ap\u00ea dele na rua Duque de Caxias, no centro de Porto Alegre, em circunst\u00e2ncias nunca esclarecidas. Com a morte dele, o caso foi encerrado.<br \/>\nOs problemas de Rigotto com a Justi\u00e7a come\u00e7aram em mar\u00e7o de 1987. Ele assumiu o cargo de \u201cassistente da diretoria financeira\u201d da Companhia Estadual de Energia El\u00e9trica (CEEE), indicado pelo irm\u00e3o Germano, \u00e0 \u00e9poca l\u00edder do governo Pedro Simon na Assembl\u00e9ia Legislativa.<br \/>\nSegundo depoimento de Alcides Saldanha, ent\u00e3o secret\u00e1rio de Minas e Energia, em CPI da Assembl\u00e9ia ga\u00facha, \u201chouve resist\u00eancia \u00e0 indica\u00e7\u00e3o do nome, mas o irm\u00e3o exigiu a nomea\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nO assessor se tornou um gerente de fato da CEEE. Negociou dois contratos da estatal no valor de 145 milh\u00f5es de d\u00f3lares com dois cons\u00f3rcios de 11 empresas, para constru\u00e7\u00e3o de onze subesta\u00e7\u00f5es de energia.<br \/>\nNo final do mesmo ano apareceram ind\u00edcios de irregularidades nos contratos. No ano seguinte, Dilma Rousseff, hoje na Casa Civil de Lula, assumiu a secretaria de Minas e abriu sindic\u00e2ncia, comprovando as irregularidades. Auditores conclu\u00edram que a CEEE fora lesada em 65,9 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<br \/>\nSomente em maio de 1995 a oposi\u00e7\u00e3o conseguiu assinaturas para abrir uma CPI \u2013 a esta altura Lindomar Rigotto n\u00e3o estava mais no governo. Estava dono da rede de casas noturnas Ibiza.<br \/>\nA CPI durou ano e meio e concluiu que houve \u201cpr\u00e1tica de enriquecimento il\u00edcito por parte de Lindomar Rigotto\u201d. O sigilo banc\u00e1rio dele foi quebrado e encontrados em sua conta valores de fonte n\u00e3o esclarecida. As 11 empresas do cons\u00f3rcio foram condenadas \u201cpor conluio para lesar os cofres p\u00fablicos\u201d.<br \/>\nAinda na CPI, outro implicado, o diretor da CEEE Silvino Marcon, revelou que parte do dinheiro flagrado em sua conta era proveniente de \u201csobras de campanha\u201d, indicando que o desvio fora usado em campanhas do PMDB \u2013 a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o identificou os benefici\u00e1rios do desvio.<br \/>\nOs contratos foram suspensos em dezembro de 1994, depois que a CEEE j\u00e1 tinha pago aos cons\u00f3rcios 141 milh\u00f5es de d\u00f3lares, sendo 42 milh\u00f5es por superfaturamento e avalia\u00e7\u00e3o indevida da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<br \/>\nA CPI concluiu que Lindomar Rigotto fora o \u201cverdadeiro gerente das negocia\u00e7\u00f5es dos dois cons\u00f3rcios\u201d. O caso foi \u00e0 2\u00aa vara da Fazenda P\u00fablica em abril de 1999 \u2013 onde corre at\u00e9 hoje, em segredo de justi\u00e7a.<br \/>\n<strong>Nua no p\u00e1tio<\/strong><br \/>\nNa ter\u00e7a-feira 29 de setembro de 1998 um corpo de mulher foi encontrado no p\u00e1tio do edif\u00edcio Solar Meridien, na rua Duque de Caxias. Ela ca\u00edra do apartamento de Lindomar Rigotto, do nono andar.<br \/>\nO empres\u00e1rio foi visto pelos porteiros saindo do pr\u00e9dio na hora da morte. No dia seguinte um advogado dele compareceu \u00e0 pol\u00edcia para comunicar o suic\u00eddio da mulher, Andr\u00e9a Viviane Catarina, uma garota de programa.<br \/>\nUm informante an\u00f4nimo disse \u00e0 pol\u00edcia que ela tinha sido jogada da ap\u00ea pelo empres\u00e1rio. Uma testemunha disse que viu Lindomar na janela no momento da queda. Ele foi indiciado \u2013 mas com sua pr\u00f3pria morte o caso foi encerrado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reportagem \u201cO caso Rigotto \u2013 Um golpe de US$ 65 milh\u00f5es e duas mortes n\u00e3o esclarecidas\u201d, publicada no Jornal J\u00e1 em maio de 2001, j\u00e1 fora examinada pela Justi\u00e7a, nos autos de uma a\u00e7\u00e3o criminal proposta por Julieta Rigotto, m\u00e3e do governador ga\u00facho Germano Rigotto. 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