{"id":38802,"date":"2016-09-07T18:12:41","date_gmt":"2016-09-07T21:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=38802"},"modified":"2016-09-07T18:12:41","modified_gmt":"2016-09-07T21:12:41","slug":"requiao-propoe-deficit-produtivo-para-melhorar-economia-e-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/requiao-propoe-deficit-produtivo-para-melhorar-economia-e-emprego\/","title":{"rendered":"Requi\u00e3o prop\u00f5e &quot;deficit produtivo&quot; para melhorar economia e emprego"},"content":{"rendered":"<p>Em artigo postado nas redes sociais, o senador Roberto Requi\u00e3o apresenta uma plataforma de candidato em que o ponto principal \u00e9 uma mudan\u00e7a radical na pol\u00edtica fiscal do pa\u00eds.<br \/>\nEm vez do ajuste, com corte nos gastos do governo, proposto pelo governo Temer e por todas as receitas neoliberais, Requi\u00e3o filia-se \u00e0 escola keynesiana e prop\u00f5e uma expans\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos para estimular a economia e retomar o emprego.<br \/>\nA d\u00edvida aumentaria, mas o crescimento da economia no momento seguinte compensaria. O ajuste, como est\u00e1 proposto, s\u00f3 vai penalizar os mais pobres, aumentar o desemprego, segundo o senador paranaense, dissidente do PMDB, \u00fanico que se manteve na defesa de Dilma Rousseff.<br \/>\n&#8220;Com <em>d\u00e9ficits produtivos, <\/em>diz el<em>e,<\/em> poder\u00edamos a curto prazo recuperar o emprego, o investimento e o crescimento econ\u00f4mico. Basta coragem para confrontar a ortodoxia com seus slogans de suposta responsabilidade fiscal&#8221;.<br \/>\nSem chance de ser candidato por seu partido, Requi\u00e3o ter\u00e1 que buscar nova sigla para levar adiante seu projeto para 2018, que pode ter o apoio do PT se Lula ficar inviabilizado.<br \/>\nEm seu longo artigo, o senador faz uma an\u00e1lise da conjuntura mundial e da Am\u00e9rica Latina, onde os ventos do neoliberalismo vem derrubando governos populares. Eis a \u00edntegra:<br \/>\n&#8220;O cen\u00e1rio internacional no qual se movem nossas economias e nossas pol\u00edticas, abrangendo igualmente a Am\u00e9rica Latina e a Europa Ocidental, est\u00e1 dominado por nuvens excepcionalmente densas de amea\u00e7as com raros precedentes na Hist\u00f3ria.<br \/>\nEsse cen\u00e1rio tende a afastar ainda mais as possibilidades de retomada do desenvolvimento econ\u00f4mico em grande parte do mundo, pondo em risco, por outro lado, a pr\u00f3pria a paz mundial.<br \/>\nDevemos, como pol\u00edticos, assumir a responsabilidade pelas ra\u00edzes dessa crise e pelo imperativo inadi\u00e1vel de buscar sa\u00eddas. Do contr\u00e1rio todos, e sobretudo os pobres, ser\u00e3o submetidos a sofrimentos ainda maiores do que os que lhes tem sido impostos.<br \/>\nO Brasil, como sabem, passou por uma experi\u00eancia pol\u00edtica dram\u00e1tica, com o afastamento de uma Presidenta sem que ficasse provado qualquer crime de responsabilidade por parte dela, pr\u00e9-requisito de impeachment segundo nossa Constitui\u00e7\u00e3o. Entretanto, n\u00e3o me alongarei aqui a respeito dessa quest\u00e3o pol\u00edtica interna, ainda em pleno desdobramento.<br \/>\nAcontece que a crise brasileira deve ser vista no contexto de crises similares em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina onde, por artif\u00edcios diversos, presidentes democraticamente eleitos foram apeados do poder. N\u00e3o deve ser surpresa que todos esses presidentes afastados fossem do campo progressista. N\u00e3o \u00e9 surpresa que todos, sem exce\u00e7\u00e3o, tentaram evitar se submeterem \u00e0s regras expl\u00edcitas do neoliberalismo, como \u00e9 o caso da privatiza\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos em larga escala.<br \/>\nA crise pela qual passam Am\u00e9rica Latina e Europa Ocidental tem uma dupla origem:<br \/>\n(1) a derrocada pr\u00e1tica e da credibilidade do capitalismo neoliberal a partir de 2008, do qual a maioria dos pa\u00edses ocidentais n\u00e3o se livrou, e<br \/>\n(2) a insist\u00eancia com que a maioria dos pa\u00edses desenvolvidos insistem em salvar o neoliberalismo na marra pela imposi\u00e7\u00e3o do credo neoliberal a si mesmos e a outros Estados mais fragilizados economicamente.<br \/>\n\u00c9 preciso ressaltar, a esse respeito, que o Governo norte-americano n\u00e3o tomou o veneno que receitou, atrav\u00e9s do FMI, do Banco Mundial, do BID e da OCDE, tanto para as na\u00e7\u00f5es europeias quanto para as nossas na\u00e7\u00f5es sul-americanas.<br \/>\nAdotaram, sim, uma pol\u00edtica tipicamente keynesiana no campo fiscal e monet\u00e1rio, com d\u00e9ficit de 1,4 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2009, 1,3 trilh\u00e3o em 2010, 1,2 trilh\u00e3o em 2011, 1,1 trilh\u00e3o em 2012, 1,0 trilh\u00e3o em 2013. S\u00f3 a partir de 2014 o d\u00e9ficit ficou abaixo da casa do trilh\u00e3o de d\u00f3lares, assim mesmo em n\u00edvel elevado. Como resultado os Estados Unidos recuperaram algum crescimento, embora n\u00e3o muito grande, mas de qualquer forma suficiente para uma melhora sens\u00edvel do mercado de trabalho.<br \/>\nA Europa, ao contr\u00e1rio, mergulhou fundo no receitu\u00e1rio neoliberal. Seus sacerdotes, sediados sobretudo na Alemanha, em torno do BCE, obrigaram os pa\u00edses do sul do continente a trocarem a salva\u00e7\u00e3o de seus bancos superendividados como consequ\u00eancia da orgia financeira pr\u00e9-crise de 2008 pelo estrangulamento fiscal.<br \/>\nO Banco Central Europeu ofereceu cr\u00e9dito a zero por cento, sim, aos bancos dos pa\u00edses mais desenvolvidos. \u201cEm contrapartida\u201d, a esses pacotes de refinanciamento da d\u00edvida banc\u00e1ria, o Banco Central exigiu uma conten\u00e7\u00e3o fiscal extrema aos pa\u00edses mais pobres. Isso contrai o setor estatal e impediu novos investimentos p\u00fablicos.<br \/>\nNega-se, assim, o que o mundo sabe desde os anos 30, com John Maynard Keynes, ou seja, que a curto prazo nenhuma na\u00e7\u00e3o capitalista pode romper uma crise de demanda sem recorrer a investimento p\u00fablico deficit\u00e1rio. \u00c9 o que fizeram os EUA para sair da crise mais r\u00e1pido que a Europa. Mas os EUA n\u00e3o deixam que outros o fa\u00e7am.<br \/>\nO desemprego atingiu n\u00edveis catastr\u00f3ficos em alguns pa\u00edses da Europa Ocidental, e, agora, tamb\u00e9m no Brasil. O Estado do bem estar social, s\u00edmbolo do mais elevado est\u00e1gio de civiliza\u00e7\u00e3o do planeta, est\u00e1 sendo corro\u00eddo velozmente pelas pol\u00edticas neoliberais.<br \/>\nOuvi, espantado, h\u00e1 anos, do presidente do BCE \u2013 um burocrata, claro, sem mandato popular \u2013 que para sair da crise a Europa teria de liquidar com seu Estado de bem estar social.<br \/>\nSurpreende-me que nenhum l\u00edder pol\u00edtico, representante do povo do continente, tenha reagido a essa declara\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma capitula\u00e7\u00e3o geral ao neoliberalismo, uma esp\u00e9cie de \u201cconsci\u00eancia pesada\u201d dos capitalistas e pol\u00edticos pelo que se concederam de forma supostamente excessiva, no passado, a trabalhadores, pobres e minorias. Os ricos, benefici\u00e1rios da maior concentra\u00e7\u00e3o de renda dos \u00faltimos 40 anos, dos quais 1% j\u00e1 det\u00e9m a maior parte da riqueza do mundo, querem mais, muito mais.<br \/>\nEsse tipo de economia pol\u00edtica nos faz pensar que a Europa, m\u00e3e de revolu\u00e7\u00f5es, est\u00e1 apenas dormindo, inconsciente de sua pr\u00f3pria trag\u00e9dia. Em breve, vamos descobrir que foi rompido, em raz\u00e3o da avareza do capital, o pacto social b\u00e1sico que possibilitou, durante d\u00e9cadas, a conviv\u00eancia do capitalismo com o Estado de bem estar social. A hegemonia definitiva de Mamon \u2013 o dinheiro, como lembrado pelo Papa Francisco \u2013 n\u00f3s levar\u00e1 a um novo ciclo de convuls\u00f5es sociais alimentas por uma luta de classes refundada, alastrando-se pelo mundo.<br \/>\nNa Am\u00e9rica Latina, a trag\u00e9dia tem uma peculiaridade: a crise econ\u00f4mica toma logo formas pol\u00edticas, e uma das indica\u00e7\u00f5es \u00e9 fazer da crise um simulacro de raz\u00f5es legais para derrubar presidentes da Rep\u00fablica legitimamente eleitos.<br \/>\nA crise recome\u00e7a quando Europa e EUA descartam G20<br \/>\nN\u00e3o precisava ser assim. Em 2008, logo na eclos\u00e3o da crise, o G-20 se reuniu em Washington e a decis\u00e3o un\u00e2nime dos l\u00edderes mundiais foi no sentido de expandir vigorosamente as pol\u00edticas fiscais e relaxar as pol\u00edticas monet\u00e1rias. A mesma orienta\u00e7\u00e3o comum foi tomada nas reuni\u00f5es seguintes de Londres e Pittsburg, ambas em 2009.<br \/>\nN\u00e3o havia nenhuma surpresa. Todos sabiam que, com a economia em depress\u00e3o, era fundamental ampliar os gastos p\u00fablicos deficit\u00e1rios para reverter a queda da demanda agregada e estimular o crescimento do investimento, do emprego e da renda. Entretanto, com a mudan\u00e7a do governo na Gr\u00e3-Bretanha e a reconvers\u00e3o da Fran\u00e7a ao neoliberalismo, a Alemanha, junto com ambos, imp\u00f4s aos pa\u00edses do euro uma contra\u00e7\u00e3o geral da pol\u00edtica fiscal sob a legenda metaf\u00f3rica de \u201cexit strategy\u201d, ou estrat\u00e9gia de sa\u00edda das pol\u00edticas expansivas.<br \/>\n\u00c9 importante assinalar por que a Alemanha p\u00f4de tomar esse rumo sem ferir os pr\u00f3prios interesses. \u00c9 que a Alemanha \u00e9 uma economia chamada \u201cexport led\u201d, ou seja, comandada por exporta\u00e7\u00f5es. Tem anualmente gigantescos super\u00e1vits comerciais e na balan\u00e7a de conta corrente, j\u00e1 que o euro, para ela, representou uma desvaloriza\u00e7\u00e3o. Isso significa que a a\u00e7\u00e3o comercial externa alem\u00e3 supre as necessidades de liquidez para o financiamento da expans\u00e3o da economia sem necessidade de pol\u00edticas fiscais expansivas.<br \/>\nEntretanto, como \u00e9 \u00f3bvio, isso n\u00e3o se aplica aos demais pa\u00edses do euro, submetidos, al\u00e9m disso, \u00e0s duras restri\u00e7\u00f5es do Pacto de Estabilidade e Crescimento. S\u00e3o economias externamente deficit\u00e1rias. E seus grandes d\u00e9ficits comerciais, sem d\u00favida contracionistas internamente, s\u00e3o justamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha.<br \/>\nO com\u00e9rcio \u00e9 um jogo de soma zero. Se um pa\u00eds tem super\u00e1vit, outro deve ter d\u00e9ficit para compens\u00e1-lo. \u00c9 um absurdo l\u00f3gico recomendar que todos os pa\u00edses tenham super\u00e1vits comerciais ao mesmo tempo. A recomenda\u00e7\u00e3o \u2013 diria, a imposi\u00e7\u00e3o \u2013 alem\u00e3 para os demais pa\u00edses do euro recorram a pol\u00edticas de melhora de efici\u00eancia e de produtividade para superarem a crise atrav\u00e9s do aumento de exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 um contrassenso.<br \/>\nNa verdade, algu\u00e9m tem que bancar a sa\u00edda: no p\u00f3s-guerra, foi o Plano Marshall, do qual a Alemanha foi a grande benefici\u00e1ria. Agora caberia a ela, como l\u00edder econ\u00f4mica da Europa, fazer sua parte.<br \/>\nContudo, ela n\u00e3o faz sua parte. Ela \u00e9 um centro de formula\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da regress\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica do mundo, dados os efeitos que a crise na Europa irradia para o resto do planeta. O resultado da \u201cexit strategy\u201d, formalmente apoiada pelo BCE, pela Comiss\u00e3o Europeia e pelo FMI, foi a recidiva da crise em toda a Europa, particularmente nos pa\u00edses do sul. E a situa\u00e7\u00e3o continua ainda hoje.<br \/>\nNo Brasil, o presidente Lula tomou inicialmente a s\u00e1bia decis\u00e3o de seguir as recomenda\u00e7\u00f5es de expans\u00e3o fiscal do G-20 logo no in\u00edcio da crise. Atrav\u00e9s do BNDES, o governo brasileiro injetou na economia, em 2009 e 2010, R$ 180 bilh\u00f5es para investimentos. Ao lado disso, aumentou os valores do sal\u00e1rio m\u00ednimo e da Bolsa Fam\u00edlia, o que teve, conjuntamente, grande impacto favor\u00e1vel na demanda agregada e o investimento. Em consequ\u00eancia, a economia cresceria 7,5% em 2010, depois de contra\u00e7\u00e3o no ano anterior.<br \/>\nInfelizmente, em fins de 2010, seguindo a linha da \u201cexit strategy\u201d do FMI, as autoridades econ\u00f4micas brasileiras se curvaram \u00e0 ortodoxia neoliberal, como aconteceu com a Europa, e a economia voltou ao ritmo lento.<br \/>\nO resto da Am\u00e9rica Latina padece da mesma doen\u00e7a neoliberal. Como exportadora de commodities agr\u00edcolas e minerais, sua economia segue o compasso da economia chinesa, a qual mant\u00e9m um ritmo ainda forte de crescimento do produto, a despeito de pequena queda nos \u00faltimos anos.<br \/>\nEntretanto, no campo do emprego, todos estamos impondo a nossas popula\u00e7\u00f5es sofrimentos terr\u00edveis, sem necessidade. Se romp\u00eassemos com a ditadura da austeridade fiscal, recorrendo a d\u00e9ficit produtivos, poder\u00edamos a curto prazo recuperar o emprego, o investimento e o crescimento econ\u00f4mico. Basta coragem para confrontar a ortodoxia com seus slogans de suposta responsabilidade fiscal.<br \/>\nPermita-me uma r\u00e1pida divaga\u00e7\u00e3o sobre isso, citando o pensamento de Randall Wray, um not\u00e1vel economista norte-americano que escreveu o cl\u00e1ssico \u201cUnderstanding Modern Monday\u201d. As economias, qualquer delas, avan\u00e7am sempre em ciclos. Ora est\u00e3o em expans\u00e3o, ora em recess\u00e3o. Isso se reflete nos or\u00e7amentos p\u00fablicos, que nunca est\u00e3o exatamente equilibrados. Nas fases de expans\u00e3o, \u00e9 razo\u00e1vel que o governo retire da economia mais dinheiro, na forma de impostos, do que lhe devolve, sobre a forma de gastos e investimentos, a fim de controlar a expans\u00e3o monet\u00e1ria e a infla\u00e7\u00e3o. Nessa fase, com o excesso de dinheiro, paga alguma coisa da d\u00edvida p\u00fablica. Entretanto, em recess\u00e3o, o governo deve retirar da economia menos do que lhe devolve sob a forma de gastos p\u00fablicos deficit\u00e1rios, a fim de expandir o poder de compra da sociedade e favorecer o investimento e o emprego. \u00c9 o gasto aut\u00f4nomo do governo. Nesse momento, a d\u00edvida p\u00fablica aumenta, mas logo ela cair\u00e1, em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, por conta do crescimento deste e do aumento da receita p\u00fablica.<br \/>\nRecorro a esse argumento t\u00e9cnico para confrontar o principal argumento pol\u00edtico de economia da ortodoxia neoliberal: \u201cnunca, jamais e em circunst\u00e2ncia alguma, o governo deve gastar mais do que arrecada.\u201d Isso \u00e9 um absurdo. Na verdade, em recess\u00e3o, n\u00e3o existe nenhuma possibilidade de retomada do crescimento econ\u00f4mico a n\u00e3o ser pela via do investimento p\u00fablico deficit\u00e1rio. Isso ficou evidente no New Deal do presidente Roosevelt e na retomada da economia brasileira por Get\u00falio Vargas. Mas ficou evidente tamb\u00e9m no Novo Plano alem\u00e3o dos anos 30, feito por quem foi considerado posteriormente como o mago de Hitler, Hjalmar Schacht. Qual foi a m\u00e1gica desses governos? Investimentos p\u00fablicos fortemente deficit\u00e1rios que depois se pagaram com o crescimento econ\u00f4mico.<br \/>\nNo que se refere \u00e0 economia pol\u00edtica, o nazismo teve mais considera\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o de desempregados do que nossos governos. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar a imensa popularidade dos pol\u00edticos de extrema direita e at\u00e9 de fascistas na Europa e mesmo no Brasil.<br \/>\nO Brasil conseguiu manter uma baixa taxa de desemprego at\u00e9 2014, mas desde ent\u00e3o ela aumenta aceleradamente. Ainda sob o comando da presidenta Dilma, sofremos o duplo impacto da chamada opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e do ajuste fiscal do ministro neoliberal Joaquim Levy, inacreditavelmente nomeado pela presidenta.<br \/>\nCom isso fomos \u00e0 depress\u00e3o in\u00e9dita de 3,85% do PIB, que deve repetir-se este ano e se projeta forte para 2017. Nossa sa\u00edda \u00e9, insista-se, o investimento p\u00fablico deficit\u00e1rio, mas o governo usurpador faz a pol\u00edtica oposta de mais contra\u00e7\u00e3o, propondo inclusive o congelamento em termos reais do or\u00e7amento p\u00fablico por 20 anos.<br \/>\nVivemos na Am\u00e9rica Latina e no resto do Ocidente uma situa\u00e7\u00e3o perturbadora. N\u00e3o aprendemos as li\u00e7\u00f5es de 2008. A legisla\u00e7\u00e3o para a regula\u00e7\u00e3o de derivativos e para separar bancos comerciais de bancos de investimento, apontada como essencial para a maioria dos especialistas a fim de impedir as crises ou suavizar uma nova depress\u00e3o, tornou-se uma fal\u00e1cia, dada a profus\u00e3o de possibilidades de exce\u00e7\u00f5es e vazamentos. Os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o cumprindo suas responsabilidades como l\u00edderes da economia mundial; em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 Wall Street que governa o mundo, o que coloca o mundo sob o governo da gan\u00e2ncia e da soberba.<br \/>\nAdmiro a na\u00e7\u00e3o norte-americana. Admiro seus l\u00edderes hist\u00f3ricos, como Washington, Hamilton e, sobretudo, Lincoln e Roosevelt. Admiro tamb\u00e9m Kennedy e Carter. Mas como todo cidad\u00e3o do mundo fico apreensivo quando a na\u00e7\u00e3o mais poderosa da terra decide intervir em outros pa\u00edses para mudar regimes pol\u00edticos a partir de um conceito de bom e mau regime por ela pr\u00f3pria forjado.<br \/>\nAs interven\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos nas \u00faltimas d\u00e9cadas resultaram em desastre pol\u00edtico e levaram \u2013 na verdade, tem levado \u2013 sofrimento a muitas popula\u00e7\u00f5es, multid\u00f5es de refugiados, fome e desabrigo. Destru\u00edram o Iraque, destru\u00edram a L\u00edbia, est\u00e3o destruindo o Afeganist\u00e3o, virtualmente dividiram a Ucr\u00e2nia, quase destru\u00edram o Egito, e tem provocado extrema instabilidade na S\u00edria. Nesse caso, a inten\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de mudan\u00e7a de regime, suportada por bilion\u00e1rios em conluio com o Departamento de Estado, chega ao ponto de colocar em risco a pr\u00f3pria paz mundial tendo em vista a posi\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, favor\u00e1vel ao governo leg\u00edtimo de Assad.<br \/>\nRespeito, sim, os Estados Unidos. Entretanto, cito uma frase de Vladmir Putin, o presidente da R\u00fassia, em entrevista recente: \u201cOs Estados Unidos s\u00e3o uma grande superpot\u00eancia. Talvez sejam a \u00fanica superpot\u00eancia do mundo. Mas n\u00e3o podem continuar com essa mania de intervir em nossos pa\u00edses.\u201d<br \/>\nFelizmente, h\u00e1 uma luz no fim do t\u00fanel no jogo econ\u00f4mico e geopol\u00edtico. Ela se chama China. Dada a forte intera\u00e7\u00e3o entre a economia norte-americana e a chinesa h\u00e1 esperan\u00e7a para a paz. Al\u00e9m disso, a China se aproxima da R\u00fassia, \u00cdndia, \u00c1frica do Sul e Brasil para estabelecer uma nova rede de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras pac\u00edficas que n\u00e3o passam por Wall Street, atrav\u00e9s do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS. E isso \u00e9 bom para o mundo inteiro. Para a Europa, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina e para o pr\u00f3prio EUA, porque mais pluralidade implica em mais toler\u00e2ncia, mais democracia, menos arrog\u00e2ncia, mais liberdade e mais criatividade.<br \/>\nO aspecto mais relevante do banco dos BRICS \u00e9 romper, nos financiamentos de infraestrutura, com as condicionalidades impostas pelo Banco Mundial e pelo FMI na tomada de recursos multilaterais e privados. Ou seja, \u00e9 uma carta de alforria para as pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal vinculadas ao desenvolvimento, e n\u00e3o \u00e0 ideologia neoliberal.<br \/>\nInfelizmente h\u00e1 fundadas suspeitas de que os Estados Unidos e as for\u00e7as internas brasileiras com eles alinhadas estiveram por tr\u00e1s do golpe do impeachment no Brasil. Com seu apego \u00e0 hegemonia absoluta, Washington considera um desafio inaceit\u00e1vel a aproxima\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e, finalmente, geopol\u00edtica do Brasil com a China e a R\u00fassia. Para eles, n\u00e3o importa as vantagens efetivas para o Brasil nessa aproxima\u00e7\u00e3o. Como dizem os pais da diplomacia: \u201cpa\u00edses n\u00e3o tem escr\u00fapulos\u201d, e os Estados Unidos, que n\u00e3o tiveram escr\u00fapulos em promover as revolu\u00e7\u00f5es coloridas que levaram \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de mais de uma na\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o t\u00eam demonstrado limites na busca de realiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios interesses, inclusive no campo do dom\u00ednio do pr\u00e9-sal brasileiro.<br \/>\nAos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e a meu pr\u00f3prio, meu conselho \u00e9: busquem atender aos interesses dos mais fracos. Se fizermos isso, a despeito de recuos circunstanciais, consolidaremos a democracia, que \u00e9 o que importa na pol\u00edtica. Pela democracia, chegaremos a uma economia justa e protegida do dom\u00ednio de pot\u00eancias pretensamente hegem\u00f4nicas.<br \/>\nEmbora n\u00e3o possamos ficar de costas para os EUA, a China tornou-se tamb\u00e9m nosso parceiro fundamental na economia. Muitos temem a China por sua for\u00e7a comercial, impondo perdas concorrenciais a seus parceiros. Se prestarem aten\u00e7\u00e3o, a China mudou. Na visita que fez ao Brasil, o premi\u00ea chin\u00eas, Li Keqiang, anunciou os quatro princ\u00edpios que, enfeixados sob o prop\u00f3sito expl\u00edcito da coopera\u00e7\u00e3o, passaram a pautar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas externas chinesas: \u201corienta\u00e7\u00e3o empresarial, manejo comercial, participa\u00e7\u00e3o social e promo\u00e7\u00e3o governamental\u201d. Creio que ningu\u00e9m se oporia a tais princ\u00edpios. E notem, finalmente, que coopera\u00e7\u00e3o foi a palavra mais repetida nos comunicados das tr\u00eas reuni\u00f5es do G-20 depois da crise de 2008. Infelizmente, nos encontros seguintes, ela quase desapareceu dos comunicados.<br \/>\nA arrog\u00e2ncia neoliberal vai novamente retroceder em raz\u00e3o dos seus reiterados fracassos. Chegar\u00e1 a hora em que todos n\u00f3s, o Planeta inteiro perceber\u00e1 que a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a solidariedade e a busca da paz dever\u00e3o e ser\u00e3o as linhas mestras das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<br \/>\n1] Roberto Requi\u00e3o, PMDB, \u00e9 senador em segundo mandato. Foi governador do Paran\u00e1 tr\u00eas vezes, prefeito de Curitiba e deputado estadual. \u00c9 graduado em Direito e Jornalismo com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Urbanismo e Comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 oficial da reserva no Ex\u00e9rcito.<br \/>\n<strong><em>(Do Conversa Afiada)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo postado nas redes sociais, o senador Roberto Requi\u00e3o apresenta uma plataforma de candidato em que o ponto principal \u00e9 uma mudan\u00e7a radical na pol\u00edtica fiscal do pa\u00eds. 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