{"id":39957,"date":"2016-10-02T13:07:03","date_gmt":"2016-10-02T16:07:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=39957"},"modified":"2016-10-02T13:07:03","modified_gmt":"2016-10-02T16:07:03","slug":"o-pre-sal-nao-pode-ser-entregue-numa-bandeja-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-pre-sal-nao-pode-ser-entregue-numa-bandeja-global\/","title":{"rendered":"O pr\u00e9-sal  n\u00e3o pode ser entregue numa bandeja global"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assinaespecial\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nA economia come\u00e7a a sair do fundo do po\u00e7o e quem a puxa \u00e9 a locomotiva Petrobras, que j\u00e1 produz mais de um milh\u00e3o de barris por dia nos campos do Pr\u00e9-Sal descobertos em 2006.<br \/>\nAlcan\u00e7ar tamanha performance em apenas dez anos seria caso para pr\u00eamio, mas n\u00e3o h\u00e1 no famoso Mercado quem reconhe\u00e7a a efici\u00eancia da empresa, colocada na linha do choque entre o neoliberalismo emergente e o distributivismo de governos voltados para os pobres.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o se v\u00ea ningu\u00e9m festejar a autossufici\u00eancia finalmente alcan\u00e7ada ap\u00f3s mais de 60 anos de trabalho em terra e no mar. Pelo contr\u00e1rio, o que se nota \u00e9 um esfor\u00e7o para deteriorar a imagem da empresa. E, no entanto, ela vem dando a volta por cima.<br \/>\nNa moita, sem alarde, a grande BR j\u00e1 recuperou R$ 455 milh\u00f5es de dinheiro desviado em casos comprovados de corrup\u00e7\u00e3o. Uma gota d\u2019\u00e1gua no oceano, dir\u00e3o os pessimistas. De fato, o valor equivale a apenas meio dia de faturamento anual da empresa, mas o fato relevante \u00e9 que a petroleira nacional vem tapando os furos por onde vazavam as propinas.<br \/>\nDetalhe: os \u00faltimos R$ 145 milh\u00f5es foram recuperados de casos ocorridos entre 1997 e 2012. O dinheiro estava em bancos su\u00ed\u00e7os em conta pertencente a Julio Faerman, ex-representante da empresa holandesa SBM Offshore, locadora de navios-plataforma, equipamentos car\u00edssimos e cartelizados no mundo. Num acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Rio de Janeiro, o tal Faerman reconheceu que obteve o dinheiro \u201catrav\u00e9s de atividades criminosas&#8221;.<br \/>\nAs investiga\u00e7\u00f5es come\u00e7aram bem antes da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e a Petrobras, como v\u00edtima das falcatruas, atuou como assistente de acusa\u00e7\u00e3o no processo. Atingida em cheio pelo vendaval da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato a partir de 2014, a Petrobras vem se mostrando muito maior do que a crise.<br \/>\nDias atr\u00e1s, o presidente Pedro Parente teve de reconhecer que a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos po\u00e7os do Pr\u00e9-Sal ultrapassou a previs\u00e3o \u2013 de 15 mil barris di\u00e1rios, chegou a 25 mil. Ex-ministro dos governos tucanos, Parente parece ter assimilado o pensamento nacionalista dominante no corpo t\u00e9cnico da empresa. Pode ser uma t\u00e1tica conciliat\u00f3ria enquanto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aplicar a estrat\u00e9gia subjacente ao golpe contra a presidenta Dilma: \u201centregar\u201d o pr\u00e9-sal a petroleiras estrangeiras.<br \/>\nO perigo est\u00e1 na C\u00e2mara dos Deputados, onde tramita o Projeto de Lei 4567\/2016, que retira da Petrobras a obrigatoriedade na explora\u00e7\u00e3o na camada do pr\u00e9-sal. Essa proposta formulada \u00e0s pressas pelo senador Jos\u00e9 Serra permitir\u00e1 que as multinacionais explorem os campos do pr\u00e9-sal sem o essencial controle da Petrobras, que deixar\u00e1 de ser obrigatoriamente operadora. Como ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do governo Temer, Serra n\u00e3o esconde sua inten\u00e7\u00e3o de tirar o fil\u00e9 da Petrobras.<br \/>\nO projeto \u00e9 antinacional e entreguista porque retira da Petrobras o conhecimento geol\u00f3gico do nosso subsolo marinho, aliena a decis\u00e3o sobre as tecnologias adotadas, tirando a prefer\u00eancia para equipamentos produzidos no Brasil e terceirzando a decis\u00e3o sobre o ritmo adequado de explora\u00e7\u00e3o das jazidas.<br \/>\nO deputado paulista Carlos Zarattini acaba de publicar artigo no site do GGN argumentando que, ao contr\u00e1rio do que alega Serra, n\u00e3o h\u00e1 motivo para ter pressa na explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal porque, depois que descobriu as jazidas, a Petrobras desenvolveu a tecnologia de explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas e conseguiu reduzir os custos de produ\u00e7\u00e3o a menos de US$ 10 por barril. Uma fa\u00e7anha que causa inveja e agu\u00e7a a cobi\u00e7a internacional.<br \/>\nSeria um crime contra a soberania nacional entregar o pr\u00e9-sal agora que a Petrobras come\u00e7ou a sair do sufoco financeiro do endividamento. Na real, o esfor\u00e7o da empresa \u00e9 um exemplo para o Brasil, que entrega aos credores da d\u00edvida p\u00fablica uma montanha de recursos que deveriam ser transformados em investimentos em infraestrutura.<br \/>\nAo fim e ao cabo do gigantesco processo de endividamento do Brasil, \u00a0quem mais investe no pa\u00eds \u00e9 a Petrobras. At\u00e9 2021 ela vai investir US$ 70 bilh\u00f5es em recursos pr\u00f3prios e conta atrair parceiros\/s\u00f3cios que invistam mais US$ 40 bilh\u00f5es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>LEMBRETE DE OCASI\u00c3O<\/strong><br \/>\n<em>\u201cDe certa maneira, a rede de companhias multinacionais representa em forma embrion\u00e1ria o sistema nervoso central de uma ordem econ\u00f4mica global emergente.\u201d<\/em><br \/>\nGiovanni Agnelli, presidente da Fiat, em depoimento na ONU em 1975, \u00e9poca em que os grandes chefes do capitalismo mundial elaboravam o Consenso de Washington\/Trilateral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse A economia come\u00e7a a sair do fundo do po\u00e7o e quem a puxa \u00e9 a locomotiva Petrobras, que j\u00e1 produz mais de um milh\u00e3o de barris por dia nos campos do Pr\u00e9-Sal descobertos em 2006. 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