{"id":40602,"date":"2016-10-19T16:03:44","date_gmt":"2016-10-19T19:03:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=40602"},"modified":"2016-10-19T16:03:44","modified_gmt":"2016-10-19T19:03:44","slug":"uma-celebracao-de-rock-no-ocidente-com-a-pata-de-elefante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/uma-celebracao-de-rock-no-ocidente-com-a-pata-de-elefante\/","title":{"rendered":"Uma celebra\u00e7\u00e3o de rock no Ocidente com a Pata de Elefante"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Higino Barros<\/span><br \/>\nAmanh\u00e3 \u00a0(20) acontece, no bar Ocidente, a primeira das duas apresenta\u00e7\u00f5es (a outra ser\u00e1 na pr\u00f3xima quinta feira,\u00a0dia 27) que a banda de rock instrumental Pata de Elefante, j\u00e1 extinta, far\u00e1 na casa noturna do Bom Fim. Mais do que uma oportunidade da imensa legi\u00e3o de admiradores da banda em v\u00ea-la tocar, a ocasi\u00e3o \u00e9 considerada tamb\u00e9m como uma grande celebra\u00e7\u00e3o. Afinal, se h\u00e1 uma banda que marcou o cen\u00e1rio de rock dos primeiros anos do s\u00e9culo 21 em Porto Alegre, foi a Pata de Elefante.<br \/>\n<figure id=\"attachment_40604\" aria-describedby=\"caption-attachment-40604\" style=\"width: 377px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-40604\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pata-1.jpg\" alt=\"pata-1\" width=\"377\" height=\"255\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-40604\" class=\"wp-caption-text\">Daniel, Gustavo e Gabriel, o trio da Pata de Elefante \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA Pata \u00e9 formada por Gustavo Telles, 38 anos, Gabriel Guedes, 45 anos, e Daniel Mossmann, 37 anos. Com 11 anos de trajet\u00f3ria, gravou quatro CDs, fez trilha sonora de filmes, tocou em incont\u00e1veis bares, teatros e festivais no Brasil, tornando-se uma refer\u00eancia no Pa\u00eds pelo rock extremamente mel\u00f3dico que executava. Era uma mistura de The Ventures, com Cream, Jimi Hendrix, Enio Morricone, Burt Bacharach e acima de tudo muito rock e blues.<br \/>\nEm 2008, o CD da banda, \u201cUm Olho na fagulha, outro no f\u00f3sforo\u201d, foi escolhido como um dos 25 melhores trabalhos musicais lan\u00e7ados no Brasil, pela revista <em>Rolling Stone<\/em>. A banda teve tamb\u00e9m a can\u00e7\u00e3o &#8220;Hey!&#8221; inclu\u00edda em uma colet\u00e2nea de bandas independentes brasileiras lan\u00e7ada em 2008, pela revista francesa <em>Brazuca<\/em>. Em 2009 ganhou o VMB 2009 na categoria Instrumental.<br \/>\nA Pata terminou em 2013 e nessa conversa, o baterista Gustavo Telles, que sempre atuou como o porta voz da banda, fala do grupo e do atual reencontro para o show no Ocidente:<br \/>\n<strong>O come\u00e7o, no Bom Fim<\/strong><br \/>\n&#8220;Em mar\u00e7o 2000, eu cheguei numa casa no bairro Bom Fim, na rua Santo Ant\u00f4nio, numa <em>jam session<\/em>, e o Gabriel estava tocando guitarra e o Bocudo, que foi da Cachorro Grande, estava no baixo. Toquei bateria, foi muito legal e a partir da\u00ed a gente \u00e0s vezes se encontrava e comentava que precis\u00e1vamos fazer um som junto, mas s\u00f3 fomos nos reunir mesmo um ano depois. Numa data marcada pelo Gabriel, nas Catacumbas do CEUE, o Centro Estudantil da Engenharia da UFRGS, um local onde sempre tinha festa e som rolando.&#8221;<br \/>\n&#8220;Marcamos para fazer um show. Eu, o Gabriel, o Bocudo, e o Beto Bruno, vocalista da Cachorro Grande. Eles moravam com o Gabriel e a gente ia tocar Rolling Stones nas Catacumbas. No dia, o Beto e o Bocudo furaram. A\u00ed o Gabriel se lembrou do Dani, que ele j\u00e1 conhecia, da banda Montanha Azul. Como ele n\u00e3o podia ligar pro Daniel do lugar que estava, pediu que eu falasse com o Dani. Mas alertou. N\u00e3o fala que ele vai tocar baixo. E diz tamb\u00e9m que n\u00e3o tem cach\u00ea, mas a gente paga as passagens dele, tem bebida liberada e tal. A gente se deu bem desde a primeira conversa.&#8221;<br \/>\n<strong>Gritos e urros nas Catacumbas<\/strong><br \/>\n&#8220;Antes da apresenta\u00e7\u00e3o fomos para o apartamento do Gabriel, que morava na Barros Cassal, e fizemos um ensaio, sem bateria, eu tocando nas pernas, eles com viol\u00e3o. Isso \u00e0s onze da noite, o show era \u00e0 uma da madrugada. Deu tanto certo que as pessoas gritavam e urravam de entusiasmo nas Catacumbas durante e depois da apresenta\u00e7\u00e3o. Desde esse primeiro show ficou estabelecido o que seria uma caracter\u00edstica da banda. Eles trocavam de instrumento no meio da apresenta\u00e7\u00e3o. Quem estava na guitarra ia para o baixo e vice-versa. \u00c9 uma coisa muito peculiar no som da banda por que cada um tem uma sonoridade. E uma coisa muito forte entre n\u00f3s aconteceu desde o primeiro encontro.&#8221;<br \/>\n&#8220;Lembro que cheguei em casa de manh\u00e3, euf\u00f3rico, convencido. Achei minha banda. Isso foi em mar\u00e7o de 2001. Em agosto fizemos outro show, no mesmo lugar. Mas s\u00f3 no come\u00e7o de 2002 resolvemos encarar a banda como a \u00fanica atividade, j\u00e1 que eu tinha terminado Jornalismo e estava come\u00e7ando a trabalhar no ramo e os guris faziam outras coisas. E o prop\u00f3sito sempre foi de banda instrumental. N\u00e3o tinha como ser diferente. Ter um cantor ou algu\u00e9m para tocar baixo, nunca foi cogitado.&#8221;<br \/>\n<strong>M\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n&#8220;Desde o in\u00edcio a gente comp\u00f4s junto. Quando nos juntamos, eu j\u00e1 compunha e me dei conta que eu ia ter como parceiros de composi\u00e7\u00f5es gente muita talentosa. Combinamos que a gente tinha que ter m\u00fasicas diferentes. Eles eram excelentes m\u00fasicos, melhores do que eu, e hoje vejo como eu era meio ing\u00eanuo, mas que legal que era assim. Eles eram m\u00fasicos infinitamente superiores do que eu, tinham mais conhecimento musical. Mas assim sempre me senti desafiado e sempre confiei no meu taco. E fui me especializando na quest\u00e3o da melodia. E a coisa da composi\u00e7\u00e3o tem outros elementos e isso se deu desde o in\u00edcio. A gente compondo junto. Um aparecia com um tema, os outros sempre acrescentavam algo. Esse processo me levou a tornar compositor com foco na quest\u00e3o mel\u00f3dica, o que eu n\u00e3o fazia antes. Virei um melodista.&#8221;<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>Na estrada, pelo Brasil<\/strong><br \/>\n&#8220;A gente queria tocar e onde tivesse um lugar que nos convidasse a gente ia. A cena de m\u00fasica de Porto Alegre na \u00e9poca era diferente, com muitos espa\u00e7os e mais shows. A gente tocava onde dava. E as coisas aconteceram de uma maneira muito r\u00e1pida. Viajamos muito para o interior nessa \u00e9poca e em 2003 come\u00e7amos a viajar pelo Brasil. \u00cdamos a festivais, a bares, aonde nos levassem. Tivemos a ajuda de muita gente generosa nesse in\u00edcio de trajet\u00f3ria, na parte da produ\u00e7\u00e3o, que eu fazia tamb\u00e9m. No final de 2004 saiu nosso primeiro disco.&#8221;<br \/>\n&#8220;Em 2005 eu tocava, acumulava a fun\u00e7\u00e3o de produtor e trabalhava, para garantir uma grana, como jornalista com a Ded\u00e9 Ribeiro, no IPA. Ficava l\u00e1 o dia inteiro. A\u00ed um dia veio uma pauta para eu cobrir um campeonato de <em>badminton<\/em> do Col\u00e9gio Americano. Fui ver o que era isso e descobri que era um campeonato de peteca. Eu estava numa banda legal, tinha lan\u00e7ado um disco e cobrindo jogo de peteca de crian\u00e7a de dez anos? Tinha alguma coisa errada comigo, pensei. Pedi minhas contas e resolvi encarar a m\u00fasica como profiss\u00e3o em definitivo. Assim o jornalismo perdeu um soldado&#8230;&#8221;<br \/>\n&#8220;N\u00f3s t\u00ednhamos contrato com a gravadora Monstro e uma base em S\u00e3o Paulo que foi muito boa. A partir da\u00ed tivemos mais visibilidade, culminando com uma participa\u00e7\u00e3o no Programa do J\u00f4, quando a gente fez a abertura do programa com o sexteto do J\u00f4 e mais duas m\u00fasicas nossas. Em 2006 come\u00e7amos a fazer o segundo disco, lan\u00e7ado no Goi\u00e2nia Nois, um festival grande que acontece l\u00e1. Esse trabalho rendeu bastante tamb\u00e9m. Fizemos o circuito do Ita\u00fa Cultural e outros projetos bacanas pelo Pa\u00eds at\u00e9 2008.&#8221;<br \/>\n<strong>Premiado pela Rolling Stone<\/strong><br \/>\nO primeiro disco tem um sonoridade mais crua, \u00e9 vis\u00edvel a influ\u00eancia do Cream, de Jimi Hendrix, mais essa coisa de power trio. O segundo j\u00e1 tem mais baladas, mais folk rock, mais blues, que \u00e9 a fonte dos guris e a minha. A Pata \u00e9 um somat\u00f3rio de muitas vertentes musicais. O rock dos anos 1960, 1970, da surf music, funk, soul, trilhas sonoras de filmes, principalmente de compositores como Henry Mancini, Enio Morricone e Nino Rota, mais Burt Bacharach. A gente misturou tudo, pegou todas essas influ\u00eancias e trouxe para a nossa sonoridade. D\u00e1 para notar de um trabalho para o outro nosso crescimento como m\u00fasicos, crescemos juntos, desenvolvemos juntos.&#8221;<br \/>\n&#8220;O disco de 2008, foi considerado pela revista Rolling Stone brasileira como um dos 25 melhores discos daquele ano, ficou em vig\u00e9simo lugar. Um disco instrumental concorrendo com todos os discos com cantores. \u00c0 frente inclusive de um disco do Roberto Carlos e o Caetano Veloso cantando bossa nova. Foi um trabalho marcante para n\u00f3s.&#8221;<br \/>\n<strong>Quarteto, a \u00faltima forma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n&#8220;Em 2010 fizemos o terceiro disco, que saiu pela Trama. Esse foi o \u00faltimo disco em formato de trio, embora a gente sempre tivesse participa\u00e7\u00e3o de outros m\u00fasicos em nossos trabalhos. Eu e o Dani nessa \u00e9poca mor\u00e1vamos em S\u00e3o Paulo e o Gabriel ia e voltava. Ficamos cerca de um ano l\u00e1. A\u00ed em 2011, o Edu Meirelles assumiu o baixo, deixando os guris livres para assumirem as guitarras. O quarto e \u00faltimo disco, feito em 2013 e lan\u00e7ado no ano seguinte, foi em forma de sexteto, com o Luciano Le\u00e3es e o J\u00falio Rizzo. \u00c9 um trabalho diferente dentro da discografia da Pata.&#8221;<br \/>\n&#8220;A banda terminou em 2013 porque a gente se deu conta que estava cansado do que a gente vinha fazendo. Foram 11 anos de conviv\u00eancia muito legal. Por isso tr\u00eas anos e meio depois quando fomos convidados a tocar de novo, o convite foi aceito com o maior prazer.&#8221;<br \/>\n&#8220;A m\u00fasica da Pata transcende a nossa individualidade, ela ficou, apesar de n\u00e3o ser <em>mainstream.<\/em> Basta ver o carinho que as pessoas falam da banda e mostram interesse nessas apresenta\u00e7\u00f5es. Mas v\u00e3o ser somente essas, a banda n\u00e3o vai voltar. Cada um de n\u00f3s est\u00e1 envolvido com seus projetos e a vida segue para todos n\u00f3s. Sempre com muita m\u00fasica.<br \/>\n<strong>SERVI\u00c7O:<\/strong><br \/>\nShow Pata de Elefante &#8211; Projeto Ac\u00fastico Ocidente<br \/>\nDias 20 e 27 de outubro, \u00e0s 23 horas (a casa abre \u00e0s 21 horas)<br \/>\nIngresso: R$ 50,00.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Higino Barros Amanh\u00e3 \u00a0(20) acontece, no bar Ocidente, a primeira das duas apresenta\u00e7\u00f5es (a outra ser\u00e1 na pr\u00f3xima quinta feira,\u00a0dia 27) que a banda de rock instrumental Pata de Elefante, j\u00e1 extinta, far\u00e1 na casa noturna do Bom Fim. 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