{"id":40805,"date":"2016-10-25T17:24:52","date_gmt":"2016-10-25T20:24:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=40805"},"modified":"2016-10-25T17:24:52","modified_gmt":"2016-10-25T20:24:52","slug":"os-desafios-do-sindicalismo-na-conjuntura-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-desafios-do-sindicalismo-na-conjuntura-atual\/","title":{"rendered":"Os desafios do sindicalismo na conjuntura atual"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O desafio, portanto, \u00e9 redobrado. Ou o movimento social e sindical forma gente, se comunica melhor e combina a resist\u00eancia com alternativas, ou ser apenas contra e reivindicar n\u00e3o dar\u00e1 conta de impedir os retrocessos. M\u00e3os \u00e0 obra.<\/strong><\/em><br \/>\n<span class=\"assina\">Ant\u00f4nio Augusto de Queiroz<\/span><br \/>\n<span class=\"descreve\">Jornalista, analista pol\u00edtico e diretor de Documenta\u00e7\u00e3o do Diap<\/span><br \/>\nOs movimentos sociais e sindicais t\u00eam tr\u00eas desafios pela frente, em curto e m\u00e9dio prazos: 1) promover forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, 2) melhorar sua comunica\u00e7\u00e3o institucional e interpessoal, e 3) ter sempre alternativa ao que critica ou se op\u00f5e.<br \/>\nO primeiro desafio \u00e9 o de qualificar os militantes, ativistas e dirigentes para o enfrentamento da agenda do Consenso de Washington, que esteve suspensa no Brasil durante os 12 anos de governos do PT.<br \/>\nO passo inicial nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 conscientizar os cidad\u00e3os-trabalhadores, mediante cursos, semin\u00e1rios e oficinas, sobre o papel de cada um dos tr\u00eas setores do sistema social: o Estado, como primeiro setor; o mercado, como segundo setor, e a sociedade, como terceiro setor.<br \/>\nAs cartilhas editadas pelo DIAP sobre \u201cNo\u00e7\u00f5es de Cidadania no Brasil\u201d, \u201cAn\u00e1lise de Conjuntura\u201d, \u201cRela\u00e7\u00f5es Institucionais e governamentais\u201d e \u201cPol\u00edticas P\u00fablicas e Ciclo Or\u00e7ament\u00e1rio\u201d d\u00e3o uma boa base para entender esses processos.<br \/>\nO segundo desafio diz respeito \u00e0 forma de comunica\u00e7\u00e3o. As for\u00e7as neoliberais desenvolveram uma tecnologia que for\u00e7a o disparo do \u201cgatilho mental\u201d dos cidad\u00e3os contra determinadas ideias, especialmente se elas conflitarem com os interesses do mercado e dos rentistas.<br \/>\nA comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil passou para a fase da p\u00f3s-verdade, em que o fato e a verdade ficam em segundo plano e s\u00e3o explorados os comportamentos e rea\u00e7\u00f5es, com o objetivo de dizer ao cidad\u00e3o \u201csobre o que pensar\u201d e n\u00e3o \u201csobre como pensar\u201d.<br \/>\nA t\u00e1tica \u00e9 simples. Criminaliza-se os defensores dessas ideias, associando-os a desvios de conduta (corrup\u00e7\u00e3o, ilegalidade, irregularidade, etc) ou a agress\u00e3o a valores (familiares, religiosos, etc) e as pessoas automaticamente deixam de analisar as ideias e passam a condenar seus autores. Isso tem sido feito com partidos e tamb\u00e9m ser\u00e1 feito com os movimentos sindical e estudantil ou qualquer outro que seja visto como de esquerda.<br \/>\nNesse particular, os movimentos sociais, em geral, e o sindical, em particular, precisam se qualificar e \u2014 sem abrir m\u00e3o um mil\u00edmetro sequer em rela\u00e7\u00e3o as suas convic\u00e7\u00f5es e vis\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica \u2014 focar o debate no conte\u00fado do que prop\u00f5e ou recha\u00e7a, de tal modo que as pessoas possam perceber o que de fato est\u00e1 acontecendo.<br \/>\nEvitar o esquema \u201cpetralhas\u201d versus \u201ccoxinhas\u201d \u00e9 a melhor alternativa, porque desinterdita o di\u00e1logo. Por exemplo: muitos dos que foram a favor do impeachment de Dilma s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0s reformas em bases neoliberais de Michel Temer. Entretanto, se insistirmos na tese de que todos s\u00e3o \u201cgolpistas\u201d, isso interdita o debate e o di\u00e1logo.<br \/>\nSe as lideran\u00e7as dos movimentos sociais n\u00e3o tiverem toler\u00e2ncia, capacidade e disposi\u00e7\u00e3o para persuadir, pelo conhecimento, pelos argumentos e fatos, mostrando os malef\u00edcios de parte dessas reformas, vai persistir a polariza\u00e7\u00e3o e muitos que s\u00e3o aliados potenciais, e poderiam cooperar nessa batalha de resist\u00eancia \u00e0 supress\u00e3o de direitos, permanecer\u00e3o imperme\u00e1veis ao di\u00e1logo.<br \/>\nO terceiro desafio consistir\u00e1 em montar equipes e assessorias para formular e propor, com a agilidade que os novos tempos exigem, alternativas \u00e0s propostas patronais e governamentais.<br \/>\nO movimento sindical, no per\u00edodo p\u00f3s-64, passou por duas fases que foram muito eficazes: a de ser contra, em plena ditadura militar, e a de reivindicar, ap\u00f3s a derrota da ditadura. E ingressou na terceira fase em que n\u00e3o basta ser contra nem reivindicar: \u00e9 preciso formular, ter alternativas.<br \/>\nEsta terceira fase, que coincide com a chegada ao Brasil da agenda neoliberal, n\u00e3o estava suficientemente clara para o movimento sindical por ocasi\u00e3o dos governos Collor e FHC, quando houve alguns importantes retrocessos, exatamente porque o movimento insistiu nas t\u00e1ticas anteriores: apenas ser contra e reivindicar.<br \/>\nA investida em bases neoliberais \u2014 que esteve suspensa no Brasil, pelo menos por parte do Poder Executivo, nos 12 anos do governo do PT \u2014 agora volta com for\u00e7a total e sob a lideran\u00e7a de um governo cuja sobreviv\u00eancia depende de sua implementa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO desafio, portanto, \u00e9 redobrado. Ou o movimento social e sindical forma gente, se comunica melhor e combina a resist\u00eancia com alternativas, ou ser apenas contra e reivindicar n\u00e3o dar\u00e1 conta de impedir os retrocessos. M\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio, portanto, \u00e9 redobrado. Ou o movimento social e sindical forma gente, se comunica melhor e combina a resist\u00eancia com alternativas, ou ser apenas contra e reivindicar n\u00e3o dar\u00e1 conta de impedir os retrocessos. M\u00e3os \u00e0 obra. 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