{"id":413,"date":"2005-09-22T13:11:41","date_gmt":"2005-09-22T16:11:41","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=413"},"modified":"2005-09-22T13:11:41","modified_gmt":"2005-09-22T16:11:41","slug":"moradores-de-rua-buscam-refugio-na-redencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/moradores-de-rua-buscam-refugio-na-redencao\/","title":{"rendered":"Moradores de rua buscam ref\u00fagio na Reden\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/artes\/moradorredencao02_taniameinerz.jpg?0.08673603664595303\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Luis Carlos, 35 anos, 22 na rua, questiona: &#8220;Ir para onde?&#8221; (Foto: T\u00e2nia Meinerz)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Guilherme Kolling<\/strong><br \/>\nAcossados, os moradores de rua do Bom Fim e arredores buscam a Reden\u00e7\u00e3o como \u00faltimo ref\u00fagio. O administrador do parque fala em 30 pessoas, mas \u00e9 evidente que s\u00e3o muito mais. E o grupo cresce na medida em que s\u00e3o afastados das ruas por grades, seguran\u00e7as ou autoridades. Casos recentes: o Hospital de Pronto Socorro colocou telas nos v\u00e3os que eram utilizados como dormit\u00f3rio; o banco Ita\u00fa, na Ramiro Barcelos, construiu um canteiro embaixo da marquise; e na rua Augusto Pestana com Ven\u00e2ncio Aires, a Brigada est\u00e1 despachando o grupo. \u201cRecebemos queixas di\u00e1rias e viremos at\u00e9 que eles encontrem outro lugar para ficar\u201d, disse o policial.<br \/>\nPor isso, aos 70 anos, o Parque Farroupilha atrai gente como Lu\u00eds Carlos Favero, 35 anos, 22 na rua. \u201cN\u00e3o tem como sair daqui. Ir para onde?\u201d questiona o passo-fundense, que veio para Capital aos 12. Hoje ele \u00e9 conhecido e recebe ajuda do pessoal do Ramiro Souto \u2013 em troca, d\u00e1 uma for\u00e7a na manuten\u00e7\u00e3o: capina, limpa, recolhe areira. \u201c\u00c9 dif\u00edcil conseguir emprego, pedem refer\u00eancia e um ano de pr\u00e1tica\u201d, explica. Ele garante o sustento catando lixo seco. Vende o material num galp\u00e3o na Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, o que lhe rende um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas. S\u00f3 se queixa da prefeitura, uma concorrente \u201cque quer tirar nosso trabalho\u201d.<br \/>\nSegundo Lu\u00eds, 200 moradores de rua circulam pela Reden\u00e7\u00e3o, mas os fixos s\u00e3o poucos. H\u00e1 n\u00facleos no Ara\u00fajo Viana, nas canchas de bocha e no Monumento do Expedicion\u00e1rio. A maioria consome cacha\u00e7a ou lol\u00f3. \u00c0 noite tem tr\u00e1fico de drogas e prosititui\u00e7\u00e3o dentro do parque. Lu\u00eds n\u00e3o fica l\u00e1, diz que \u00e9 perigoso. Ele e a companheira V\u00e2nia preferem a entrada de um banco na Ven\u00e2ncio Aires. Ele j\u00e1 tentou as casas de conviv\u00eancia do Munic\u00edpio, mas n\u00e3o gostou. \u201c\u00c9 uma disputa, n\u00e3o tem ficha para todo mundo\u201d, justifica. O colega Vladimir concorda que \u201caquilo \u00e9 muito bagun\u00e7ado\u201d.<br \/>\nNa Reden\u00e7\u00e3o, tem ainda o problema dos gatunos de plant\u00e3o. T\u00e2nia e Vladimir, que se conheceram na marquise do Ara\u00fajo Vianna, perderam, num momento de distra\u00e7\u00e3o, todos os pertences. \u201cA gente n\u00e3o est\u00e1 livre de ser assaltado\u201d. Mesmo asim, elegem o Farroupilha, j\u00e1 que nos albergues, \u201co perigo anda disfar\u00e7ado\u201d. \u201cJ\u00e1 me roubaram uma panela de dentro da sacola quando eu tomava banho\u201d, relata T\u00e2nia.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/artes\/tania_vladimir.jpg?0.10164785670815107\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>T\u00e2nia e Vladimir acham o parque mais seguro do que a rua (Foto: Naira Hofmeister)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Outro que se aventura a pernoitar na Reden\u00e7\u00e3o \u00e9 Fabiano, 31. Ele fica porque um dos 20 companheiros sempre est\u00e1 vigiando enquanto os outros dormem. \u201c\u00c9 mais seguro e mais calmo do que a rua. Se for pro meio da cidade roubam a gente\u201d. Mas as dificuldades est\u00e3o aumentando, com o corte da \u00e1gua das torneiras da Reden\u00e7\u00e3o e a proibi\u00e7\u00e3o de estender roupas nas cercas.<br \/>\n&#8220;Agora lavamos \u2018no lago\u2019 e deixamos secar atr\u00e1s dos banheiros, onde ningu\u00e9m v\u00ea\u201d, diz Fabiano. Sobre um poss\u00edvel cercamento do parque, ele \u00e9 pragm\u00e1tico. \u201cSe fecharem, teremos que ir pra baixo do pr\u00e9dio de algu\u00e9m. Ser\u00e1 que v\u00e3o gostar?\u201d.<br \/>\n<em>*\u00a0Colaborou Naira Hofmeister<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luis Carlos, 35 anos, 22 na rua, questiona: &#8220;Ir para onde?&#8221; (Foto: T\u00e2nia Meinerz) Guilherme Kolling Acossados, os moradores de rua do Bom Fim e arredores buscam a Reden\u00e7\u00e3o como \u00faltimo ref\u00fagio. O administrador do parque fala em 30 pessoas, mas \u00e9 evidente que s\u00e3o muito mais. 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