{"id":41551,"date":"2016-11-21T16:30:27","date_gmt":"2016-11-21T19:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=41551"},"modified":"2016-11-21T16:30:27","modified_gmt":"2016-11-21T19:30:27","slug":"50-tons-de-rosa-referencia-para-jornalistas-do-mundo-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/50-tons-de-rosa-referencia-para-jornalistas-do-mundo-todo\/","title":{"rendered":"50 Tons de Rosa, refer\u00eancia para jornalistas do mundo todo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Antonio Severo<\/strong><br \/>\nSegunda metade dos anos 70. O Brasil ferve com a \u201cabertura lenta, gradual e segura\u201d da dupla gauchesca Geisel\/Golbery. A juventude esperneia e vai empurrando a censura. A imprensa alternativa atinge seu auge. Jornaizinhos cr\u00edticos, mal-humorados ou sat\u00edricos d\u00e3o dor de cabe\u00e7a ao governo. Dentre todos, o nanico mais surpreendente n\u00e3o saiu do Rio ou S\u00e3o Paulo, foi mais arrojado que o celebrado Pato Macho, de Porto Alegre: assim era o improv\u00e1vel \u201cTriz\u201d, escrito e editado em Pelotas em outubro de 1976.<br \/>\n<strong><em>Triz<\/em> <\/strong>at\u00e9 hoje \u00e9 um espanto e uma refer\u00eancia. Ribombou em todo o Pa\u00eds: foi mat\u00e9ria de p\u00e1gina inteira na <em>Veja<\/em>. Esse jornal foi o epicentro de um vulc\u00e3o cultural que jorrou uma gera\u00e7\u00e3o de brasileiros not\u00e1veis.<br \/>\n\u00c9 isto que mostra o livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado com um t\u00edtulo desafiante: <strong><em>50 Tons de Rosa. Pelotas no tempo da ditadura<\/em><\/strong>.<br \/>\nEntretanto, n\u00e3o \u00e9 uma obra saudosista. Pelo contr\u00e1rio: comp\u00f5e uma colet\u00e2nea de relatos vivos de uma gera\u00e7\u00e3o. Seus autores s\u00e3o as pr\u00f3prias personagens.<br \/>\nCentrado na cidade de Pelotas, nas vidas e viv\u00eancias de um grupo de jovens, <em>50 Tons<\/em>\u00a0\u00e9 um trabalho de alcance nacional. Ali est\u00e1 o Brasil daqueles tempos, emergindo de uma mocidade bem-humorada e confiante.<br \/>\nApesar do que sugeriria o t\u00edtulo, recupera tempos inesquec\u00edveis, mem\u00f3rias joviais, tempos de irrever\u00eancia, de otimismo, de confian\u00e7a no futuro.<br \/>\nSeus autores-personagens trazem de volta aqueles tempos com recorda\u00e7\u00f5es bem-humoradas, sem m\u00e1goas. As p\u00e1ginas transbordam com a jovialidade, com as perip\u00e9cias dessa rapaziada que enfrentava os costumes e as repress\u00f5es in\u00fateis daqueles tempos de chumbo. Chumbo dourado.<br \/>\nA maior parte dos autores-personagens converteram-se em refer\u00eancias nacionais em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, a maior parte, evidentemente, na imprensa. Nos velhos tempos eram estudantes universit\u00e1rios das universidades locais, Federal e Cat\u00f3lica.<br \/>\nOs primeiros passos dos que vieram do jornalismo foram na reda\u00e7\u00e3o do vetusto<em> Di\u00e1rio Popular<\/em>, naqueles tempos comandado por uma figura fascinante, seu chefe de reda\u00e7\u00e3o e professor do curso de Jornalismo da UCPel, Joaquim Salvador Coelho Pinho.<br \/>\nPinho, como era chamado por seus alunos e funcion\u00e1rios, \u00e9 uma figura emblem\u00e1tica da imprensa daquela fase em que a imprensa se renovava sob a batuta de grandes <em>condottieres<\/em>: Mino Carta em S\u00e3o Paulo, Alberto Dines no Rio, a famosa reportagem da <em>Folha da Tarde<\/em> dos estagi\u00e1rios do Walter Galvani. Pinho foi um desses reformadores da imprensa, t\u00e3o carism\u00e1tico, renovador e valente como seus colegas dos chamados grandes centros, conforme o relato.<br \/>\nEsses testemunhos s\u00e3o valiosos e cr\u00edveis, devido \u00e0 proje\u00e7\u00e3o que a turminha da gurizada de Pelotas veio ter nas diversas \u00e1reas em que atuaram dali por diante, nos grandes centros brasileiros. Embora a maior parte fossem jornalistas, outros sa\u00edram por outros caminhos e foram profissionais de grande destaque nos seus mercados.<br \/>\nN\u00e3o seria justo destacar nenhum dos autores, por ser injusti\u00e7a com os demais. Neste espa\u00e7o ex\u00edguo de um ve\u00edculo de internet n\u00e3o se pode alongar. \u00a0Citamos apenas o organizador (e autor de v\u00e1rias partes do livro), Louren\u00e7o Cazarr\u00e9. Entretanto, n\u00e3o se pode omitir seus nomes. Portanto, por ordem de entrada em campo: Louren\u00e7o Cazarr\u00e9, Vitor Minas, Rubens amador Filho, Geraldo Hasse, Luiz Lanzetta, Ayrton Centeno, \u00canio Squeff, Carlos Morais, Marcius Cortez, L\u00facio Vaz, Kledir Ramil, Jos\u00e9 de Abreu, Jos\u00e9 Cruz, Marcos Macedo e, um autor oculto, pois sua presen\u00e7a emana do livro, Laerte M\u00e1rio Pedrosa.<br \/>\n\u00c9 muita gente boa. Pelotas deve tremer na base at\u00e9 hoje, pois n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para uma comunidade ter uma galera destas em campo ao mesmo tempo.<br \/>\nO livro tem de tudo. \u00c9 a hist\u00f3ria de um grupo de rapazes, \u00e9 a reportagem sobre uma cidade nos tempos da ditadura, \u00e9 o Rio Grande e, al\u00e9m de tudo, um quadro do Brasil, com pinceladas de arte, racismo, ditadura, imprensa, vida acad\u00eamica, frescura e todos os temas que se possa imaginar.<br \/>\nA vontade \u00e9 escrever sem parar, pois a leitura \u00e9 veloz devido ao texto escorreito dessa turma. O livro \u00e9 lindo, uma obra de arte gr\u00e1fica. A capa \u00e9 de um dos redatores, \u00canio Squeff. <em>50 Tons de Rosa<\/em> \u00e9 um livro de refer\u00eancia para jornalistas de todo o mundo, uma obra imperd\u00edvel para brasileiros, essencial para ga\u00fachos e uma amea\u00e7a aos pelotenses.<br \/>\nBelo livro, em todos os sentidos. Leitura obrigat\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Antonio Severo Segunda metade dos anos 70. O Brasil ferve com a \u201cabertura lenta, gradual e segura\u201d da dupla gauchesca Geisel\/Golbery. A juventude esperneia e vai empurrando a censura. A imprensa alternativa atinge seu auge. Jornaizinhos cr\u00edticos, mal-humorados ou sat\u00edricos d\u00e3o dor de cabe\u00e7a ao governo. 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