{"id":41893,"date":"2016-12-01T18:18:48","date_gmt":"2016-12-01T21:18:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=41893"},"modified":"2016-12-01T18:18:48","modified_gmt":"2016-12-01T21:18:48","slug":"mulher-que-matou-ex-com-nove-tiros-ganha-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mulher-que-matou-ex-com-nove-tiros-ganha-liberdade\/","title":{"rendered":"Mulher que matou ex com nove tiros ganha liberdade"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">RENAN ANTUNES DE OLIVEIRA<\/span><br \/>\nPatrick, o ex de Ana Raquel, arrombou a porta do quarto dela com um chute. Pulou sobre a cama, ficou em p\u00e9, tirou a roupa e come\u00e7ou a se masturbar \u2013 era o roteiro habitual das v\u00e1rias vezes em que Patrick, um fisicultor de 38 anos, abusara da mulher durante um relacionamento de dois anos.<br \/>\nDesta vez, por\u00e9m, ela estava decidida: num movimento r\u00e1pido, sacou debaixo do colch\u00e3o um \u00a0Taurus calibre 32, e atirou nele.<br \/>\n\u201cEu nem senti nada, s\u00f3 apertava o gatilho uma vez atr\u00e1s da outra\u201d, contou Ana Raquel no Tribunal do J\u00fari de Florian\u00f3polis, no final de novembro, dois anos depois do crime.<br \/>\n\u201cDei p\u00e1, p\u00e1, p\u00e1 e continuei\u201d \u2013\u00a0 quando viu a arma vomitando fogo, Patrick tentou fugir, mas era tarde.<br \/>\nAna descarregou a arma de seis tiros nele. Uma das balas acertou a coluna e o deixou im\u00f3vel da cintura para baixo.<br \/>\nPatrick caiu da cama e lutou para sobreviver: mesmo sem movimento dos membros, tentou se arrastar para fora do quarto onde entrara chutando a porta.<br \/>\nFria e controlada, Ana sacou as seis balas extras que havia comprado com a arma duas semanas antes, recarregou e foi caminhando atr\u00e1s dele, batendo boca com Patrick pela \u00faltima vez, desta dando as cartas.<br \/>\nPatrick se virou para ela. Jurou que n\u00e3o iria mais incomod\u00e1-la, ela garante que ele disse \u201cvou te deixar em paz\u201d.<br \/>\nAna respondeu \u201cagora n\u00e3o adianta mais, prefiro ir para a cadeia do que viver contigo\u201d.<br \/>\nE recome\u00e7ou a atirar: mais seis tiros.<br \/>\nForam estes seis tiros extras que transformaram o caso dela em mais complicado do que os casos comuns de leg\u00edtima defesa, como adiante veremos.<br \/>\nDos 12, os m\u00e9dicos encontraram nove balas no corpo dele.<br \/>\nPor milagre, Patrick sobreviveu ao tiroteio.<br \/>\nA cena final foi no p\u00e1tio da casa, com um bando de vizinhos assistindo por cima do muro \u2013 as confus\u00f5es de Patrick com Ana eram um prato pros fofoqueiros da rua.<br \/>\nEla o deixou baleado e gemendo, largou a arma num canto, correu pro telefone e chamou a pol\u00edcia: \u201cMatei uma pessoa\u201d \u2013 ela n\u00e3o sabia que ele estava vivo, mas acertaria no \u201cmatei\u201d.<br \/>\nPatrick foi levado pelos vizinhos para o Hospital Universit\u00e1rio de Floripa, onde morreria depois de quase 10 dias de agonia.<br \/>\nA pol\u00edcia veio, levou Ana Raquel presa em flagrante por assassinato e porte ilegal de arma. O delegado disse que n\u00e3o era leg\u00edtima defesa porque ela teve tempo de recarregar a arma e atirar no atacante que j\u00e1 n\u00e3o poderia lhe causar mal \u2013 o princ\u00edpio da leg\u00edtima defesa \u00e9 justamente o uso da for\u00e7a para se defender, n\u00e3o para matar quem estaria fugindo.<br \/>\nNascida em Santa Maria, a massoterapeuta Ana Raquel conheceu o paulista Patrick em 2013 num an\u00fancio classificado \u2013 ela aceitou trabalhar numa casa de massagens dele em Curitiba.<br \/>\nEla contou ao juiz que em seis meses a vida com ele virou um inferno.<br \/>\nDisse que os dois engataram um romance transformado em \u201cescravid\u00e3o\u201d.<br \/>\nNum raro momento de emo\u00e7\u00e3o no julgamento ela contou que foi for\u00e7ada a se prostituir e que ele n\u00e3o a deixava sair da casa de massagem &#8211; na verdade, um bordel.<br \/>\nA\u00ed come\u00e7ou a romaria dela \u00e0 Pol\u00edcia e \u00e0 Justi\u00e7a, com base na lei Maria da Penha.<br \/>\nEla fugiu para Floripa e alugou uma casinha em Ingleses, mas Patrick descobriu o endere\u00e7o e passou a abusar dela no cafofo.<br \/>\nSegundo o promotor, ela foi nove vezes \u00e0 pol\u00edcia e pediu no mesmo Tribunal de Floripa uma medida restritiva contra Patrick, sem sucesso \u2013 todo mundo achava que ela estava exagerando.<br \/>\nO crime aconteceu em novembro de 2014. Ela passou 20 dias presa e ganhou<em> habeas<\/em> para esperar o julgamento em liberdade.<br \/>\nDurante o processo o promotor examinou a ficha corrida de Patrick. Ele n\u00e3o teve nenhum parente ou amigo que aparecesse para defend\u00ea-lo.<br \/>\nO promotor concluiu que Patrick era do mal.<br \/>\nA\u00ed, no dia do julgamento, ele surpreendeu jurados e audi\u00eancia com um longo discurso pedindo que Ana Raquel n\u00e3o fosse condenada \u2013 logo,ele, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 botar assassinos na cadeia.<br \/>\nEle explicou que o sistema tinha falhado com Ana.<br \/>\nO promotor disse que n\u00e3o era leg\u00edtima defesa, mas \u00a0sim \u201cinexigibilidade de conduta diversa\u201d, que significa \u201cn\u00e3o poderia ter feito outra coisa\u201d \u2013 que foi o que ela fez, comprando a arma de bandidos e matando o ex na frente dos vizinhos.<br \/>\nFora das pequenas respostas que deu ao juiz ela nem parecia entender o que estava acontecendo na corte \u2013 a advogada dela, gratuita, nem abriu o bico.<br \/>\nOs jurados se reuniram por 10 minutos, tomaram caf\u00e9 com bolachinhas e sa\u00edram da sala com o veredicto de inocente.<br \/>\nAna Raquel esperou mais 10 minutos at\u00e9 assinar uns papeis e saiu \u00e0s ruas de Floripa, livre.<br \/>\n<em>(Relato com base nos fatos apresentados ao j\u00fari no julgamento,\u00a0 em 25 de \u00a0novembro de 2016)<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RENAN ANTUNES DE OLIVEIRA Patrick, o ex de Ana Raquel, arrombou a porta do quarto dela com um chute. Pulou sobre a cama, ficou em p\u00e9, tirou a roupa e come\u00e7ou a se masturbar \u2013 era o roteiro habitual das v\u00e1rias vezes em que Patrick, um fisicultor de 38 anos, abusara da mulher durante um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":41909,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-41893","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":41893,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-aTH","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41893\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}