{"id":41900,"date":"2016-12-01T17:21:47","date_gmt":"2016-12-01T20:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=41900"},"modified":"2016-12-01T17:21:47","modified_gmt":"2016-12-01T20:21:47","slug":"a-chapecoense-e-a-integracao-do-oeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-chapecoense-e-a-integracao-do-oeste\/","title":{"rendered":"A Chapecoense e a integra\u00e7\u00e3o do Oeste catarinense"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\"><strong>Marcos A. Bedin*<\/strong><\/span><br \/>\nO invis\u00edvel v\u00e9u de tristeza cobre, silenciosamente, os lares, os escrit\u00f3rios, as f\u00e1bricas e os campos em Chapec\u00f3, desde a madrugada do dia 29, quando, sobressaltado, o mundo tomou conhecimento da trag\u00e9dia com o avi\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Chapecoense de Futebol. O sonho de disputar a final da Copa Sul-Americana foi cruelmente ceifado, quando a aeronave caiu nas franjas do aeroporto de Medell\u00edn, na Col\u00f4mbia.<br \/>\nO acidente \u2013 maior da hist\u00f3ria mundial dos desportos \u2013 gerou como\u00e7\u00e3o \u00edmpar em todos os continentes pela extens\u00e3o da trag\u00e9dia humana que retirou de nosso conv\u00edvio jogadores, comiss\u00e3o t\u00e9cnica, dirigentes, jornalistas, convidados e tripulantes: 71 vidas interrompidas, centenas de familiares infelicitados, milhares de torcedores abalados e milh\u00f5es de pessoas comovidas.<br \/>\nA trag\u00e9dia colheu a Chapecoense na linha ascendente m\u00e1xima de sua recente hist\u00f3ria de 43 anos, quando protagonizava um feito in\u00e9dito para um time catarinense (disputar a Sul-Americana) depois de conquistar o pentacampeonato estadual e assegurar pela terceira vez uma honrosa presen\u00e7a no Campeonato Brasileiro.<br \/>\nA dimens\u00e3o desse estrago ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente assimilada. Eles est\u00e3o presentes em sons e imagens intensamente veiculadas nas m\u00eddias digitais e eletr\u00f4nicas, dando a falsa esperan\u00e7a de que, se ainda \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-los e ouvi-los, talvez ainda seja poss\u00edvel resgat\u00e1-los&#8230;<br \/>\nA Chapecoense foi muito mais que uma equipe corajosa. Sua trajet\u00f3ria traz, em seu bojo, significados hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, asseverar que a conquista do pentacampeonato catarinense de futebol, em 2016, e a perman\u00eancia na S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro, t\u00eam um significado muito mais amplo que a alegria que inoculou na imensa torcida verde-branca. \u00c9 preciso lembrar que esta vasta regi\u00e3o s\u00f3 muito recentemente integrou-se definitivamente na contextura cultural, pol\u00edtica e econ\u00f4mica de Santa Catarina.<br \/>\nDistante do centro de poder pol\u00edtico e isolada pelos acidentes geogr\u00e1ficos, a regi\u00e3o foi desbravada, ocupada e colonizada desde a primeira metade do s\u00e9culo passado por migrantes italianos e alem\u00e3es egressos do Rio Grande do Sul que, aqui, constru\u00edram um modelo de sociedade humana fundada no trabalho, no amor \u00e0 terra e no apego \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es. A natureza das atividades econ\u00f4micas desenvolvidas \u2013 inicialmente o extrativismo, depois a agricultura e a pecu\u00e1ria intensiva e, no ciclo seguinte, a industrializa\u00e7\u00e3o e a tecnifica\u00e7\u00e3o geral das ocupa\u00e7\u00f5es \u2013 vinculou fortemente essa regi\u00e3o com o Sul e o Sudeste. As ra\u00edzes com o Rio Grande do Sul sempre foram rijas, vigorosas e inquebrant\u00e1veis: h\u00e1 exemplo mais eloquente do que a prolifera\u00e7\u00e3o e o culto aos CTGs ou a imensa legi\u00e3o de gremistas e colorados existentes em Chapec\u00f3?<br \/>\nAt\u00e9 a d\u00e9cada de 1970 era escassa a liga\u00e7\u00e3o com o litoral e a Capital do Estado e, por conta disso, rarefeito o sentimento de pertencimento \u00e0 comunidade catarinense. A sensa\u00e7\u00e3o de abandono era palp\u00e1vel. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nicos no oeste eram jornais, emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o ga\u00fachas e paranaenses.<br \/>\nO governo reagiu a essa situa\u00e7\u00e3o criando a Secretaria do Oeste, organismo que, em sua origem, teve capital pol\u00edtico e financeiro para um grande conjunto de obras para a infraestrutura\u00e7\u00e3o do crescimento oestino. Mas a integra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a robustecer-se com a cria\u00e7\u00e3o das redes de comunica\u00e7\u00e3o social leste-oeste de televis\u00e3o, r\u00e1dio e jornais. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o da capital e dos demais polos econ\u00f4micos passaram a pautar temas e fatos do oeste.<br \/>\nAssim, identificam-se tr\u00eas est\u00e1gios na supera\u00e7\u00e3o do hiato leste-oeste: a a\u00e7\u00e3o governamental, a a\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o do esporte. Coube efetivamente ao esporte a definitiva integra\u00e7\u00e3o porque tornamo-nos todos catarinenses convictos com a conquista dos campeonatos de 1977, 1996, 2007, 2011 e 2016 pela Associa\u00e7\u00e3o Chapecoense de Futebol. Com a presen\u00e7a na elite do futebol brasileiro, a autoestima dos oestinos subiu \u00e0 estratosfera e n\u00e3o haveria nada que pudesse esmaec\u00ea-la. A n\u00e3o ser um acidente aeron\u00e1utico&#8230;.<br \/>\nA grande retomada ocorreu h\u00e1 oito anos, quando empres\u00e1rios e aficcionados pelo Clube assumiram os rumos da Chapecoense, sanearam as contas, implantaram um regime austero de gest\u00e3o e iniciaram esse vigoroso per\u00edodo de expans\u00e3o e crescimento. Essa nova e promissora fase em que vive o Clube tem muito a ver com uma caracter\u00edstica do grande oeste catarinense: a pr\u00e1tica do cooperativismo. Foi a coopera\u00e7\u00e3o que mobilizou a integra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, talentos e recursos e colocou em marcha um processo de efici\u00eancia gerencial e vis\u00e3o empresarial. N\u00e3o \u00e9 a toa que duas importantes cooperativas \u2013 a Aurora e a Unimed Chapec\u00f3 \u2013 s\u00e3o apoiadoras de primeira hora.<br \/>\nA f\u00f3rmula do sucesso da Chape foi garra em campo e gest\u00e3o eficaz fora de campo. Transpar\u00eancia, simplicidade, \u00e9tica, determina\u00e7\u00e3o, compromisso com o torcedor \u2013 tudo isso emoldurado por ideais da coopera\u00e7\u00e3o \u2013 resumem os valores do Clube.<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil conviver sem o futebol alegre e vibrante da Chape. E sem os jornalistas que faziam, em Chapec\u00f3, a melhor cr\u00f4nica esportiva do Pa\u00eds. O desaparecimento f\u00edsico dessa pl\u00eaiade abre um buraco negro nos universos do esporte e da comunica\u00e7\u00e3o \u2013 que jamais ser\u00e1 preenchido.<br \/>\n<strong>*Marcos A. Bedin <\/strong>\u00e9 diretor regional do Oeste da Associa\u00e7\u00e3o Catarinense de Imprensa e diretor da MB Comunica\u00e7\u00e3o Empresarial\/Organizacional.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcos A. Bedin* O invis\u00edvel v\u00e9u de tristeza cobre, silenciosamente, os lares, os escrit\u00f3rios, as f\u00e1bricas e os campos em Chapec\u00f3, desde a madrugada do dia 29, quando, sobressaltado, o mundo tomou conhecimento da trag\u00e9dia com o avi\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Chapecoense de Futebol. 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