{"id":42166,"date":"2016-12-11T01:13:18","date_gmt":"2016-12-11T04:13:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=42166"},"modified":"2016-12-11T01:13:18","modified_gmt":"2016-12-11T04:13:18","slug":"circulo-de-pesquisas-literarias-completa-meio-seculo-de-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/circulo-de-pesquisas-literarias-completa-meio-seculo-de-historia\/","title":{"rendered":"C\u00edrculo de Pesquisas Liter\u00e1rias completa meio s\u00e9culo de hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Naira Hofmeister<\/span><br \/>\nCom um \u201cparab\u00e9ns \u00e0 voc\u00ea\u201d cantado em afinados tons graves e velinhas assopradas em uma tradicional torta Marta Rocha, o Cipel \u2013 C\u00edrculo de Pesquisas Liter\u00e1rias \u2013 comemorou 50 anos de estudos da hist\u00f3ria, cultura e manifesta\u00e7\u00f5es sociais do Rio Grande do Sul.<br \/>\nA reuni\u00e3o festiva ocorreu neste s\u00e1bado, 10 de dezembro, em um restaurante na Galeria Chaves, em pleno Centro Hist\u00f3rico de Porto Alegre. Ali na Rua da Praia, uma das tantas que o historiador e decano do clube Moacyr Flores n\u00e3o se conforma por terem mudado de nome (oficialmente ela \u00e9 \u201cdos Andradas\u201d). \u201cAgora mesmo, fui dar o endere\u00e7o para o taxista e n\u00e3o conseguia me lembrar o nome da Jer\u00f4nimo Coelho, s\u00f3 me vinha \u2018do Po\u00e7o\u2019 na cabe\u00e7a&#8230;\u201d, admite.<br \/>\n\u201cN\u00f3s trocamos os nomes populares das ruas, que tinham muita sabedoria, pelos nomes dos generais. Foi depois da Guerra do Paraguai. Mais tarde, com o golpe de 1889, n\u00e3o se podia mais falar nada do Imp\u00e9rio, ent\u00e3o a Rua do Imperador virou da Rep\u00fablica; a da Imperatriz, Ven\u00e2ncio Aires e assim por diante\u201d, recorda, incomodado.<br \/>\nO papo chegou a este ponto porque, aos 82 anos, Moacyr Flores prepara seu artigo para a 32\u00aa antologia do Cipel, publica\u00e7\u00e3o anual tem\u00e1tica da casa. A edi\u00e7\u00e3o 2017 vai abordar \u201cLiteratura &amp; Cinema\u201d e o historiador est\u00e1 escrevendo sobre a adapta\u00e7\u00e3o de O Corti\u00e7o, de Alu\u00edsio de Azevedo para as telas. No livro h\u00e1 descri\u00e7\u00e3o minuciuosa do tecido urbano do bairro de Botafogo no Rio de Janeiro, por coincid\u00eancia, onde Moacyr e a esposa, a tamb\u00e9m historiadora Hilda Flores possuem um apartamento. \u201cL\u00e1 est\u00e1 tudo igual: vamos a um supermercado em uma rua que \u00e9 mencionada no romance\u201d, exemplifica.<br \/>\nSe Moacyr \u00e9 o decano, Hilda foi a s\u00f3cia que mais tempo permaneceu no cargo m\u00e1ximo do Cipel \u2013 de presidente, n\u00e3o presidenta, conforme sua prefer\u00eancia. Foram 26 anos \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o, 13 gest\u00f5es, cap\u00edtulo que se encerrou tamb\u00e9m neste s\u00e1bado, quando ela passou as chaves da institui\u00e7\u00e3o ao novo \u2013 e jovem \u2013 presidente da casa, Rafael B\u00e1n Jacobsen, um f\u00edsico e escritor de 36 anos.<br \/>\nO ato soa solene, mas Jacobsen logo desmistifica: \u201cAgora sou eu que tenho que tomar conta da faxina, cuidar para que os cupins n\u00e3o ataquem o acervo&#8230;\u201d. Nada de glamour.<br \/>\nO Cipel se mant\u00e9m com a anuidade paga pelos seus s\u00f3cios, que n\u00e3o chegam a 100 pessoas. As antologias s\u00e3o fruto de trabalho caseiro \u2013 capas, diagrama\u00e7\u00e3o, editora\u00e7\u00e3o, tudo fica por conta de algum integrante do grupo. No caso, a maioria do trabalho recai sobre Lot\u00e1rio Neuberger, que mant\u00e9m a Ediplat \u2013 Editora Pl\u00e1tano Ltda \u2013 respons\u00e1vel pelas publica\u00e7\u00f5es da casa. No n\u00famero mais recente, que se dedica aos 50 anos do c\u00edrculo, a capa \u00e9 obra criativa de Moacyr Flores, que produziu e fotografou a imagem, e desenvolveu a arte no computador.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Dissid\u00eancia anti-discursos<\/span><br \/>\nO Cipel foi fundado em 8 de dezembro de 1966, fruto de uma dissid\u00eancia da Academia Rio-grandense de Letras (ARL). \u201cNa Academia tinha muito discurso, auto-elogios. Pesquisa mesmo e debate, era muito pouco\u201d, explica Moacyr Flores.<br \/>\nFoi quando Lothar Hessel, professor da Faculdade de Letras da Ufrgs, \u201caglutinou um grupo de ex-alunos, amigos e colegas da ARL em torno de debates que desejavam conhecer melhor\u201d, conta Hilda, no texto introdut\u00f3rio da 31\u00aa antologia, dedicada ao cinquenten\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cCostumavam encontrar-se na Livraria do Globo, at\u00e9 que um dia Pedro Leite Villas-B\u00f4as ofereceu um apartamento no centro da cidade. Na segunda reuni\u00e3o criaram o Cipel\u201d, detalha.<br \/>\nNos primeiros anos o trabalho consistiu em fazer levantamentos bibliogr\u00e1ficos no interior do Estado. \u201cN\u00e3o havia nenhuma pesquisa sobre a nossa literatura. Cheg\u00e1vamos nas bibliotecas e pergunt\u00e1vamos: o que tem de produ\u00e7\u00e3o daqui? Se lembravam o nome do autor, n\u00e3o sabiam as obras ou conheciam apenas uma\u201d, relata Moacyr Flores.<br \/>\nDessa pesquisa surgiram os primeiros dicion\u00e1rios de literatura ga\u00facha.<br \/>\n<span class=\"intertit\"><b>Homenagem ao Partenon Liter\u00e1rio<\/b><\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_42169\" aria-describedby=\"caption-attachment-42169\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-42169\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/IMG_2361.jpg\" alt=\"Monumento com a nominata da associa\u00e7\u00e3o cultural pioneira de Porto Alegre foi reinaugurado \" width=\"640\" height=\"640\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-42169\" class=\"wp-caption-text\">Monumento com a nominata da associa\u00e7\u00e3o cultural pioneira de Porto Alegre foi reinaugurado<\/figcaption><\/figure><br \/>\nOutro dos objetos de estudo desse grupo pioneiro foi o Partenon Liter\u00e1rio, associa\u00e7\u00e3o cultural porto-alegrense do s\u00e9culo XIX. Entre outras atividades, o Partenon promovia saraus, aulas noturnas para pobres e escravos, editava uma revista liter\u00e1ria \u2013 tudo isso em uma cidade onde a maioria esmagadora da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabia ler nem escrever.<br \/>\nO Partenon foi o tema da primeira antologia do Cipel, publicada em 1976. Na quarta-feira da semana passada (7 de dezembro), o C\u00edrculo de Pesquisas Liter\u00e1rias reinaugurou um monumento em homenagem \u00e0 associa\u00e7\u00e3o pioneira na Pra\u00e7a da Matriz. A antiga placa de bronze com a nominata dos s\u00f3cios mais ativos do Partenon, instalada no local nos anos 80 por iniciativa do Cipel, mas roubada posteriormente, foi substitu\u00edda por uma de pedra.<br \/>\n\u201cO Partenon foi um marco cultural , chegou a reunir 80 s\u00f3cios e \u00e9 anterior inclusive \u00e0 Academia Brasileira de Letras. Fez campanha pela aboli\u00e7\u00e3o e defendeu o republicanismo muito antes de esses temas ganharem as ruas\u201d, elogiou, na ocasi\u00e3o, Moacyr Flores.<br \/>\nOutro feito not\u00e1vel do Partenon foi ter levado a cabo uma campanha pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. A professora Luciana de Abreu foi o s\u00edmbolo dessa causa, ao ter sido a primeira mulher a falar em uma tribuna \u2013 a do Partenon \u2013 no Brasil.<br \/>\nO grupo tamb\u00e9m criou um curso noturno de alfabetiza\u00e7\u00e3o para pobres e escravos que desejassem aprender a ler e escrever e incentivou a cria\u00e7\u00e3o de bibliotecas no interior do Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister Com um \u201cparab\u00e9ns \u00e0 voc\u00ea\u201d cantado em afinados tons graves e velinhas assopradas em uma tradicional torta Marta Rocha, o Cipel \u2013 C\u00edrculo de Pesquisas Liter\u00e1rias \u2013 comemorou 50 anos de estudos da hist\u00f3ria, cultura e manifesta\u00e7\u00f5es sociais do Rio Grande do Sul. 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