{"id":42378,"date":"2016-12-14T13:38:21","date_gmt":"2016-12-14T16:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=42378"},"modified":"2016-12-14T13:38:21","modified_gmt":"2016-12-14T16:38:21","slug":"porto-alegre-precisa-de-um-plano-diretor-de-arborizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/porto-alegre-precisa-de-um-plano-diretor-de-arborizacao\/","title":{"rendered":"Porto Alegre precisa de um plano diretor de arboriza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As podas radicais feitas nas \u00e1rvores da capital pela CEEE, por delega\u00e7\u00e3o da Prefeitura, est\u00e3o ferindo o sentimento dos portoalegrenses afei\u00e7oados ao paisagismo estabelecido em avenidas e ruas da cidade desde os festejos da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha (1935), quando as autoridades municipais mandaram plantar diversas mudas (ent\u00e3o pequeninas, como todas as plantas jovens) de esp\u00e9cies vegetais de grande porte.<br \/>\nUma das marcas daqueles tempos festivos s\u00e3o as majestosas palmeiras plantadas nos canteiros centrais de algumas avenidas. Outra, as tipuanas que sombreiam ruas inteiras como a Marqu\u00eas de Pombal e a Gon\u00e7alo de Carvalho. Isso para n\u00e3o falar dos alfeneiros, cinamomos, jacarand\u00e1s e pl\u00e1tanos espalhados por alguns bairros mais antigos, onde os volunt\u00e1rios da arboriza\u00e7\u00e3o se esmeraram na ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os dispon\u00edveis com mudas que, por gosto ou acaso, lhes ca\u00edam nas m\u00e3os.<br \/>\nPara o bem e para o mal, as \u00e1rvores crescem, suas ra\u00edzes levantam cal\u00e7adas, seus troncos elevam galhos acima dos telhados, folhas e frutos \u201csujam\u201d os passeios, eventualmente algum galho tomba sobre algu\u00e9m distra\u00eddo e a popula\u00e7\u00e3o se divide entre a condena\u00e7\u00e3o do mundo vegetal e a piedade sobre os infelizes humanos acidentados.<br \/>\nDeu no que a\u00ed est\u00e1: sem um plano diretor de arboriza\u00e7\u00e3o ou paisagismo, a prefeitura entregou a gest\u00e3o do acervo arborial \u00e0 concession\u00e1ria de energia, que naturalmente encara as \u00e1rvores como estorvos \u00e0 normalidade do servi\u00e7o e fontes de preju\u00edzos.<br \/>\nOs cortes executados pela CEEE atingem todos os esp\u00e9cimes que ousam colocar acima de cinco metros de altura. S\u00e3o mutila\u00e7\u00f5es que concorrem para acelerar o fim de \u00a0abacateiros, angicos, espat\u00f3dias, flamboyants,\u00a0 grev\u00edleas, guapuruvus, ip\u00eas, mangueiras, paineiras, pl\u00e1tanos, paus ferro, pinheiros e sibipirunas &#8212; \u00e1rvores efetivamente mais apropriadas para parques e jardins do que para cal\u00e7adas ou canteiros.<br \/>\nA poda deveria ser uma a\u00e7\u00e3o humana inteligente, a favor da vegeta\u00e7\u00e3o. \u00a0Aqui e ali cabem interven\u00e7\u00f5es para corrigir distor\u00e7\u00f5es ou evitar acidentes. Na maior parte dos casos, as pr\u00f3prias \u00e1rvores se desfazem de galhos que n\u00e3o lhes servem. Al\u00e9m disso, as \u00e1rvores, como os animais, t\u00eam limite et\u00e1rio. Raras esp\u00e9cies frut\u00edferas ou ornamentais atingem 100 anos. Aos poucos, v\u00e3o se deixando aniquilar pelas intemp\u00e9ries. Nessa fase senil, s\u00e3o mais perigosas porque seus galhos s\u00e3o muitos pesados. Se apodrecem ou s\u00e3o derrubados pelo vento, os galhos podem causar danos graves em que estiver por perto. Por isso, \u00e9 fundamental que os respons\u00e1veis pelo paisagismo urbano providenciem a paulatina substitui\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores-gigantes por esp\u00e9cies cuja altura n\u00e3o exceda seis metros de altura. Se o prefeito Fortunati jogou a toalha, talvez Marchesan chegue com \u00e2nimo para mudar o panorama paisag\u00edstico da capital. Em quatro anos, com sensibilidade e bom senso, d\u00e1 para iniciar a reciclagem do verde em Porto Alegre.<br \/>\nNas cal\u00e7adas sem postes de fia\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel manter por longo prazo esp\u00e9cies vegetais de grande porte. Nos passeios com postes, \u00e9 recomend\u00e1vel que sejam plantadas, com um adensamento capaz de prover o sombreamento das cal\u00e7adas, sem risco de acidentes graves com os pedestres, as seguintes \u00e1rvores: ac\u00e1cia, ara\u00e7azeiro, bico-de-papagaio, cafeeiro, camelieira, coc\u00e3o, pata de vaca, bergamoteira, extremosa, hibisco, jasmineiro do Hava\u00ed, laranjeira, leiteirinho, leucena, limoeiro, primavera, pitangueira e quaresmeira.<br \/>\nCom essas e outras esp\u00e9cies de pequeno porte, ficar\u00e1 claro que a arboriza\u00e7\u00e3o e a fia\u00e7\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis, desde que se tenha crit\u00e9rio na ado\u00e7\u00e3o de um programa de fomento ao paisagismo consciente.<br \/>\nJ\u00e1 ficou suficientemente provado que ningu\u00e9m est\u00e1 disposto a enterrar os cabos de transmiss\u00e3o de eletricidade e sinais, como manda uma lei aprovada anos atr\u00e1s pelos vereadores. Al\u00e9m de incorrer em custos elevados, a troca da fia\u00e7\u00e3o a\u00e9rea por dutos subterr\u00e2neos provavelmente acirraria as disputas por espa\u00e7os entre os concession\u00e1rios de servi\u00e7os. Al\u00e9m das tradicionais tubula\u00e7\u00f5es de \u00e1gua e esgotos do DMAE, a cidade est\u00e1 recebendo os dutos da Sulg\u00e1s. Em algumas \u00e1reas, h\u00e1 cabos telef\u00f4nicos mantidos por herdeiros da CRT, que tamb\u00e9m alugam postes da CEEE para atender usu\u00e1rios de telefone e TV a cabo. Isso sem falar dos sinais de tr\u00e2nsito da EPTC.<br \/>\nNuma cidade \u00e0 beira de um lago e sujeita a cheias, enterrar toda a fia\u00e7\u00e3o a\u00e9rea seria transferir para baixo da terra a parafern\u00e1lia que se v\u00ea nos postes de luz. Melhor deixar como est\u00e1 e as \u00e1rvores que se adaptem ou saiam do caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As podas radicais feitas nas \u00e1rvores da capital pela CEEE, por delega\u00e7\u00e3o da Prefeitura, est\u00e3o ferindo o sentimento dos portoalegrenses afei\u00e7oados ao paisagismo estabelecido em avenidas e ruas da cidade desde os festejos da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha (1935), quando as autoridades municipais mandaram plantar diversas mudas (ent\u00e3o pequeninas, como todas as plantas jovens) de esp\u00e9cies vegetais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-42378","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":42378,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-b1w","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42378\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}