{"id":425,"date":"2005-11-08T13:32:38","date_gmt":"2005-11-08T16:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=425"},"modified":"2005-11-08T13:32:38","modified_gmt":"2005-11-08T16:32:38","slug":"comeca-a-temporada-do-corre-corre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/comeca-a-temporada-do-corre-corre\/","title":{"rendered":"Come\u00e7a a temporada do corre-corre"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cidade\/camelos_media.jpg?0.5209491734618163\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: x-small\"><strong>As cal\u00e7adas do Centro ficaram livres dos produtos dos camel\u00f4s irregulares (Fotos: Naira Hofmeister)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A vendedora de sorvetes na rua Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria estranhou: \u201cU\u00e9, hoje n\u00e3o tem camel\u00f4 na rua?\u201d. Pelo jeito, a senhora fazia parte de uma minoria que n\u00e3o estava informada sobre a a\u00e7\u00e3o da Smic contra o com\u00e9rcio de mercadorias ilegais no centro de Porto Alegre. As ruas onde os camel\u00f4s se aglomeram diariamente estavam na manh\u00e3 desta segunda-feira (7) liberadas para o tr\u00e2nsito de pedestres. A maioria da popula\u00e7\u00e3o aplaudiu a atitude da Prefeitura.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Prefeitura promete revezar diariamente quase 100 fiscais da Secretaria de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio no controle dos chamados \u201ccaixinhas\u201d, os ambulantes n\u00e3o autorizados pela prefeitura, que vendem principalmente \u00f3culos, CDs falsificados. Eles foram divididos entre as \u00e1reas mais criticas, 30 se concentrando na Pra\u00e7a 15 e outros 60 espalhados pelas ruas laterais, como Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, Ot\u00e1vio Rocha, Borges de Medeiros e Salgado Filho.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 manter a aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o deixar montar a barraquinha. Recolher a mercadoria e identificar o vendedor, para que n\u00e3o retorne mais\u201d, explica Rog\u00e9rio Teixeira Stockey, chefe da fiscaliza\u00e7\u00e3o da SMIC.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Brigada Militar destacou um corpo especial para dar apoio \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Segundo o comandante da opera\u00e7\u00e3o, Capit\u00e3o Trajano, ser\u00e3o dezenove homens pela manh\u00e3 e outros dezenove \u00e0 tarde, motos e viaturas. Por\u00e9m, no primeiro dia da a\u00e7\u00e3o dos fiscais nas ruas do Centro da Capital,  o n\u00famero de policiais foi maior. Havia um policial em cada esquina do Centro e v\u00e1rios circulando pelas ruas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar da presen\u00e7a ostensiva, o Capit\u00e3o Trajano afirma que \u201cn\u00e3o vai haver confus\u00e3o\u201d. Ele adverte que  a SMIC tem poder para interferir no com\u00e9rcio ilegal e que seus comandados s\u00f3 est\u00e3o garantindo a integridade dos fiscais: \u201cOs camel\u00f4s podem sair administrativa ou criminalmente; nesse caso, a Brigada vai atuar\u201d, explica.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/camelos2-media.jpg?0.949328465158161\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><br \/>\n<strong><span style=\"color: #666666;font-size: x-small\">Poucos ambulantes se arriscaram a vender as mercadorias<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Nas primeiras horas de opera\u00e7\u00e3o, foram apreendidos cerca de 500 CDs e DVDs com um homem e alguns \u00f3culos de sol com outro vendedor. Os fiscais ainda recolheram dois expositores, onde seriam colocadas as mercadorias. N\u00e3o houve confus\u00e3o e ningu\u00e9m foi preso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para a gerente da Loja Multisom da Otavio Rocha, Maria Duarte, a fiscaliza\u00e7\u00e3o vai garantir as vendas do com\u00e9rcio legal: \u201cPerdemos cerca de 50% da venda di\u00e1ria por causa deles\u201d. Ela explica que, na loja, um lan\u00e7amento chega a custar R$ 35,00; no camel\u00f4, o mesmo CD sai por tr\u00eas reais.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc0033\">Ambulantes camuflaram as vendas<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A presen\u00e7a de policias e agentes da Smic intimidou os ambulantes. Poucos se arriscaram a vender as mercadorias. Camuflado no meio dos legalizados, um homem sentado numa cadeira repetia frase j\u00e1 tradicional \u201cCD ou DVD, amiga\u201d? Garantiu que a mercadoria n\u00e3o estava toda com ele, \u201cmas pede a\u00ed, que eu arranjo ligeiro\u201d, finalizou.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na esquina da Dr Flores com a Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, tr\u00eas vendedores se reuniram para definir qual a melhor estrat\u00e9gia. Diane puxava o coro: \u201cVamos fazer protesto, gente!\u201d. Com o passar do tempo, o n\u00famero aumentou. O \u00fanico consenso era de que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para trabalhar. Fora isso, as sugest\u00f5es eram diversas: \u201cVou vender na parada de \u00f4nibus, se for preciso\u201d, disse um. Outro n\u00e3o queria nem saber: \u201cVamos quebrar tudo!\u201d. O rapaz acredita que assim a Smic voltaria atr\u00e1s na decis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Daiane conta que n\u00e3o esta na rua por op\u00e7\u00e3o, mas por necessidade: \u201cTenho que levar fraldas e leite para minha filha. J\u00e1 pensou se eu n\u00e3o arrumo dinheiro hoje\u201d? E completa: \u201cN\u00e3o trabalho para ningu\u00e9m. Eu j\u00e1 fiz ficha na C&amp;A e na Marisa, mas nenhuma me chamou. E olha que eu tenho estudo\u201d. Daiane tem o segundo grau completo. Para ela, um dia de trabalho rende cerca de R$ 150,00: \u201cEm dia bom, at\u00e9 R$ 300,00\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois das 10 horas da manh\u00e3, alguns mais corajosos come\u00e7aram a estirar as lonas amarelas na cal\u00e7ada e armar as banquinhas. Na Marechal Floriano com a Salgado Filho, Alexandre e Odorico estavam ressabiados, mas como a mercadoria deles n\u00e3o \u00e9 pirateada, acreditam que n\u00e3o ser\u00e3o atingidos: \u201cVou colocar s\u00f3 uns dois ou tr\u00eas quadrinhos e ficar na manha\u201d, disse Odorico. Alexandre aproveitou para fazer uma cr\u00edtica \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o da Secretaria: \u201cEles fazem tudo errado. Primeiro liberam o ano inteiro, as ruas ficam tomadas de camel\u00f4s, e agora, que t\u00e1 todo mundo acostumado, eles resolvem nos mandar embora.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Sidney, que normalmente freq\u00fcenta a Pra\u00e7a 15, hoje estava um pouco mais escondido. Escolheu uma esquina da Riachuelo e se manteve atento \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o. Ao perceber uma Kombi vindo em sua dire\u00e7\u00e3o, saiu correndo e entro num estabelecimento \u2013 provavelmente de amigos. Mas o autom\u00f3vel n\u00e3o era da Smic e Sidney voltou sorrindo, aliviado: \u201cVou ficar aqui at\u00e9 que me peguem\u201d, desafiou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cal\u00e7adas do Centro ficaram livres dos produtos dos camel\u00f4s irregulares (Fotos: Naira Hofmeister) Naira Hofmeister A vendedora de sorvetes na rua Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria estranhou: \u201cU\u00e9, hoje n\u00e3o tem camel\u00f4 na rua?\u201d. 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