{"id":43105,"date":"2017-01-10T14:32:18","date_gmt":"2017-01-10T17:32:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=43105"},"modified":"2017-01-10T14:32:18","modified_gmt":"2017-01-10T17:32:18","slug":"grandola-vila-morena-o-hino-da-contestacao-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/grandola-vila-morena-o-hino-da-contestacao-portuguesa\/","title":{"rendered":"\u00abGr\u00e2ndola Vila Morena\u00bb: o hino da contesta\u00e7\u00e3o portuguesa"},"content":{"rendered":"<p><em>A partida de M\u00e1rio Soares \u2013 um dos principais l\u00edderes do campo democr\u00e1tico portugu\u00eas \u2013, no \u00faltimo dia 7 de janeiro, entristece a todos os democratas. Co-fundador do Partido Socialista portugu\u00eas, sua oposi\u00e7\u00e3o ao ditador Salazar lhe valeu o ex\u00edlio em S\u00e3o Tom\u00e9 e, depois, na Fran\u00e7a, de onde voltou tr\u00eas dias ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, em abril de 1974. Ocupou o cargo de primeiro-ministro por tr\u00eas mandatos e o de presidente por duas vezes.<\/em><br \/>\n<em>O texto que segue, escrito pela professora Maria-No\u00eblle Ciccia, da Universidade\u00a0Paul-Val\u00e9ry, resgata a hist\u00f3ria e a significa\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o-s\u00edmbolo da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos \u2013 Gr\u00e2ndola Morena \u2013 e presta uma homenagem a este grande personagem da hist\u00f3ria de Portugal.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Patr\u00edcia Reuillard<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n<p><span class=\"assina\"><strong>Maria-No\u00eblle Ciccia<\/strong><\/span><br \/>\nEm Fevereiro de 2013, no momento em que o Primeiro Ministro portugu\u00eas Passos Coelho se preparava para pronunciar um discurso sobre o or\u00e7amento diante da Assembleia Nacional, um grupo de manifestantes conseguiu interromper o debate parlamentar durante longos minutos, entoando\u00a0 a can\u00e7\u00e3o\u00a0 \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola Vila Morena\u00a0\u00bb nas galerias do Parlamento (<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=M53-cxC8B1E\">v\u00eddeo<\/a>). A escolha desta can\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Afonso n\u00e3o se\u00a0 fez ao acaso. Faz hoje parte do patrim\u00f3nio cultural da democracia portuguesa, sacralizada como hino da contesta\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o tenha sido concebida com tal objetivo. A letra (poema escrito em 1964 em homenagem \u00e0 Sociedade Musical Grandolense na ocasi\u00e3o da festa da \u00ab\u00a0Fraternidade Oper\u00e1ria de Gr\u00e2ndola\u00a0\u00bb) e o caminho percorrido gra\u00e7as \u00e0 transmiss\u00e3o por agentes ligados \u00e0 dissid\u00eancia, deram-lhe o car\u00e1ter subversivo que ela n\u00e3o aparentava inicialmente.<br \/>\nPosta em m\u00fasica pelo pr\u00f3prio Zeca Afonso em 1971, a can\u00e7\u00e3o permaneceu clandestina at\u00e9 que foi escolhida como senha pelos capit\u00e3es da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos do 25 de Abril de 1974. Esse destino sacralizou-a enquanto can\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que faz hoje parte do imagin\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o portuguesa. Esse imagin\u00e1rio \u00e9 a utopia de uma revolu\u00e7\u00e3o militar que derrubou a ditadura salazarista, prometendo futuro melhor ao povo. Mesmo que hoje n\u00e3o se tenham concretizado totalmente os ideais revolucion\u00e1rios da altura, a can\u00e7\u00e3o continua divulgando as esperan\u00e7as de mudan\u00e7a pol\u00edtica e social em Portugal.<br \/>\nExistem dois tipos de can\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as que foram escritas com conte\u00fado expressamente pol\u00edtico (como por exemplo, \u00ab\u00a0A Internacional\u00a0\u00bb), e as que s\u00e3o recebidas como pol\u00edticas sem terem sido concebidas nesse intuito (por exemplo \u00ab\u00a0Lili Marleen\u00a0\u00bb). Por raz\u00f5es diversas, elas tornam-se indissoci\u00e1veis de um momento intenso da vida coletiva.\u00a0 Assim \u00e9 \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola Vila morena\u00a0\u00bb, cuja letra inclui palavras politicamente conotadas quando inseridas no contexto e \u00e9poca em que foram escritas.<br \/>\nA pr\u00f3pria m\u00fasica, um <em>cante alentejano<\/em> de tipo tradicional, remete para um canto popular mas tamb\u00e9m para um canto lit\u00fargico cantado <em>a capella<\/em>, por grupos de homens, em comuni\u00e3o, dando-lhe um aspeto sagrado. A r\u00edtmica dada pelo barulho das botas dos homens a caminho do trabalho na ro\u00e7a \u00ab\u00a0etniciza\u00a0\u00bb\u00a0 o conjunto e remete para o inconsciente coletivo da popula\u00e7\u00e3o rural, pobre, sofrendo condi\u00e7\u00f5es de vida dif\u00edceis (ver o exemplo neste <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ap1YKPl4doo\">v\u00eddeo\u00a0<\/a>). Assim, Zeca produziu uma can\u00e7\u00e3o que, embora fosse cria\u00e7\u00e3o nova, inseriu-se sem dificuldades no patrim\u00f3nio cultural no seu pa\u00eds porque \u00ab\u00a0falava\u00a0\u00bb ao povo. A transmiss\u00e3o oral das can\u00e7\u00f5es populares e tradicionais funcionou tamb\u00e9m aqui para a reapropria\u00e7\u00e3o popular da can\u00e7\u00e3o. A perform\u00e2ncia art\u00edstica dobrou-se de um forte poder integrador, ligando todas as camadas populacionais \u00e0 volta de uma can\u00e7\u00e3o-patrim\u00f3nio que estabeleceu uma ponte entre a tradi\u00e7\u00e3o e o momento pr\u00e9-revolucion\u00e1rio e revolucion\u00e1rio. O v\u00ednculo entre m\u00fasica e nacionalismo\u00a0 \u00e9 muito forte pois a m\u00fasica junta os homens, acompanha as manifesta\u00e7\u00f5es de massa e difunde o sentimento de perten\u00e7a. Atua mais no afeto do que na raz\u00e3o\u00a0das pessoas ; da\u00ed, o seu impacto mais forte e dur\u00e1vel. Ainda por cima, o <em>cante alentejano<\/em> acompanha-se do movimento unido do grupo de cantores que se move num ritmo bin\u00e1rio (balan\u00e7o de uma perna sobre a outra), dando pot\u00eancia maior \u00e0s vozes\u00a0: esse movimento \u00fanico remete para a imagem de uma uni\u00e3o que parece indestrut\u00edvel. Assim a can\u00e7\u00e3o tornou-se canto mobilizador gra\u00e7as \u00e0s suas qualidade musicais, capazes de despertar um sentimento de perten\u00e7a e de uni\u00e3o popular.<br \/>\nMas n\u00e3o se pode esquecer o valor da letra que faz de Gr\u00e2ndola, cidadezinha do Alentejo, a meton\u00edmia feminizada (\u00ab\u00a0morena\u00a0\u00bb) de um pa\u00eds que confraterniza (\u00ab\u00a0terra da fraternidade\u00a0\u00bb) na uni\u00e3o da terra e do povo. O verso \u00ab\u00a0O povo \u00e9 quem mais ordena\u00a0\u00bb lembra o ideal social das terras alentejanas tradicionalmente comunistas. Mas, al\u00e9m do povo na sua globalidade, cada grandolense tamb\u00e9m \u00e9 considerado por si s\u00f3 e como amigo de todos os outros. A letra exprime uma altern\u00e2ncia entre individualidde e coletividade que permite a cada um de encontrar o seu lugar numa sociedade em que os valores mais importantes s\u00e3o a<em> fraternidade,<\/em> a<em> igualdade <\/em>e a <em>vontade<\/em>, valores humanos e humanistas que lembram o combate iluminista pela revolu\u00e7\u00e3o e a democracia.<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\nDentro de ti, \u00f3 cidade<br \/>\nDentro de ti, \u00f3 cidade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nEm cada esquina um amigo<br \/>\nEm cada rosto igualdade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nEm cada rosto igualdade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\n\u00c0 sombra duma azinheira<br \/>\nQue j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade<br \/>\nJurei ter por companheira<br \/>\nGr\u00e2ndola a tua vontade<br \/>\nGr\u00e2ndola a tua vontade<br \/>\nJurei ter por companheira<br \/>\n\u00c0 sombra duma azinheira<br \/>\nQue j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade<br \/>\nDez dias depois do golpe falhado de 19 de mar\u00e7o de 1974, Zeca cantou \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola\u00a0\u00bb no <em>Coliseu dos Recreios<\/em>, a grande sala de espet\u00e1culos de Lisboa, no Primeiro Encontro da Can\u00e7\u00e3o Portuguesa. Curiosamente os censores da PIDE\/DGS deixaram-no cantar como tamb\u00e9m deixaram os outros cantores entoarem a can\u00e7\u00e3o no palco. Esse momento de uni\u00e3o foi imediatamente sentido como ato militante pelos espetadores ali presentes que a descodificaram logo como can\u00e7\u00e3o comprometida. Receberam-no como uma \u00ab\u00a0proposta pol\u00edtica\u00a0\u00bb, enquanto a can\u00e7\u00e3o apenas evocava a condi\u00e7\u00e3o do povo em termos gerais e simples, sem convite preciso para a luta. Foi o contexto pol\u00edtico que levou a tal fen\u00f3meno de compromiss\u00e3o e fez da can\u00e7\u00e3o uma tribuna pol\u00edtica.<br \/>\n<iframe title=\"Zeca Afonso - Gr\u00e2ndola, Vila Morena\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gaLWqy4e7ls?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\nEm Abril de 1974, o processo revolucion\u00e1rio dos militares est\u00e1 lan\u00e7ado. Sendo os meios de comunica\u00e7\u00e3o insuficientes, eles decidem usar a R\u00e1dio Renascen\u00e7a para difundir a senha da marcha sore Lisboa, a can\u00e7\u00e3o \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola Vila Morena\u00a0\u00bb, \u00e0s 0\u00a0h\u00a020 na madrugada do 25\u00a0de Abril. A partir desse momento, a can\u00e7\u00e3o torna-se definitivamente subversiva e ainda hoje\u00a0 ao contr\u00e1rio da maioria das can\u00e7\u00f5es que dificilmente resistem ao envelhecimento, \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola\u00a0\u00bb, pela sua aura e for\u00e7a simb\u00f3lica, continua a gozar de prest\u00edgio.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-43113 alignright\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Revolu\u00e7\u00e3o-dos-Cravos-300x265.jpg\" alt=\"revolucao-dos-cravos\" width=\"300\" height=\"265\" \/><br \/>\nNos momentos de descontentamento social e pol\u00edtico, a can\u00e7\u00e3o sai \u00e0 <a href=\"http:\/\/aviagemdosargonautas.net\/2013\/02\/22\/2-de-marco-solta-a-grandola-que-ha-em-ti\/\">rua<\/a>. Assim, em Fevereiro de 2013, come\u00e7ou uma onda de\u00a0<em>grandoladas<\/em>\u00a0(substantivo derivado do neologismo <em>grandolar<\/em>, que significa vaiar uma personalidade cantando \u00ab\u00a0Grandola\u00a0\u00bb para a impedir de falar). A popula\u00e7\u00e3o portuguesa, exausta pelas medidas de restri\u00e7\u00e3o impostas pelo governo de Passos Coelho, manifestou o seu descontentamento repetidas vezes. Para tal, n\u00e3o usou o hino oficial portugu\u00eas mas, sim, \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola\u00a0\u00bb como hino de uni\u00e3o nacional. Tamb\u00e9m nos cartazes dos manifestantes nas ruas, p\u00f4de-se ler na altura \u00ab\u00a0<a href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/milhares-de-pessoas-j%C3%A1-ocupam-o-marqu%C3%AAs-de-pombal-em-lisboa\/26917\">Que se lixe a Troika [o FMI, o BCE e a Uni\u00e3o Europeia]. O povo \u00e9 quem mais ordena\u00a0<\/a>\u00bb. \u00ab\u00a0Gr\u00e2ndola\u00a0\u00bb, ficou hino da revolta, da reivindica\u00e7\u00e3o social, institucionalizado numa tradi\u00e7\u00e3o em Portugal. Pacificamente, a can\u00e7\u00e3o tem-se tornado arma de combate para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o. Exerce um efeito\u00a0 igualizador, suprimindo a diferen\u00e7a entre as camadas populacionais. O int\u00e9rprete da can\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 Zeca Afonso mas o povo portugu\u00eas. Arma perfeita porque n\u00e3o violenta, ela consegue mandar calar os homens pol\u00edticos, reivindicando os valores de uma democracia\u00a0 de que eles pr\u00f3prios se declaram partid\u00e1rios\u00a0: s\u00f3 podem calar e sorrir. Assim conclui <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/politica\/noticia\/grandola-viral-1585158\">Leonete Botelho\u00a0<\/a>: \u00ab\u00a0Como se controlam manifesta\u00e7\u00f5es avulsas, espont\u00e2neas e desenquadradas politicamente\u00a0? N\u00e3o se controlam. Evitam-se. N\u00e3o fechando as portas dos pal\u00e1cios, porque elas n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para conter a indigna\u00e7\u00e3o. Nem evitando os contactos com as pessoas, porque a sua voz vir\u00e1 sempre pelas ondas hertzianas e electr\u00f3nicas\u00a0\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partida de M\u00e1rio Soares \u2013 um dos principais l\u00edderes do campo democr\u00e1tico portugu\u00eas \u2013, no \u00faltimo dia 7 de janeiro, entristece a todos os democratas. 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